domingo, 22 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18550: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXVIII-A: As minhas viagens por terras do Cacheu em 1968

Foto nº 1 >  Cacheu, 1968 > Monumento


Foto nº 2  > Cacheu, 1968 > Casas novas


Foto nº 3 > Cacheu, 1968 > Vista do mato


Foto nº 4  > Cacheu, 1968 > Eu, na autometralhadora Daimer, ME-90-72


Foto nº 5 > Cacheu, 1968 > Vista do rio Cacheu


Foto nº 6 > Cacheu, 1968 > Vista di quartel de Cacheu


Foto nº 7 > Cacheu, 1968 > Picada do Cacheu


Guiné > Região de Cacheu > Cacheu > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Fotos (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem, de 23 de março último, de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem mais de 4 dezenas de referências no nosso blogue:


Olá, Luís e demais camaradas,

Hoje lembrei-me de mandar mais umas fotos.

Estas são algumas de muitas sobre as diversas viagens que fazia no tal barco da Engenharia, o Sintex, com 2 motores fora de borda, entre São Domingos e Cacheu. Umas vezes em serviço, e outras nem por isso, mais desenfiado e para 'desopilar' daquele local que chamei de 'Campo de concentração de S. Domingos'.

Normalmente íamos todos bem, 4 pessoas apenas, depois na vinda já vinha tudo com a cabeça à volta. Ia com o Alferes Gatinho, da CART 1744, ele era um prato, e passávamos bons momentos.
Fica para a história desta passagem por aquelas terras.

Cacheu era de longe muito mais importante que São Domingos, aliás era a região que dava o nome a Sao Domingos.

O pessoal de lá recebia-me muito bem, não faltava nada.

Um Bom Domingo para todos, com este vento frio que não para de soprar.

Virgílio Teixeira
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Guiné 61/74 - P18549: Blogpoesia (563): "As borboletas", "Pressurosos, bem alinhados...", e "Como será o paraíso...", da autoria de J. L. Mendes Gomes, ex-Alf Mil da CCAÇ 728

1. Do nosso camarada Joaquim Luís Mendes Gomes (ex-Alf Mil da CCAÇ 728, Cachil, Catió e Bissau, 1964/66) três belíssimos poemas, da sua autoria, enviados entre outros, durante a semana, ao nosso blogue, que publicamos com prazer:


As borboletas

Bailam contentes as borboletas.
A Primavera chegou.
Já têm flores,
De todas as cores,
Brilhando ao sol.
Podem poisar.
Sugar-lhes o pão,
Seu alimento.
O vento as leva,
Dum lado para o outro.
Não têm fronteiras.
Podem girar.
Se contentam com pouco.
Quando a fome lhes dá.
E levam para casa
O que conseguem levar.
Têm filhos pequenos.
Não conseguem voar.
Foi sempre assim.
Com seus pais e avós.
Se querem viver,
Não podem parar.
Borboletas ladinas,
De asas tão lindas,
De todas as cores,
Parecem flores
Que sabem voar…

Berlim, 17 de Abril de 2018
16h41m
Jlmg

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Pressurosos, bem alinhados...

Pressurosos, bem alinhados,
aqueles dedos percorrem de trás para a frente e no inverso,
sobre as teclas inúmeras,
soltando sons e acordes
que nos enlevam a alma
e fazem sonhar...
Como tudo é belo.
quando a paz e a harmonia
impera e reina.
O sossego vem. Nosso corpo tenso se distende.
Se desenlaça de todos os nós
que lhe atam a alegria do coração.
De olhos fechados, navegamos mundo além,
pairando na serenidade astral
do pensamento,
que não sente limites.
Esta capacidade inefável com que nascemos de vibrar à beleza,
em todas as suas expressões,
são a marca indelével da nossa dimensão espiritual.
Só nós a temos, à semelhança de quem nos deu a vida e forma...

ouvindo "O concerto para piano e orquestra de Grieg", por Alice Sara Ott
Berlim, 20 de Abril de 2018
6h24m
lindo nascer do sol
Jlmg

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Como será o paraíso... 

Aquele lugar distante com festa a toda a hora. 
Onde a alegria reina e inunda e a luz é suave e colorida. 
Não há espaço ou tempo para o sofrer. 
Não há desejos porque estes são a marca do que não há. 
A passividade é a paz. 
A contemplação o mar da sabedoria. 
Não há fome nem sede. 
Não há o reino dos cinco sentidos, por natureza imperfeitos. 
Não há o mais nem o menos. 
Há o ser mais que perfeito. 
Tudo é e está à mão. 
A segurança é leve. 
E o belo paira infinito pelo ar... 

ouvindo Elgar
Berlim, 21 de Abril de 2018 
6h50m 
Jlmg
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Nota do editor

Último poste da série de 15 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18524: Blogpoesia (562): "Insaciável...", "Irrompeu a Primavera", e "Roda viva", da autoria de J. L. Mendes Gomes, ex-Alf Mil da CCAÇ 728

Guiné 61/74 - P18548: O nosso livro de estilo (11): Proverbiário da Tabanca Grande, 4ª edição revista e aumentada: "Camarada, mais do que um dever, é uma honra que te é devida, ir a Monte Real pelo menos uma vez na vida"...


Infografia: Miguel Pessoa (2018)

No 14.º  aniversário do nosso blogue (23/4/2018) e a escassos duas semanas  da realização do XIII Encontro Nacional da Tabanca Grande (Monte Real, 5 de maio 2017), decidimos reeditar os nossos provérbios (e outros lugares comuns do nosso humor de caserna), agora em lista revista e aumentada 4.ª edição...

Esta lista, aberta, é património de toda a Tabanca Grande e de todos os amigos e camaradas da Guiné... Afinal, este blogue é de quem o faz, edita, escreve, comenta, lê, divulga, diz bem e diz mal...

A última edição do "nosso proverbiário" era de 4 de abril de 2017  (*). E muitos dos nossos mais recentes "periquitos" ainda não a conheciam... Recorde-se que  já somos hoje 772, entre vivos (710) e mortos (62).



O NOSSO PROVERBIÁRIO


A blogar é a que a gente se entende.

A 'roupa suja' lava-se na caserna, não na parada.

Ainda pior do que o inferno da guerra, é o inverno do esquecimento dos combatentes.

Amigo do seu amigo, camarada do seu camarada.

Amigo traz amigo e amigo fica.

As nossas queridas enfermeiras paraquedistas: os anjos que desciam do céu.

Até aos cem, ainda se aguenta, depois dos cem, só com água benta.

Até aos cem é sempre em frente!... E depois dos cem, é só para quem for resistente e resiliente...

Até aos entas, bem eu passo, dos entas em diante, ai a minha perna, ai o meu braço!...


'Bazuca': o que fazia mal ao fígado, fazia bem à alma.

Beber a água do Geba.

Boa continuação da viagem pela picada da vida!... Cuidado com as minas e armadilhas!

Brincando por fora, sangrando por dentro.


Cabral só há um, o de Missirá e mais nenhum.

Camarada e amigo... é camarigo!

Camarada não tem que ser amigo: é o que dorme contigo, no mesmo buraco, na mesma cama, no mesmo abrigo.


Camarada, mais do que um dever, é uma honra que te é devida, ir a Monte Real pelo menos uma vez na vida.

Camarada, que a terra da tua Pátria te seja leve!

Catorze anos a blogar, pois é!, são sete comissões na Guiné!

Combatente um vez, combatente para sempre!


Dão-se lições de artilharia para infantes.

Desaparecidos: aqueles que nem no caixão regressaram.

Desarmados, jubilados, reformados, aposentados mas não... arrumados.


E quem não bebeu a água do Geba, nunca poderá entender a vida, o conteúdo e o continente das nossas estórias.

E também lá vamos facebook...ando e andando.

É proibido fazer juízos de valor sobre o comportamento de um camarada (do ponto de vista operacional, disciplinar, ético, moral, social).

Encontro Nacional da Tabanca Grande: orar, comer.. e amar em Monte Real!

Entra e senta-te à sombra do nosso poilão.

Estás com o bioxene. [Estás com os copos.]

Estás porreiro ou vais p'ró carreiro!?...

Estorninhos e pardais, aqui somos todos iguais.

Exorcizar os nossos fantasmas.


F... e mal pagos.

'For the Portugese Armed Forces from Scotland with love'... [Da Escócia com amor, para as Forças Armadas Portuguesas.]


Guerra do Ultramar, guerra de África, guerra colonial (, como se queira).

Guerra ganha, guerra perdida? Camarada, não percas tempo com a discussão do sexo dos anjos...

Guiné, de floresta verde e de chão vermelho.

Guiné? ... Não era pior nem melhor, era diferente.


Há comentadores e comentadores: alguns são como o peixe e o hóspede, ao fim de três dias fedem...

Havia os desertores, os refratários, os faltosos... e nós.

Humor com humor se (a)paga.


In Memoriam: para que não fiques, pobre camarada, na vala comum do esquecimento.


Lá vamos blogando, recordando, (sor)rindo, e às vezes cantando, gemendo e chorando!

Lá vamos contando (e cantando) os quilómetros pela picada da vida fora!

Lembra-te, ó português, a tua bandeira é a das cinco quinas, a dos cinco pagodes é na loja... do chinês!

Luso-lapão só há um, o Zé Belo, e mais nenhum.


Mais morto de alma do que vivo de corpo.

Mais vale andar neste mundo em muletas do que no outro em carretas.

Mais vale um camarada vivo do que um herói... morto!

Melhor que as bajudas, era a 'água de Lisboa' que nos fazia esquecer as bajudas.

Meu pai, meu velho, meu camarada.

Miguel & Giselda, o casal mais 'strelado' do mundo.

Muita saúde e longa vida, porque tu, camarada, mereces tudo.


Não deixes que o teu espólio de memórias vá parar à Feira da Ladra ou ao OLX.

Não deixes que sejam os outros a contar a tua história por ti.

Não é o Panteão Nacional, é melhor, é... a Tabanca Grande.

Não fazemos a História com H grande, mas a História não se fará sem a nossa... pequena história.

Nem medalhas ao peito nem cicatrizes nas costas.

Ninguém leva a mal: em cima o camarada, em baixo o general.


O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!

O nosso maior inimigo: o Alzheimer (de que Deus nos livre!)...

O seu a seu dono: respeita os direitos de autor.

Ó Sitafá, deixa lá, cabeças e rabos de sardinha não são bem a mesma coisa.

O último a morrer, que feche a tampa... do caixão.

Olhe que não, sr. general, olhe que não.

Os bravos não se medem aos palmos.

Os bu...rakos em que vivemos.

Os camaradas tratam-se por tu.

Os camaradas da Guiné dão a cara, não se escondem por detrás do bagabaga.

Os filhos dos nossos camaradas, nossos filhos são.

Os netos dos nossos camaradas, nossos netos aão.

Os nossos queridos 'nharros'...


Para que os teus filhos e netos não digam, desprezando o teu sacrifício: "Guiné? Guerra do Ultramar? Guerra Colonial? Não, nunca ouvi falar!"...

Partilhamos memórias e afetos.

Patrício Ribeiro, o "pai dos tugas" em Bissau.

'Periquito' salta pró blogue, que a 'velhice' já cá está!

Periquitos até aos 6 meses, maçaricos até a um ano... e depois vccês  (velhinhos comó c...)

P'rós insultos, não há contemplações nem indultos.



Que Deus, Alá e os bons irãs te protejam!

Quem não faz 69, não chega... aos 100!

Quem não tem "turpeça" senta-se no chão... e quem "turpeça" também cai.


Rapa o fundo ao teu baú da memória.

Recorda os sítios por onde passaste, viveste, combateste, amaste, sofreste, viste morrer e matar, mataste, e perdeste, eventualmente, um parte do teu corpo e da tua alma...


Saber resolver os nossos diferendos, os nossos conflitos... sem puxar da G3!

Sempre presentes, aqueles que da lei da morte já se foram libertando.

Siga a Marinha!

Só há três coisas de que aqui não falamos: futebol, política e religião.

Somos uma espécie em vias de extinção.

Soubemos fazer a guerra e a paz.


Tabanca Grande: a mãe de todas as tabancas.

Tabanca Grande: onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com aquilo que nos separa.

Tabanca Grande: onde não há portas nem janelas nem arame farpado nem cavalos de frisa

Tuga, que Deus te livre da doença do... alemão.

T/T Niassa, Uíge, Ana Rita, Angra do Heroísmo... Os cruzeiros das nossas vidas.


'Um blogue de veteranos, nostálgicos da sua juventude' (René Pélissier dixit).

Uma geração que soube fazer a guerra e a paz.

Uma guerra... a petróleo!


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sábado, 21 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18547: Os nossos seres, saberes e lazeres (263): De Estremoz para as Termas de S. Pedro do Sul (1) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70) com data de 23 de Janeiro de 2018:

Queridos amigos,
Procurava-se pôr em marcha, com alguma meticulosidade, um farto passeio pela Lisboa que o engenheiro Ressano Garcia criou, projetavam-se itinerários, já se efetuara a 1.ª viagem exploratória quando se propôs uma viagem pelo Interior, começando por Estremoz, estacionando com alguma demora em Monsanto e dali arribar às termas de S. Pedro do Sul, na companha havia gente disposta a fazer inalações, aquelas termas são boas para isso e para as doenças músculo-esqueléticas.
Ora o viandante nunca fora a S. Pedro do Sul, dera cursos em Carregal do Sal, viajara pelo Caramulo e proximidades, mas ali não. Acrescia que a sua mãe, quando ele fizera guerra na Guiné, dali lhe enviara postais com vistas opíparas, ele guardara religiosamente tais imagens, era o momento azado para se reencontrar com o lugar onde sua mãe procurara, em vão, minorar o sofrimento das artroses dos joelhos.
E assim se concordou, sem hesitação, em tal viagem, que ora começa.

Um abraço do
Mário


De Estremoz para as termas de S. Pedro do Sul (1)

Beja Santos

Congeminava o viandante uma nova série de itinerância, bojuda e bem lisboeta, passear-se pelos muitos sítios desenhados pelo engenheiro Ressano Garcia, aquele talento das obras públicas que mais mexeu na capital depois dos arrojados trabalhos da reconstrução após o terramoto, quando lhe chegou o convite de gente amante de estâncias termais para um passeio deveras singular: começar em Estremoz, passar por Nisa e subir para o Interior, visitar com detalhe Monsanto e daqui avançar para as termas de S. Pedro do Sul. Acertados os pormenores, apanha-se autocarro até Estremoz, daqui se seguirá para um monte, início da confraternização. O viandante pede tréguas, duas horas para se passarinhar por alguns sítios. Pedido aceite. Começa a viagem





Manda o roteiro turístico que se vá à Alcáçova, contemplar a Torre de Menagem, a Capela da Rainha Sta. Isabel, ver o miradouro, descer e andar por portas e baluartes, e depois há o património religioso, enorme. Com pouco tempo, impõe-se a seletividade, começa-se pelo Convento dos Congregados, tem a ver com a Congregação dos Padres do Oratório, um monumento singularíssimo edificado por ordem de D. Pedro II. O primeiro olhar vai para os belos azulejos que acompanham a escadaria de mármore, temos motivos religiosos e motivos laicos, predominam as cenas de caça. Houve selvajaria dos soldados de Loison, no decurso da 1.ª invasão francesa andaram a picar aqueles belíssimos azulejos. Sobe-se e chega-se às instalações da Câmara. Desce-se e contempla-se a extraordinária beleza da fachada.


O que há de especial aqui, queridos amigos? São os alçados ondulantes, sente-se a influência de Borromini, e parece que estamos diante da fachada de Sta. Engrácia, Panteão Nacional, aliás são estes os dois únicos alçados ondulantes em Portugal. E muda-se de registo.


No Rossio Marquês de Pombal vendem-se produtos locais mas também flores de Inverno, o viandante sente-se atraído por tanto viço em amores-perfeitos e prímulas, quer encher os olhos de cor, tem muito tempo para se adaptar a quilómetros de granito, a partir de Penamacor, está de antemão informado que verá a desolação dos incêndios, muito antes de chegar ao rio Vouga.



Neste mesmo Rossio Marquês de Pombal há estabelecimentos de outras eras, entra-se no primeiro para se matar a sede e tapar uma fome, aproveita-se para mexericar nas brochuras oferecidas no Posto de Turismo, onde aliás se comprou um livro sobre o património religioso de Estremoz, leitura para mais tarde. Anuncia o folheto que o café Águias D’Ouro foi construído entre 1908 e 1909, é todo Arte Nova e desempenhou um papel central na vida quotidiana da cidade. Era aqui que no início do séc. XX se reuniam os estremocenses em tertúlia. Não se sabe se por aqui viajaram ideias republicanas. Hesita-se em bisbilhotar as portas da cidade, em contemplar os panoramas que se disfrutam no Largo do Gadanha, há que optar, estamos em terra de um consagrado regimento de cavalaria, ponham-se os olhos em memoriais de combatentes.




Preito aos nossos mortos, os da nossa geração, os que combateram na Flandres e nas Áfricas, da I Guerra Mundial. E não se pode ficar insensível aos Dragões de Olivença, a Espanha ocupou e jamais desocupou o que é nosso, é política e diplomaticamente um assunto arrumado, mas ficaram sinais que não se devem apagar de que Olivença é terra portuguesa usurpada. Para que conste.


O viandante tem uma séria paixão por casas de livros, mas esta é bem peculiar, está adossada ao Convento dos Congregados, ao que parece toda esta bela azulejaria veio de igrejas arruinadas, é uma bela biblioteca, dá gosto vir para aqui estudar, ler jornais ou escrever ou tomar conhecimento de tudo quanto se publica sobre esta terra cheia de belezas. Acabou-se o tempo, impõe-se mudar de agulha, ultrapassa a vintena o número de igrejas, capelas e ermidas que se podem conhecer, e perto temos outras belezas, por exemplo em Evoramonte, S. Bento do Ameixial, S. Lourenço de Mãoporcão e Veiros. Mais uma razão para aqui se voltar, para além do património religioso há os museus e os baluartes, a comida é de truz, não se pode esquecer a fartura do mármore. E da próxima vez, está garantido, o viandante senta-se no Largo do Gadanha a olhar para o céu, para a Alcáçova e para a Torre de Menagem. Assim se fará, haja saúde e esta permanente curiosidade em vasculhar lugares, mais aqui e mais além.

(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 17 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18530: Os nossos seres, saberes e lazeres (262): 1.º Encontro de Teatro Sénior, Organização Actis Sintra, dia 21 de Abril de 2018, Casa da Juventude das Mercês (António J. Pereira da Costa)

Guiné 61/74 - P18546: Ai, Dino, o que te fizeram!... Memórias de José Claudino da Silva, ex-1.º cabo cond auto, 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > Capítulos 41 e 42: "“Olha lá ó 118! Tens-te portado bem, se quiseres ir de férias à Metrópole eu assino a autorização”, disse-me o capitão no dia do Festival da Canção da RTP; em 26 de fevereiro de 1973


 Uma das duas AK 47 (Kalashnikov) apanhadas ao PAIGC,  na operação de 24 de fevereiro de 1973, na tabanca de Farnan


Eu com o miúdo que nos lavava a louça.


Guiné > Região de Quínara > Fulacunda > 3ª CART / BART 6520/72 (1972/74) > 1973 >  

Fotos (e legendas): © José Claudino da Silva (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar): Blogue Luís Graça]



1. Continuação da pré-publicação do próximo livro (na versão manuscrita, "Em Nome da Pátria") do nosso camarada José Claudino Silva [foto atual à esquerda] (*)

(i) nasceu em Penafiel, em 1950, de pai incógnito" (como se dizia na época e infelizmente se continua a dizer, nos dias de hoje), tendo sido criado pela avó materna;

(ii) trabalahou e viveu em Amaranete, residindo hoje na Lixa, Felgueiras, onde é vizinho do nosso grã-tabanqueiro, o padre Mário da Lixa, ex-capelão em Mansoa (1967/68), com quem, de resto, tem colaborado em iniciativas culturais, no Barracão da Cultura;

(iii) tem orgulho na sua profissão: bate-chapas, agora reformado; completou o 12.º ano de escolaridade; oi um "homem que se fez a si próprio", sendo já autor de dois livros, publicados (um de poesia e outro de ficção);

(iv) tem página no Facebook; é avô e está a animar o projeto "Bosque dos Avós", na Serra do Marão, em Amarante;

(ix) é membro n.º 756 da nossa Tabanca Grande.

Sinopse:

(i) foi à inspeção em 27 de junho de 1970, e começou a fazer a recruta, no dia 3 de janeiro de 1972, no CICA 1 [Centro de Instrução de Condutores Auto-rodas], no Porto, junto ao palácio de Cristal;

(ii) escreveu a sua primeira carta em 4 de janeiro de 1972, na recruta, no Porto; foi guia ocasional, para os camaradas que vinham de fora e queriam conhecer a cidade, da Via Norte à Rua Escura.

(iii) passou pelo Regimento de Cavalaria 6, depois da recruta; promovido a 1.º cabo condutor autorrodas, será colocado em Penafiel, e daqui é mobilizado para a Guiné, fazendo parte da 3.ª CART / BART 6250 (Fulacunda, 1972/74);

(iv) chegada à Bissalanca, em 26/6/1972, a bordo de um Boeing dos TAM - Transportes Aéreos Militares; faz a IAO no quartel do Cumeré;

(v) no dia 2 de julho de 1972, domingo, tem licença para ir visitar Bissau,

(vi) fica mais uns tempos em Bissau para um tirar um curso de especialista em Berliet;

(vii) um mês depois, parte para Bolama onde se junta aos seus camaradas companhia; partida em duas LDM parea Fulacunda; são "praxados" pelos 'velhinhos', os 'Capicuas", da CART 2772;

(viii) faz a primeira coluna auto até à foz do Rio Fulacunda, onde de 15 em 15 dias a companhia era abastecida por LDM ou LDP; escreve e lê as cartas e os aerogramas de muitos dos seus camaradas analfabetos;

(ix) é "promovido" pelo 1.º sargento a cabo dos reabastecimentos, o que lhe dá alguns pequenos privilégio como o de aprender a datilografar... e a "ter jipe";

(x) a 'herança' dos 'velhinhos' da CART 2772, "Os Capicuas", que deixam Fulacunda; o Dino partilha um quarto de 3 x 2 m, com mais 3 camaradas, "Os Mórmones de Fulacunda";

(xi) Dino, o "cabo de reabastecimentos", o "dono da loja", tem que aprender a lidar com as "diferenças de estatuto", resultantes da hierarquia militar: todos eram clientes da "loja", e todos eram iguais, mas uns mais iguais do que outros, por causa das "divisas"... e dos "galões"...

(xii) faz contas à vida e ao "patacão", de modo a poder casar-se logo que passe à peluda;

(xiii) ao fim de três meses, está a escrever 30/40 cartas e aerogram as por mês; inicialmente eram 80/100; e descobre o sentido (e a importância) da camaradagem em tempo de guerra.

(xiv) como "responsável" pelo reabastecimento não quer que falte a cerveja ao pessoal: em outubro de 1972, o consumo (quinzenal) era já de 6 mil garrafas; ouve dizer, pela primeira vez, na rádio clandestina, que éramos todos colonialistas e que o governo português era fascista; sente-se chocado;

(xv) fica revoltado por o seu camarada responsável pela cantina, e como ele 1º cabo condutor auto, ter apanhado 10 dias de detenção por uma questão de "lana caprina": é o primeiro castigo no mato...; por outro lado, apanha o paludismo, perde 7 quilos, tem 41 graus de febre, conhece a solidariedade dos camaradas e está grato à competência e desvelo do pessoal de saúde da companhia.

(xvi) em 8/11/1972 festejava-se o Ramadão em Fulacunda e no resto do mundo muçulmano; entretanto, a companhia apanha a primeira arma ao IN, uma PPSH, a famosa "costureirinha" (, o seu matraquear fazia lembrar uma máquina de costura);

(xvii) começa a colaborar no jornal da unidade, e é incentivado a prosseguir os seus estudos; surgem as primeiras sobre o amor da sua Mely [Maria Amélia], com quem faz, no entanto, s pazes antes do Natal; confidencia-nos, através das cartas à Mely as pequenas besteiras que ele e os seus amigos (como o Zé Leal de Vila das Aves) vão fazendo...

(xviii) chega ao fim o ano de 1972; mas antes disso houve a festa do Natal (vd. capº 34º, já publicado noutro poste);

(xix) como responsável pelos reebastecimentos, a sua preocupção é ter bebidas frescas, em quantidade, para a malta que regressa do mato, mas o "patacão", ontem como hoje, era sempre pouco;

(xx) dá a notícia à namorada da morte de Amílcar Cabral (que foi em 20 de janeiro de 1973 na Guiné-Conacri e não no Senegal); passa a haver cinema em Fulacaunda: manda uma encomenda postal de 6,5 kg à namorada;

(xxi) em 24 de fevereiro de 1973, dois dias antes do Festival da Canção da RTP, a companhia faz uma operação de 16 horas, capturando três homens e umas Kalashnikov, na tabanca de Farnan.


2. Ai, Dino, o que te fizeram!... Memórias de José Claudino da Silva, ex-1.º cabo cond auto, 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > Capºs 41 e 42

[O autor faz questão de não corrigir os excertos que transcreve, das cartas e aerogramas que começou a escrever na tropa e depois no CTIG à sua futura esposa. E muito menos fazer autocensura 'a posterior', de acordo com o 'politicamente correto'... Esses excertos vêm a negrito. O livro, que tinha originalmente como título "Em Nome da Pátria", passa a chamar-se "Ai, Dino, o que te fizeram!", frase dita pela avó materna do autor, quando o viu fardado pela primeira vez. Foi ela, de resto, quem o criou. ]
 
 41º Capítulo > 16 HORAS NO MATO

Entre o amor, um copo, uma piada e a guerra, aquilo de que gosto menos de escrever é sobre a guerra. Neste projecto a que me propus, tenho de o fazer e basta-me copiar:

“Não é costume escrever-te de manhã mas hoje tenho uma série de coisas para te contar e decidi fazê-lo.

Quero que saibas que ontem os meus camaradas saíram para o mato, apanharam três “turras” e duas metralhadoras, agora eles estão aqui no quartel presos até vir uma avioneta busca-los para Bissau.


Eles foram capturados numa aldeia chamada Farnan que fica a mais de 35 km daqui. Os meus colegas saíram às duas horas da manhã e chegaram aqui às seis da tarde, por isso já podes ver que andaram durante 16 horas. Atravessaram rios, bolanhas, pântanos, matas etc. Quando chegaram aqui confesso que até chorei com pena deles.

Os meus camaradas eram 76, nós aqui no quartel só ficamos 65 para defender Fulacunda. Ao chegarem vinham completamente exaustos, até o capitão que também foi não podia dar mais um passo. Uns vinham descalços com os pés ensanguentados, outros com a farda rasgada inclusive o capitão. Acredita meu bem ser soldado numa guerra é a pior coisa que pode acontecer a um homem, ainda bem que houve uma coisa que lhes deu coragem que foi terem trazido esses três “turras” e as armas pois assim sabem que o esforço não foi em vão.

É assim meu bem eu tive imensa sorte, por aquilo que te digo e não é tudo já vês o que os meus camaradas passam, e vês também que esta guerra não é uma guerra de brincar como no cinema.
Não sei se ouves na rádio, ou se lês no jornal, os boletins das forças armadas da Guiné, se ouvisses ou lesses, saberias que aqui todos os dias há lutas entre as nossas tropas e o inimigo e ocorrem em toda a província e também sabias que por cada morto nosso morrem dez deles, de maneira que a Guiné não interessa a ninguém. Pelo menos para aqueles que como nós estão destacados no mato.”

As armas capturadas foram duas AK 47 (Kalashnikov)

No dia seguinte, foi domingo. Pedi para a metrópole que me mandassem umas garrafas de vinho e enviei o postal da Praça do Império, em Bissau.

Continuando os meus relatos estupidamente descritos nestas páginas, quero que libertem a vossa mente, porque dois dias após o que acabei de vos dizer, esteve alegremente e comigo quase toda a companhia, a ouvir o festival da canção.

No dia 26 de Fevereiro de 1973, quando eu completei oito meses de Guiné, ouvi, num pequeno rádio a 4000 km de distância, uma das melhores canções de sempre num festival da canção. Fernando Tordo ganhou com a canção “Tourada”; letra de José Carlos Ary dos Santos. Talvez o melhor poema sarcástico interpretado até hoje num festival para a Eurovisão.

Nesse dia, o capitão disse-me:

“Olha lá ó 118! Tens-te portado bem, se quiseres ir de férias à Metrópole eu assino a autorização”

Três dias depois já escrevia:

“Talvez me safe, ando doente do estômago se for de férias dou baixa ao hospital militar”



42º Capítulo > SOLIDARIEDADE

Uma das mais fascinantes memórias que guardo está descrita no aerograma do dia 7 de Março de 1973. O carnaval tinha sido no dia anterior, festejado a preceito. O Zé Leal recebeu uma encomenda com os artigos que tinha pedido aos pais. Não foi uma encomenda normal.



“Queridinha, ontem veio na avioneta uma encomenda que o Leal mandou vir que continha roupas para o rapazito que nos lava a loiça, não imaginas a esfusiante alegria que o moço sentiu. Conto-te isto porque fiquei deveras sentido com a reacção do moço quando ele viu a roupa, até chorou de alegria. Menciono isto para mais tarde poder recordar que um pouco de roupa deu uma alegria das Maiores que assisti até hoje”.


Em todas as gerações, há sempre quem se destaque em momentos de enorme altruísmo e partilha, sem olhar a quem, e sem disso fazer alarde. Devem ser muito poucos os soldados que tiveram a atitude do Zé Leal. Lembro-me que aquele gesto me influenciou a proceder de igual modo. Honestamente, não sei se o concretizei. Se na restante correspondência encontrar algo que o prove, di-lo-ei. Com o gesto do meu amigo, até a guerra parou e houve uma festa. Afinal, era dia de carnaval.

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Nota do editor:

Guiné 61/74 - P18545: E as nossas palmas vão para... (15): Diamantino Varrasquinho, ex-fur mil, Pel Caç Nat 52 (Mato Cão, 1971/73), alentejano de Ervidel, Aljustrel, que, não sendo ainda nosso grã-tabanqueiro, volta a vir ao nosso Encontro Nacional da Tabanca Grande, em Monte Real, em 5 de maio de 2018, depois de se ter inscrito seis vezes em anos anteriores (2008, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016)


Leiria > Monte Real > Palace Hotel Monte Real (Termas de Monte Real) > XI Encontro Nacional da Tabanca Grande > 16 de abril de 2016 > Da esquerda para a direita:

(i) Diamantino Varrasquinho (costuma vir, de Ervidel, Aljustrel, mais o irmão Manuel);

(ii) António [Sousa] Bonito (Carapinheira, Montemor-o-Velho):

(iii) António Estácio (nascido em Bissau, residente em Algueirão, Sintra). 

Foto (e legenda): © Luís Graça (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Leiria > Monte Real > Palace Hotel Monte Real > 8 de junho de 2013 > VIII Encontro Nacional da Tabanca Grande > Almoço convívio > Diamantino Varrasquinho e a mulher Maria José, de Ervidel, Aljustrel... "Foi 'meu' Furriel no 52 no Mato Cão", acrescenta o Joaquim Mexia Alves. (*)


Leiria > Monte Real > Palace Hotel Monte Real > VII Encontro Nacional da Tabanca Grande > Monte Real > 21 de Abril de 2012 > Da esquerda para a direita, o Diamantino Varrasquinho, o João Santos, o António Bonito e o J. Mexia Alves...


Leiria > Monte Real > Palace Hotel Monte Real > VII Encontro Nacional da Tabanca Grande > Monte Real > 21 de Abril de 2012 > "Pude abraçar, (consegui conter as lágrimas, espantoso!), o João Santos e o Diamantino Varrasquinho, ambos Furriéis, e os Cabos António Pinheiro, António Ribeiro e João Sesifredo", escreveu, emocionado, o J. Mexia Alves (...). Não foi só o Diamantino Varrasquinho que foi "meu" furriel no Pel Caç Nat 52, no Mato Cão, o António Bonito também, todos ao mesmo tempo, e para mim é sempre uma enorme alegria estar com eles, pois foram tempos muitos difíceis aqueles pelo Mato Cão e éramos, com o Santos, (Furrriel), o Pinheiro, O João Sezinando, (vulgo Rajadas), e o Ribeiro, (Cabos), uma grande equipa, muito unida."  

(...) "[ Em 21 de abril de 2012, no nosso VII Encontro Nacional, em Monte Real] aconteceu algo que eu não esperava, e me tocou muito fundo o coração (...) Por causa deste nosso blogue, muitos se foram encontrando e desejando encontrar e, por isso mesmo, o António Bonito, que foi 'meu' Furriel no Pel Caç Nat 52, no Mato Cão, não descansou enquanto não juntou toda a 'equipa' que comigo passou largos meses no Mato Cão" (*)
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[O Diamantino Varrasquinho é o primeiro da esquerda; o João Santos, o terceiro; o J. Mexia Alves,o quinto e o António Bonito, o último.]

Fotos: © Miguel Pessoa  (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mato Cão > Pel Caç Nat 52 > 1971 > Da esquerda para a direita, o J. Mexia Alves, o  António Bonito, o João Santos e o Dimantino Varrasquinho".  Esvrebeu o J. Mexia Alves: "O convívio e a camaradagem [, no Mato Cão,]  são notáveis. Reparem que o camarada da direita (fur mil Varrasquinho), para não correr o risco de estragar a sequência de alturas, se encolhe ligeiramente"... "Duas fotografias separadas por 39 anos [, a de 1971 e e a 2012], com as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, e mais uma com a 'equipa”'completa, agradecendo ao Miguel Pessoa estas fotografias que guardo no meu coração.

Foto (e legenda): © J. Mexia Alves (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. O Varrasquinho foi fur mil no Pel Caç Nat 52, no Mato Cão, ao tempo do Joaquim Mexia Alves e do António Bonito. Já veio, pelo menos,  a seis dos nossos anteriores encontros nacionais (2008, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016),  está inscrito este ano (2018), mas ainda não integra formalmente a nossa Tabanca Grande. Está na altura de reparar essa lacuna, ou seja, temos que o sentar à sombra do poilão da Tabanca Grande, ao lado de camarasd como o António Bonito e o Joaquim Mexia Alves.

Ele, para já, merece as nossas palmas! (**)... A sua "Adega Monte de Cima" é (ou foi)  um das famosas adegas de Ervidel, "locais do culto do vinho e da amizade", segundo notícia ouvida em tempos na Rádio Voz da Planície. Só precisamos de actualizar, este ano,  os dados do nosso camarada Varrasquinho, contemporâneo, na Guiné dos nossos grã-tabanqueiros Joaquim Mexia Alves e António Bonito. O João Santos e outros camaradas do Pel Caç Nat 52, dessa altura, também poderão ser apresenrtados à Tabana Grande. Conto com o J. Mexia Albves e o Antóniio Bonito para o fazer em próxima oportunidade.

Recorde-se:

(i) O ex-fur mil António Sousa Bonito também passou pelo Pel Caç N 52, que esteve no Mato Cão, com o Joaquim Mexia Alves; originalmente pertenceu à CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo (1971/74);

(ii) o Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil da CART 3492, (Xitole / Ponte dos Fulas), Pel Caç Nat 52, (Ponte Rio Udunduma, Mato Cão) e CCAÇ 15, (Mansoa).
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Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

Guiné 61/74 - P18544: Parabéns a você (1424): António Branquinho, ex-Fur Mil Inf do Pel Caç Nat 63 (Guiné, 1969/71)

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Nota do editor

Último poste da série de 20 de Abril de 2018 > Guiné 61/74 - P18540: Parabéns a você (1423): António Joaquim Oliveira, ex-1.º Cabo Quarteleiro da CART 1742 (Guiné, 1967/69)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Guiné 61/74 - P18543: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXVII: o almoço-convívio da CCS/BCAÇ 1933, na Baixa da Banheira, Moita, em 2014: esteve fraco por ser longe e fora do contexto da malta do Norte.


Moita > Baixa da Banheira > 13 de setembro de 2014 >  Convívio do pessoal da CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem, de 22 de março último, de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69): vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado [, foto atual à direita]; tem mais de 4 dezenas de referências no nosso blogue.

Olá, Luís, bom dia.

Já agora,  aqui vai uma foto do almoço do meu Batalhão, em 2014. Estava fraco por ser longe e fora do contexto da malta do Norte.

Guiné 61/74 - P18542: Notas de leitura (1059): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (31) (Mário Beja Santos)



1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Dezembro de 2017:

Queridos amigos,
É bem elucidativo este relatório do gerente do BNU referente a 1946: sempre o ouro em pó, a especulação enfrene, a vida difícil com a alta de preços, belíssimos negócios para certos comerciantes. Aproveita-se para recordar que estamos a falar na presença do BNU na Guiné.
O banco, como se recordam abriu a sua primeira agência em Bolama ao público em 1903. Tinha função emissora, chegou a funcionar como casa de penhores, ainda na década de 1920. Em 1917 entrou em funcionamento a agência de Bissau, logo bastante influente.
Além de casa de penhores, o BNU vendia produtos caso dos tabacos. O BNU sabia muito bem que era a produção agrícola e as oleaginosas que pesavam na economia da colónia, daí o cuidado posto nos relatórios quanto ao que se passava com o óleo, a mancarra e o coconote. O BNU ligar-se-á à Sociedade Comercial Ultramarina, até deter o seu capital e se lançar no campo das experiências agrícolas. O BNU desaparece com o Banco Nacional da Guiné-Bissau. Mas no ano de 1981 deu-se a abertura de um escritório de representação do BNU na República da Guiné-Bissau.
Mas o que aqui se analisa é o BNU inserido na malha colonial.

Um abraço do
Mário


Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (31)

Beja Santos

Há, na segunda metade da década de 1940, sérias lacunas, não constam alguns relatórios que podiam ser determinantes para acompanhar o processo desenvolvimentista que ocorreu na Guiné ao tempo de Sarmento Rodrigues. Processo esse que se refletiu na vida do BNU local. Procura-se então encontrar dados complementares sobre a vida da colónia. O Anuário da Guiné de 1946, coordenado por Fausto Duarte, fala-nos das realizações alusivas ao V Centenário do Descobrimento da Guiné. Vale a pena mexer ao pormenor: fizeram-se obras de reconstrução na Fortaleza de S. José de Bissau, benfeitorias no quartel de Bissau e Bolama, diz-se explicitamente que houve um primeiro fornecimento de calçado e talheres aos soldados indígenas, aumentaram as rações dos soldados, apareceu a Banda Militar; construíram-se faróis, houve fornecimento de armamento e transportes ao Corpo da Polícia; o serviço de águas, de saúde e da agricultura ampliaram-se de forma impressionante; houve obras em Bissau, pavimentaram-se artérias, melhorou-se o mercado municipal, o porto de Bissau, prolongou-se o cais do Pidjiquiti, retomou-se a construção do Palácio do Governo, reconstruiu-se o Palácio de Bolama; a cultura deu um salto, pois criou-se o Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, o Boletim Cultural, o Anuário da Guiné, foi criada a Missão Antropológica da Guiné, iniciou-se a instalação do Museu da Guiné; organizaram-se as comemorações do V Centenário da Descoberta, que culminaram com uma exposição em Bissau; e Rui de Sá Carneiro, o subsecretário das Colónias visitou oficialmente a Guiné.

Estes eventos tinham obviamente um pano de fundo novo, no decurso da II Guerra Mundial foram tomadas posições que previam uma vaga descolonizadora, que efetivamente começou na Ásia e iria alastrar a África. Em “Contra o Vento”, por Valentim Alexandre, Círculo de Leitores e Temas e Debates, 2017, o historiador explana sobre as alterações que se deram no Norte de África e no próximo Oriente e tece o quadro do se passou na África subsariana:
“Só marginalmente foi palco de operações militares – na Etiópia, de onde as forças britânicas expulsaram as italianas; em Madagáscar, que tropas anglo-sul-africanas tomaram em Novembro de 1942, integrando-a na França Livre gaullista; e na Somália Francesa, ocupada pelos Aliados em 1943. O resto do Continente Negro não deixou de se ver envolvido no conflito militar mundial, nomeadamente pelo recrutamento de várias centenas de milhares de homens, enviados a combater na Europa, no Norte de África ou na Ásia, em nome da França e da Grã-Bretanha. Várias cidades em África – Cairo, Dacar, Lagos, Freetown e Cidade do Cabo, entre outras – serviram de pontos de apoio militar, pela utilização dos seus portos ou aeródromos, enquanto territórios como o Chade funcionaram como placas giratórias dos exércitos aliados que iam combater a Norte do Sara. Mas o maior impacto foi de ordem económica, afectando todo o continente. Numa primeira fase, a guerra, com os bloqueios marítimos e a falta de meios de transporte que provocou, contribuiu para fragilizar vastos setores, dependentes de mercados agora fechados ou inatingíveis, no mesmo passo que dificultou as importações, criando inflação. A partir de 1941-1942, o esforço bélico das potências europeias e dos Estados Unidos levou a um aumento drástico da procura tanto de bens de subsistência como de minérios essenciais ao fabrico de armamento. Para acorrer a essa procura, as administrações europeias reforçaram, as pressões sobre a população africana, impondo preços, reconversões coercivas de produção, e recorrendo às formas mais gravosas de exploração – trabalho forçado, culturas obrigatórias –, agora impostas em nome da necessidade imperiosa de vencer o inimigo (…) Um dos aspectos mais relevantes das mutações induzidas na África Negra pela II Guerra Mundial está no impulso dado à urbanização, que criou ou alargou um quadro propício à geração de novas formas de sociabilidade e de identidade, favoráveis ao enraizamento dos nacionalismos”.

Por isso se pode entender o que se escreve no relatório de 1946:
“Numa maneira geral, o comércio da Guiné tem feito bom negócio. Os comerciantes de Bissau, do ramo mercearias e fazendas devem estar cheios de dinheiro. Vendem a maior parte dos artigos por preços altíssimos e ninguém melhor do que nós pode ver a que ponto chegam estes abusos de altos preços, pois nos passa pelas mãos grande parte das facturas relativas às importações.
No ramo das ferragens e artigos para automóveis, é uma verdadeira loucura a falta de escrúpulos. Peças e artigos que aparecem na casa do comerciante por dois ou três escudos e são vendidos a trinta e quarenta. Há autoridades que podiam e deviam vigiar estes factos, mas facto é que não se vê nada feito e assim se torna cada vez mais difícil a vida dos que vivem, apenas, dos vencimentos”.


E a análise deriva para o estado do mercado, compreensivelmente o que se passa na agricultura é o dado relevante:
“As campanhas do arroz e da mancarra, feitas simultaneamente, correm como é costume. Mais normalmente a campanha do arroz. Destrambelhadamente a da mancarra. Fixam-se cotações oficiais para compra ao indígena. Sabem-se as cotações, pouco mais ou menos, porque será paga no exterior. Mas estas duas bases não servem para nada. Cada um se lança a comprar o mais que pode e assim se vão alterando os preços, na esperança de que as cotações do exterior venham a subir e a cobrir os disparatados preços locais. Uma verdadeira lotaria.
A Casa Gouveia, que podia ser uma reguladora de preços, transforma-se numa verdadeira desreguladora. Mal administrada, apesar de vir um inspector ajudar a gerência local, na época da campanha, não faz se não desequilibrar tudo e acaba por fazer a triste figura de comprar muito menos que os outros. Os sírios, com a rede das suas 120 casas espalhadas pela colónia, absorvem a maior parte da colheita, pagando bem, o que podem fazer melhor que os outros porque têm uma organização baratíssima e por estarem cheios de mercadorias bem escolhidas que vendem em grande escala. Ganham bem nas mercadorias e, neste ganho pode bem caber sem lhes fazer diferença de maior o que pagam a mais pela mancarra. No fim, enquanto se não exportar, vendem-na a quem mais lhe der – e a dar mais tem aparecido a Casa Ed. Guedes Lda.

Todos lutam para exportar mancarra para o estrangeiro, que paga melhor que a metrópole. É provável que, nestes tempos de miséria, o estrangeiro aceite tudo e pague tudo. Mas, se houver o rigor de outros tempos sobre a qualidade e limpeza da mancarra, bem maus bocados podem surgir, pois a nossa mancarra é embarcada num estado lamentável de impureza e sujidade de toda a ordem, isto sem falar em qualidade.
A loucura do comércio é de tal ordem que ninguém usa, nem quer usar, as tararas onde a mancarra era limpa de cascas, terras e pedras, antes de ir à balança e ser paga. Assim, conscientemente, o comerciante paga aquelas sujidades por mancarra boa, talvez porque está certo de a embarcar no mesmo estado e de lhe pagarem sem discussão. É claro, o exportador que vai buscar a mancarra ao interior já se não livra das quebras próprias o transporte, cargas e descargas, pois nestas andanças vai perdendo o peso da terra que se vai em poeira ou se deposita no fundo dos barcos ou no chão dos ‘cercos’ e dos armazéns.
Nos territórios vizinhos, cada vez é maior o cuidado com a selecção de sementes, qualidade e limpeza do produto a exportar. Nós não damos valor, ao que se vê, a esses cuidados que, em nosso modesto entender tanto valor têm e sob todos os aspectos”.

Anuário da Guiné Portuguesa, 1946

Finda a análise da praça, o gerente passa em revista a situação dos clientes e não se pode resistir a transcrever o que ele escreves sobre, Rezendes, Irmãos:
“Formada por Izaias Mata-Mouros Rezende da Costa e Alberto Mata-Mouros da Costa. O capital é de cem contos, em partes iguais. Só o sócio Izaias vive em Bissau, onde a firma ocupa o estabelecimento da antiga firma alemã Sociedade Ringel, Lda. O sócio Alberto, não sabemos o que faz em Lisboa. Izaias foi empregado da Casa Gouveia, em Canchungo. Houve qualquer coisa com ele, endoideceu e foi para Lisboa, de onde voltou comerciante. Não deve ter capital. Trabalha em comissões e consignações e é arrojado. Como nunca teve fama de grande equilíbrio, pelo que estamos vendo, é natural que ainda venha a criar alguma má situação aos que confiem no seu palavreado, e este costuma ser muito”.

E mais uma vez o gerente volta a falar no ouro em pó:
“Os negócios com o Senegal fraquejaram muitíssimo. Mantém-se, porém, sobretudo na região de Bafatá, os negócios clandestinos sobre o ouro em pó, trazidos pelos djilas do território francês. Este negócio movimenta milhões de francos pois não se faz na nossa moeda. O djila precisa de francos para ir comprar mais ouro. Assim, só paga o que compra no nosso território com francos senegaleses, os comerciantes aceitam bem para pagarem o ouro. Nos últimos anos da guerra, o ouro em pó vendeu-se à razão de 13 a 20 contos por quilo. Hoje o preço do quilo regula por 23 a 24 contos”.

Há agora um sumiço de relatórios, voltaremos a dispor de documentação a partir de 1949.

(Continua)
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Notas do editor:

Poste anterior de 13 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18519: Notas de leitura (1057): Os Cronistas Desconhecidos do Canal do Geba: O BNU da Guiné (30) (Mário Beja Santos)

Último poste da série de 16 DE ABRIL DE 2018 > Guiné 61/74 - P18527: Notas de leitura (1058): “Memórias da minha guerra colonial”, de João Matos Lourenço Rosa; edição de autor de 2009 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P18541: Convívios (850): A Tabanca de Matosinhos, que está a ter problemas com o "senhorio" (...o Faceboook), continua a fazer gala da sua proverbial alegria, boa disposição e melhor mesa... O próximo encontro semanal, 4ª feira, 25 de Abril, Dia da Liberdade, será em Vila do Conde (José Teixeira)


Matosinhos > Tabanca Pequena > Restaurante Espigueiro [ex-Milho Rei]  > Convívio semanal > 18 de abril de 2018. Foto: cortesia de José Teixeira (2018).


1. A TABANCA DE MATOSINHOS PERDEU O PIO, escreveu, no dia 18 do corrente,  o régulo, José Teixeira na na sua página pessoal do Facebook. E acrescenta:

O F. B. [ Facebook] fechou as portas à Tabanca de Matosinhos Tertúlia, que fazer? Romper barreiras.
Aqui estamos a dar notícias do nosso encontro de 18 de Abril.

O ENCONTRO SEMANAL de antigos combatentes da Guiné, no Restaurante Espigueiro [ex-Milho Rei ] em Matosinhos, na Rua Heróis de França, nº 721,  teve neste dia 24 convivas. Tivemos o prazer de ter à mesa connosco quatro amigos da Guiné-Bissau que, não sendo combatentes,  admiram aquele povo.

Como é nosso timbre, houve alegria, boa disposição e boa mesa. Caras de gente que está todas as semanas, outros que vem quando podem, ou quando sentem necessidade de "meter" combustível, ou seja conviver, conversar, partilhar, desabafar.

Todos são bem vindos.

Na próxima semana,  a quarta feira é o dia da Liberdade - 25 de Abril. Por decisão tomada hoje, pelos presentes,  o convívio semanal da Tabanca de Matosinhos será em Vila do Conde, onde o Leite Rodrigues irá discursar nas Comemorações do Dia da Liberdade. O ponto de encontro é às 9.30 no Centro Hípico de Leça da Palmeira.

Está toda a gente convidada.