sábado, 19 de janeiro de 2008

Guiné 63/74 - P2458: Os sulcos... e as estrias da G3 (Mário Dias / Virgínio Briote)




Em S. Vicente, no regresso a Bissau, depois da Op Atraca, no corredor de Canja. Setembro de 1966. Ou como não se devia transportar a G3, como ensinou vezes sem conta, o nosso Furriel Mário Dias.

Foto: Virgínio Briote (2008). Direitos reservados.

1. Mensagem do Mário Dias sobre a G3, a propósito dos sulcos que eu, quarenta anos depois e ainda instruendo, confundi com as estrias. Assim se vai fazendo a história dos aprendizes (*). Claro que pensei duas vezes, antes de perguntar ao Mário se ele estava a falar das estrias da G3. Tal como o conheci, fiel a ele próprio, minucioso e delicado como naqueles tempos, o Mário passa por cima. Grato, meu Furriel, por mais esta lição.

Caro Briote
Obrigado pelo reparo que fizeste sobre as estrias da G3 que são realmente 4, helicoidais, e enrolam no sentido dextorsum. (Ainda me recordo deste palavrão).
Mas, no meu texto, não me refiro às estrias propriamente ditas que se situam no cano. Falo de uns sulcos em linha recta, longitudinais, existentes na câmara da arma e que se destinam a fazer com que o cartucho não fique totalmente "colado" às paredes da dita câmara.

Esses sulcos, ao receberem os gases da explosão, permitem que o invólucro do cartucho seja extraído com maior facilidade. Se esses sulcos ou ranhuras estiverem obstruidos com qualquer sujidade a extracção pode não se realizar. Deves estar recordado que era um dos pontos que nós fazíamos questão de inspeccionar introduzindo o dedo mínimo na dita câmra para ver se o retiravámos limpo ou sujo. Alguns, eu por exemplo, até brincavamos com isso dizendo que era uma operação semelhante à que se faz para ver se as galinhas estão ou não prestes a pôr um ovo. Continuo com a dúvida se esses sulcos ou ranhuras era ou não 6. Creio que eram. No entanto, peço ajuda aos camaradas da Tabanca com a memória mais fresca que esclareçam esta dúvida.

Um grande abraço para toda a Tabanca, especialmente aos editores.

Mário Dias


__________

Nota de vb:

(*) O cano da minha G3

"As reclamações do costume, uma das mulheres do Tomás Camará à porta de armas, que marido, não dava dinheiro há que tempos, tinha que pagar arroz, ele não dá dinheiro, nosso alfero!



Tomás Camará. Na estrada Ingoré-Barro em Set 1966.

E porque vens falar comigo, eu não sou teu marido, fala com o Camará! Mas, nosso alfero, ele não vai a casa, meninos não têm que comer, eu não tem que dar! Como te chamas, qual é teu nome? Binta? Nome lindo, quantos pesos bó precisa?
Um dia igual a tantos outros. Aplicação militar de manhã, banho, carreira de tiro, almoço, uma sorna a seguir. Lá para as quatro, frente a Brá, exercícios com as equipas, progressão das parelhas por lances, projécteis nos troncos das palmeiras quando mostravam o quico, eles outra vez aos ziguezagues, granadas para cima, reunir as equipas para o regresso. No caminho em direcção ao aquartelamento, alguns mais descontraídos, já relaxados, a conversa a alargar-se, uma granada ofensiva para cima, para lhes lembrar que nas guerras não há descansos. E nove deles para o hospital, dar trabalho ao pessoal de enfermagem, como se eles já não tivessem que chegasse, para retirar-lhe um a um, os pequenos estilhaços que lhes tinham calhado na brincadeira.
À noite, cross até à entrada de Bissau, pelas margens da estrada, a cantarem, eu vi a BB na avenida marginal, a andar de lambreta, mas que lasca bestial…toda nua, nua, nua, toda nua…volta à rotunda, para trás até Brá. Para o quarto de banho, para o chuveiro, para onde há-de ser? E depois, tens alguma ideia? Ideias, não me fales em ideias, Vilaça, às vezes são tantas que até atrapalham.

Um dia, curso terminado nem há uma semana, tinha tido uma que, passados meses, ainda o moía. Fora até uma carreira de tiro que tinham improvisado, dois ou três kms para lá da base aérea. Pegara na G3, um cunhete ainda fechado, jeep na esgalha, como de costume. Mirara os alvos, garrafas de cerveja, de uísque, latas e mais latas, umas pelo chão, outras penduradas nos arames, umas atrás das outras. Do cunhete sobrara a caixa de madeira, pisava cápsulas, pelo chão mais de cinco mil de certeza, as que tinha gasto mais as que por lá tinham ficado de sessões anteriores. Depois, mais calmo, com o final da tarde a aproximar-se, sentara-se no jeep, arma com o cano a deitar fumo no banco de trás, ouvidos a zunirem, de regresso a Brá, uma brisa a dar-lhes.

Arma no quarteleiro, para limpeza completa. No dia seguinte, acordara com a voz esganiçada do Sany, nosso alfero, capitão Saraiva quer falar com o senhor.

Encontrou o capitão no gabinete às voltas com um relatório. Os bons dias amigáveis que dera não tiveram resposta, se calhar não ouviu, embrulhado com a papelada, nada que fosse da especialidade do Sariava.


Cap Maurício Saraiva, idolatrado e odiado. Um mal amado em Brá.1965

Viu-o levantar-se, o olhar de poucos amigos, e o que ele tinha para lhe dizer. Uma G3 na mão, o capitão disparou, quem foi o asno que fez esta merda?

Olhei para a arma, era a minha. Um pequeno lanho na ponta do cano, sem tapa chamas. Não foi um asno, fui eu, a arma é a minha, não, não há dúvida, é mesmo a minha, admitiu depois de ter passado os dedos pela racha.

Ora bem, os olhos do cap dentro dos óculos, como é que o alferes quer resolver isto?

Vou pagar, tem que ser, olhos nos óculos. Pagar vai, isso está fora de dúvidas, agora vamos ver como quer pagar, não é? Claro que há, aqui há sempre alternativas, responde o capitão.

A expulsão ou um par de chapadas, a escolha é sua!

Chapadas, expulsão?"



Guiné > Brá > 1965 > Os 4 Grupos de Comandos, sob o comando do Cap Nuno Rubim.

A expulsão é pública, sabia-o bem, já a fizera a um cabo. Os grupos formados em sentido, o clarim, o cabo em frente a tremer todo, escolta ao lado, a nota de expulsão em voz alta, o chefe de equipa a arrancar-lhe o crachá, os distintivos, o lenço, a entrega da guia de marcha para o QG, a escolta a conduzi-lo à porta de armas, esta a fechar-se, tudo seguido.
O par de chapadas devia ser em privado, mas mesmo assim, chapadas? Na cara?

Não sabia o que fazer, as alternativas não eram fantásticas. Vou pensar, meu capitão. Boa ideia, mas aqui e agora, alferes. Ficamos aqui os dois, até se decidir.

Ao lembrar-se como tudo terminara saiu-lhe uma gargalhada. O nariz a ferver, um abraço e o convite para jantar no Grande Hotel." (...)


Texto e fotos: Tantas Vidas, Blogue de Virgínio Briote, Lisboa

Guiné 63/74 - P2457: O Nosso Livro de Visitas (5): Carlos Mendes, ex-Fur Mil Art, 24.º PELART (Guidaje e Bissau, 1970/72)

1. Mensagem do nosso camarada Carlos Mendes:

Amigo Luís Graça:

Escrevo ao fim de alguns meses de consultas quase diárias ao nosso blogue.

Estive na Guiné em 1970/72 como Fur Mil Art no 24.º PELART adido à CCAÇ 3 em Guidaje e posteriormente no GA7 em Bissau.

Enviarei fotos logo que possível.
Um abraço.

PS: Gostaria de enviar um abraço ao amigo e colega de profissão Luís Candeias.

Subscrevo-me:
Carlos A. M. Mendes
greyeagle316@hotmail.com

2. Comentário de CV

Caro Carlos Mendes:

Podes considerar-te desde já Tertuliano de pleno direito na nossa Tabanca Grande.

Instala-te na Caserna onde te der mais jeito. Tens de cumprir unicamente as nossas dez normas de conduta já que o RDM aqui não é lei.

Como somos todos camaradas, pisámos o chão da Guiné e deixámos para segundo plano os Postos que tivemos na tropa, tratamo-nos por tu.

Esperamos as tuas fotos e algumas estórias da tua actividade como artilheiro.

Recebe um abraço de boas vindas dos editores e dos tertulianos em geral

Guiné 63/74 - P2456: Em busca de... (17): Informações sobre a CCAÇ 1587 (Joel Pinto / Carlos Silva / Benito Neves)

Cachil> Ilha do Como> 1966> Um abrigo

Cachil> 1966> Interior do Aquartelamento

Fotos: © Benito Neves (2008). Direitos reservados.

1. Mensagem de Joel Pinto, filho do nosso camarada António Patrício Pinto

Bom dia Ex.mo. Sr. Luis Graça:

Venho por este meio tentar pedir uma ajuda sobre o que procuro. Meu nome é Joel Pinto, tenho 24 anos e sou filho de António Patrício Pinto, ex-combatente da CCAÇ 1587, Guiné 1966-1968.

Eu pretendia o seguinte, todos os anos a CCAÇ 1587 realiza o almoço de convívio, este ano de 2008 calhou ao sr. meu pai organizar o convívio que será dia 3 de Maio, em Vila Nova de Gaia. Solicitou a minha ajuda para lhe ser mais fácil, o que aceitei de imediato e com enorme prazer.

Então, vim logo pesquisar sobre a CCAÇ 1587, Guiné 1966-1968, encontrei de imediato o endereço da sua web page. Contém imensa informação e em muitos aspectos, porém, não encontrei nada sobre a Companhia onde batalhou o sr. meu pai. Supondo que o sr. Luís Graça tenha acesso as muitas dessas informações que estou a tentar procurar, peço se não for muito incómodo uma pequena ajuda para eu tentar recolher o máximo de informação sobre a Companhia, brasão, biografias, ou mesmo uma pequena história.

Mostrei fotografias que estão no site de alguns dos locais onde eles permaneceram e logo relembraram esses momentos que só eles/vocês sabem e sentem o que passaram.

A finalidade do meu pedido será conseguir algo para mostrar aos ex-combatentes no próximo convívio, fazendo relembrar-lhes alguns desses mesmos momentos, além de, possivelmente, aumentar também a sua base de dados uma vez que não se encontra nada sobre esta Companhia.

Peço desculpa pelo seu tempo e obrigado pela sua atenção.

Admirando o seu trabalho e sem mais a comunicar, com os melhores cumprimentos,
Joel Pinto


2. Mensagem com a resposta do Blogue para o Joel Pinto:

Caro Joel Pinto:

Em relação ao pedido que nos faz, pouco ou nada podemos fazer, porque entre o pessoal da nossa Tertúlia (ou Tabanca Grande, como também lhe chamamos) não há ninguém da CCAÇ 1587.

Pesquisei a página http://guerracolonial.home.sapo.pt/, do nosso camarada Jorge Santos, na expectativa de encontrar o emblema da Companhia ou algum pedido de contacto de ex-combatentes, mas não encontrei nada.

Assim, vou lançar um mail geral pela nossa Tertúlia, no sentido de encontrar alguém que conheça outro alguém pertencente à Companhia do seu pai.

Por outro lado, se já houve encontros anteriores de ex-combatentes da CCAÇ 1587, melhor que ninguém, eles próprios poderão fornecer os elementos que procura.

Se entretanto chegar até nós alguma notícia da Companhia de seu pai, pode estar certo que a faremos chegar até si.

No nosso blogue, P2360, há uma ligeira referência à CCAÇ 1587, mas nada de relevante: "A rendição no Cachil da CCAV 1484 pela CCAÇ 1587 foi feita por fases, Gr Comb a Gr Comb, iniciada em 07/07/66" (É uma informação do nosso camarada Benito Neves, de Abrantes, que foi Fur Mil da CCAV 1484).

Apresente ao nosso camarada, seu pai, António Pinto, os nossos melhores cumprimentos.

Um abraço de
Carlos Vinhal


3. Mail de Luís Graça para Joel Pinto

Caro amigo: Estamos a pedir informação aos nossos camaradas.

Diga-nos quando é o convívio, o local, os contactos, etc., que a gente divulga.
Luís Graça

4. Mail do nosso camarada Carlos Silva com elementos muito importantes da História da CCAÇ 1587, reenviada a Joel Pinto:

Carlos:

Aqui vai o meu contributo, para esse jovem Joel.

(i) A CCAÇ 1587 teve como Unidade Mobilizadora o RI 2, por sinal, também a minha Unidade Mobilizadora;

(ii) O Comandante foi o Cap Mil Inf Pedro Eurico Galvão dos Reis Borges;

(iii) Embarcou em 30 de Junho de 1966 e regressou em 9 de Maio de 1968;

(iv) Síntese da Actividade Operacional:

Em 6 de Agosto de 1966, foi colocada em Cachil, a fim de efectuar uma Instrução de Adaptação Operacional com a CCAV 1484 e seguidamente efectuar a rotação com esta subunidade.

Em 8 de Setambro de 1966, assumiu a responsabilidade do referido subsector de Cachil, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 1860.

Em 20 de Novembro de 1966, por troca com a CCAÇ 1423, iniciada a 21 de Novembro de 1966, assumiu a responsabilidade do subsector de Empada, com um pelotão destacado em Ualada, no sector do mesmo Batalhão e depois do BART 1914.

A partir de 29 de Novembro de 1967, tomou parte na Operação Quebra Vento, com vista à construção do destacamento de Gubia, guarnecido por um dos seus pelotões, a partir de 24 de Dezembro de 1967.

Em 24 de Janeiro de 1968, foi rendida no subsector de Empada pela CCAÇ 1787, tendo seguido, temporariamente, para Bolama, a fim de efectuar a segurança e protecção da visita presidencial.

Em 13 de Fevereiro de 1968 foi colocada em Bissau, na dependência do BCAÇ 2384, onde substituiu a CCAÇ 2313 na segurança e protecção das instalações e das populações.

De 8 a 15 de Maio de 1968, após chegada parcelar da CCAV 1615, foi rendida sucessivamente por esses efectivos, recolhendo então a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Obs.
Tem História da Unidade [Caixa nº. 70 – 2.ª Div/4.ª Sec. do Arquivo Histórico Militar, Santa Apolónia – Lisboa]

Este resumo consta do Livro do Estado-Maior do Exército – Comissão para o Estudo das Campanhas de África 1961-1974, Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África, 7.º Volume, Tomo II Guiné, pág. 358

Para mais desenvolvimentos o Joel pode consultar a História da Unidade, no AHM e pode ir a Abrantes e pedir para tirar uma foto ao guião da Companhia.

Fotos e outras histórias só os camaradas do pai as podem contar.

Recebe um abraço
Carlos Silva

5. Mensagem do nosso camarada Benito Neves, com mais elementos históricos da CCAÇ 1587, endereçados ao nosso amigo Joel Pinto:

Os meus melhores cumprimentos ao Carlos Vinhal e uma saudação muito especial ao Joel.

Por vezes, quando ouvimos certos números, há algo que, como uma campainha, nos alerta e nos põe de sobreaviso.

Foi exactamente o que aconteceu quando li o número 1587 que, de imediato, me fez mergulhar nos meus apontamentos e é com o maior prazer que vou dar uma ajuda ao Joel.

A CCAÇ 1587, em 7 de Agosto de 1966, a nível de 1 grupo de combate, começou a render no Cachil - Ilha do Como, a CCAV 1484 que ali se encontrava transitoriamente desde meados de Julho de 1966, por ter rendido a CCAÇ 726.

Os restantes Grupos de Combate da CCAÇ 1587 permaneceram em Catió até mais tarde e participaram conjuntamente com a CCAV 1484 (que era a Companhia de Intervenção ao Sector) em diversas operações, a saber:

em 11 de Agosto de 1966, Operação "Placagem"; em 15 de Agosto de 1966, Operação "Palpite I"; Operação "Palpite II" em 27 de Agosto de 1966; Operação "Palpite III" em 04 de Setembro de 1966; Operação "Patada" em 19 de Setembro de 1966; Operação "Pileca" em 29 de Setembro de 1966; Operação "Paloma" em 13 de Outubro de 1966; na "Pórtico" em 20 de Outubro de 1966 e na operação "Pincho" em 09 de Novembro de 1966.

Nestas operações participou a Companhia de Milícias 13 que era comandada pelo então tenente João Bacar Jaló e, em algumas delas, também a CCCAÇ 763 (Mário Fitas) que se encontrava aquartelada em Cufar.

Não sei quanto tempo esta CCAÇ 1587 terá ficado no Cachil, mas aqui talvez o Victor Condeço possa dar uma ajudinha.

Tenho os relatórios oficiais das operações acima referidas. Se o Joel Pinto tiver neles algum interesse, não tenho problema em facultar-lhos. Ele que me contacte para benito.neves@pluricanal.net

Anexo 2 fotos do quartel do Cachil.

Um abraço, com amizade.
Benito Neves
ex-Fur Mil
CCAV 1484

6. Mensagem do nosso camarada Victor Condeço sobre o mesmo assunto

Meus caros camaradas:

Depois de consultar a História do BART 1913, em data alguma é referida a CCAÇ 1587.

Pelas informações do Benito Neves, ela esteve no Cachil, mas quando da sua rendição deve ter saído do sector S3 (Catió).

Presumo que terá sido rendida pela CCAÇ 1423/BCAÇ 1858 no Cachil, mas para onde foi não sei.

Sei que a CCAÇ 1423 foi rendida pela CART 1687/BART 1913 em 02 de Maio de 1967.

Com os melhores cumprimentos
Victor Condeço
Ex-FurMil
CCS/BART 1913
1967/69

Guiné 63/74 - P2455: Diorama de Guileje (4): A cozinha e o depósito de géneros alimentícios (Nuno Rubim)

Diorama de Guiledje > 2008 > A cozinha do aquartelamento, miniatura, da autoria de Nuno Rubim.


Foto: © Nuno Rubim (2008). Direitos reservados


1. Mensagem de Nuno Rubim, já enternato divulgada internamente na nossa Tabanca Grande:


Caro Luís

Agora é que me parece que serão os últimos pedidos que faço aos camaradas do blogue, que me têm e muito, ajudado na obtenção de fotografias com detalhes para a feitura do diorama de Guileje.

Desta feita preciso de fotografias onde se possam ver caixas e latões, latas e outro tipo de embalagens/recipientes, de géneros alimentícios, em madeira, metálicos ou sacas. Eram iguais para todas as unidades.

Bem sei que não será fácil, o pessoal ( incluo-me a mim próprio ) não estava p'ra aí virado, mas pode ser que tenha alguma sorte ... As miniaturas deste tipo, que eventualmente venham a ser feitas, são para colocar junto ao edifício do depósito de géneros. E como com estes se destinavam à alimentação do pessoal, já está acabada a maqueta o edifício da cozinha / refeitório de praças, de que junto uma fotografia.

Repararão num cartaz ali afixado. Foi o cozinheiro da CCAÇ 726 que o colocou, num desabafo... Tem a ver com uns tais Pastéis de Basooka (sic) cuja estória está ainda por contar ...

Quem fôr ao Simpósio vai ter oportunidade de obter uma explicação complementar sobre este assunto ... E o Pepito ( Carlos Schwarz ) diz-me que já obteve a receita ! Duvido muito, mas vamos lá ver ...

As fotos da cozinha e do cartaz foram-me fornecidas pelo camarada ex-Furriel Alberto Pires (Teco), dessa Companhia.

Um abraço

Nuno Rubim

2. Comentário de L.G.:

Nuno: O teu pedido é irrecusável e estou convicto de que a nossa malta não te/nos vai desiludir, a começar pelos nossos Intendentes que devem, por certo, ter fotos com caixas, latões e embalagens de géneros alimentícios... O teu diorama é já um sucesso e eu estou a imaginar o ronco que ele vai fazer em Guileje no próximo mês de Março...

Em troca da nossa empenhada colaboração, tu vais prometer-nos enviar uma reportagem (fotográfica) completíssima da tua obra de arte... Como é um exemplar único, vamos perdê-la... Ou melhor, os guineenses vão ganhá-la e nós vamos ter que ir ao sul da Guiné-Bissau, ao futuro núcleo museológico de Guileje, para a ver ao perto... É claro, vamos ficar todos muito orgulhosos do teu/nosso diorama... Vou já começar a fazer circular o teu pedido pela nossa rede tertuliana. Mais logo publico um poste no blogue, com foto da cozinha que está um mimo. Palmas também para o Teco, da CCAÇ 726, e, já agora, para o anónimo pasteleiro... Um abraço do Luís

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Nota de L.G.:

(1) Vd. postes anteriores desta série (ou com ela relacionados):

31 de Dezembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2394: Quem se lembra das cores dos bidões de combustíveis e lubrificantes ? (Nuno Rubim)

5 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2408: Sistema de cores dos bidões de Combustíveis & Lubrificantes, usados pelas NT no CTIG (Victor Condeço)

11 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2432: Diorama de Guileje (1): Geradores: Grupos Diesel Lister ou Frapil: fotos ou manuais, precisa-se (Nuno Rubim / Victor Condeço)

13 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2436: Diorama de Guileje (2): a casota do gerador Lister... Agora só faltam os torpedos bengalórios (Nuno Rubim)

15 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2441: Diorama de Guiledje (3): Torpedos bengalórios (Idálio Reis /Nuno Rubim)

Guiné 63/74 - P2454: PAIGC - Instrução, táctica e logística (8): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VIII Parte): Minas III (A. Marques Lopes)

Publica-se hoje a terceira e última parte relativa ao capítulo sobre minas e outros engenhos explosivos utilizados pela guerrilha, no CTIG. Extractos de Supintrep, nº 32, de Junho de 1971, documento classificado, de que nos foi enviada uma cópia, em 14 de Setembro de 2007 pelo nosso camarada A. Marques Lopes:

PAIGC - Instrução, táctica e logística (8): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VII) > UTILIZAÇÃO DE ENGENHOS (III Parte)


Revisão e fixação de texto: L.G. (As imagens digitalizadas pelo AML, a partir de um exemplar do original, têm fraca qualidade; optou-se, mesmo assim, por inseri-las, na maior parte dos casos (1).

6. Técnicas de implantação [de engenhos explosivos] detectadas na Província da Guiné



(i) Em 1 de Dezembro de 1966, o IN implantou um engenho explosivo A/C no itinerário Xime-Bambadinca, procedendo da seguinte forma:

O itinerário encontrava-se bastante danificado, principalmente na bolanha do Rio Canhala, junto ao Xime. As NT, a fim de possibilitar a passagem das viaturas e, na falta de cascalho e pedra para tapar os inúmeros buracos, obstruíram alguns com cibes. O IN, aproveitando-se dessa circunstância, colocou debaixo de um desses cibes um engenho explosivo A/C, sem possibilidades de detecção por picagem.

(ii) Em 5 de Agosto de 1968, pelas 10h07, em [?] 1615 1220 A0-74, foi levantada uma mina A/C TMD, reforçada com 2 granadas P27, uma de cada lado. As duas espoletas MUV foram escorvadas em 2 petardos de 20 gramas de trotil e colocadas ao alto, indo o armador apoiar-se directamente na cauda do percutor, estando a mina montada para ser accionada por pressão.

Em lugar da cavilha normal metálica da espoleta MUV encontrou-se uma cavilha calibrada, de madeira. O peso de qualquer indivíduo era suficiente para partir tal cavilha e accionar a espoleta, pelo que a mina assim montada funciona como anti-carro e anti-pessoal.




(iii) Em 20 de Junho de 1968, forças do BCAV 1905 verificaram que o IN, na estrada Sare Banda - Banjara [ Zona Leste] implantou 1 engenho explosivo do seguinte modo (2):



- no trilho do rodado implantou uma mina A/P e acoplada com esta uma mina A/C no centro das estrada;

- atravessados na estrada encontravam-se troncos de árvore, colocados por cima da mina A/C que aos serem pisados pelos rodados das viaturas accionariam esta mina.


(iv) Em 4 de Julho de 1969, foi levantado o engenho explosivo abaixo descrito no itinerário Madina do Boé - Cheche [, no sudeste da Guiné]:



Era constituído por uma mina A/P PMD-6 associada a uma mina A/C TMD reforçada com 2 petardos de 200 gramas de TNT. A ligação entre ambas era feita por cordão detonante. Em ambas as minas existia 1 detonador (na extremidade do cordão detonante) ligado aos invólucros das minas por uma substância deformável de cor negra. A mina A/P (que fazia actuar o conjunto) estava colocada numa das margens da estrada e a A/C no eixo da mesma. O engenho poderia, portanto, ser accionado por elementos apeados ou por viaturas.

(v) Em 19 de Dezembro de 1969, no itinerário Guidaje-Cufeu, foi accionada uma mina A/C por uma viatura após a picagem das NT.

Um elemento das NT, que seguia próximo da viatura, ao ouvir o rebentamento, lançou-se para a berma da estrada, para se instalar, fazendo accionar uma mina A/P.

Na berma da estrada, escondidas no capim, foram detectadas e levantadas 8 minas A/P.

As NT verificaram criteriosamente o local e encontraram pequenos bocados de trapo desfeitos, pelo que se supõe que a mina A/C estivesse coberta com trapos e papéis para abafar o som característico das minas na picagem para não serem detectadas.


(vi) Em 8 de Março de 1970, o BCAÇ 2893 refere que foram detectadas e levantadas no itinerário Ieromaro Delta – Madina Mandinga [, região de Gabu,] 9 minas, 1 A/C e 8 A/P, com a seguinte disposição:



A mina A/C encontrava-se implantada no rodado das viaturas e junto a uma árvore, e uns metros mais afastados estavam implantadas as minas A/P, estas fora do itinerário e em locais que têm logicamente de ser utilizados pelas NT ao saltarem das viaturas para socorrerem os feridos, no caso de ser accionada a mina A/C.

(vii) No relatório da Acção Querubim realizada em 6 de Novembro de 1970 consta terem sido detectados alguns túneis abertos sob o itinerário Nova Sintra - S. João, provavelmente para colocação de minas.

O leito do itinerário, debaixo do qual se encontram aqueles túneis, é bastante duro, o que impossibilita a detecção das minas aí colocadas pelo sistema de picagem.

É de presumir que as minas assim colocadas sejam comandadas, pois será difícil o seu accionamento por pressão.


(viii) Em 17 de Dezembro de 1970 a CCAÇ 2700 detectou 6 minas A/P em Padada 201-42 colocadas segundo o esquema que a seguir se apresenta (3):



(ix) Do relatório da Acção Salpicos realizada em 13 de Novembro de 1970 extraíu-se a seguinte técnica de implantação de engenhos explosivos pelo IN:

Durante o regresso ao aquartelamento, quando a força que havia executado a acção se deslocava por uma picada que não transitava há muito tempo e que se encontrava cheia de capim com excepção de um trilho que corria a meio dela, foi detectada e levantada uma mina A/P PMD-6, sob a qual havia uma mina A/C TM46 que, na abertura para o detonador, tinha um petardo de 100 grs. O conjunto estava reforçado com vários petardos observando-se ainda 2 tampões da mina A/C, os quais produziriam estilhaços.

Feita picagem na área, foram detectados mais dois conjuntos em todo semelhantes ao anterior, estes reforçados com uma granada de RPG2 e uma granada de mão defensiva F1, respectivamente, distanciados de cerca de 50 metros e sempre junto de árvores de grande porte, distantes de todas as outras para fácil referenciação.

A colocação dos engenhos não foi feita sobre os trilhos mas sim imediatamente ao lado.


(x) Em 13 de Janeiro de 1971, viaturas das NT accionaram 2 minas A/C no itinerário Bambadinca – Nhabijões, implantadas segundo o esquema que a seguir se refere (4):



Dos ensinamentos colhidos realça-se que o IN colocou uma mina no leito da estrada e outra na berma a uma distância que calculou ser suficientemente longe para não ser abrangida pela habitual pesquisa em redor dos engenhos explosivos detonados mas suficientemente perto para ser accionada na inversão de marcha das viaturas de socorro.


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Notas de L.G.:

(1) Vd. postes anteriores:

4 de Dezembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2327: PAIGC - Instrução, táctica e logística (6): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VI Parte): Minas I (A. Marques Lopes)

17 de Janeiro de 2008 > Guine 63/74 - P2446: PAIGC - Instrução, táctica e logística (7): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VII Parte): Minas II (A. Marques Lopes)


(2) Sobre o temível itinerário Sare Banda - Banjara que pertencia ao sector de Geba (Sector L2, Zona Leste), há vários postes do A. Marques Lopes (que foi Alf Mil da CART 1690, Geba, 197/68): vd. por exemplo:

25 de Maio de 2005 > Guiné 69/71 - XXIV: O ataque ao destacamento de Banjara (1968) (1) (A. Marques Lopes)

30 de Maio de 2005 > Guiné 69/71 - XXXIII: A morte no caminho para Banjara (A. Marques Lopes)

5 de Junho de 2005 > Guiné 69/71 - XLVI: Em memória dos bravos de Geba... (A. Marques Lopes)

10 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1745: Eu e o meu capitão e amigo Guimarães, morto aos 29 anos, na estrada de Geba para Banjara (A. Marques Lopes, CART 1690)

10 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2424: Álbum das Glórias (37): Os alferes da CART 1690 ou uma estória de amizade e camaradagem a toda a prova (A. Marques Lopes)

(3) Vd. 15 de Março de 2007 > Guiné 63/74 - P1595: História da CCAÇ 2700 (Dulombi, 1970/72) (Fernando Barata) (3): minas, tornados, emboscadas, flagelações e acção... psicossocial

(4) Vd. postes de:

23 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCV: 1 morto e 6 feridos graves aos 20 meses (CCAÇ 12, Janeiro de 1971) (Luís Graça)


(...) "O dia 13 seria uma data fatídica para as NT, e em especial para a CCAÇ 12 cujos quadros metropolitanos estavam prestes a terminar a sua comissão de serviço em terras da Guiné. Eis o filme dos acontecimentos:

"(i) Às 5.45h o 1º Gr Comb detectou, durante a batida à região de Ponta Coli, vestígios dum grupo IN de 20 elementos, vindos em acção de reconhecimento aos trabalhos da TECNIL na estrada Bambadinca-Xime e locais de instalação das NT.

"(ii) Às 11.25h, na estrada de Nhabijões-Bambadinca, uma viatura tipo Unimog 411, conduzida pelo Sold Soares (CCAÇ 12) que ia buscar [a Bambadinca] a 2ª refeição para o pessoal daquele destacamento, accionou uma mina A/C.

"0 condutor teve morte instantânea. Ficaram gravemente feridos 1 Oficial (CCS / BART 2917)[Alf Mil Moreira] , 1 Sargento (Fur Mil Fernandes/CCAÇ 12) e 1 Praça (CCS / BART 2917).

"(iii) Imediatamente alertadas as NT em Bambadinca, o Gr Comb de intervenção (4º, CCAÇ 12) recebeu a missão de seguir para o local a fim de fazer o reconhecimento da zona, enquanto outras forças acorriam a socorrer os sinistrados.

"Ao chegar junto da viatura minada, o Cmdt do 4° Gr Comb [Alf Mil Rodrigues] (b) deixou duas praças a fazer a pesquisa, na estrada e imediações, de outros possíveis engenhos explosivos, no que foram apoiados por alguns elementos do destacamento, seguindo depois uma pista de peugadas recentes, detectadas nas proximidades, e que se dirigiam para a orla da mata.

"Aqui, a 50 metros da estrada, atrás duma árvore incrustada num baga-baga, encontraram-se vestígios muito recentes. Seguindo os rastos através da mata, foi dar-se à antiga tabanca de Imbumbe [um dos cinco núcleos populacionais de Nhabijões, agora transferidos para o reordenamento], mas nas proximidades do reordenamento (Bolubate) aqueles passaram a confundir-se com os do pessoal que trabalha na bolanha.

"(iv) Regressado ao local das viaturas, o Gr Comb pelas 13.30h recebeu ordens para recolher, tendo o pessoal tomado lugar no Unimog e na GMC em que tinha vindo. Esta última [onde vinham as secções, comandadas pelos Fur Mil Marques e Henriques] , entretanto, ao fazer inversão de marcha, e tendo saído fora da estrada com o rodado trazeiro, accionaria uma outra mina A/C colocada na berma, a 10 metros da anterior, e que não havia sido detectada pelos picadores.

"Em resultado de terem sido projectados, ficaram gravemente feridos o Fur Mil Marques e os Sold Quecuta, Sherifo, Tenen e Ussumane. Sofreram escoriações e traumatismos de menor grau o Alf Mil Rodrigues, o Sold Trms Pereira e os Sold Cherno e Samba" (...).


2 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCXXIX: E de súbito uma explosão (Luís Graça)


(...) "E de súbito uma explosão. O sol dos trópicos desintegra-se. O céu torna-se bronze incandescente. O mamute de três toneladas dá um urro de morte ao ser projectado sob a lava do vulcão. E depois, silêncio... Era uma hora e meia da tarde quando o meu relógio parou, na estrada de Nhabijões-Bambadinca" (...).

Guiné 63/74 - P2453: O que fazia um militar da ferrugem como eu ? (Victor Condeço, ex- Fur Mil Mec Armamento, CCS/BART 1913, Catió, 1967/69)

Guiné > Região de Tombali > Cufar > CART 1687 (1967/1969) > 21 de Setembro de 1967 > Álbum fotográfico de Vitor Condeço > Foto 10 > "O Fur Mil Victor Condeço numa das suas inspecções ao armamento, verificando uma G3 no aquartelamento de Cufar em Setembro de 1967, veja-se a improvisação da mesa com o tampo feito de um cunhete de munições 7,62 e os pés feitos de aduelas de barril".


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS/ BART Álbum fotográfico de Victor Condeço > F05 > 1 de Agosto de 1967 > GMC reconstruída em Catió a partir de duas outras que estavam na sucata e abatidas. Repare-se na falta da matrícula que oficialmente e por motivos óbvios não podia existir.

Com tanto pessoal civil e militar na pista, algo de importante se deveria passar... não recordo o quê. Recordo no entanto alguns dos aqui presentes, em cima da esquerda para a direita o Fur Mil Arménio, ?, o Sold Poupinha, o Fur Mil Pires; ao volante o madeirense Fur Mil Freitas, a seu lado o condutor auto ?, e em baixo o Fur Mil Cabrita.

Fotos e legendas: © Victor Condeço (2008). Direitos reservados.

1. Texto do Victor Condeço (1), com data de 13 de Janeiro

Meu caro Luis,

Saúde e boa disposição.

Não querendo tomar muito do teu precioso tempo, venho apenas dizer-te que li o post P2431, fiquei admirado pela publicação do mesmo, pois que não era esse o propósito ao tentar dar uma ajuda ao Nuno Rubim.

Gentileza tua aproveitar uma coisa sem importância, mas já que entendeste assim, obrigado pelo que escreveste, gostei da tua prosa sobre o pessoal da ferrugem.

É verdade! O pessoal do Serviço de Material era tido como uns sortudos e olhados com algum sobranceirismo, por estarem dispensados de actividades operacionais e até fora de algumas escalas de serviços, por isso também ouvíamos umas bocas.

Mas havia excepções, dependendo dos comandantes das unidades onde estávamos inseridos, isso motivou a Nota-Circular 10347/A de 16JUN67 da 1º REP do QG do CTIG, com recomendações para o escrupuloso cumprimento das disposições constantes de O.E. nº 6, 3ª Série de 28FEV58 e da Circular nº7994 de 14ABR65 da Rep. Of. /DSP.

No meu caso particular, fiz de tudo um pouco, só nunca alinhei no mato.

O tempo que me sobrava não era muito, pois tínhamos por todo o sector mais de um milhar de armas ligeiras e pesadas para dar assistência.

Só em Catió chegámos a ter além da CCS, duas Companhias de Intervenção, uma Companhia e mais dois Pelotões de Milícia e ainda 4 pelotões (Morteiros, Canhões S/R, Rec Daimler e Artilharia).

No sector existiam ainda mais 4 Companhias, em Cachil, Cufar, Bedanda e Cabedu, respectivamente, com uns quantos pelotões de Milícia, Morteiros e Canhões S/R...

Para além das funções próprias da especialidade e em que era coadjuvado pelos 1º Cabos Neves e Camarinha, fui encarregado de tratar de toda a papelada relacionada com o armamento da CCS, folhas de carga, notas e requisições, autos de ruína prematura, de extravio e de incapacidade.

Como se isso não fosse suficiente fui nomeado escrivão da Secção de Justiça e mais tarde por falta de pessoal fui integrado na secção de Reabastecimentos e Pessoal, cujo chefe era também um homem da ferrugem, o Alferes Garcia do Pelotão de Manutenção do S.M., onde fiquei com a missão de elaborar os SITMUN, os SITARM, etc. e receber os meios aéreos na pista de aviação.

Para culminar acabei por ser integrado na escala de Sarg Dia.

Valeram-me as normas que acima citei, para nunca ter participado em acções operacionais, embora vontade não faltasse ao Capitão Botelho, que era dos tais comandantes que achavam que os especialistas do S.M. deviam estar disponíveis para tudo.

Aqui para nós acho que até estávamos, pelo menos aqueles com quem convivi naqueles quase 22 meses de comissão.

Embora estivesse instituído um horário de trabalho para as diversas secções, era comum encontrar pessoas a trabalhar noite adentro: no meu caso ultimando papelada que deveria seguir no avião da manhã seguinte, o Pires, Fur Mil Radiomontador, que na sua tabanca com o seu adjunto labutava de volta dos rádios que deveriam estar operacionais para a próxima saída, que poderia ser nessa madrugada.

Também o Sargento Dias Mecânico Auto e o seu pessoal merecem aqui ser referidos, pois apesar de todas a dificuldades na obtenção de sobressalentes para as viaturas, conseguiram com arte, engenho e dedicação, recuperar e manter operacional um parque de viaturas que estavam inoperacionais aquando da nossa chegada, a maioria já abatidas e consideradas sucata.

Naquela guerra todos demos o nosso contributo, uns lutando de arma na mão e arriscando a vida no mato, outros nos quartéis cuidando dos meios e das condições para que aquela luta fosse menos arriscada e bem sucedida para todos nós.

Acabei por me alongar, mas como diz o provérbio “no comer e no falar a demora é no começar”, desculpa.

Luís, um dia chegará que nos havemos de conhecer pessoalmente e dar um abraço de quebra costelas...

Enquanto esse dia não chega, vai mais um abraço virtual muito forte.

Victor Condeço
______________

Nota dos editores:

(1) Vd. poste de 3 de Dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1335: Um mecânico de armamento para a nossa companhia (Victor Condeço, CCS/BART 1913, Catió)

Guiné 63/74 - P2452: Tabanca Grande (53): Luís Candeias, Ex-Fur Mil Inf (BII 18 e BII 19, Açores e Madeira, 1973/74



Luís António Ricardo Candeias, ex-Fur Mil Inf (BII 18 e BII 19, Ponta Delgada e Funchal, 1973/74)




1. Mensagem de Luís Candeias, da Ilha de Santa Maria, Região Autónoma dos Açores, onde é controlador de tráfego aéreo, enviada em 7 de Janeiro de 2008:

Sou um visitante assíduo deste Blogue. O meu nome é Luis António Ricardo Candeias.

Sou natural e residente na Ilha de Santa Maria, nos Açores, onde exerço a actividade de Controlador de Tráfego Aéreo.

Sou conterrâneo e amigo do Arsénio Chaves Puim, (aqui mencionado nalguns textos por ter sido capelão militar na Guiné) e afastado pelas suas ideias e coerência (1).

Visito este blogue em busca de notícias de companheiros e amigos desses terríveis tempos da Guerra do Ultramar.

Tenho hesitado em contactar-vos porque, não tendo sido mobilizado para a guerra, não me sinto no direito de me intrometer nas histórias e sofrimento que apenas conheci no conforto do B.I.19 (Funchal), destacamento militar do Porto Santo, no e B.I.18, Ponta Delgada. [...]

2. Mensagem do co-editor CV no dia 18 de Janeiro 2008 para Luís Candeias

Caro Luís Candeias

Incumbiu-me o Luís Graça de te comunicar a nossa decisão de te considerar como nosso tertuliano, não na qualidade de ex-combatente da Guiné, mas como amigo e colaborador do nosso (já teu) Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.

A tua acção, em tão pouco espaço de tempo, deu mais frutos do que diversas tentativas, feitas ao longo dos últimos tempos, para trazer até nós o ex-capelão da BART 2917, Arsénio Puim.

Cada amigo que conseguimos, é uma mais valia para o nosso Blogue e a certeza de que o trabalho gigantesco do Luís não é em vão. Temos a certeza de que, à nossa maneira e com as nossas limitações, estamos a fazer história, não deixando caír no esquecimento o esforço colectivo da nossa geração e das nossas famílias que, na retaguarda, sentiram também o efeito da guerra.

Muito obrigado por nos leres e por colaborares nesta tarefa que, afinal, não compete só aos ex-combatentes.

Em nome do Luís Graça, do Virgínio Briote e de mim, recebe um abraço.

Carlos Vinhal
Leça da Palmeira


3. Mensagem de Luís Candeias, também do dia 18 de Janeiro:

Caro Carlos

Como te deve ter comunicado o Luís Graça, eu tenho muito gosto em colaborar convosco mas sinto-me um intrometido, porque não sofri os amargos da Guerra Colonial a não ser na angústia da espera pela mobilização, ao contrário do que aconteceu convosco.

Encontrei o Vosso blogue na ânsia de ler alguma coisa que me pudesse levar aos meus companheiros que foram parar a Jemberém.

Para minha surpresa vi os relatos e a história da vossa relação com o meu amigo e ex-capelão Arsénio Puim, cuja história eu também já conhecia. Isso permitiu pôr-me em contacto com o Arsénio e com a Leonor, o que já não acontecia há algum tempo por termos residência fixa em Ilhas diferentes.

Agradeço a vossa abertura em relação à minha intromissão na vossa conversa e estarei sempre ao vosso dispôr para tudo aquilo que acharem que pode ajudar este vosso muito meritoso trabalho.

Pode ser que um dia destes nos possamos encontrar uma vez que Leça da Palmeira e a Ramada Alta não ficam muito distanciadas e tenho aí um apartamento.

Um abraço açoreano

Luis Candeias
Ex-Furriel Mil Inf
(1973/74)

________________________

Nota de CV:

(1) Vd. postes anteriores:

8 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2421: Em busca de... (15): Pessoal da companhia madeirense que esteve em Jemberem (1973/74) (Luís Candeia, amigo do Arsénio Puim)

12 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2433: Em busca de ... (16): Pessoal da CCAÇ 4946/73, madeirense + Arsénio Puim, ex-capelão, açoriano, BART 2917 (Luís Candeias)

16 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2444: Arsénio Puim, ex-Alf Mil Capelão, CCS/BART 2917, hoje enfermeiro reformado e um grande mariense (Luís Candeias)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Guiné 63/74 - P2451: O Nosso Livro de Visitas (4): António Alberto Alves, sociólogo, cooperante na região de Canchungo, Caió e Calquisse

1. Em 14 de Setembro de 2007, António Alberto Alves, dirigia-se assim ao nosso Blogue

Caros amigos

Vivo na Guiné-Bissau, em Canchungo (Teixeira Pinto), onde trabalho para uma ONG portuguesa no âmbito da Cooperação, apoiando os directores e professores de Escolas de tabanca da região de Canchungo, Caió e Calquisse - incluindo Pelundo e Canhobe (Carenque).

Estive no ano lectivo de 2006-07 e regresso a 28 de Setembro para o ano lectivo de 2007-08.

De passagem por Portugal descobri o vosso blogue e tenho tentado ler algumas partes, louvando o vosso objectivo geral de escrever a História pelo contributo dos próprios intervenientes. No entanto, lamento que a parte da Guiné-Bissau não possa igualmente participar: não havendo electricidade, também não há acesso a meios infomáticos e à Internet (e ao vosso blogue).

Se necessitarem de algum contacto ou iniciativa do lado de lá, do Chão Manjaco, deixo os meus contactos: 938488308 ou 00 245 6726963.

António Alberto Alves
(Sociólogo)


2. Em 18 de Janeiro de 2008 respondemos assim:

Caro António Alberto Alves

A demora na resposta à sua mensagem, não significa que as suas palavras não nos tocaram.
Na realidade ficamos sempre confortados quando alguém, que não sendo ex-combatente, mas que tendo alguma ligação à actual Guiné -Bissau, como é o seu caso, nos dá apoio, compensando assim o nosso trabalho.

A nossa ideia é escrever a história da Guerra Colonial na Guiné, contada na primeira pessoa, isto é, por todos os intervenientes, portugueses (militares ex-milicianos e do Quadro Permanente), ex-combatentes guineenses que lutaram ao lado dos portugueses e ex-combatentes do PAIGC.

Como muito bem diz, o poder de participação dos ex-combatentes guineenses é muito limitada pelos condicionalismos técnicos existentes na Guiné-Bissau, em termos, por exemplo, de Internete por falta de energia eléctrica em quase todo o país.

Temos pena, porque o testemunho de ambos os lados era essencial para uma narrativa que se quer, seja o mais fiel possível.

Melhores dias virão e a história faz-se com calma e distanciamento.

Ao terminar, queremos deixar o nosso pedido de desculpas pela demora na resposta a que tinha direito e o pedido para que nos continue a ler e a criticar.

Desejamos os melhores êxitos para o serviço que presta em benefício dessa gente maravilhosa.

Muito obrigado pelos contactos que deixou, porque podem vir a ser preciosos.

Com os nossos melhores cumprimentos

Em nome do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné,

Carlos Vinhal
(Co-editor)

Carlos Vinhal
Leça da Palmeira
Tlm 916032220
e-mail: carlos.vinhal@oniduo.pt
Ex-Fur Mil Art MA/CART 2732
CTIGuiné/Mansabá/1970/72
Co-Editor do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Email: luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com

Guiné 63/74 - P2450: Álbum das Glórias (38) : O rádio AN/GRC-9 (Sousa de Castro / Afonso M.F. Sousa)

e Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Xime > Sousa de Castro, ex-1º cabo radiotelegrafista, da CART 3494 (1972/74), aquartelada no Xime (1972/73) e depois em Mansambo (1973/74), pertencente ao BART 3873 (1972/1974), com sede em Bambadinca.


Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Xime > CART 3494 (1972/74) > O Sousa de Castro no seu posto de trabalho, operando o Rádio AN/GRC-9 (1) > "O AN/GRC-9 foi o rádio com que trabalhei durante toda a comissão na Guiné em grafia... Não é para me gabar, mas eu achava-me um craque nesta matéria, trabalhar em código morse era comigo, ou não tivesse na minha caderneta a menção de TE (telegrafista especial)" (2).



O Rádio AN/GRC-9, muito usado no CTIG. Foto gentilmente disponibilizada pelo nosso camarada Afonso M. F. Sousa, que vive actualmente em Maceda, Ovar. Foi Furriel Miliciano de Transmissões da CART 2412 (Bigene, Binta, Guidaje e Barro) (Agosto de 1968 / Maio de 1970) (2).

Fotos: © Afonso M. F. Sousa (2007). Direitos reservados.

___________

Notas dos editores:


(2) Vd. post de 2 de Julho de 2005 > Guiné 69/71 - XCIV: Um alfa bravo para os nossos Op TRMS

Guiné 63/74 - P2449: Operação Macaréu à Vista - Parte II (Beja Santos) (16): Aqueles dias cinzentos e nómadas de Bambadinca em Dezembro

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > 1970 > Vista aérea da tabanca de Bambadincazinha (D), a sudoeste de Bambadinca, a escassas centenas de metros do centro (A)....Em primeiro plano, a estrada nova (C) para o Xime (posteriormente alcatroada) e, mais acima, a antiga estrada (B), paralela à pista de aviação.... Atravessando a tabanca de Bambadincazinho (D), seguia-se em estrada (picada...) até aos aquartelamentos de Mansambo, Xitole e Saltinho (E). Vê-se ao fundo a bolanha de Bambadinca... Era em Bambadincazinho que ficava a antiga Missão do Sono, em cujas instalações ficava, todas as secções, um Grupo de Combate (da CCAÇ 12, do Pel Caç Nat 52...) para velar pelo bom sono dos seus senhores ofciais superiores do batalhão que dormiam no quartel, a menos de um quilómetro... (LG)

Foto: © Humberto Reis (2006). Direitos reservados.

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > CCAÇ 12 (1969/71) > 1969 > Coluna logística, no itinerário Bambadinca - Mansambo - Xitole.


Foto: © Humberto Reis (2005). Direitos reservados.




Texto enviado - como sempre, religiosamente, semanalmente, a tempo - pelo nosso camarada Beja Santos (ex-Alf Mil, comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), em 20 de Novembro de 2007:

Luís, aqui vai mais um episódio. Num instante, chegámos às 70 páginas, mas não tenho ilusões o pior está para vir, viveremos tu e eu a Tigre Vadio nesse Março onde realizei as principais operações destes nossos livros. Quanto às ilustrações, vou enviar-te os três livros aqui citados, a fotografia que te enviei ontem do Doutor farás o favor de a publicar no episódio da morte do Uam Sambu. Como aqui refiro locais altamente frequentados pela CCAÇ 12, vê, por favor, se podes ilustrar com elementos que te são próximos. A seguir vou falar da operação Lua Nova, em que andei com gente de Mansambo e do Xime e mais tarde tu e eu faremos a operação Punhal Resistente, um fiasco espantoso que tem a ver com a incapacidade de se escolherem guias e itinerários possíveis. Um grande abraço do Mário


Operação Macaréu à Vista - Parte II > Episódio nº 16 > AQUELE DEZEMBRO ACIZENTADO E ACIDENTADO, TODO NÓMADA (1)
por Beja Santos

(i) Conversas com o Queta e com o Pires


Dezembro pareceu-me um tempo em que as forças do PAIGC convergiam para desarticular metodicamente a vida civil à volta de Bambadinca: intimidação com incêndio de moranças, roubos de vacas, assaltos a tabancas, respondendo nós com idas a Mero e aos Nhabijões, percorrendo as tabancas a sueste de Bambadinca, instalando-nos na ponte de Udunduma, patrulhando assiduamente Amedalai-Demba Taco-Moricanhe.


Se tínhamos vida nómada no Cuor, na região de Bambadinca acelerámos. Porque para além da nomadização, fizemos colunas aos Xitole, operações na região de Mansambo e Xime-Ponta do Inglês, mantiveram-se as malfadadas emboscadas à volta da pista, com a aproximação do Natal passámos a ir ao Bambadincazinho e a ficar até as 6h da manhã na missão do sono.

Escreve-se na história da CCAÇ 12 que houve, neste período, acções de intimidação contra as populações de Canxicame, Nhabijão Bedinca e Bissaque. Diz-se mais: que foi reforçado o dispositivo defensivo de Bambadinca com emboscada diária, mais um grupo de combate no Bambadincazinho, etc e tal, tudo se fazia para travar a aproximação de Bambadinca, quer a partir da região do Buruntoni quer a partir da região de Galo Corubal. Precisava da interpretação do fenómeno, não encontro elementos nas minhas cartas, pedi para conversar com o Queta e com o Pires.

Como sempre, o Queta entrou-me bem acordado, mal passava das 8 horas da manhã, sentou-se com o seu copo de água bem à mão, li-lhe os relatos das intrusões à volta de Bambadinca e as notas que tinha tirado das operações a Mansambo e ao Xitole. O Queta levantou o dedo, e logo me calei:
- Nosso alfero, do lado do Cuor, queriam roubar comida porque estavam com fome. Os balantas tinham imensos amigos nos Nhabijões, não foi o reordenamento que lhes meteu medo. Despiam a farda amarela antes de chegar à tabanca, punham um pano à volta do corpo, nos mercados de Bambadinca ninguém se atrevia a perguntar de onde vinham. Entre Bambadinca e Mansambo era diferente. O PAIGC queria montar uma barraca entre Mansambo e Sinchã Mamajâ. Mesmo em Badora, à volta de Madina Bonco, tentaram levar a população mandinga para o mato. Não descansaram, sempre quiseram montar barraca para cercar Bambadinca e fazer fugir todo o povo de Badora, impedindo as culturas na região de Galomaro. Estou à vontade para dizer isto pois nos Comandos, em 72 e 73, fomos várias vezes destruir barracas, eles voltavam para Galo Corubal, faziam a guerrilha a sério. O povo dos Nhabijões nunca nos foi fiel. Nós fazíamos patrulhas, eles recorriam ao bombolom, avisavam as gentes de Madina. Por isso não lhes convinha atacar os Nhabijões, onde não havia quartel, só arame farpado, nós dormíamos nas casas já feitas, nas moranças da antiga tabanca. Mas quando nosso alfero partiu, o PAIGC já estava a lançar o terror, houve minas na estrada e aumentaram os roubos. Quero também lembrar-lhe que recebemos em Dezembro o soldado Jali Quebá, da tabanca de Bricama, ele fora recusado nos Comandos, fazia-lhe continência a dez metros de distância.

Tomei igualmente nota das suas recordações à volta das operações Lua Nova e Punhal Resistente, em que participámos nesse mês de Dezembro.



Guiné > Zona leste > Sector L1 > Bambadinca > Missirá > Pel Caç Nat 52 > 1969 > Furriel Mil Pires.

Foto: © Beja Santos (2007). (Com a devida vénia ao Pires, que facultiu esta e outras fotos). Direitos reservados.



(ii) Em Bambadinca havia uma parte da tropa que pareciam funcionários públicos (Ex-Fur Mil Pires)

Voltei a encontrar o Pires na Livraria Barata, em Lisboa. Continua meticuloso como sempre foi, não há uma ponta de azedume, às vezes sinto que o estou a violentar, o Pires tinha deliberado arrumar no fundo da memória quase tudo quanto vivemos juntos no leste da Guiné. Li-lhe os meus apontamentos, referi-lhe o meu princípio de depressão e a perda de energia que me vai levar, em Janeiro, a um tratamento em Bissau. O Pires trazia outro tipo de reflexões:
-Eu também me habituei muito mal a Bambadinca. Em Missirá não havia todas aquelas continências, nem aquela sensação paradoxal que a guerra acabava às cinco horas da tarde para a maior parte do quartel. Em Missirá havia o quartel e a tabanca tudo junto, em Bambadinca saíamos a qualquer hora mas havia um parte da tropa que pareciam funcionários públicos, tinham coisas para fazer a partir das oito da manhã e saíam dos escritórios e das oficinas e quase que mudavam de existência até ao amanhecer. De tudo o que se passou durante esse tempo, recordo a tal ponte de Udunduma com abrigos em pontos elevados, com uma total visibilidade a toda a volta, dormíamos nuns buracos com camas e mosquiteiros, para poder dormir púnhamos o Lion Brand para afugentar os mosquitos. Picávamos a estrada até Amedalai e mesmo até às outras tabancas. O refeitório era um espaço mal protegido por chapa zincada, maior desconforto não havia. Missirá era um hotel em comparação com a vida que levávamos nessa ponte. Fazíamos a manutenção dos abrigos térreos e depois pôs-se arame farpado à volta. Era um dia a dia sem parança, uma secção para o correio, duas para as emboscadas, uma secção reforçada para ir às tabancas à volta. Sim, no princípio de Dezembro, a sua saúde foi-se abaixo.


(iii) Uma actividade a toda extensão, a 360 graus


A 2 de Dezembro [de 1969], saio de novo com duas secções, anoiteceu e caminhamos à volta da pista de aviação, sinto uma angústia enorme, andamos às voltas, a iluminação é tão forte que as nossas sombras se projectam no saibro barrento. Depois de cirandar à procura de uma mata protectora que não existe, caminhamos para a estrada que leva ao Rio Udunduma, aí estacionamos com duas sentinelas convenientemente vigilantes nos dois extremos. É então que sinto um suor anormal, um formigueiro nos lábios, uma sobrecarga no coração, não sei se é náusea, não sei se vou desmaiar, a espingarda tomba-me, onde a noite está cerrada e conciliadora atiro-me para a frente, à procura de um sono protector que me mitigue este sofrimento, quem me segura é Tunca Sanhá e Nhaga Macque. A 5, a viver uma nova crise epistolar, escrevo à Cristina:

“Estou doente, doente do organismo parasitado, ando vergado pela falta de temperatura, tenho a tensão desnivelada, sofro de grandes estados de ansiedade, Agora é o Pires quem vai às emboscadas, pois nem essa actividade posso ter, dias atrás tive de interromper uma emboscada devido às dores no coração. O Vidal Saraiva veio ver-me à enfermaria, auscultou-me e disse-me que eu tinha manifestações de puro cansaço, obrigou-me a dois dias inteiros na cama ou em actividades burocráticas.

"Os meus soldados vieram para Bambadinca como pau para toda a obra, reforços, escoltas, emboscadas, patrulhas e uma intervenção que lembra uma variante da polícia militar junto das populações civis que são visitadas pelos guerrilheiros. Mas amanhã vou numa coluna ao Xitole, depois volto ao Joladu, à região de Mero e S. Helena, as gentes de Madina roubam e espancam a sua fonte de abastecimento, não percebo porquê.”

Mudando de tom, falo das minhas banalidades: que li o Trópico de Câncer, de Henry Miller, surpreendeu-me a carga erótica; que continuo a coligir os meus apontamentos no caderninho viajante; que almocei hoje com o capitão Neves, sei que em breve estaremos juntos numa operação, mas não sei onde; que Bolama foi atacada com mísseis; que estou a pensar no seu Natal, e encomendei uma pulseira mandinga a um artista de nome Amadu, primo daquele Amadu que encontrámos ao pé de Canturé, nadara em fuga de um barco atacado à bazucada perto de S. Belchior, e aparecera-nos com o pavor nos olhos e na fala; que fui a Sinchã Mamajâ fazer psico, trouxe doentes, levei arroz e livros para as crianças, fatalmente que perguntei se os bandidos andam a roubar vacas; e despeço-me voltando a pedir-lhe que visite o Alcino Barbosa nos serviços de ortopedia no Hospital Militar Principal, e deixo o pior para o fim, segundo o tenente Pinheiro, quem, como eu, foi punido em Agosto, terminando a sua comissão no ano seguinte, não terá direito a férias no ano seguinte, e manifesto todo o meu pesar no nosso amor maltratado, mas ainda com confiança em visitar Lisboa em Fevereiro.


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Estrada de Bambadinca-Mansambo-Xitole > Ponte do Rio Jagarajá (?) > CCAÇ 2590/ CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71)> Eu, o então Fur Mil Ap Armas Pesadas Inf Henriques, pau para toda a obra,como o Beja Santos, pião de nicas - como me chamava o meu capitão - e o soldado condutor auto-rodas Dalot, o Diniz G. Dalot, talvez o melhor condutor de GMC do mundo ou, pelo menos, o melhor que eu alguma vez conheci... O Setúbal, como lhe chama aqui, nesta crónica, o Beja Santos.

Berliet e GMC nas mãos dele, carregadas de sacos de arroz, não ficavam atoladas na famosa estrada Bambadinca-Mansambo-Xitole, a menos que rebentassem debaixo de uma mina. E mesmo assim, era preciso que os cabos de aço ou os troncos das árvores não aguentassem... Eu dizia que era preciso ser maluco para conduzir uma GMC. Ele ofendia-se: era o mais profissional dos nossos condutores auto-rodas...

Reguila, setubalense, condutor de pesados na vida civil, apanhou logo no princípio da comissão, em Julho de 1969, cinco dias de detenção. Por ser reguila, setubalense, condutor de pesados, descendente de franceses, e se calhar por ser o melhor condutor de GMC que eu alguma vez vi na vida... Já há tempos lhe mandei, em vão, esta missiva: "Gostava de te rever, Dalot. Sinceramente, gostava de te rever. Tu fazes parte da mítica galeria dos meus (anti)-heróis, tu e todos os bravos soldados condutores auto-rodas que passaram pela Guiné" (2)... (LG).

Foto e legenda: © Luís Graça (2005). Direitos reservados.


(iv) No comando de uma coluna logística ao Xitole

Comandar uma coluna ao Xitole era uma completa novidade para mim. A partir das cinco da manhã, dezenas de viaturas formam coluna junto à porta de armas, a cauda vem até à ladeira íngreme do quartel. Com o auxílio do Pires, do Benjamim e do Domingos, posicionamos viaturas Daimler, GMC, Unimog 404 e 411 intercalando-as entre as viaturas civis dos mais aparatosos formatos e cores, vão ali toneladas de comércio, quando chegarmos ao Xitole tudo será descarregado e então tudo será carregado com madeiras, mancarra, óleo de palma, sairão civis, entrarão civis.

Recordo que a mulher de um jovem oficial vestira um camuflado e avançara calmamente para mim, perguntando-me onde é que podia ir sentada. Foi uma confusão dos diabos, a senhora queixara-se ao marido, o marido a Jovelino Corte Real, este percebeu que eu não cedia (“Meu comandante, a senhora está convencida que vai para um safari, peço-lhe que dê a ordem por escrito sobre esta sua determinação, imagine um acidente, uma emboscada, depois a culpa é sempre do alferes”), lá convenceu a senhora que não podia ir à aventura num teatro de operações.

Findas todas estas peripécias, com emboscadas montadas na região de Mansambo e na região de Xitole, a coluna lança-se à desfilada, primeiro Samba Juli, passamos um pontão sobre o rio Cuiana, depois um outro pontão sobre o rio Quêuol (Mamadu Djau e Queta Baldé dizem-me que Moricanhe e Demba Taco, que já conheço, não estão muito longe), cada vez a comer mais pó a coluna que leva à testa a GMC, conduzida pelo Setúbal, galopa uma interminável estrada rodeada de capim alto, palmares à distância, entre Mansambo e o rio Jago encontramos grupos de combate a patrulhar a região, saúdo gente que talvez tenha conhecido em Mato de Cão, a coluna prossegue enquanto eu vejo na carta nome de santuários do PAIGC que me são familiares: Galoiel, Biro, Mina, Buruntoni e Baio.

Prosseguimos atravessando o rio Cancaniel, continua a picada interminável, passamos o pontão do rio de Jagaraja, mais à frente seguimos já com escolta no pontão do rio Pulom, depois o pontão do rio Bubà, chegámos ao Xitole, estamos junto ao rio Curubal, vejo que há uma tabanca ali ao pé que se chama Portugal. Não sem surpresa, confirmo que as casas do casario desta importante povoação lembram o Gabu e até Bafatá em menor dimensão.

Enquanto lavo a cara, refresco a boca e como um pão, no meio de uma grande algazarra mudam as mercadorias, parte dos transportados sobe e desce e ainda dentro da nuvem de pó de laterite a coluna militar e civil inverte a posição, impaciente por voltar a atravessar o pontão do rio Pulom. Empoeirados como fantasmas desenterrados, regressámos, são dezenas de quilómetros feitos nesta correria em que é o Setúbal quem marca a cadência, todos, em todas as viaturas têm os olhos postos em quem vai à frente.

Saímos de Bambadinca ainda não eram 6 da manhã, estamos a regressar ainda não são cinco da tarde. A imensa coluna de viaturas com militares e civis desfaz-se rapidamente, enquanto dou instruções para que as munições voltem ao paiol, Bala, o sempre sorridente ordenança do comando, informa-me que o major Sampaio tem urgência em falar-me. Com vários quilos de poeira no camuflado, entro no seu gabinete.
-Beja, amanhã tem lugar a Acção Hindu, você e um grupo de combate da CCAÇ 12 vão conversar com os chefes de tabanca de Sinchã Dembel, Iero Nhapa, Aliu Jai, Queroane, Queca e Sare Nhade, apurem se estão a ser pressionados pelos gajos de Buruntoni, temos notícias preocupantes de gente que foge para o mato, há nativos espancados, tragam os doentes, vejam se eles precisam de Mauser, passem a pente fino todas as informações que nos sejam úteis.

Lá fomos para a Acção Hindu, lembro que não houve resultados práticos, teria sido necessário levar intérpretes de confiança para os chefes de tabanca, procurar perceber como os guerrilheiros assediavam as populações, quais as informações que pretendiam. Não eram os nossos soldados que podiam fazer este trabalho com sucesso. A comunicação estava viciada à partida, os resultados igualmente viciados.

Esta a minha primeira semana se Dezembro. A saúde não melhora, a seguir vou a Mero, onde a comunicação está igualmente viciada, onde as populações estão obrigadas ao jogo duplo e depois parto para a operação Lua Nova.

Cópia do livro de Dom Claude Jean-Nesmy, São Bento e a vida monástica. Rio de Janeiro: Agir. 1963 (Colecção Mestres Espirituais, 8). (tr. do fr.)


(v) Leituras: São Bento, Maigret e Os Sequestrados de Altona, de Sartre

Devorei uma biografia de São Bento, sempre à procura da explicação de como é que o cristianismo se constituiu como a grande resistência à maior comoção de todos os tempos e de todas as civilizações, as Invasões Bárbaras, do séc. V.

Já em adolescente eu me interrogava como é que Lombardos, Hunos, Godos e Ostrogodos, entre outros, tinham tido capacidade para destruir toda a civilização greco-romana e acabaram por se converter ao cristianismo e incorporar a cultura e a civilização que vinham saquear. São Bento e o monaquismo, a grande mensagem de ora et labora, a meditação e a vida colectiva, o testemunho e a preservação dos documentos fundamentais coube em grande parte aos beneditinos, um pouco por toda a Europa.

São estes monges medievais que dinamizam a oração litúrgica, exaltam o trabalho manual e o intlectual; deve-se aos beneditinos a leitura orientada para fazer nascer o amor das realidades sobrenaturais. Como escreve Dom Claude Nesmy neste livro, foi graças ao ideal beneditino que se reencontrou o sentido cristão da liturgia, do trabalho e da pobreza, em que a Bíblia e a antiga Tradição passaram a ser o alimento de uma espiritualidade renovada.

Capa do romance policial de Simenon, Maigret a peur. Paris: Presses de la Cité. 1953.


Maigret tem medo é uma obra prima. O comissário veio de um congresso da polícia internacional, que se realizou em Bordéus, e resolve ir visitar o seu amigo Julien Chabot a Fontenay-le-Comte.


É uma viagem de comboio admiravelmente descrita, onde um cavalheiro da região, Hubert Vernoux de Courçon lhe faz saber que tem um caso à sua espera. O encontro com o juiz Chabot e a sua mãe é igualmente admirável. Um serial killer aterroriza este povoada de oito mil habitantes.

Foto: O romancista George Simenon, o criador de Maigret.


Maigret é reconhecido pelos jornalistas, a polícia pede-lhe ajuda, não se vê nenhuma relação possível entre os crimes e as vítimas, todas elas executadas com um pedaço de tubo em chumbo. Maigret procura não ter parte activa na investigação, vai ouvindo, vai conversando, entre as fumaças do seu cachimbo e conversas avulsas descobre o móbil do crime.
A sua derradeira conversa Hubert Vernoux de Courçon devia fazer parte da melhor literatura mundial. Volta a Paris e à rotina criminal, aqui recebe uma carta de Chabot que descreve o final do caso. Nunca mais irei esquecer este livro.
Já tinha saudades de ler uma peça teatral de Sartre. Um oficial do exército de Hitler, Frantz von Gerlach, parece querer arrostar os crimes praticados na guerra, encerrando-se nas águas furtadas da casa paterna. Os principais personagens são Frantz, o seu pai, o seu irmão Werner, a sua irmã Leni e a sua cunhada Johanna. A vida de Frantz e a sua atitude polarizam a drama teatral. Leni faz-lhe chegar ao quarto um mundo de miséria e opróbrio em que vive a Alemanha actual. Os membros da família urdiram a mentira acerca das razões do sequestro de Frantz, e é a cunhada Johanna quem vai acelerar o clímax da peça, o suicídio de pai e filho.
A mensagem existencialista sobre o estado de culpa e a procurar de um juiz para si próprio, já que para Sartre é na História que se pode encontrar o julgamento dos nossos actos e até lá somos nós que respondemos pela nossa vida e pela nosso época, daí o absurdo de tudo, o nada que nos convida a responder pela nossa consciência necessariamente intranquila porque lúcida.


Capa da peça de teatro de Jean-Paul Sartre, Os Sequestrados de Altona. Lisboa: Europa-América. 1961. (Colecção Os Livros das Três Abelhas, 38). (tr. do fr.)

Fotos: © Luís Graça & Camaradas da Guiné (2007). Direitos reservados.



É na leitura e menos na música que encontro força e resistência. Para a semana vou confrontar-me com um cacimbo de estalar os ossos, vou revisitar acampamentos abandonados pelos guerrilheiros. Venham comigo.

_________

Notas de L.G.:

(1) Vd. poste anterior desta série > 11 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2431: Operação Macaréu à Vista - Parte II (Beja Santos) (15): Oficial e cavalheiro em Bambadinca, às ordens de Dona Violete

(2) Vd. poste de 11 de Agosto de 2005 > Guiné 63/74 - CLXX: As heróicas GMC e os malucos dos seus condutores (CCAÇ 12, Septembro de 1969) (Luís Graça)

Guiné 63/74 - P2448: Abreviaturas, siglas, acrónimos, gíria, calão, expressões idiomáticas, crioulo (7): Racal (Sousa de Castro)



Alfabeto Morse

Imagens: © Sousa de Castro (2008). Direitos reservados

1. Mensagem de Sousa de Castro (ex-1º Cabo Radiotelegrafista, CART 3493/BART 3873, Xime e Mansambo, 1972/74)

Prezados amigos, falando ainda um pouco sobre TRMS e rádios utilizados no meu tempo...

Já se falou do aqui do AN/GRC-9 e gostaria de acrescentar que este equipamento tinha uma potência de saída de 7/15 W, não era transistorizado, tinha três tipos de modulação: AM (amplitude modulada) em fonia, CW (grafia contínua) e MCW (grafia modulada).

Trabalhava em HF entre 2/12 MHZ. Estes dois tipos de modulação (CW e MCW) eram essencialmente para comunicar em grafia.

Podia-se utilizar três tipos de antena:

(i) Antena tubular vertical constituída por 5 secções atarrachadas umas nas outras, constituindo um mastro de 4,75 m, com alcance médio de 30 Km.

(ii) Antena filar horizontal que era constituída por duas secções separadas, constituída por um fio de cobre nú de 32,78 m de comprimento, e seccionada por meio de 8 isoladores de porcelana. Essas secções podem, porém, ser postas em contacto por meio de ficha macho-fêmea. Tinha um alcance 60 Km. Deste modo a antena pode ser ajustada conforme as frequências pretendidas, abrindo ou fechando as fichas indicado numa tabela existente.

(iii) Por fim a antena Dipolo, que era constituída por uma linha de 50 a 72 Ohms. Esta antena tinha um alcance médio de 100 Km.

O RACAL TR-28, por sua vez, tem uma potência de 25 W, trabalha em HF entre 1,6 a 8 MHz. Pode-se utilizar duas antenas, a vertical com alcance médio de 30 Km e antena dipolo com alcance médio de 400 Km.

Por fim, apareceu em 1973, um novo emissor receptor VHF com o nome de STORNO que tinha uma potência de 10 W, 8 canais e vinha equipado com uma pequena antena laminar com o alcance de 30 Km.

Este emissor/receptor, creio eu, veio substituir o AVP-1 (conhecido por Banana). Era um rádio com excelentes condições de audição.

Junto em anexo duas fotos da minha borchura pessoal do Alfabeto Morse.

Sousa de Castro
______________________

Nota de CV:

Vd. último post desta série > 30 de Dezembro de 2007> Guiné 63/74 - P2389: Abreviaturas, siglas, acrónimos, gíria, calão, expressões idiomáticas, crioulo (6): Racal (José Martins)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Guiné 63/74 - P2447: Julião Soares Sousa, o primeiro guineense a doutorar-se pela Universidade de Coimbra (Carlos Marques Santos)


Universidade de Coimbra > 11 de Janeiro de 2008 > Doutor Julião Soares Sousa. Foto retirada do Diário As Beiras, de 12 de Janeiro de 2008, com a devida vénia. O historiador guineense será um dos oradores do Simpósio Internacional: Guiledje na rota da independência da Guiné-Bissau (Guiledje e Bissau, 1 a 7 de Março de 2008).

O nosso Camarada Carlos Marques Santos enviou-nos um recorte do jornal Diário As Beiras de 12 de Janeiro de 2008, que transcrevemos, com a devida vénia.

Julião Soares Sousa é o primeiro guineense doutorado pela UC [Universidade de Coimbra]


Historiador e investigador guineense, especialista em História Política da Guiné e de Cabo Verde, Julião Soares Sousa defendeu ontem [, 11 de Janeiro de 2008,] com mérito a sua dissertação, intitulada “Amílcar Cabral e a luta pela independência da Guiné e Cabo Verde 1924-1973”.

Natural da Guiné, é actualmente colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), da Universidade de Coimbra (1).

Em 1991 concluiu a Licenciatura em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Seis anos depois, em Janeiro de 1997, torna-se mestre em História Moderna, também pela FLUC.

Desde 1999 que vinha a preparar o seu doutoramento, em História Contemporânea. A sua principal área de investigação é a construção do Estado nos PALOP. Porém, revela ainda um gosto por outras áreas científicas, nomeadamente, História de África, História e Cultura dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, História da Expansão, Colonialismo e Anticolonialismo.

Quanto a publicações, em 2003 lança a sua primeira obra, intitulada, “Os movimentos unitários anticolonialistas (1954-1960). O contributo de Amílcar Cabral”. Faz parte da revista Estudos do Século XX, do (CEIS20).

Publica, ainda, “Amílcar Cabral: do envolvimento na luta antifascista à manifestação de tendência autonomista no Portugal do pós-Guerra (1945-1957)”. A publicação resultou de comunicações e discursos produzidos no II Simpósio Internacinal Amílcar Cabral realizado na Cidade da Praia, Brasil, entre 9 e 12 de Setembro de 2004.

Carlos Marques Santos
ex-Fur Mil da CART 2339
Fá Mandinga e Mansambo
1968/69

2. Comentário de CV:

Congratulamo-nos, na nossa Tabanca Grande, com a existência de mais um guineense Doutor (por extenso) em História Contemporânea, formado por uma universidade portuguesa. O seu trabalho de investigação interessa-nos a todos nós que fizemos a guerra colonial / guerra do ultramar / luta de libertação na Guiné-Bissau... Daqui vão as nossas melhores saudações e os votos de uma feliz e produtiva carreira profissional (3).

Ficamos também felizes por saber boas novas do nosso camarada Carlos Marques dos Santos, natural e residente em Coimbra, tertuliano da primeira hora, camarada do Torcato Mendonça e de outros camarados nossos da CART 2339... Segundo me diz o Luís, o coraçãozinho do Carlos Marques dos Santos há tempos pregou-lhe uma partida. Felizmente que a coisa agora está "medicamente controlada", segundo ele nos diz no mail que nos enviou. Carlos, um caloroso abraço em nome desta Tabanca Grande.


___________

Notas de CV:

(1) Uma das linhas de investigação do CIES20 é o "Colonialismo, anticolonialismo e identidades nacionais". Responsável: Doutor Luís Reis Torgal (um dos oradores que irá estar presente no Simpósio Internacional: Guiledje na rota da independência da Guiné Bissau, tal como de resto o novo Doutor).

(2) O Doutor Julião Soares Sousa é também poeta, tendo nós encontrado um dos seus poemas na página Maktub Poemas, numa antologia de poetas de expressão portuguesa (Figura, na Guiné-Bissau, ao lado de Amílcar Cabral e de Carlos E. Vieira).O seu livro de poesia, Um Novo Amanhecer, 48 pp., foi publicado em 1996, pela Livraria Minerva, de Coimbra


CANTOS DO MEU PAÍS

Canto as mãos que foram escravas
nas galés
corpos acorrentados a chicote
nas américas

Canto cantos tristes
do meu País
cansado de esperar
a chuva que tarde a chegar

Canto a Pátria moribunda
que abandonou a luta
calou seus gritos
mas não domou suas esperanças

Canto as horas amargas
de silêncio profundo
cantos que vêm da raiz
de outro mundo
estes grilhões que ainda detêm
a marcha do meu País


Julião Soares Sousa
(Um novo amanhecer, 1996)

(3) Sobre este evento também encontrei a seguinte notícia no blogue de Eurídice Delgado Monteiro (cabo-verdiana, presumo) > Igualdade na Diferença > 11 de Janeiro de 2008 > Academia (as teses mais aguardadas)

(...) Amílcar Cabral

Nesta sexta-feira, dia 11 de Janeiro, aqui na Universidade de Coimbra, fui assistir à defesa da Tese de Doutoramento em História do candidato doutoral Julião Soares Sousa, intitulada Amílcar Cabral e a Luta pela Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, sob a orientação científica do Prof. Doutor Luís Reis Torgal.

Para além da presença sombria dos Reis de Portugal e da moderação do Vice-Reitor da Universidade de Coimbra Prof. Doutor Pedro Manuel Tavares Lopes de Andrade Saraiva, também a arguente externa Profa. Doutora Isabel Castro Henriques (Universidade de Lisboa) e o arguente externo Prof. Doutor José Carlos Venâncio (Universidade da Beira Interior) estiveram de olhos nos olhos do Julião Sousa Soares. Ainda fizeram parte da mesa do júri o Prof. Doutor João Marinho dos Santos, o Prof. Doutor A e a Profa. Doutora B.

Após oito anos de investigação científica, o Historiador e Poeta Julião Soares Sousa entrou pela Sala dos Capelos para debruçar sobre Amílcar Cabral, numa perspectiva africana (ou seja, a partir de dentro). Durante os 150 mn da prova, várias questões foram abordadas, sendo de destacar: a socialização de Amílcar Cabral; o despertar da consciência política de Amílcar Cabral; a vida literária de Amílcar Cabral; o nacionalismo no espaço ex-colonizado por Portugal; o materialismo histórico e o marxismo; o espírito unificador de Cabral; a unidade Guiné e Cabo Verde; a proximidade e as singularidades históricas da Guiné e Cabo Verde; a problemática ideológica; os problemas de liderança enfrentados por Cabral; a dessacralização dos chefes africanos; a actualidade da filosofia política de Amílcar Cabral.

Entre as novas pistas de reflexão, foram destacadas nomeadamente a importância de uma análise sobre “as representações, as interpretações e os mitos cabralianos” e sobre “o género na perspectiva de Amílcar Cabral”. Durante a arguição desta prova académica, foram destacados os pontos fortes e fracos do trabalho realizado. No final da prova, tendo respondido às questões colocadas, o candidato de origem guineense foi aprovado com Distinção e Louvor (sendo o primeiro guineense a doutorar-se pela Universidade de Coimbra e o segundo africano a doutorar-se através da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).


(Reproduzido com a devida vénia)

Guine 63/74 - P2446: PAIGC - Instrução, táctica e logística (7): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VII Parte): Minas II (A. Marques Lopes)

Guiné > Região do Oio > Mansabá > CART 2732 ( 1970/72) > GMC destruída por mina A/C no Bironque, a 16 de Julho de 1971.

Guiné > Região do Oio > Mansabá > CART 2732 ( 1970/72) > Estrada (asfaltada) Mansabá-Farim > O Carlos Vinhal e o Sousa à sua esquerda, segurando uma mina anticarro detectada a tempo e levantada. As minas e armadilhas, de um lado e de outro, foram dos aspectos mais cruéis da guerra colonial/guerra do ultramar, nos três teatros de operações (Angola, Guiné e Moçambique).

Fotos: © Carlos Vinhal (2006). Direitos reservados.

Guiné > Zona Leste > Sector de Galomaro > Dulombi > CCAÇ 2700 (1970/72) > Seis minas A/P detectadas na região de Padada e recuperadas pelas NT.

Foto: © Fernando Barata (2007). Direitos reservados. (Creio que a foto é do Arménio Estanqueiro, mas não tenho a certeza) (1)


Continuação da publicação de um longo texto, extraído do Supintrep, nº 32, de Junho de 1971, enviado em 14 de Setembro de 2007 pelo A. Marques Lopes (Nascido na Mouraria, Lisboa, é hoje coronel DFA, na reforma, e reside em Matosinhos).
Publica-se hoje a segunda e penúltima parte relativa ao capítulo sobre minas e outros engenhos explosivos utilizados pela guerrilha, no CTIG.


PAIGC - Instrução, táctica e logística (7): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VII) > UTILIZAÇÃO DE ENGENHOS (continuação) (2)

Revisão e fixação de texto: L.G. (As imagens digitalizadas pelo AML, a partir de um exemplar do original, têm fraca qualidade; optou-se, mesmo assim, por inseri-las, na maior parte dos casos).


4. Fabricação de granadas, lata fumigência e garrafas incendiárias por meio local

4.1. Fabricação de garrafa incendiária

Matérias primas: gasolina, álcool, óleo vegetal e borracha

[Por razões de segurança e de bom senso, omitimos aqui a fórmula de composião destes engenhos]

4.2. Fabicação de caixa fumigência

[à base de Clorato de amoníaco (NH1 CL), Clorato de potássio (KC1 C3) e Naftalina]

[Por razões de segurança e de bom senso, omitimos aqui a fórmula de composião destes engenhos]

4.3. Fabricação de granadas



[Por razões de segurança e de bom senso, omitimos aqui a fórmula de fabrico deste tipo]

4.4. Minas anti-tanques




4.5. Fabricação de minas

As minas são obstáculos explosivos. Uma mina compõe-se de invólucro, de embalagem e de instalação de fogo. Há minas anti-pessoal, anti-carros blindados e minas que podem destruir casas. Pode-se utilizar materiais em madeira, pote em porcelana, garrafa de vidro, caixas de ferro para fabricar as minas.

4.6. Embalagem de explosivos

Põe-se 5-10 Kgs de explosivos numa mina anti-tanque, 50-200 grs numa mina anti-pessoal cavalos aumentando 0,5 duma vez.

4.7. Granadas servindo de explosivo



4.8. Instalação de fogo

Incendiar pela pressão, pelo torpedo um fio, electricidade e pela instalação retardadora.

Composição de explosivo à base de clorato de potássio e açúcar:

Clorato de potássio.... 50%

Açúcar................. 50%

Depois desta composição deita-se umas gotas de ácido sulfúrico, a composição química incendeia.


5. Implantação de engenhos explosivos


Por se julgar de interesse, trancreve-se o Relatório Imediato N.º 1 da 2.ª REP do QG/RMM [, Região Militar de Moçambique,] o qual diz respeito a técnicas de implantação de engenhos explosivos pelo IN, em tudo semelhante às utilizadas na Província da Guiné [vd 3ª e útima parte deste texto, em poste a seguir].


5.1. Quanto à relação entre o local de implantação dos engenhos explosivos, a vegetação e os acidentes circundantes

a. Minas A/P


- Nos itinerários em que as NT passam com frequência e desde que haja árvores isoladas junto aos mesmos, armadilham o local, cientes de que as NT aproveitam muitas vezes a sombra dessas árvores para pequenos descansos;

- Bermas das picadas, conjugadas com minas A/C, no leito das mesmas; escolhem as bermas que melhor protecção conferem às NT, cientes de que, ao ser activada a mina A/C, é para esses locais que elas se dirigem;

- É-lhes indiferente haver ou não vegetação, salvo no 1.º caso apontado – árvores isoladas ou em pequeno número.


b. Minas A/C

- Preferem o meio ou o topo das subidas [de modo a] que as viaturas, ao accionarem-nas, caiam para trás aumentando assim a possibilidade de originar novos acidentes e mais vítimas;

- Sítios com pedras: afastam as pedras e colocam as minas, voltando a tapá-las com pedras; este processo é rendoso, porquanto as NT ao começarem a picar sobre as pedras “convencem-se que é tudo pedra” e passam à frente; podem colocá-las também em pequenos intervalos existentes;

- Nas passagens a vau dos cursos de água, colocam-nas junto às margens, a fim de que as viaturas, ao accionarem-nas, caiam ao rio;

- Sítios com árvores junto ao itinerário e que impeçam as viaturas de sair do mesmo;

- Nos desvios ou outros itinerários que possam ser utilizados no retorno das colunas;

- Nos locais das picadas onde a água se acumula; começam a desviar a água, colocam a mina e deixam a água voltar a tapá-la.


5.2. Quanto ao tipo de terreno propícioà implantação dos engenhos

Preferem o terreno arenoso, porquanto, não só facilita a colocação mas também a dissimulação, pois basta um pouco de vento para apagar todos os sinais.


5.3. Relação das acções e colocação de minas com:


a. Movimentos IN

Desde que tenham grupos de transporte em trânsito, criam campos de minas à distância de segurança e nos possíveis locais de passagem das NT, tendo em vista não só garantir a liberdade de movimentos ao IN mas também, pelo rebentamento de engenhos, avisá-lo da presença das NT.

b. Linhas de infiltração


Criam campos de minas nos prováveis locais de aproximação das NT.

c. Movimento das NT

- Sempre que sabem que há colunas colocam minas nas picadas

- Implantam também minas nos trilhos por onde passaram as NT pois já sabem que voltarão a passar por lá.


5.4. Técnica de implantação e disposição dum campo de minas

a. Implantam campos de minas A/C sempre que pretendem que um determinado itinerário seja abandonado pelas NT, tendo em vista criar liberdade de movimentos na região, ou prejudicar as NT apoiadas por esse itinerário;

b. Implantam campos de minas A/P à volta dos trilhos percorridos pelas NT, tendo em vista causar o maior número possível de mortos;

c. No respeitante à técnica de implantação, há a considerar:

Minas A/P em trilhos



(i) Mina A/P colocada no trilho para ser accionada pelo elemento da frente.

(ii) Minas A/P colocadas de um lado e outro do trilho, a cerca de 50 metros deste e distanciadas de 50 umas das outras, destinadas a serem accionadas pelo pessoal que saltar para as bermas. Deve ser em número aproximado de 40 de cada lado e sempre ligadas uma às outras por arames de tropeçar que fazem accionar disparadores. Caso não disponham de tantas minas poderão ser utilizadas granadas.

(iii) Emboscada montada de um só lado (para evitar atingirem-se com os seus próprios fogos) e destinada a ser desencadeada após rebentarem as primeiras granadas. NOTA: segundo o capturado, nem sempre costumam montar as emboscadas.

(iv) Mina A/P a montar após a retirada das NT e em caso de prosseguirem o caminho. É implantada para o caso das NT utilizarem o mesmo trilho para o regresso, pois, ao chegarem ao local, uma vez que já foram accionadas as minas, é natural pensarem que não há mais.


Minas A/P conjugadas com minas A/C nos itinerários


Não tem disposição especial. No entanto, costumam estudar a possível reacção das NT a partir do accionamento da mina A/C, bem como o afastamento médio dos passos, colocando-as então onde lhes pareça mais provável viram a ser accionadas; utilizam ainda os seguintes métodos, embora sem técnicas ou disposições especiais:

- Junto a árvores isoladas ou em pequenos grupos de árvores isoladas próximo dos itinerários percorridos por colunas auto;

- Nas bermas dos itinerários que melhor protecção confiram às NT em caso de accionamento de mina A/C ou de emboscada.


Mina A/C



Em geral começam por implantar 1 par de minas (1 para cada rodado) e depois minas isoladas separadas de ¾ Kms cada uma.

5.5. Dispositivo de lançamento de fogo


Em geral todas as minas que implantam funcionam por pressão. No caso das armadilhas usam, como é normal, disparadores.


5.6. Diversos

a. Destruição de pontes

Pontes de cimento



- Para pontes pequenas, as cargas nos encontros são de 6 Kg (A, B, C, D) e as cargas de corte ao meio (E, P) são de 4 Kg.

- Para pontes maiores, aumentam as cargas.

- Por vezes cavam os acessos junto aos encontros e colocam também cargas.


Pontes de madeira


Podem ser explosivos, mas o normal é serem queimadas.


b. Outros assuntos de interesse


- Na teoria a implantação e campos de minas A/P junto aos trilhos só seria feita após terem avistado as NT. Para tal, usariam um Grupo de Reconhecimento e um Grupo de Armadilhagem e deveriam ambos os grupos disporem de emissores/receptores. Na prática, implantam os campos nos trilhos que normalmnte são utilizados pelas NT;

- As emboscadas conjugadas com as minas – segundo o capturado – não têm sido usadas na zona onde operava;

- Costumam reforçar as minas com granadas, ou com cargas de 2 Kg ou 4 Kg de TNT. No início, punham as granadas em cima das minas; actualmente e por causa das picagens, colocam-nas por baixo e descavilhadas, a fim de que possam rebentar quando descavilhadas;

- Após a colocação das minas não deixam ninguém de sentinela; vão para as bases e voltam imediatamente a seguir à passagem da coluna para ver se foram levantadas. Em geral colocam as minas a distâncias tais das bases que, quando accionadas, possam ouvir o rebentamento;

- Não costumam levantar as minas não accionadas, pois, mais tarde ou mais cedo, alguém sairá. Só as levantam passados 2 a 3 anos, pois, ao fim desse período, é sinal de que as NT deixaram de utilizar esse itinerário;

- Em geral não armadilham as pontes, mas sim os terrenos em volta, depois de as destruirem;

- Actualmente não usam sinais para referência das minas que implantam, a não ser, por vezes, latas das rações das NT, que coloca sobre a mina: O procedimento adoptado é o croquis da zona armadilhada, ou a colocação dos engenhos em locais de boas referências.

Desta forma e em consequência, após a colocação das minas, reunem os elementos da base e descrevem o local ou mostram o croquis feito. Em princípio não armadilam trilhos susceptíveis de serem utilizados pela população.

Desta forma, só um número restrito de elementos é conhecedor dos locais minados, evitando-se a fuga de segredo;

- O único processo que usam para contrariar a detecção por parte das NT é o dispositivo anti-levantamento (granada descavilhada sob a mina);

- As minas que aparecem sem tampa não têm por finalidade não serem detectadas pelas picas: tiram as tampas (das caixas de madeira) para reforçarem a mina que está lá dentro com outra mina;

- Colocam as minas “na época em que passam colunas” e que é do conhecimento dos velhos: em geral há sempre colunas pouco tempo antes de começarem as chuvas e logo a seguir às chuvas;

- O capturado refere como tendo posto os seguintes tipos de minas: (i) Anti-grupo (A/P); (ii) Anti-carro; (iii) Anti-tanque.

Perguntada a diferença entre as minas anti-carro e a anti-tanque, referenciou a anti-tanque como sendo a M/46 (russa) e a anti-carro como sendo paralelipipédica e com as seguintes dimensões aproximadas: 35cm X 25cm X 20cm e menos potente do que a anti-tanque (caixa de madeira).


(Continua)
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Notas de L.G.:

(1) Vd. postes sobre o Américo Estanqueiro, ex-Fur Mil da CCAÇ 2700 (Dulombi, 1970/72), de quem já aqui falámos, a propósito da sua exposição fotográfica na Fundação Mário Soares:

12 de Novembro de 2007) > Guiné 63/74 - P2260: Álbum das Glórias (33): Inauguração da exposição de fotografia do Américo Estanqueiro, hoje, na Fundação Mário Soares

13 de Novembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2263: Álbum das Glórias (34): Fotografias do Américo Estanqueiro na Fundação Mário Soares (Virgínio Briote / Fernando Barata)


(2) Vd. post anterior > 4 de Dezembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2327: PAIGC - Instrução, táctica e logística (6): Supintrep nº 32, Junho de 1971 (VI Parte): Minas I (A. Marques Lopes)