sábado, 19 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1768: Guileje: A Fox, rebaptizada, dos Diabos do Texas (Nuno Rubim)

Guiné > Região de Tombali > Guileje > A Fox MG-36-24, que pertenceu aos Pipas, foi sendo sucessivamente rebaptizada...

Fonte: © Nuno Rubim (2007). Direitos reservados.

Caro Luís

Exactamente. São as fotografias do PAIGC (1). Ambos, o Julinho e o Osvaldo [, ex-comandantes do PAIGC, de origem caboverdiana, que estiveram no cerco a Guileje, e que foram recentementemente entrevistados pelo Nuno Rubim e pelo Pepito], não se lembram da data exacta, mas há mais munições no bolso...

Numa fase mais adiantada a mesma Fox (2), sempre em Guileje, já era Diabos do Texas !

Uma estória realmente muito curiosa... A pesquisa histórica sobre Guileje evolui de dia para dia ..., ainda bem !

Boa viagem

Um abraço

Nuno Rubim

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Notas de L.G.:

(1) Em resposta ao meu mail: "Nuno: A White e a Fox são mesmo de Guileje, 1973... Encontrei fotos do PAIGC (no álbum do Amílcar Cabral, na Fundação Mário Soares) de viaturas dos Pipas... Terão sido capturadas em Guileje, depois de 22 de Maio de 1973 ? Tenho fotos de Fox e White em Bafatá, se te interessar... Luís

(2) Vd. post de 14 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1759: Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (3): Miniférias em Cacine e tanques russos na fronteira

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1767: Spínola e Senghor encontram-se na região de Casamance em 1972 (Pedro Lauret)

Mensagem de Pedro Lauret:

Caros companheiros,

Em 18 de Maio de 1972 Spínola e Senghor encontravam-se na região do Casamance numa tentativa de encontrar uma solução negociada para a Guerra na Guiné.

No blogue da A25A, Avenida da Liberdade, textos do Coronel Carlos Fabião e Prof. Marcello Caetano em Efemérides.

Por considerar que tem interesse para a nossa tertúlia aqui estou a fazer propaganda a este blogue de que sou responsável.

Um abraço
Pedro Lauret

Guiné 63/74 - P1766: Guileje: A Bêbeda, uma Fox do Pel Rec 839 que ficará imortalizada no diorama (Nuno Rubim)


Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAÇ 726 (Out 1964/Jul 1966) > Uma Daimler e uma Fox do Pel Rec 839, que esteve em Guileje de Março de 1966 até Janeiro de 67. A Fox, mais conhecida por a Bêbeda (possivelmente por consumir muito combustível) vai ficar importalizada no diorama de Guileje, que está a ser contruído pelo Nuno Rubim (1). A foto foi gentilmente cedida pelo Teco (Alberto Pires), da CCAÇ 726.

Fonte: Nuno Rubim (2007). Direitos reservados.

1. Mensagem de Nuno Rubim:

Caro Luís Graça:

As fotografias agora publicadas no blogue, da autoria do J. Casimiro de Carvalho (2), são exactamente do tipo que necessito: boas perspectivas, detalhes e até matrículas. Interessa-me pois saber se a White era a que esteve em Guileje [, informação que o nosso camarada já entretanto confirmou por mail].

Precisava também de fotos das Daimler, Atrelado de Água, Atrelado Sanitário, Morteiro de 10,7 cm, Canhão sem-recuo de 106 mm e da viatura Matador que rebocou as peças de artilharia 11,4 cm e os obuses 14 cm.

Junto envio uma curiosa foto de reduzida qualidade, mas de importância no contexto em causa. Pertence à colecção do nosso camarada Teco (Alberto Pires ) da CCAÇ 726 . Na fotografia podem-se ver uma Daimler e uma Fox do Pel Rec 839, que esteve em Guileje de Março de 1966 até Janeiro de 67.

Ora a matrícula da Fox é a mesma que consta numa fotografia tirada por elementos do PAIGC em Maio de 1973, quando ocuparam o quartel! Portanto a Bêbeda ( que vai ficar para a história, representada com essa mesma inscrição no diorama de Guileje ....) terá servido desde 1965 até 1973, integrada nos sucessivos Pel Rec Fox que por lá passaram !

Um abraço

Nuno Rubim

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Notas de L.G.:

(1) Vd. post de 12 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1753: Diorama de Guileje, 1965/67 (Muno Rubim)

(2) Vd. post de 14 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1759: Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (3): Miniférias em Cacine e tanques russos na fronteira

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1765: Convívios (8): 30.º Almoço anual dos Especialistas da Força Aérea que estiveram na Guiné, 26 de Maio de 2007 (Victor Barata)

Mensagem enviada pelo nosso camarada Victor Barata, ex-especialista da FAP (Guiné 1971/73)

Boa Tarde, Carlos. Aproveito para pedir a divulgação a todos os camaradas a realização do 30º almoço anual dos Especialistas da Força Aérea que estiveram na Guiné a realizar em Aguiar de Sousa no dia 26.5.2007 na Quinta do Baptista(nosso camarada de Guerra).

É para nós uma honra ter junto de nós todos os Tertúlianos deste Blogue.

Um Abraço
Victor Barata

Guiné 63/74 - P1764: Armamento do PAIGC (1): Metralhadoras pesadas Degtyarev, antiaéreas (Nuno Rubim)

1. Mensagem do Nuno Rubim:

Amigo Luís:

Em complemento das informações que forneceste no blogue, relativamente às fotos enviadas pelo Victor Condeço (1) :

-A única Espingarda com Alça Telescópica, utilizada pelo PAIGC, que até agora descobri é a Vz.54, 7,62mm, de origem checoslovaca, 1954. Existiam 11 no Depósito Central do PAIGC, ca 1971-2. Junto segue uma foto há tempos encontrada na Net.



-As 3 metralhadoras pesadas são as Degtyarev 12,7mm , de origem soviética, em reparos de utilização terrestre e AA [Anti-Aérea].

Um abraço

Nuno Rubim

Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Metralhadoras pesadas Degtyarev, de origem soviética (1).

Fotos: © Victor Condeço (2007). Direitos reservados .

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Nota de L.G.:

(1) Vd. post de 13 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1756: Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, aquando da visita de Américo Tomás (Bissau, 1968) (Victor Condeço)

Guiné 63/74 - P1763: Quando a PIDE/DGS levou o Padre Puim, por causa da homília da paz (Bambadinca, 1 de Janeiro de 1971) (Abílio Machado)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xitole > 1970 > O Padre Puim, capelão militar, de origem açoriana, com o furriel Guimarães da CART 2716. Devido às suas homilias, este capelão teve problemas com a PIDE/DGS, acabando por ser expulso do Exército, em 1971, tal como outros (o caso talvez mais famoso foi o do Padre Mário da Lixa, membro da nossa tertúlia). Infelizmente, é a única foto que possuímos do ex-Padre Puím, hoje enfermeiroo no Hospital de Ponta Delgada, segundo a informação que tenho. Obrigado ao Abílio, pela evocação desses tempos difíceis de Bambadinca (é o adjectivo mínimo que posso aqui utilizar), coincidindo com a parte final da minha comissão da serviço, como se dizia eufemisticamente. Obrigado também por te lembrares do Henriques, um gajo apanhado, e honrá-lo com a tua amizade. Sei que andou por aí algures, a tentar esquecer... Mas, de facto, não se esquece a Guiné (1)


Foto: © David J. Guimarães (2005). Direitos reservados.


Mensagem do Abílio Machado (ex-Alf Mil da CCS do BART 2917, Bambadinca, 1970/72) (2), enviado com data de 31 de Março último:


Meu Caro:

Vê, por favor, o texto em anexo. Aparte o trecho final sobre o Puim, foi escrito - se bem tenho presente - logo na semana seguinte à minha presença no almoço da [CART] 2716 do Xitole, o ano passado, aqui no Porto . Encontrei-o aqui nas minhas coisas. Era já nessa altura minha intenção enviá-lo para o teu blogue . Mas perdi o endereço e por aqui ficou esquecido. Carecerá de actualizações mas vai mesmo assim.
Vale o que vale e o que a memória deixa.

Um abraço

Abilio Machado

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O pudor em falar da guerra...

por Abílio Machado


Tenho a ideia de ter lido há muito, muito tempo – cada vez mais o tempo é pouco - num dos cadernos do Expresso - passe a publicidade - uma referência a algo cujo título se parecia muito com o tema deste blogue.

É uma reminiscência longínqua, confusa, que nada terá de real, eivada, portanto, dos erros e partidas que a memória nos vai pregando ao longo da vida. Relaciono essa leitura com uma época em que, por efeméride ou acaso, vários textos de ficção sairam sobre a guerra colonial.
Não é demência senil - espero - será antes o propósito confesso de esquecer.

A participação numa guerra é sempre uma baliza que ficará a marcar o campo onde as nossas vidas se jogam ou jogarão: mais ainda se a oposição a essa guerra é já uma ideia construída e consciente, como era o caso de muitos de nós.

Esta contradição de estarmos numa guerra de que ideologicamente, politicamente, discordávamos não foi, por certo, a menor das “culpas“ que tivemos de carregar e solucionar no íntimo de cada um de nós. Talvez por isso se contem pelos dedos - como eu me lembro de contar pelos dedos : quando uma mão não chegava, socorria-me dos lábios para continuar a contagem da outra – as vezes que falei às minhas filhas da guerra em que o pai estivera engajado.

Já o meu avô, velho combatente da 1ª Grande Guerra, nunca contou aos filhos as agruras que passou nas trincheiras, o que comiam (tudo o que mexia ), a fuga desordenada para a rectaguarda dos sobreviventes após o desastre da Batalha de La Lys, os gases tóxicos. A minha mãe pasmava, de olhos desorbitados :
-Quem te contou tudo isso?

É impressivo em demasia para ser contado… É uma reserva íntima. Assunto para ser guardado em baú de sótão, como as velhas fotografias de família.

Mas vamos ao que interessa. Por que acedo a este blogue? Não escondo que o faço sentindo que a emoção se me escapa para os dedos e para o teclado. Lá onde quer que a emoção habite …
Num almoço-convívio recente da Companhia sedeada no Xitole, para que fui convidado, o Guimarães deu-me conta e endereço do blogue e de quem se esconde por trás de um nome tão inócuo como Luís Graça.

Meu caro Henriques (desvenda-se o mistério do nome ) : os nomes serão inócuos, as pessoas que eles ocultam, nem sempre o são. E há-as bem carregadas de contra-indicações e efeitos secundários. E incómodas, como o diabo...

Aquela noite em Bambadinca … Ainda lembras ou também queres esquecer? Ainda hoje não sei - ou sei - como escapaste à psiquiatria … O que, naquelas circunstâncias, seria, apesar de tudo, o mal menor. Antes louco que preso. Seria ?

O exemplo do padre Puim - já não é padre: quem o é nos tempos de hoje? Uma instituição caduca! – é o paradigma do que poderiam ter feito naquela situação. E não o terão pensado?

O Puim. Outro exemplo impressivo. Memória perene. Porque há actos que, por dolorosos, queremos rejeitar, mas pelo exemplo não podemos esquecer. E ficam-nos como um padrão, ou uma tatuagem, ou um ferrete. Recortados no horizonte ou cravados na carne a frio são uma referência ou uma lembrança.

A coragem de um padre que não abdicou de o ser lá onde era o seu sítio: o altar. Já corriam, porventura trazidos pela brisa que vinda de certa Casa ribeirinha se espalhava às vezes serena, às vezes inquieta pela parada do quartel, uns ditos de que o padre Puim se desmandava nas homilias.

Os textos, ditos ou escritos, não eram visados pelo lápis azul. O Puim saberia disto? Não vou revelar o que penso, não quero ser inconfidente… E choveram relatórios para Bissau, por certo. Alguém que era regular nas missas.

E chegou o dia 1 de Janeiro – Dia Mundial da Paz. Ainda é ? Era-o em 1971. Ao que me disseram ( eu não ia à missa : as minhas missas com o Puim eram grandes conversas, edificantes, pela noite fora ), o Puim falou sobre a Paz.

Nessa semana, à socapa – houve um silêncio quase opressivo ou é efabulação minha? - aterrou uma DO. Alguém discreto fez-me chegar a nova de que algo se passava com o Puim. Fui ver. Encontro o Puim sentado na cama, nervoso mas determinado, olhando uns sujeitos que impiedosamente lhe desmantelavam o quarto descarnado, de asceta, à cata de … Abriam, fechavam gavetas, apressados … Acabei retirado do quarto.

E levaram-no com eles . Vi-o passar. Parecia mais sereno . Chegou-nos que teria sido mal tratado em Bissau até pela própria Igreja . E que teria sido exilado para a sua terra: haverá coisa pior? Um exílio no próprio chão que o viu nascer?

Ninguém é profeta na sua terra nem fazem milagres os santos que conhecemos. Mais tarde soubemos que estava de facto nos Açores. E que despira o hábito … Mas abraçara outro sacerdócio … A igreja será agora o Hospital de Ponta Delgada.

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Notas de L.G.:

(1) Vd. post de Dezembro 08, 2005 > Blogantologia(s) II - (22): Esquecer a Guiné (Luís Graça)

(2) Vd. post de 29 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - P1635: Amigos, enquando vos escrevo, bebo um Porto velho à nossa saúde (Abílio Machado, CCS do BART 2917, Bambadinca, 1970/72)

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1762: II Encontro de Pombal (15): Estórias do Caco Baldé (Spínola) (J.L. Vacas de Carvalho, J. Mexia Alves e outros)



Videoclipe (3 m 21 s) > Estórias do Caco Baldé (Spínola)... Vozes: Joaquim Mexia Alves, J. L. Vacas de Carvalho, António Barroso e Paulo Salgado... Viola: J. L. Vacas de Carvalho. Para reproduzir o vídeo, basta clicar duas vezes na imagem e ligar o som... (1).

Vídeo: © Luís Graça (2007). Direitos reservados. Vídeo alojado no álbum de Luís Graça > Guinea-Bissau_Videos. Copyright © 2003-2007 Photobucket Inc. All rights reserved.
Pombal > 28 de Abril de 2007 > 2º encontro da malta do nosso blogue > Restaurante O Manjar do Marquês > Fim de tarde > Artistas: J. Luís Vacas de Carvalho e J. Mexia Alves... Audiência (participante): Eu, o Paulo Santiago e o seu filho João, o Humberto Reis e a Teresa, o Victor Tavares, o Artur Soares e o António Barroso.... A este pequeno grupo ainda se juntaria depois o Tino Neves e a esposa (acabados de chegar... de Coimbra)... Para além de se cantar (2), também se contou estórias... Por exemplo, a respeito do nosso Com-Chefe, carinhosamente conhecido como Caco Baldé. (LG)
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Notas de L.G.:

(1) Vd. post de 6 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1735: Tertúlia: Encontro em Pombal (14): Vídeo do Hugo Moura Ferreira

(2) Vd. videoclipes anteriores, relativos ao encontro de Pombal:

5 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1734: Tertúlia: Encontro em Pombal (13): Paco Bandeira: Lá longe, onde o sol castiga mais.. (J. L. Vacas de Carvalho / J. Mexia Alves)

1 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1717: Tertúlia: Encontro em Pombal (8): Ah, tigres! Ou uma dupla de fadistas (J.L. Vacas de Carvalho / J. Mexia Alves)

1 de Maio de 2007 Guiné 63/74 - P1720: Tertúlia: Encontro em Pombal (9): (Não) me tirem daqui (Sousa de Castro / Vacas de Carvalho / Mexia Alves)

terça-feira, 15 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1761: A floresta-galeria na escrita de Rui Ferreira


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > 1969 > Vista aérea: o esplendedor (e o terror) do Rio Geba e das suas margens.

Foto: © Humberto Reis (2005). Direitos reservados.

1. Mensagem do nosso camarada Rui Ferreira, coronel na situção de reforma, residente em Viseu, autor do livro de memórias Rumo a Fulacunda (1) e que, apesar dos actuais problemas de saúde, nos deu a honra e o prazer da sua presença em Pombal, no passado dia 28 de Abril de 2007:

Meu caro Luís:

Passei a olhar com mais respeito e a dar mais valor ao meu computador quando aderi de alma e coração à nossa tertília.

Todos os dias cá subo ao meu sotão onde num soberbo aproveitamento me fiz rodear das minhas recordações, livros, discos e cassetes que constituem o meu mundo e acabo fatalmente a abrir o correio e a ver as novas do nosso contentamento.

Tenho todo o gosto que um dia tu ou qualquer um dos outros que, por acaso ou não, visite Viseu me dê o prazer de me fazer uma visita. Aqui fica o convite.

Mas não só por isso te estou a contactar. Penso que para além das historias, peripécias e acontecimentos por que duma maneira geral todos fomos passando e que são obviamente muito importantes e têm por direito o seu lugar garantido, poderíamos alargar horizontes com a introdução de novos temas.

E para te falar deles começaria por sugerir que de uma forma absolutamente pessoal cada um se referisse como viu e como viveu e sentiu quando confrontado com coisas tão simples como os obstáculos naturais, o terreno, o clima, a humidade, o calor, as chuvas tropicais, a floresta, a guerra de minas, o culto da velhice nas sociedades africanas, o choro, a grandiosidade do nascer ou a beleza do pôr do Sol em África, a existência de Deus, o cheiro da terra depois das primeiras chuvas, o silêncio de morte, o medo, a angústia duma mutilação, ou mais terra a terra sobre o anexo do Hospital Militar de Campolide, a inadaptação da hierarquia militar à guerra de Àfrica, as comissões dos filhos e as dos enteados, enfim um nunca mais acabar de assuntos possíveis.

E para inaugurar, se assim o entenderes aqui te vou transcrever o que sobre a floresta escrevi
( In Rumo a Fulacunda, pag 218):

(...) a floresta- essa sim bem especial, pois, em alguns recantos perdidos e remotos da nossa área de acção, ela sendo senhora e soberana, em absoluto interferia na nossa actividade. Virgem, brava e selvagem, sôfrega na conquista dos espaços devolutos, desgovernada na expansão, abandonada ao acaso, perdida nas vastidões inocupadas das terras que não eram de ninguém, intocada, altiva e serena, misteriosa e sombria, era de um profundo espanto observar o contraste entre o soturno melancólico das sombras, dos escuros e dos tons de cinzento e negro do seu interior face ao luxo e ao esplendor do verde deslumbrante que ao Sol se expunha.

Crescendo ao deus-dará, resistindo à penetração e indiferente ao correr dos anos, numa amalgama de formas e tamanhos, numa profusão de variedades e numa imensidão de espécies que, disputando o mesmo espaço, a um tempo se irmanavam no mesmo propósito e antagonizavam na conquista da luz que mais não era que a própria vida.

Enlaçando-se, acomodando-se, coabitando, lutando e crescendo, lado a lado, fetos e arbustos, lianas e trepadeiras, canaviais e palmeiras, ramagens e raízes, frutos e flores, folhagens de recorte tão diverso, do ínfimo ao grandioso, do ridículo ao monumental, árvores novas e de pequeno porte, espinheiras, enfim um verdadeiro e absoluto matagal, intrincado e sem sentido, desordenado e sem solução.

Sobressaindo, tudo culminando e suplantando as demais, majestosas e frondosas, dominando em seu redor, se erguiam árvores de tão grande como inimaginado porte. Junto delas nos sentiamos pouco menos que insectos numa confrontação entre as suas impensáveis alturas e a nossa ridícula pequenez, entre a sua longevidade milenar e a nossa curta passagem por este mundo de Deus.

Na floresta não eramos mais que ínfimos seres desambientados e no seu interior, tão denso como se numa noite cerrada se tivesse entrado, pavorosamente tão sombrio, o que negro já era, se voltava a sentir não os mesmos infantis e inocentes temores da meninice ao escuro associados, mas um imenso e real pavor, tanto mais assustador quanto consciente, face ao desconhecido e misterioso. (...).


E por aqui me fico por hoje . Num grande abraço toda a consideração e a amizade do
Rui

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Nota de L.G.:

(1) Sobre o autor e o livro, vd posts:

17 de Novembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1285: Bibliografia de uma guerra (14): Rumo a Fulacunda, um best seller, de Rui Alexandrino Ferreira (Luís Graça)


1 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1718: Lendo de um fôlego o livro do Rui Ferreira, Rumo a Fulacunda (Virgínio Briote)

Guiné 63/74 - P1760: Estórias do Zé Teixeira (16): Tarde de Domingo com sorte

Guiné > Região de Quínara > Empada > CCAÇ 2381 > 1969 > O 1º Cabo enfermeiro Teixeira, um operacional a tempo inteiro (... hoje um notável contador de estórias).


Foto: © José Teixeira (2006). Direitos reservados.



Texto do José Teixeira (1º cabo enfermeiro, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70). Mais uma das suas estórias (1):



TARDE DE DOMINGO COM SORTE
por Zé Teixeira

O Reencontro

Trinta e sete anos depois do regresso, reencontrei o camarada Nuno Rosa. Para além da grande alegria pelo encontro, selada com um forte e comovido aperta costelas, surgiram logo de imediato as estórias do costume. Lembras-te daquele ataque … e daquele… das formigas que nos acordaram de noite … das malditas abelhas… etc, etc.

Algumas das estórias já estavam no sótão da memória, provavelmente cheias de pó. Outras continuam activas a bailar no consciente, só que há pormenores que nos escaparam. Assim as estórias tomam outra dimensão, talvez mais realista e sobretudo, após este desfiar de flashes por vezes bem dolorosos, acabam por se deslocarem para o sótão, até ao descanso eterno do guerreiro.

Uma emboscada ao domingo

Estávamos em Buba, no fim do Verão de 1969. O Joaquim Agostinho, com 26 anos devorava etapas na Volta A Portugal. Era o ciclista prodígio, o fora de série que tinha sido descoberto em Torres Vedras. Como o grosso do pessoal da CCAÇ 2381 era Ribatejano, não se falava de outra coisa na caserna.

Era domingo. Logo após o almoço, depois de um Sábado passado em patrulhamento para os lados da bolanha dos passarinhos, surge nova ordem de mobilizar para novo patrulhamento para os lados de Sinchã Cherno e emboscar algures na estrada que se andava a construir até Aldeia Formosa (Quebo), muito perto do local onde cerca de um mês antes tínhamos sofrido uma emboscada, junto a um campo de minas, uma das quais roubou a perna ao Miguel. Este, logo após o acalmar do fogo levantou-se e . . . descobriu que estávamos a pisar um campo, onde foram levantadas 27 minas A/P. e localizados buracos, tipo campas abertas com cruzes e com papéis escritos do género: "Tugas é isto que vos espera”, “Ida para a vossa terra” etc.

Bolsa de enfermeiro às costas, cantil cheio... Os efeitos da velhice não só dava, em resultado das experiências vividas, para um redobrar de atenção e um poder de reacção e desenrasque maior, como também, em certas ocasiões, para um aventureirismo exagerado com graves riscos para a pele.

Naquele dia, partimos à desportiva, bem dispostos, bem bebidos, quando muito, chateados pelo quebrar da rotina, pois em Portugal ao domingo não se trabalhava.

No primeiro local seguro (?) que encontramos, montamos tenda, quer dizer, a emboscada e preparamo-nos para ficar ali o resto da tarde. De repente ouve-se um tiro muito perto e o ruído de algo a cair de uma árvore. Como velhinhos ficamos quietos na expectativa, apenas redobramos de atenção, e eis que surge um dos furriéis com um magestático pato bravo, com seis/sete quilos, que o mesmo tinha abatido a tiro de G3.

A isto chama-se brincar em serviço, pelo que levantamos de imediato a embosca e partimos para outro sítio algures mais à frente. Sem saber que estávamos a cair para a boca do lobo, lá nos colocamos de novo em posição de combate. Agora sim, um pouco abandalhados. O homem que levava o prato do morteiro 60 não ficou junto do morteiro e o municiador do lança roquetes trocou o lugar por mim.

O Nuno com o seu colete de roquetes estava preocupado, pois faltava-lhe o municiador, o qual também trazia uma fornada de granadas. Ao comentar a sua preocupação eu respondi-lhe:
-Não te preocupes que se os turras atacarem, eu municio-te.

O IN que estava emboscado um pouco à frente, deixou-nos pousar e aproximou-se com cuidado ( Creio mesmo que se avançássemos mais uns cem metros, tínhamos caído no seu campo de mira).

De repente o ambiente aqueceu com o IN a cair em cima de nós com toda o seu potencial de fogo, ao qual se segui a nossa resposta rápida. Uma das primeiras roquetadas IN foi rebentar numa árvore por cima da minha cabeça. Os seus estilhaços barreram as folhas das árvores e este camarada procurou de imediato um lugar mais seguro. O roqueteiro bem olhou para trás, à minha procura, mas eu tinha voado para junto de uma árvore, mais segura.

Acabado o desafio, um autêntico Porto/ Benfica de que resultou um empate, ambos os contendores pensaram em fugir, o que foi a minha sorte.

Chega-me a informação de que há um ferido. Logo me aproximo e verifico que o homem do morteiro não hesitou em enviar umas morteiradas, colocando o cano do morteiro na terra mole, de que resultou ter ficado com um rasgão na mão, pois o morteiro ao enterrar-se pelo impacto, pela terra dentro, deixou marcas. Passo a palavra de que há um ferido ligeiro e logo ali me disponho a fazer o tratamento como era o meu dever.

O alferes é que não esteve com meias medidas e decidiu retirar de imediato. Acabado o tratamento, logo verifico que estávamos sozinhos. Duas hipóteses, ou ficar quietos, aguardar algum tempo e depois regressar a Buba, ou correr atrás dos camaradas que iam a 400/500 metros algures na mata!

Como já era fim de tarde, resolvemos procurar seguir os colegas que, entretanto, para mais rapidamente se afastarem, seguiam já na estrada que se avistava ao longe. Até porque ouvíamos ruídos e vozes por perto ( penso que era o IN a afastar-se, caso contrário podiam ter feito ronco e apanhar-nos à mão ou enviar-nos para casa no sobretudo de madeira).

O nosso roqueteiro, o Nuno Rosa, relembrou-me agora, na altura teve um pressentimento de que estava a ser seguido e olhou para trás. Dois dos seus colegas vinham lá longe. Então ajoelhou, colocou as últimas granadas, pois como bom ex-comando, nunca gastava todas as munições que levava, e bateu a mata que ficava à nossa retaguarda, impedindo o IN de qualquer veleidade.
Os outros camaradas continuaram apressadamente o seu caminho com o alferes à frente e o Furriel a sonhar com o arroz de pato, que nunca mais largou

Assim ficaram três homens desarmados, no meio da mata; um morteiro sem granadas, um roqueteiro sem roquetes e um enfermeiro, num fim de tarde domingo que toda a gente queria calmo e pacífico.

Quando em 2005 tive oportunidade de voltar à Guiné, estive muito próximo deste lugar, mas confesso que nada me veio à memória.

Obrigado, Nuno, por teres partilhado esta aventura comigo.

Zé Teixeira
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Nota de L.G.:


(1) Vd. post de 20 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - P1614: Estórias do Zé Teixeira (14): Voluntário na tropa... nem para comer!

10 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1059: Estórias do Zé Teixeira (13): A Maria-tira-cabaço-di-branco

7 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1055: Estórias do Zé Teixeira (12): O Balanta que fugia do enfermeiro

4 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1044: Estórias do Zé Teixeira (11): As vitaminas abortivas

4 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1043: Estórias do Zé Teixeira (10): O embalsamador amador

4 de Setembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1042: Estórias do Zé Teixeira (9): camaleões, putos e cobras

26 de Maio de 2006 > Guiné 63/74 - DCCXCVI: Estórias do Zé Teixeira (8): Do tan-tan ao pum-pum, um casamento em Mampatá

20 de Abril de 2006 > Guiné 63/74 - DCCXIX: Estórias do Zé Teixeira (7): Síndrome de guerra

19 de Abril de 2006 > Guiné 63/74 - DCCXVIII: Estórias do Zé Teixeira (6): um atribulado regresso

21 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCXLVIII: Estórias do Zé Teixeira (5): as abelhas, nossas amigas

21 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCXLVII: Estórias do Zé Teixeira (4): o lugar do morto

15 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXXXVIII: Estórias do Zé Teixeira (3): a festa da vida

11 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXXIV: Estórias do Zé Teixeira (2): o Conceição ou o morrer de morte macaca

9 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXIII: Estórias do Zé Teixeira (1): Dôtor, Bô ka lembra di mim ?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1759: Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (3): Miniférias em Cacine e tanques russos na fronteira

Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/73) > O Fur Mil Op Esp José Casimiro Carvalho, no topo de uma Fox, viatura blindada do Esquadrão de Reconhecimento Fox. Estas unidades de cavalaria também possuíam viaturas White (ver foto a seguir) (1).

Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/73) > Viatura blindada White, de matrícula MG-34-69, pertencente ao Pelotão de Reconhecimento Fox, estacionado em Guileje. Documento que faz parte do álbum fotográfico do Casimiro Carvalho, sem data nem legenda. Segundo o Casimiro Carvalho, o pelotão chamava-se Os Pipas (LG).



Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (2): 1ª quinzena de Maio de 1973: Miniférias em Cacine e tanques russos na fronteira (2)

Cartas enviadas pelo José Casmiro Carvalho à família. A selecção, a revisão e a fixação do texto são da responsabilidade do editor do blogue (LG) .


Cacine, 6/5/3


Mãezinha. (…) Chamaram-me no dia 4 e disseram-me: Você vai para Cacine receber os mantimentos para toda a época das chuvas, durante um mês. E cá estou…

Tem praia onde tomo banho todo os dias. Come-se assim: Jantar: arroz de frango (aquele escuro, com sangue), mas com frango; meia pera de conserva, 1 banana, vinho à discrição com gelo; café. Almoço: pato com batatas às rodelas, uma espécie de Espanhola, bastante pato, canja (uma delícia), 2 babanas e café. Como vê !!!?

PS – Junto foto contado o patacão.

Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/73) > O Fur Mil Op Esp José Casimiro Carvalho contando o patacão.... Foto enviada à mãe.


Cacine, 6/5/73

Querido pai: A sorte desta vez escolheu-me para ser protegido, pois mandaram-se para Cacine, terra de praia e sol, cocos, mangos, bananas, nada que fazer, nada de patrulhas nem trabalho… Só quando vêm batelões de Bissau é que tenho que conferir tudo (ao todo, durante este mês são 120 toneladas de reabastecimentos) e depois acompanhar de batelão até Gadamael (a 18 km de Guiledje) e voltar para Cacine, à espera de mais.

Sob o meu comando, estão um cabo e um soldado para ajudar. Em dois dias já estou mornaço.

(…) Aqui vai [uma foto de ] um dos carros de combate de Guileje.

(…) Um abraço sincero do seu Operações Especiais que de especial não tem nada. With Love.



Os aviões voltarão a voar, promete o Spínola


Cacine, 13/5/73

Mãezinha: (…) Fui até Gadamael de batelão (isto é que é viajar de barco!) e passei lá uma noite, noite em que Guileje foi atacada.. Também choveu torrencialmente e eu cá fora só de calções a apanhá-la e os soldados, com sabão, debaixo das caleiras a tomar banho” (…)

(…) Todos os dias, praia e banho. Não é nada mau, não acha ? Estou mesmo preto. Ando a sofrer por causa da ‘lica’: são centenas de borbulhinhas que com o suor picam como mil agulhas” (…).


Cacine, 13/5/73

Bijou: (…) Tenho andado aqui de batelão, comido cocos e bananas nem se fala. Mangos (fruta saborosa) há qui aos tombos.

Come-se bem aqui, e continua (hoje bifes de cebolada). Guileje foi atacado outra vez, mas eu não estava lá.

Parece que vai haver aviões outra vez no mato. Disse o Spínola anteontem em Guileje. Um beijo (…).



Carros de combate russos na fronteira

Cacine, 15/5/73


Paizinho: (…) A guerra aqui está cada vez pior. O Hospital de Bissau (3) está repleto (infelizmente). Só em Guidaje ,[ no norte], 40 feridos, alguns dos quais com membros amputados (já a cheirar mal devido a terem esperado 2 ou 3 dias por coluna para serem evacuados). Aviões já não vão lá.

No Cantanhez (todos estes locais que menciono são no sul, onde estou), 13 feridos numa emboscada. Guileje foi atacada outra vez e passados dois dias os melhores homens que tínhamos lá (dois furriéis milicianos) morreram, em consequência de uma mina anticarro que iam levantar. Andamos tods transtornados.

A 18 km de Guileje fica Gadamael e foram para lá 4 canhões sem recuo e 35 homens para os guarnecer. Levaram também granadas anti-tanque, pois foram vistos carros de combate na fronteira da República [da Guiné-Conacri].

O meu serviço aqui é receber os géneros e artigos de cantina que vão para Guileje, para o isolamento, pois com as chuvas ficamos como que numa ilha e não podemos sair de lá, só de avião ou barcos de borracha. Aviões não há. Portanto só de barco (o que é muito perigoso)…

________

Notas de L.G.:

(1) Vd. Não sei qual era o nº do Esquadrão. No meu tempo (1969/71), havia um Esquadrão de Reconhecimento em Bafátá, a que pertenceu o nosso camarada Manuel Mata. Vd. posts:

2 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DXCVII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71) (Manuel Mata) (1)

3 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCIII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Manuel Mata) (2)

25 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DCLII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71) (Manuel Mata) (3)

2 de Abril de 2006 > Guiné 63/74 - DCLXXI: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Manuel Mata) (4): Elevação de Bafatá a Cidade

(2) Vd. posts anteriores desta série:

25 de Abril de 2007 > Guiné 63/74 - P1699: Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (1): Abatido o primeiro Fiat G 91

3 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1727: Guileje, SPM 2728: Cartas do corredor da morte (J. Casimiro Carvalho) (2): Abril de 1973: Sinais de isolamento

(3) Vd. post de 7 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1738: Hospital Militar de Bissau (2): O terminal da guerra, da morte e do horror (Carlos Américo Cardoso, 1º cabo radiologista)

Guiné 63/74 - P1758: Convívios (7) : BCAÇ 2893 (Nova Lamego 1969/71), Figueira da Foz, 26 de Maio de 2007 (Tino Neves)



Mensagem enviada pelo camarada Constantino Neves, ex-1º Cabo Escriturário da CCS do BCaç 2893 ( Nova Lamego, 1969/71).



BCAÇ 2893 > CCS/CCAÇ 2617/CCAÇ 2618/CCAÇ 2619 + Pel Mort 2105/Pel Re Daimler




5.º Encontro/Convívio > Figueira da Foz, 26 de Maio de 2007


Quinta de Castros
Serra de Castros - Maiorca
Figueira da Foz



MENU

Entradas > Enchidos grelhados; Salgadinhos

Bufê > Sapateira recheada; Gambas cozidas; Polvo (salada); Ovas; Salmão em espelho; Saladas frias; Bacalhau espiritual; Lombo recheado; Batata assada; Arroz árabe; Sopa de alho francês

Mesas de Doce e de Fruta

BAR ABERTO

Bolo de Aniversário e Espumante

PREÇO: 32,00 € (Crianças até aos 4 anos não pagam, dos 5 aos 10 pagam 16,00€ ).

CONFIRMAÇÃO: Até ao dia 12 de Maio de 2007

PONTO DE ENCONTRO


Concentração em frente à Câmara Municipal da Figueira da Foz, até às 11,30 horas.

NOTA: Agradecia que me confirmassem logo após a recepção desta carta a intenção de estarem presentes, a fim de calcular atempadamente,quantos de vós estareis presentes.


Para os camaradas que ainda não disponibilizaram uma foto, tipo passe ou outra, agradecia que o fizessem, pois é de grande utilidade, para melhor os reconhecer, quando só o nome não chega.
Escrevam no verso o nome, posto e Companhia. Agradecido.

CONTACTO:

Constantino Neves
Telefone: 21 017 32 26
Telemóvel: 93 437 03 52
Endereço de correio electrónico > constantino.neves@gmail.com


Laranjeiro, 23 de Abril de 2007

Guiné 63/74 - P1757: Convívios (6): CART 2339 (Fá Mandinga e Mansambo,1968/69), Carvalhos, 19 de Maio de 2007 (Carlos Marques dos Santos)

Mensagem enviada pelo nosso camarada Carlos Marques Santos, ex-Fur Mil da CART 2339 (Fá Mandinga e Mansambo, 1968/69)



16.º CONVÍVIO > 19 de Maio de 2007
Guiné, Fá Mandinga e Mansambo , CART 2339 (1968/69). Celebram-se este ano os 40 anos da Companhia: em 28 de Agosto de 1967, em Évora, dava-se início à Formação da CART 2339.
O Almoço-Convívio realizar-se-á, nos Carvalhos, Vila Nova de Gaia, a 19 de Maio, pelas 13.00 horas.

Antes e pelas 11.00 h todo o pessoal deve encontrar-se na Igreja da N.ª Sr.ª da Saúde – Carvalhos, que fica próxima do local do Encontro e é um local amplo.

Portanto não esqueças. INSCREVE-TE COM TEMPO e passa palavra. Contactos:
Carlos Marques dos Santos – Telm 91 921 21 13
Rua Gago Coutinho, 17A-6.ºA
3030 – 326 Coimbra

Ernesto Ribeiro – Telm 96 649 56 02
R. Sarmento Pimentel, 376
4450-790 Leça da Palmeira

Um Grande Abraço

Marques dos Santos

domingo, 13 de maio de 2007

Guiné 63/74 - P1756: Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, aquando da visita de Américo Tomás (Bissau, 1968) (Victor Condeço)



Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Anti-aéreas Degtyarev, de origem russa.


Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Espingarda com alça telescópica, V 3272, calibre 7,62. Origem: URSS.


Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Em primeiro plano, Metralhadora Ligeira MG 42, Borsig, calibre 7,92. Origem: Alemanha Oriental.

Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Met Lig MG 42.

Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > A pistola-metralhadora Sudaev, PPS, m/1943 PPS, variante da famosa costureirinha. Origem: URSS.

Segundo a Wikipedia, a PPS-43 é uma variante da PPSH-41. Foi desenhada por Aleksei Sudaev e testada, com grande eficácia, na Batalha de Estalinegrado. Foi o resultado da simplificação da PPSH-41. É considerada a melhor pistola-metralhadora da Segunda Guerra Mundial.




Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Passagem do cortejo junto à catedral de Bissau.

Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Visita do Presidente da República, Alm Américo Tomás > Passagem do cortejo junto à Catedral de Bissau.

Fotos: © Victor Condeço (2007). Direitos reservados.

Mensagem do Victor Condeço (ex- Fur Mil Mecânico de Armamento, CCS do BART 1913, Catió 1967/69) (1). :

Meus caros, Nuno Rubim e Luís Graça:

Logo na primeira solicitação do Nuno tinha digitalizado este material com vista ao seu envio, no entanto não o cheguei a fazê-lo por não ver nele muito interesse. Perante a lamentação de que ninguém respondeu (2), resolvi enviar o que possuo e que é muito pouco, mas diz o povo que, “quem dá o que tem a mais não é obrigado”!

Devo dizer que, embora sendo do meu álbum fotográfico, estas fotos não foram tiradas por mim, mas sim pelo delegado do BART 1913, em Bissau.

Estas fotografias retratam uma exposição de armamento capturado ao PAIGC que teve lugar na Amura em Bissau, quando da visita do Presidente da República Américo Tomás em Fevereiro de 1968 à Guiné. Duas das fotos mostram momentos dessa visita junto à catedral de Bissau.

Se considerarem que as mesmas têm algum préstimo, façam o favor de lhe dar o uso que cada um de vós entender.

Um abraço para ambos.

Victor Condeço

2. Comentário de L.G.: Obrigado, Victor, em meu nome e do Nuno. Deixo ao Nuno a tarefa de fazer uma apreciação mais detalhada deste material fotográfica. Ele é que é o especialista. Arrisquei, no entanto, pôr algumas legendas nas fotos.

3. Teor do e-mail que o Nuno Rubim acaba de mandar ao Victor:

Caro Victor Condeço:

Muito obrigado pelas imagens que enviou. Bem haja, é o primeiro camarada que me responde.

São importantes no contexto da guerra colonial e sugeria-lhe que as enviasse, (cópias) ao Arquivo Histórico Militar, pois ficariam assim resguardadas para o futuro. Lá ficariam, para sempre, registadas no seu nome.

Não tenho tido problemas com o material utilizado pelo PAIGC, visto que tenho obtido todas as informações que julgo necessárias, bem como numerosas fotografias e desenhos. Curiosamente, tenho tido mais dificuldades em obter informações e fotografias de interesse sobre as as armas, viaturas, etc..., que nós utilizámos ...

Um abraço

Nuno Rubim
__________

Notas de L.G.:

(1) Vd. post de 3 de Dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1335: Um mecânico de armamento para a nossa companhia (Victor Condeço, CCS/BART 1913, Catió)

(2) Vd. post de 12 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1753: Diorama de Guileje, 1965/67 (Muno Rubim)

Guné 63/74 - P1755: Tabanca Grande (8): Carlos Vinhal, co-editor do nosso blogue (Carlos Vinhal / David Guimarães)


1. Mensagem do nosso co-editor, Carlos Vinhal (Carlos Esteves Vinhal, ex-Fur Mil Art Minas e Armadilhas, CART 2732, Mansabá, 1970/72):

Caros amigos e camaradas:
Para que eu tenha algum préstimo, sugiro que todos os mails relativos ao nosso Blogue sejam enviados preferencialmente para luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com , endereço a que tenho acesso directo.

O Luís continuará a coordenar toda a correspondência para aqui enviada, podendo eu mais facilmente cumprir as orientações dele emanadas.


Qualquer assunto de ordem mais restrita poderá continuar a ser enviado para os endereços antigos do nosso comandante Luís.
Estou ao vosso dispor para, por exemplo, divulgar encontros das vossas Unidades.

Um abraço do camarada
Carlos Vinhal

Leça da Palmeira

2. Comentário do David Guimarães:

Ex-camarada e meu grande amigo Carlos...

Na guerra viu-se muitas vezes mobilizações mal feitas e armas mal atribuídas... Um dos meus soldados, coitado, tivemos que finalmente lhe dar uma vassoura para varrer a parada , enfim para se ir entretendo, passar a comissão e regressar para casa são e salvo. Ele não tinha vocação, nem jeito nenhum, para as armas, é verdade...

Pegámos no homem da Pesada 2 em Vila Nova de Gaia e eu e o comandante de meu pelotão (já falecido) levámo-lo, pois já era a terceira mobilização que falhava por falta de habilidade do mínimo das habilidades. E olhem, esse sim, nem sei para que o apuraram para a tropa... Fizemos a obra, não doeu a consciência e que esteja vivo na terra dele é o que desejamos...

Era um rapaz sério, era gente boa... humilde ao máximo. Mandava-se voltar à direita e todo o pelotão voltava e ele, coitado, nunca acertou, era sempre ao contrário... Quando se marchava, lá ia um só com o passo trocado: era ele...

Em tiro, no apoiado e só , tinha que estar alguém do lado a ajudá-lo... A única coisa que ele fazia bem era beber uns copos... (isto é verdade) Não sairia mais da tropa, creio e então levámo-lo e devolvêmo-lo ao seu lar... Ao menos isso... Lá, na Guiné era o homem que dormia com dois camuflados e para o banho, lá ia sempre acompanhado senão não ia, pronto...

Agora, Carlos, tu és dos mobilizados para isto que aprovo com claps claps de palmas pois tens sido um dos grandes bloguistas e ainda bem... De intervenção oportuna - mas eu sou suspeito ao gabar-te, é que gabo um atirador de minas e armadilhas.... (Ficou bonito)...

Estás muito bem mobilizado...

Um abraço, Carlos Vinhal, anotei a direcção e vamos em frente...
David
ex-furriel miliciano
Atirador Artilharia
e Minas e Armadilhas
Xitole 70/72

que... andou contigo na recruta (Caldas da Rainha), na especialidade (Vendas Novas) e em minas e armadilhas (Casal do Pote, em Tancos) e só há pouco é que nos conhecemos... A vida tem destas coisas... mas por isso, e só, é que a vida é mais bela ainda... porque é dificil acreditar que tantas vezes tropeçámos um no outro...