sábado, 13 de março de 2010

Guiné 63/74 - P5992: Convívios (203): IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do concelho de Matosinhos, realizado no dia 6 de Março (Carlos Vinhal)

1. No passado Sábado, dia 6 de Março, realizou-se mais um Convívio dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos*.

Mais uma vez, graças à iniciativa de Manuel Ribeiro Agostinho, António da Costa Maria (ambos tertulianos do nosso Blogue), José Francisco Oliveira e Fernando Alves da Silva, o Encontro foi levado a efeito com a participação considerável de ex-combatentes e, pela primeira vez, com a presença de algumas senhoras.

A concentração, a exemplo do ano passado, teve lugar em frente do Edifício da Câmara Municipal, seguida da foto de família e deslocação para o restaurante, onde um delicioso almoço nos esperava.

Na mesa de honra esteve presente o Vice-Presidente da Câmara, Dr. Nuno Oliveira, que apesar de muito jovem, no uso da palavra, lembrou o esforço desta geração de matosinhenses que honrou a pátria e o concelho no cumprimento de uma exigente e perigosa missão de guerra. Fez saber que o Memorial aos mortos em campanha do concelho está em fase de acabamento e que vai ser inaugurado este ano num dos dias mais marcantes do calendário português, 10 de Junho.

Disse ainda, que a nível de concelho está previsto um monumento para lembrar aos vindouros que houve matosinhenses que participaram numa guerra desgastante que durou 13 longos anos, onde cerca de 70 jovens perderam a sua vida.
Que a nível de freguesia se há-de também perpetuar o nosso esforço, quer utilizando a toponímia ou pequenos memoriais em rotundas e/ou jardins.

Durante a tarde houve o habitual momento de fado, desta feita com fadistas convidados, dos quais destacamos a jovem Marisa Pinto, filha do nosso camarada Evaristo Pinto.

Seguem-se algumas fotos.

Foto de família dos participantes do IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos. Em primeiro plano, da esquerda para a direita: António Maria; Carlos Cardoso; Ribeiro Agostinho; Dr. Nuno Oliveira; José Oliveira; Silva e Silvério Lobo, ambos da Tabanca de Matosinhos

Dr. Nuno Oliveira, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, no uso da palavra

José Oliveira e Ribeiro Agostinho, dois dos impulsionadores destes Encontros anuais

Nesta foto o nosso camarada Rui Rafael, um dos ex-prisioneiros do PAIGC libertados durante a Operação Mar Verde, em conversa com o Fernando Alves da Silva

Nesta foto, o pai de Álvaro Basto, o jovem senhor Rolando que acaba de completar 87 brilhantes anos, Marques Lopes e quatro das senhoras presentes: Eugénia, esposa de Marques Lopes; Fernanda, esposa de Eduardo Ribeiro; não se vê, mas a seguir está a Ana, esposa de Casimiro Carvalho; e de costas, Dina Vinhal

O nosso tertuliano Dr. Mário Bravo que se encontrou com outro dos nossos tertulianos presentes, o Carlos Azevedo, lembrando ambos velhos tempos em Bedanda

Aspecto do bolo comemorativo

Dina Vinhal, voluntária no corte e distribuição do bolo

Momento da actuação de Marisa Pinto, filha do nosso camarada Evaristo Pinto

Galhardete alusivo ao Encontro, concebido e oferecido pelo nosso camarada Fernando Alves da Silva

CV
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 27 de Fevereiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5896: Convívios (108): IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos, dia 6 de Março de 2010 (Carlos Vinhal)

Vd. último poste da série de 12 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5975: Convívios (115): 32.º Convívio Anual da CART 2519 “Os Morcegos de Mampatá”, vai decorrer em 08 Maio 2010 - Odemira (Mário Pinto)

Guiné 63/74 – P5991: Iniciativas da ADFA em Lisboa (4): Vítimas de stress pós-traumático da Guerra do Ultramar - Rede Solidária (Luís Nabais)


1. Promovendo mais uma das iniciativas da ADFA (Associação dos Deficientes da Forças Armadas), recebemos esta mensagem do nosso camarada Luís Nabais, ex-Alf Mil Op Esp/RANGER da CCS/BCAÇ 2885, Mansoa 1969/71, com data de 8 de Março de 2010:


Vítimas de stress pós traumático da Guerra do Ultramar
Rede Solidária

Camaradas,

Queria tornar público, junto dos ex-Combatentes mais vitimados pelas vicissitudes da Guerra do Ultramar, que aproveitem o que nos resta das "esmolas" que este governo, nos vai dando.

Creio que é bem explicativo.

O Porto e Coimbra também têm psicóloga e psiquiatra.

Li, porque me foi também enviado, que a Liga dos Combatentes também tem apoio, pelo que deve também ser publicitada esta iniciativa.

Nós, DFA´s, temos uma possibilidade mais rápida de, para alguns, virem a ser também considerados DFA’s, receber apoio médico gratuito (agora), e, eventualmente, uma reforma, se forem considerados como vítimas de stress de guerra.

Consultem o folheto infra-anexo.

Como sabem faço parte da Direcção da Delegação de Lisboa.

São muitos, como era de prever, os que agora (mais de 35 anos depois do fim da guerra) nos procuram, apenas para que lhes seja prestado apoio psiquiátrico, da Rede Solidária.

A viuvez de alguns, o refúgio na bebida, a vida madrasta, os revezes da vida, etc. têm feito com que muitos se tornem de tal modo marginalizados, solitários e intratáveis, que são as próprias famílias a levá-los lá, quando não os deixam ao puro abandono...

A ideia desta divulgação surgiu-me, quando fui almoçar com o pessoal do meu Batalhão, no passado dia 6 de Março, e vi o estado de degradação psíquica e física, em que se encontram alguns dos meus Camaradas.

Um abraço, e olhem… aproveitem o que ainda nos resta da Rede Solídária.


Luís Nabais
Alf Mil Op Esp/RANGER da CCS/BCAÇ 2885
(Sócio efectivo da ADFA, nº 9724)
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Notas de M.R.:

Vd. último poste da série em:

8 de Junho de 2009 > Guiné 63/74 – P4478: Iniciativas da ADFA em Lisboa (3): Almoço/Convívio do pessoal da BA 12 (Pilotos, Mecânicos e Enf Pára-quedistas (Luís Nabais)

Guiné 63/74 - P5990: Ser solidário (62): Fur Milº COMANDO António Fernando P.P. Cunha da 5ª Cia, está gravemente doente (Júlio Pinto)

1. O nosso Camarada Tertuliano Júlio Pinto (ex-2.º Sargt Mil da CART 1769/BART 1926 - Angola -, 1967/69, enviou-nos a seguinte mensagem:
COMANDOS
5ª Companhia

Camaradas,

Hoje passei em Vila Verde e estive com o ex-Fur Milº COMANDO António Fernando P.P. Cunha, que se encontra em estado de paraplégico (devido a acidente já depois de regressar da tropa), e está a viver no Lar da Santa Casa da Misericórdia, desta localidade.

Este veterano assentou praça comigo no CSM – R.I.5. nas Caldas da Rainha, em Janeiro de 1966. Depois da recruta apresentamo-nos ambos em Vendas Novas, a fim de frequentarmos a especialidade de Atiradores.

Em Vendas Novas deu-se então um caso curioso, que jamais esqueci, pois durante um incêndio numa habitação, o Cunha entrou corajosamente pelo meio das chamas, que reduziam tudo acinza, e salvou uma senhora idosa que se encontrava lá dentro.

A partir de certa altura da especialidade vieram captar pessoal para os COMANDOS e o Cunha ofereceu-se como voluntário.


A partir daí foi para esta tropa de elite e, finda a instrução, seguiu para a Guiné integrado na 5ª Companhia, penso que entre finais de 1966 e princípios de 1967.

Neste momento o seu estado de saúde agravou-se, pois devido a graves problemas de circulação já lhe foi amputada uma perna e mal conseguia falar, pelo que, foi muito dificilmente que consegui, que ele me dissesse, que pertenceu à 5ª CComandos e que o seu Capitão da Companhia se chama Antunes.

Ainda por cima, tem bastantes carências monetárias, pois penso que a reforma dele é muito pequena.

Como se tudo isto não bastasse, também está divorciado.

Como é óbvio, ele precisa de todo o apoio do pessoal da sua Companhia e de todos os Camaradas que o puderem e quiserem ajudar.

Os meus contactos são:

E-mail: pinto.jvp@gmail.com

Telemóveis: 914812740 ou 922110514.

Estou ao dispor de qualquer camarada que o queira ver, enquanto há tempo para isso.

Um abraço,
Júlio Pinto
2º Sarg Mil da CART 1769/BART 1926 (Angola)

Mini-guião da colecção pessoal: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados.
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Nota de M.R.:

Vd. último poste da série em:

10 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5966: Ser solidário (61): Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, 6 de Fevereiro de 2010 (Luís Graça)

Guiné 63/74 - P5989: Agenda Cultural (66): Homenagem aos ex-combatentes da Guerra Colonial do Concelho de Moura, dia 10 de Abril (Francisco Godinho)

1. Mensagem do nosso camarada Francisco Godinho Mil da CCAÇ 2753, Madina Fula, Bironque, K3 e Mansabá, 1970/72, datada de 7 de Março de 2010:

Camaradas Luís Graça e Vinhal!
Conforme o já combinado entre nós via telefone, junto vos remeto, para divulgação e conhecimento do n/Blogue, assim como dos intervenientes directos, já devidamente contactados para o efeito, e eventualmente para todos os que desejarem honrar-nos com a sua presença, repito, aqui vos remeto o formato do referido evento.

Francisco Godinho



Homenagem aos Ex-Combatentes naturais do concelho de Moura, mortos ao serviço da Pátria na Guerra Colonial/Libertação 1961/1974

MOURA - 10 DE ABRIL DE 2010 (SÁBADO)

CINE TEATRO CARIDADE (10H30)


- Colóquio em homenagem aos Ex-Combatentes naturais do Concelho de Moura, mortos ao serviço da Pátria, na Guerra
Colonial/Libertação 1961/1974, nas três frentes (Angola - Guiné - Moçambique).

Temática:

- Implicações/consequências que o conflito despertou na Sociedade Portuguesa e nos protagonistas, que culminou no espírito que provocou Abril.

- Oradores convidados:

1 - Mário Beja Santos


Membro da Direcção Geral de Consumidores; Vice-presidente do Conselho Consultivo dos Consumidores da C.E.

Autor dos Livros "Diário da Guiné 1968-1969 Na Terra dos Soncó e Diário da Guiné 1969-1970 O Tigre Vadio, Edição do Circulo de Leitores/Temas & Debates, e de vários trabalhos já publicados, inclusivé nos ecrans televisivos das nossas principais estações.

(Ex-combatente, Guiné 1968/70).

2 - Luís Graça Henriques

Prof. da Escola Nacional de Saúde Pública(UNL); Sociólogo do Trabalho e da Saúde; Fundador, Administrador e Editor principal do Blogue "Luís Graça&Camaradas da Guiné".

(Ex-combatente, Guiné, Guiné 1969/71).

3 - José Brás

Autor do livro "Vindimas no Capim" (Editora Europa-América), galardoado com o Prémio Revelação de Ficção 1986 da Associação Portuguesa de Escritores e do Instituto Português do Livro e da Leitura.

(Ex-combatente, Guiné 1966/68).

4 - Pedro Lauret

Comandante da Marinha de Guerra Portuguesa-Cap. de Mar e Guerra-(Capitão de Abril), membro da Direcção da Associação 25 de Abril.

(Ex-combatente, Guiné 1971/73).


Convidados

- Presidente da Câmara Municipal de Moura
- Major General Manuel Monge (na qualidade de Ex-combatente)
- Miguel Pessoa (Ex-combatente)
- Giselda Pessoa (Ex-combatente)
- Presidentes das Juntas de Freguesia do Concelho de Moura.


LARGO DE S. FRANCISCO (12H45)

- Deposição de uma coroa de flores junto à lápide evocativa aos Ex-combatentes mortos ao serviço da Pátria, leitura dos respectivos nomes e guarda de um minuto de silêncio em sua memória.


RESTAURANTE "O CELEIRO" (13H00)
(Rua Henrique José Pinto - Ex-combatente morto em combate na Guiné)
(Junto ao Pavilhão de Exposições e Depósito de água)

- Almoço conívio com o seguinte menú:

Entradas, creme de legumes à Celeiro, novilho à Celeiro, sobremesas, vinhos branco e tinto da região de Moura, águas, sumos, café e digestivos.

- Animação musical com:

- GRUPO CORAL E ETNOGRÁFICO DO ATENEU MOURENSE
- GRUPO "VÁ DE MODAS".


Moura, 3 de Março de 2010

A Comissão Organizadora:

Francisco Diogo Candeias Godinho (Telem. 93 343 47 24)
José Mira Borralho Infante
José Manuel Ramos Lérias
António Fernando Canudo Capa
José Joaquim das Estevas


NOTA:
Data limite para incrições para o almoço: 5 de Abril (20,00€ p/ pessoa)

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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 10 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5967: Agenda Cultural (65): O Abílio Machado (ex-Alf Mil, CCS / BART 2917, Bambadinca, 1970/72) a Toque de Caixa, na FNAC Colombo, Lisboa, 5ª feira, 11, às 18h00

Guiné 63/74 - P5988: Histórias de José Marques Ferreira (16): O parto nos Bijagós


1. O nosso Camarada José Marques Ferreira, ex-Sold. Apontador de Armas Pesadas da CCAÇ 462, Ingoré - 1963/65 -, enviou-nos em 9 de março de 2010, a seguinte mensagem:

Camaradas,

Como diz o Torcato, que tive oportunidade de ler: «Há tanto tempo que não envio nada, que já nem sei… ».

Mas é uma questão de compromisso e, comigo, os compromissos assumidos cumprem-se. A menos que deixem de existir possibilidades. Enfim, penso que ainda tenho os «cinco» bem aferidos.

Então, como costumo dizer, aqui vai uma «estória inocentinha» apenas para relembrar coisas de longe e de saudade.

É que, vocês são capazes de pensar, e talvez tenham razão, que nem a copiar o que outros fizeram sou mais «trabalhador».

Assim, brevemente, irei enviar alguma coisa da minha autoria, para constituir o «livro das minhas recordações», que o é na totalidade este grande blogue (ou blogue grande?!).


Hospital Militar em Bissau. Aqui não se faziam partos, porque todos os que, infelizmente, lá davam entrada eram militares. Só muitos anos depois é que passaram a existir mulheres nas Forças Armadas da Guiné, especialmente na Força Aérea. Dois dos Camaradas que estão na foto, são da freguesia de Valongo e o terceiro é da freguesia de Espinhel, no concelho de Águeda. Um deles é natural de Arrancada e o outro do lugar do Casaínho (eram ambos “funcionários” do Hospital).

A inocente estória que segue é sobre os Bijagós, de quem andei bastante longe…
O PARTO NOS BIJAGÓS
Como sabemos, existem diversas raças de indígenas na Guiné. Cada qual tem os seus costumes próprios e também alguns que sendo comuns a várias outras raças, não deixam por isso de ter certas características que lhe dão individualidade. Muito resumidamente, vamos ver algumas noções curiosas acerca do parto na raça Bijagó.

A parturiente tanto pode ser uma rapariga solteira (campune) como uma mulher casada (ocanto), como é óbvio.

Tratando-se da primeira, quando está nas proximidades do parto recolhe a casa e manda chamar algumas "mulheres grandes" que possam servir de parteiras.

Uma dessas mulheres, e enquanto a parturiente vai enumerando o nome dos indivíduos com quem manteve relações sexuais até à altura do parto, conserva-se ao lado da cama, tendo na mão um molho de palha a arder, na ânsia de afastar os maus espíritos.

Se a parturiente é uma mulher casada, tal enumeração não se dá, pois se parte do princípio que a mulher é fiel ao marido (?!).

A seguir ao parto o recém-nascido é lavado com água do mar, limpo de todas as sujidades e esfregado com óleo de palma. Cerca de três dias depois a mãe é levada a uma praia e lavada com água do mar.

No entanto, o mais vulgar entre as raparigas solteiras (campunes) é a provocação do aborto. Como o nascimento dum filho a coloca numa posição social diferente, embora continue campune, ela prefere resolver o problema da forma mais simples: elimina-o.

Esta resolução, ao mesmo tempo que tira a preocupação à rapariga, evita também problemas ao rapaz se acaso ainda não foi ao fanado.

É que está decidido que os rapazes antes de irem ao fanado não podem ter relações sexuais e admitir a existência de um filho antes da época própria, é admitir uma fraude àquele princípio.
Além disso, todo o filho que nasça antes do fanado deixa de pertencer ao pai, e até à mãe, e passa a pertencer aos pais desta.

Cremos que é apenas nos Bijagós que este costume se segue como o descrevemos.

DOC
(Dr. Ramiro Fernandes de Figueiredo)
(Ex.alf.mil. médico da CCaç. 462-Guiné 1963/1965)

Nota: Esta curiosidade foi extraída do «Jornal da Caserna», periódico da CCaç. 462, com data de Outubro de 1964.

Um abraço,
J.M. Ferreira
Sold Ap Armas Pes
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Nota de M.R.:

(*) Vd. último poste da série em:

16 de Fevereiro de 2010 >
Guiné 63/74 - P5822: Estórias avulsas (75): Do Cumeré a Canquelifá (João Adelino Aves Miranda, ex-1.º Cabo da 1.ª CCAÇ/BCAÇ 4610/73)

Guiné 63/74 - P5987: Divagações de reformado (Pacífico dos Reis) (3): É a vida…

1. O nosso Camarada José Marcelino Martins* (ex-Fur Mil Trms da CCAÇ 5, Gatos Pretos - Canjadude -, 1968/70), enviou-nos a seguinte mensagem, com data de 9 de Março de 2010:

Camaradas,

Aqui vai mais um texto do n/ camarada e meu comandante, Pacífico dos Reis. Segue, também, o relatório da coluna citada no texto.

José Martins


2. Terceira parte das Divagações de Reformado de autoria de Pacífico dos Reis, Coronel de Cavalaria Reformado que comandou a CCAÇ 5 “Gatos Pretos” (Unidade esta a que pertenceu também o nosso camarada José Martins):


DIVAGAÇÕES DE REFORMADO - 3
É a vida...
É A VIDA [1]
Guiné 12.SET.69



Estrondo surdo, ensurdecedor… O ar saiu-me dos pulmões, sentindo-me sufocar.
Voei no meio do pó vermelho amarelado, parecendo flutuar. A pancada foi dura. Acordei no meio de verde. Capim, só capim. Tentei levantar-me mas tudo me parecia em câmara lenta. Olhei-me e reparei que tinha a perna esquerda com pinceladas vermelhas no meio do camuflado rasgado. Senti-me no meio de um filme de guerra de categoria B. Só devia ser “sumo de tomate”. Tentei levantar-me. Ouvi o alferes da segunda viatura gritar que “tinham morto o capitão”. Berrei para saírem das valetas e tentei ver a situação.
A minha “querida “ GMC, que me tinha transportado em dezenas de colunas, estava desfeita. junto dela espalhavam-se os elementos da minha secção de comandos, feridos com alguma gravidade. “Aquele que derramar o seu sangue comigo será meu irmão”. [2]
Pedida a evacuação demorou pouco tempo. Benditos pilotos e enfermeiras da FAP que em menos de um quarto de hora tinham evacuado os feridos mais graves. Passado algum tempo chegou o apoio vindo da seda da companhia em Canjadude e posteriormente o apoio do batalhão de Nova Lamego. Lá seguimos para o Gabú transportando os feridos mais ligeiros e a viatura minada a reboque.
Era o resultado de se efectuar uma coluna de reabastecimento com desminagem descontínua. Uma autentica “roleta russa”. Ordens do batalhão que tínhamos de cumprir.

É A VIDA
Portugal 08.DEC.07

Estrondo surdo… Esperei todas as sensações que tinha tido na Guiné. Não, a viatura continuou a andar. Quando olhei pelo espelho retrovisor percebi que no meio da A2 estava um cão.
Após os militares da GNR tomarem conta da ocorrência, um deles, rapaz novo, disse-me: - “Meu coronel está cheio de sorte, podia ter sido uma vaca ou um javali. Já tem sucedido.”
Fiquei a saber que além da minas de quatro patas (cão) poderiam aparecer minas anti-carro (vacas e javalis) deixadas plantadas pela Brisa, que deveria zelar pela segurança dos utentes das auto-estradas à sua guarda.
“É a vida,,,”

Para os camaradas que seguem estas letras fica o aviso. Quando entrarem nas auto-estradas não contratem picadores, mas sim um campino ou um caçador por mor das minas anti-carro de “quatro patas”.
Estas linhas tinham como finalidade divagar sobre a Guiné e estou a desviar-me, Julgo, no entanto, o desvio importante e salutar.
Passarei às estórias da história. A minha companhia, a C,Caç 5 “Gatos Pretos”, era uma amalgama de etnias. Praticamente tinha todas e são muitas. Até tinha um felupe completamente deslocado em chão mandinga. Mas não é de um felupe que se trata mas sim de um fula. Certa vez, quando fazia a minha ronda nocturna senti um ruído, como que um gorgolejar, atrás de uma porta. Afastei-a e encontrei sentado no chão um militar africano bebericando uma cerveja. Não resisti e perguntei-lhe porque estava a beber sendo ele islamizado. Depois de se pôr em sentido, dum salto, a resposta veio célere: - “Meu capitão, Alá não me vê atrás da porta”.
“É a vida,,,”

Outro elemento inesquecível da companhia era um soldado metropolitano, agricultor de profissão e vindo das beiras. Não tinha jeito nenhum para a vida militar, tinha um medo, pânico profundo, do mato. Após reunir conselho com os mais directos colaboradores, comandantes de pelotão e secção, atinou-se uma forma de resolver o problema satisfatoriamente.
Chamei o militar e informei-o que o colocaria à frente da nossa “agro-pecuária” com a obrigação estrita de abastecer o rancho de verdes que faziam falta à dieta diária. No dia em que se descuidasse nos seus deveres agrícolas voltaria à linha e consequentemente ao mato. Nunca vi cara mais radiante.
A partir desse dia passamos a ter saladas a acompanhar muitas das refeições.
“É a vida,,,”

A seguir à evacuação de Madina do Boé a nossa companhia foi a herdeira directa do gerador eléctrico e todo o material eléctrico que ali existia. Para fazer a montagem eléctrica do gerador e da iluminação periférica e interna do aquartelamento, veio de Bissau um soldado de engenharia (é mesmo um soldado, não é gralha!).O rapaz era mesmo eficiente. Deitou-se ao trabalho e com o apoio de alguns elementos da companhia, em pouco tempo, tinha tudo montado. Chamei-o, agradeci-lhe o eu voluntarismo e disse-lhe que ia passar a guia de marcha para Bissau. O meu espanto foi quando ele me pediu para ficar mais tempo na companhia. Dizia que gostava de estar no mato e até me pediu para, quando realizássemos uma operação, ir connosco.
Claro que lhe fiz a vontade. O rapaz tinha sido tão prestável que não o podia desiludir.
No entanto não podia arriscar a vida de um elemento que não era da minha companhia e que tinha vindo realizar uma função completamente diferente da de atirador.
Assim, escolhi um patrulhamento para uma zona onde havia pouca possibilidade de haver contacto com o inimigo e levei-o.
No regresso, a felicidade dele era evidente. Quando regressasse a Bissau já tinha uma história para contar.
“É a vida,,,”

É assim que a vida é feita de pequenos retalhos. Cada um os vê pelo seu prisma. Hoje, a quarenta anos de distância, talvez possamos ver com menos nitidez todo o panorama, mas saltam-nos as imagens mais salientes. É dessas memórias que se alimenta a nossa memória.

[1] – António Guterres
[2] – William Shakespeare
(o texto também foi publicado na revista ASMIR de Nov/Dez 09)
RELATÓRIO DA COLUNA REALIZADA A NOVA LAMEGO em 12SET69

01. Situação Particular

  • A Unidade encontra-se a guarnecer o Aquartelamento de Canjadude, sendo responsável pelo mesmo sector, reforçado com o 1 Pelotão de Milícias nº 129.
    Três ataques á tabanca de Madina Xaquili e a destruição de Catalunda, prevêem actuação mais a Norte. Presume-se a entrada de um grupo numeroso pelo sector de Cabuca dirigindo-se provavelmente para este sector ou Nova Lamego.
02. Missão da Unidade

  • Colina de reabastecimento a Nova Lamego trazendo um Pelotão da CART 2479 para defesa do Aquartelamento, enquanto o pessoal se encontra na operação “LIRIO”.
03. Força Executante


  • a) Capitão de Cavalaria Pacífico dos Reis
    b) 1º Grupo de Combate – Alferes Gago
    4º Grupo de Combate – 2º Sargento Farinha
    Secção Comando Dragão
    c) 2 Grupos de Combate, 2 GMC, 2 Unimog 404, 1 Unimog 411.
    d) 2 GMC (Secção de Comando Dragão, Comandante e 1º Grupo de Combate) – 1 Unimog 404 (Transmissões), 1 Unimog 411 e 1 Unimog, (4º Grupo de Combate)
    e) 1) ----------------------------
    2) 2 Granadas de mão defensivas e 1 granada de mão ofensiva por homem; 3 elementos com dilagrama por grupo de combate.
    3) -----------------
    4) Reforço de 400 munições 7,62 mm por grupo de combate.
    5) -------------------
    6) Material de Transmissões: 1 AN – GRC-9
    1 PRC-10
    3 AVP-1
    Telas
04. Planos Estabelecidos


  • Coluna com picagem da estrada, descontinuadamente, nos pontos onde houvesse mais possibilidades de serem postas minas (zonas de areia, areão, terra solta). Enquanto de fazia a picagem o 1º Grupo de Combate fazia a guarda de flanco esquerdo e o 4º Grupo de Combate a guarda de flanco direito.
05. Desenrolar da Acção

  • Partiu-se de Canjadude em 120630SET69 tendo a coluna seguido montada até pouco depois de Canjadude onde se começou a picagem, seguindo-se apeado até Uelingará cerca das 08H20. Neste ponto mandei montar e tendo andado cerca de 15 metros, ouviu-se um rebentamento, tendo a primeira viatura (GMC) sido projectada ficando atravessada na estrada. Imediatamente se fez a protecção às viaturas com o pessoal à esquerda e à direita da estrada, tendo-se pedido nessa altura um pronto-socorro e heli para evacuação dos feridos. Chegou cerca das 10H00 pessoal de Canjadude trazendo o Sargento enfermeiro e medicamentos, ficando este e seguindo o grupo de combate, que veio em socorro da coluna, para Canjadude. Fez-se a picagem da estrada tendo sido levantada mais uma mina Anti Carro. Pelas 11H30 chegou a coluna de socorro de Nova Lamego, com o pronto-socorro, tendo chegado pouco depois os helis que fizeram a evacuação dos feridos. Ficou na zona a CART 2479 e as viaturas da CCAÇ 5 seguiram para Nova Lamego com o pronto-socorro onde chegaram em 121340SET69. Partiu a coluna às 15H15, tendo levado o Grupo de Combate da CART 2479, que estava à espera em Uelingará, chegando a Canjadude em 121730SET69.
06. Resultados Obtidos

  • a) ------------------
    b) --------------------
    c) 1 Mina Anti carro de madeira levantada
    d) Feridos evacuados de heli:
    - Soldado (82102264) Iero Jau – feridas na perna esquerda, diversas contusões e escoriações;
    - Soldado (82057465) Tomango balde – contusão na coluna vertebral;
    - Soldado (82061965) – Adama Candé – ferida profunda na perna direita, ferida na cabeça, escoriações e contusões por todo o corpo;
    - Soldado (82022168) Mamadu Samba Djaló – ferida na face esquerda e contusões por todo o corpo;
    - Soldado (82023168) Ensa Mané – ferida no braço direito r pé direito, contusões por todo o corpo;
    - Soldado (82068468) Mumine Balde – contusão na coluna vertebral e bacia;
    -Soldado (82075068) Bobo Djaló – feridas nas pernas.
    - Civis Mamadú Sissé e Galé Conte.
    Feridos não evacuados:
    - Capitão de Cavalaria (50691111) José Manuel Marques Pacífico dos Reis – contusão e escoriações na perna esquerda e braço esquerdo;
    - 1º Cabo (00143167) José Luís Salgado da Silva – contusão na perna esquerda e escoriações por todo o corpo;
    - Soldado (82097564) Mamadú Mané – contusão perna esquerda e escoriações por todo o corpo;
    - Soldado (82152064) Denane Balde – contusões por todo o corpo;
    - Soldado (82053565) Mamadú Candé – contusão face esquerda;
    - Soldado (82039566) Saído Jaló – ferida supraciliar direita, contusões por todo o corpo.
    e) Segue anexo.
07. Serviços



  • a) -------------------------
    b) -------------------------
    c) 1 Enfermeiros e 1 maqueiro.
    d) Meio heli e viaturas
08. Apoio Aéreo

  • T 6 e evacuação heli.
09. Ensinamentos Colhidos

  • Talvez se tornasse conveniente fazer a coluna em dois dias seguidos para se conseguir fazer a picagem de todo o percurso. Devido ao pouco tempo que se dispõe para fazer a coluna, ida e volta e para se fazer o carregamento, tem-se de fazer picagem em pontos descontínuos e nos sítios mais perigosos.
10. Diversos

  • Pessoal
    - É de frisar o estoicismo dos feridos que foram evacuados que aguentaram o tratamento e o tempo de espera dos helis sem um queixume;
    - É de salientar o sentido de camaradagem do 3º Grupo de Combate que, comandados pelo Furriel Miliciano Carvalho, levou medicamentos e o Sargento Enfermeiro num Unimog 411, tendo que ir a maior parte do pessoal a pé e a correr atrás da viatura, fazendo o percurso de cerca de 12 km em pouco mais que uma hora e meia.

  • Material:
    - Ficaram bastantes granadas de LGF danificadas e perigosas no seu manuseamento.
    - Ficou uma granada dentro do tubo do LGF que, devido ao seu manuseamento perigoso e não poder sair, teve se ser destruída com o tubo.

  • Documentos Anexos
    Material extraviado e danificado:
    1º Causas que motivaram o extravio ou danificação:
    Rebentamento de uma mina anti carro debaixo de uma viatura GMC, atirando estilhaços a mais de 100 metros, sobre outras viaturas
    2º Relação do material extraviado ou danificado:
    • 6 Calças de campanha – danificadas;
    • 4 Barretes de campanha – extraviados;
    • 3 Camisas de campanha – danificadas;
    • 2 Pares de botas de lona – danificados;
    • 2 Dólmen de campanha – danificados (pertencentes aos soldados nºs 82057465 Tomango Balde – 820232168 Mamadu Djaló – 82102264 Iero Jau – 82075068 Bobo Djaló – 82068468 Mumine Balde – 82061965 Adama Candé – 82023168 Ensa Mané)
    • Lança Granadas Foguete Modelo M2o 8,9 cm com o número 236304 – completamente danificado e partido em duas partes, uma delas com a granada de LGF metida na parte posterior. Esta parte teve de ser destruída por não oferecer condições de segurança no seu manuseamento – distribuída ao Soldado 82023168 Mané;
    • Espingarda automática G 3 – 7,62 mm nº 054255 – partida no delgado, falta do guarda mão, ponto de mira com cano partido e todo o conjunto empenado e a bandoleira estilhaçada – distribuída ao Soldado 82061965 Candé;
    • Espingarda automática G 3 – 7,62 mm nº 053946 – partida no delgado, o manobrador da culatra avariado, cano empenado e a bandoleira estilhaçada – distribuída ao Soldado 82075068 Jaló;
    • Espingarda automática G 3 – 7,62 mm nº 054319 – manobrador da culatra empenado – distribuída ao 1º Cabo 04241768 Malhada;
    • Espingarda automática G 3 – 7,62 mm nº 001963 – coronha partida e falta de madeira na mesma – distribuída ao Soldado 82061965 – Candé;
    • 2 Carregadores para G 3 – danificados – distribuídos ao Soldado 82061965 Candé e ao 1º Cabo Malhada;
    • 8 Carregadores para G 3 – extraviados, 4 porta carregadores m/964 – extraviados, 2 cinturões m/973 – extraviados, 2 cantis m/964 – extraviados – distribuídos ao Soldado 82057465 Tomango Balde e ao Soldado 82022168 Mamadu Semba Jaló);
    • 5 Granadas Lança Granadas Foguete anti carro de 8,9 e 4 Granadas explosivas de Morteiro 60 – com moças gerais e empenagem amolgada. Foram destruídas por não oferecer segurança o seu manuseamento.
    • Auto T.G 2,3 Tons – 17 GMC 6x6 mA/82 EVA MG-88-97:
    1 Porta traseira completa – destruída,
    1 Veio de transmissão de loco de apoio traseiro – destruído,
    1 Veio de transmissão diferencial intermédio – destruído,
    1 Tubo flexível travão de trás – destruído,
    1 Tubo metálico para travão – destruído,
    2 Rodas completas – destruídas,
    2 Pneus – destruídos,
    2 Câmaras-de-ar – destruídas,
    1 Caixa de carga – estilhaçada,
    1 Taipal traseiro – empenado e destruído,
    2 Bancos da caixa de carga – partidos,
    2 Taipais de madeira da caixa de cargo – partidos,
    1 Chave de fendas média – extraviado,
    1 Chave de velas com manípulo – extraviada,
    1 Alicate universal de 7” – extraviado, pertencente a colecção de ferramentas do Unimog 411 ME-49-86;
    • 1 Bolsa de enfermeiro m/964 – destruída;
    • 1 Seringa de vidro de 10 cc – destruída;
    • 2 Termómetros clínicos – destruídos;
    • 2º Pensos individuais – destruídos;
    • 1 Tesoura recta – extraviada;
    • 1 Secção de antenaMS-117 – danificada;
    • 1 Secção de antena MS-118 – danificada;
    • 1 Estaca GF-27 B – extraviada.

    Aditamento ao material extraviado e danificado:
    • Espingarda automática G 3 7,62 mm m/963 nº 003002
    Bandoleira partida,
    Coronha partida,
    Guarda-mão partido.
    Distribuída ao Soldado 82063067 Baldé.
    • Espingarda automática G 3 7,62 mm m/963 nº 053819
    Parafuso de fixação da bandoleira extraviado.
    Distribuída ao Soldado 82055466 Esuto Baldé.
    • Espingarda automática G 3 7,62 mm m/963 nº 054093
    Mola de fixação do dilagrama extraviado
    Distribuída ao Soldado 82064866 Jaló.
Um abraço Amigo,
Pacífico dos Reis
Cor Cav Ref (comandou a CCAÇ 5)
___________

Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série de 2 de Novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5194: Divagações de reformado (Pacífico dos Reis)(2): Mofunado ou não na Guiné de 68 (José Martins)

Guiné 63/74 – P5986: Actividade da CART 3494 do BART 3873 (2): Parte 2 (Sousa de Castro)


1. O nosso Camarada Sousa de Castro (*), que foi 1º Cabo Radiotelegrafista da CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, 1971/74, enviou-nos a seguinte mensagem, com data de 12 de Março de 2010, narrando-nos a segunda parte da actividade desenvolvida pela sua Companhia:


ACTIVIDADE DA CART 3494 DO BART 3873 NO TEATRO DE O. P. GUINÉ (2)

DEZEMBRO1971/ABRIL 1974
Este texto foi elaborado a partir do livro:

BART 3873 “HISTÓRIA DA UNIDADE”
CART 3492 – CART 3493 – CART 3494
NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ
(autor desconhecido)

1º. FASCÍCULO

FEVEREIRO – MARÇO – ABRIL 1972

8. SITUAÇÃO GERAL

Fevereiro
- A actividade IN considera-se fraca e a população por ele dominada dá mostras na área de MADINA de se querer libertar.

Prosseguiu a campanha psicológica da rádio «Voz da Revolução» tendente a subverter as NT e a população fiel.

O inimigo conjectura flagelar os nossos Aquartelamentos, Destacamentos e Auto-Defesas, atacar a navegação no Rio Geba, e reagir à penetração das NF, implantar minas na picada BAMBADINCA – XITOLE e acelerar a organização político-administrativa.

Março
- Em face da flagelação ao XIME é provável que o IN deseje conturbar o tráfego na estrada XIME-BAMBADINCA-BAFATÁ, segundo o que se esclareceu no mês anterior.

Estrada - BAMBADINCA – BAFATÁ (do blogue http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ com a devida vénia).

As populações aliadas conservam-se calmas, mas sabe-se que em MINA e GALO-CORUBAL o PAIGC erigiu uma notável organização político-administrativa.

As suas intenções, pensa-se não se modificaram.

Abril
- «O status quo» não sofreu profundas alterações, ressalvando os sintomas de dissociação no binómio população/Partido e o eventual desencadeamento de terrorismo selectivo.

9. TERRENO

Fevereiro:
- Em plena época seca recorre-se às queimadas, expediente que garante maior visivilidade e maior protecção às NT nos seus aquartelamentos e patrulhamentos.

A natureza, como é sabido, oferece uma panorâmica bem diversa daquela de que se reveste nas «chuvas», de vegetação exuberante.

Março:
- Mês ainda abrangido pela estação seca, não trouxe nada de novo quanto à configuração do terreno.

Abril:
- Não houve mudança considerável.

Note-se que ao longo do trimestre nenhuma modificação introduzida pelo homem há a mencionar, excepto as capinações e desmatações.


10. INIMIGO

a) Sub-Sector do XIME

Fevereiro:
- Em 11FEV72 o IN flagelou da margem esquerda do RBURUNTONI as NT no decorrer da Operação «PIRIQUITO RAIVOSO» no local (XIME 3B1-12), sem consequências.

- Em 15FEV72 grupo IN não estimado interceptou 02 milícias e 01 civil de TAIBATÁ, matando este e ferindo um milícia. Capturou 01 espingarda MAUSER. Retirou à reacção do Morteiro 82 daquela tabanca e Artilharia do XIME, abandonando 01 granada de RPG-2. A ocorrência verificou-se em (XIME 6C9-54).

«Sector L1» (do blogue http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ com a devida vénia).

Março:
- Em 27MAR72 pelas 23,00 horas, grupo IN não estimado flagelou e atacou a Aquartelamento do XIME durante 35 minutos, provocando 01 ferido na população civil.

Abril:
- Em 22ABR72 pelas 06,00 horas, grupo IN emboscou a segurança à estrada XIME- BAMBADINCA-BAFATÁ na PTA COLI (4º. Pelotão da CART 3494). As NT e Artilharia do XIME puseram o IN em fuga.

Sofremos 01 morto (Furriel), 07 feridos graves e 12 ligeiros.

Um dos três «OBUS 10,5» que existia no XIME.

b) Conclusões

- O sub-Sector do XIME foi o mais perturbado, em contraste com o de MANSAMBO que não acusou actividade de guerrilha.

Observou-se a insistência no referente à colocação de engenhos explosivos no sub-sector do XITOLE, no sentido de obstar os contactos da CART 3492 com o exterior e a emboscada da PTA COLI revela o interesse em levantar obstáculos à circulação na rodovia XIME-BAFATÁ, aliás dentro das previsões colhidas.

15. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações mais importantes

Fevereiro:
- Para além da actividade rotineira salientamos:

- Operação «Piriquito Raivoso» de 10 a 11FEV72 com forças das CART’s 3492 e 2716 que patrulharam as áreas de SATECUTA e GALO-CORUBAL e forças das CART’s 3494 e 2715 que patrulharam a PTA do INGLÊS-PTA VARELA-POINDON. O 1º. Agrupamento (E, F) destruiu 16 palhotas e apreendeu 01 granada de RPG; o 2º. Agrupamento (A, B) sofreu uma flagelação sem consequências e capturou 01 granada de RPG. Nas zonas de RBISSARI e RSAMBA URIEL forças da CART 3493 formam o 3º. Agrupamento (C, D). Em BAMBADINCA 01Avioneta DO, armada assegurava o apoio aéreo.

Não houve contactos com o IN.

- Operação «TRAMPOLIM MÁGICO» de 24 a 26 FEV72 com 04 GRCOMB da CART 3492 reforçada por 01 GRCOMB da CCAÇ 3489 e outro da CCAÇ 3490, integrando o agrupamento «LARANJA». 04 GRCOMB da CART 3493 reforçada por 02 GRCOMB da CCAÇ 3491 integrando o agrupamento «CASTANHO». Desembarcaram conjuntamente na presença de Sua Excelência o Governador e Comandante-Chefe, após batimento de zona pela Artilharia da LDG e da FAP.

Paralelamente aqueles agrupamentos atravessam as regiões de PTA LUIS DIAS e TUBACUTA.

Actuaram em apoio, o agrupamento «AZUL» (CART 3494 mais 02 GRCOMB da CCAÇ 12), agrupamento «AMARELO» (GEMIL’s 309 e 310), agrupamento «PRETO» (CCAÇ 3490) -)), agrupamento «VERDE» (CCP 123); 01 parelha de FIAT’s de BISSAU, 01 parelha de T-6, 02 Helicópteros e 01 Heli-Canhão (BAMBADINCA).

Foram recolhidos 32 elementos da população, aprendida documentação e material de secundária importância e destruídas várias tabancas. As NT sofreram 10 evacuados por cansaço, insolação e desidratação.

«Morteiro 81» XIME - A pose do Sousa de Castro - 1972

Março:
- Excluindo a actividade habitual, há a realçar:

- Operação «DESFILE FESTIVO» em 14 e 15MAR72, executada por 03 GRCOMB da CCAÇ 12, 02 da CART 3494, 01 (+) da CART 2715, 02 da CART 3493, PEL CAÇ NAT 52 (-), PEL CAÇ NAT 54, GEMIL’s 309 e 310, PEL’s MIL 241, 242, 243, nas regiões de BAMBADINCA, MATO CÃO, ENXALÉ, XIME, PTA COLI e MANSAMBO.
Não se verificaram vestígios ou contactos IN.

Abril:
- O quadro operacional conteve-se nos mesmos moldes, salientando:

- Operação «PROTEGE RODOVIA» de 07 a 08ABR72, por 02 GRCOMB da CCAÇ 12, 01 da CART 3494, PEL’s CAÇ NAT 52, 54 e 63, PEL’s MIL 241 e 242 em MATO CÃO, FINETE, DEMBATACO, PTA COLI, GUNDAGUÉ BEAFADA e MADINA COLHIDO.
- Acção «GASPAR 5» em 25MAI72 pela CCAÇ 12 na PTA VARELA.

Foi eliminado o chefe do bigrupo MÁRIO MENDES (Notícia A-2), capturada a sua Kalashnikov», 03 carregadores da mesma e documentos.

b) Conclusões
- A actividade das NT no trimestre foi intensa, positiva e eficiente, apesar do reduzido tempo de comissão passado até ao momento.

(Continua)

Um abraço Amigo,
Sousa de Castro
1º Cabo Radiotelegrafista da CART 3494/BART 3873

Documentos: © Sousa de Castro (2009). Direitos reservados.
___________
Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série em:

9 de Março de 2010 > Guiné 63/74 – P5965: Actividade da CART 3494 do BART 3873 (1): Parte 1 (Sousa de Castro)

Guiné 63/74 - P5985: Os nossos seres, saberes e lazeres (16): Foi bonita a festa, Bilocas! ...Ainda e sempre pões a malta a Toque de Caixa! (Luís Graça)














Capa do 2º álbum, Cruzes, Canhoto,  do grupo musical nortenho, Toque de Caixa. A editora é a Ocarina.  Quinta feira, dia 12, foi apresentado o disco na loja da FNAC Colombo, em Lisboa.  A malta do nosso blogue marcou presença!...

Num próximo poste prometo inserir um pequeno vídeo com a actuação do Grupo, de que o Abílio Machado, o nosso Bilocas, baladeiro-mor de Bambadinca (1970/72), é um dos pais-fundadores... Ele sempre teve um especial talento para identificar e alocar talentos, juntar a diversidade, gerir a complexidade... Do Toque de Caixa pode dizer-se: "Ninguém é perfeito, mas juntos podemos sê-lo!"... É esse o segredo do grupo e do nosso camarada, que sempre foi um homem de múltiplos seres, saberes e lazeres... Estou-lhe a escrever do Porto e tenho pena de ter que me levantar muito cedo, não podendo por isso fazer serão e escrever um poste com outro fôlego e brilhantismo... Do grupo direi que fiquei impressionado com o facto de todos eles e elas tocarem diversos instrumentos, com paixão, rigor, competência... e sobretudo de terem uma enorme alegria em palco!... Bravo, Bilocas! Bravo, malta do Toque de Caixa!


Toque de Caixa: Em primeiro plano, o Miguel Teixeira, o actual "chefe da banda" (Voz, Guitarras, Rajão, Cuatro, Timple, Flauta, Sansula, Bodrham, Adufe, Percussões)... É o homem da produção, direcção musical e arranjos...


Toque de Caixa:  Em primeiro plano, Horácio Marques (Guitarras, Viola Braguesa, Percussões Várias)...Em terceiro plano, Fernando Figueiredo (Baixo Acústico e Eléctrico)



Toque de Caixa: Emanuel Sousa (Violino, Bandolim, Voz, Concertina, Percussões Várias), Albertina Canastra (Acordeão, Melódica) e Teresa Paiva...




Toque de Caixa: Pedro Cunha (Pianos, Sintetizador)

Toque de Caixa: Em prirmeiro plano o Abílio e, a seu lado, o Tiago Soares,outro homem dos sete instrumentos (Adufe, Caixa, Timbalão,  etc.)

Toque de Caixa: A Teresa Paiva (Flautas, Tin Wistle, Gaita de Foles) e o Abílio Machado (Voz, Adufe, Outras Percussões)... Dois elementos do grupo original, cuja origem remonta a 1985/86...

O Abílio Machado com o ex-Alf Mil Sapador Luis R. Moreira (hoje reformado como professor do ensino secundário) e Júlio Campos, ex-Fur Mil Sapador, ambos da CCS / BART 2917... O Júlio, de rendição individual, chegará a Bambadinca em, Março de 1971, quando a malta da CCAÇ 12 faziam as maltas, aguardando o respectivo periquito


Em primeiro plano, o Humberto Reis, a Alice Carneiro... Na segunda fila, vê-se o Luis R. Moreira (CCS / BART 2917, Bambadinca, 1970/71, tal como o Abílio; gravemente ferido em mina A/C no dia 13 de Janeiro de 1971, tal como o António Marques, da CCAÇ 12) e o GG - Gabriel Gonçalves (ex-1º Cabo Cripto, CCAÇ 12, 1969/71, baladeiro de Bambadinca, tal como o Abílio)


Uma agradável surpresa foi a presença do meu querido amigo e camarada António Marques (ex-Fur Mil CCAÇ 12) e esposa...


Uma grande alegria para o Abílio foi reencontrar em Lisboa, pela minha mão, um antigo colega de trabalho, da indústria farmacêutica, o José V. Oliveira (que veio acompanhado da esposa, Conceição; um casal nosso amigo, meu e da Alice).


Fotos e texto: © Luís Graça (2010). Direitos reservados

Guiné 63/74 - P5984: Viagem à volta das minhas memórias (Luís Faria) (26): Teixeira Pinto, Julho de 1971, no pico da época das chuvas

1. Mensagem de Luís Faria (ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 2791, Bula e Teixeira Pinto, 1970/72), com data de 9 de Março de 2010:

Amigo Carlos Vinhal
Mais umas linhas para “Viagem à volta das minhas memórias”, que publicarás se assim o entenderes. Como sempre são “slides” que não se apagaram e de quando em vez se me projectam.

Um grande abraço para ti.
Um outro para a Tertúlia, que tem andado bastante calma e um tanto… intelectualizada!?
Luís Faria


Viagem à volta das minhas memórias (26)
Teixeira Pinto – Julho 71

Estávamos a entrar no pico da época das chuvas.


Recordo toda aquela canícula húmida que nos fazia destilar quase em permanência um suor que nos escorria pelo corpo, ensopava as roupas e por vezes nos toldava a visão como se de uma cascata se tratasse. Agarrava-se-nos ao corpo tornando-o peganhento q.b. e causava uma sensação desagradável de pele arrepanhada quando secava, nos colava as pálpebras e tapava os poros, fazendo-nos sentir pequenas picadas incomodativas que nos faziam desejar um belo banho ou uma boa chuvada que funcionasse como “chuveiro” e nos permitisse um “esfreganço” com o lenço “tropeiro “de 50 cm(?) de lado, que nos permitisse remover aquele melaço atraente a voadores !

Recordo quando as comportas dos céus se abriam ficando escancaradas, ver por vezes pessoal a aproveitar a chuvada que se abatia em grossas bátegas e tomar banho, muitas vezes de sabão e tudo!! Era bem melhor que o fazer de bidão e lata!! Aborrecido era quando o dilúvio se acabava sem contarmos e sabão ficava colado ao corpo!!

Recordo o andar em “perseguição”ou em “fuga” das chuvadas, uns tantos centímetros atrás ou à frente; dos arabescos escritos pelos relâmpagos na noite que criavam fantasmagóricos dançares da vegetação na mata que nos confundiam e nos faziam ver o inexistente; do ribombar dos trovões que em proximidade mais pareciam o troar de armas apocalípticas!

Recordo a voragem vampiresca da mosquitagem anafada, que conseguia pôr os nervos de qualquer um à flor da pele e que a mim, não fora o zumbido, pouco ou nada afectavam ; nesta zona (em Bula não senti) havia uma outra espécie de mosquitos pequeníssimos, (similar ao nosso mosquito da lenha(?)) que só encontrei na mata quando chovia e que, para alem do seu “zunir” enervante, se entranhava por toda e qualquer nesga aberta na roupagem parecendo que a furava, conseguia penetrar os abafos (cachecóis de rede) desferindo “ferradelas” causticas, mais parecendo mini queimadelas. Era tenebroso quando se emaranhavam nos cabelos e atacavam o couro cabeludo!!! Estes sim, afectavam-me verdadeiramente! Eram aos “milhões” naquelas noites chuvosas nas matas, interferindo na segurança!!!

Recordo as matas verdejantes do Balanguerês que palmilhei vezes sem conta e do Burné, onde para além de zonas arbustivas intrincadas e plantas de folhas (?) espinhosas que nos rasgavam a carne, havia os espaços viçosos e paradisíacos, convidativos a uma inviável boa soneca deitados num manto verdejante por debaixo das ramadas dos cajueiros ou afins, ouvindo a algaraviada da passarada com os seus cantares ao desafio - que por vezes servia de música de fundo à cena da passagem expectante e graciosa de uma frágil e elegante gazela que farejava os ares desconfiada, ou ao rastejar ou dormitar de uma qualquer cobra de grosso porte (surucucu ?) - e interrompido por um debandar repentino causado pelo nosso avistamento ou qualquer ruído mais forte por nós produzido, o que nos podia trazer consequências más !

Na mata, eram momentos em comunhão como estes que me faziam por vezes pensar no que andava ali a fazer, me aligeiravam a tensão e me faziam acreditar que o futuro podia não ser só o momento seguinte!

Luís Faria
__________

Nota de CV:

Vd. último poste da série de 8 de Fevereiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5784: Viagem à volta das minhas memórias (Luís Faria) (25): O Puto não me largava

sexta-feira, 12 de março de 2010

Guiné 63/74 - P5983: O mundo é pequeno e a nossa Tabanca... é grande (22): As voltas que o mundo dá, graças a um blogue que congrega uma diáspora de combatentes (Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 8 de Março de 2010:

Queridos amigos,
Entrei no blogue depois de prometer ao Luís Graça que ia escrever toda a minha comissão em folhetim.
Está dito e confirmado na introdução do primeiro volume "Na Terra dos Soncó". Depois nunca mais parei, e ainda bem. Gente que desconhecia, aqui me tem batido à porta.

Foi graças ao blogue que cheguei à fala com o Henrique Matos Francisco, 1.º Comandante do Pel Caç Nat 52. Em Missirá, naqueles idos de Agosto de 1968, os soldados falavam-me de Luís Zagalo Matos, um dos seus heróis, era o seu irã. Escrevi-lhe, pedi-lhe fotografias para as fazer chegar aos soldados de Missirá, mas também aos Soncó e aos Mané.

Com a publicação dos livros, vieram outros contactos. Por exemplo, o João Crisóstomo, alferes da CCaç 1439, estavam no Enxalé quando aqui chegou o Pel Caç Nat 52, fizeram a recruta entre Janeiro e Agosto de 1966, em Bolama, com o Henrique e os furriéis partiram para o Enxalé, ao tempo sede da companhia, que tinha pelotões destacados em Porto Gole e Missirá (Finete era um destacamento com um pelotão de milícias). O João Crisóstomo vive em Nova Iorque, o nosso país tem com ele uma dívida incomensurável (os principais jornais dos EUA, as grandes cadeias de televisão, apoiaram-no na defesa do povo de Timor e na preservação do património de Foz Coa, por exemplo), há uns tempos pediu-me notícias do Zagalo, acabámos por ir os dois visitá-lo na Casa do Artista, onde ele vive muito debilitado, depois de um tremendo AVC. E parti com ele para um encontro da CCaç 1439, a que se juntou algum Pel Caç Nat 52. Este encontro teve lugar em Coruche, no passado Sábado. Não escondi ao João Crisóstomo nem aos presentes que era para mim muito importante reconstituir estes nexos, em A Viagem do Tangomau (um livro que estou a organizar e que se irá centrar na Guiné que mudou a minha vida) esta história do Pel Caç Nat 52 será reconstituída no que me for possível.

O almoço** foi um turbilhão de surpresas. Fiquei ao lado do Jorge Rosales, foi ele quem em Bolama preparou os soldados do Pel Caç Nat 52. Fiquei em frente do João Neto Vaz, um dos furriéis do Pel Caç Nat 52 que ao fim de 20 meses de comissão apanhou uma senhora porrada e foi despachado para Catacunda, na região de Geba (Bafatá), onde foi capturado e metido numa prisão em Conacri, de onde foi libertado em finais de 1970, como é de todos sabido. Conheci também o Cunha que no dia em que pretendia ir a Bafatá tratar dos papéis para o casório, foi ferido gravemente num joelho, durante uma emboscada entre Xime e Amedalai.

A companhia dos madeirenses entrara na minha vida pelos relatos dos soldados, era um dos meus temas preferidos quando andava de noite pelos postos de sentinela, conversava com eles, enquanto olhávamos para o interior da mata, iluminada a petromax. Esta companhia ficou no Enxalé até Abril de 1967, seguir-se-á a CCaç 1661.

Depois, tudo mudou: Porto Gole passou a depender de Mansoa, Enxalé ficou provisoriamente na tutela do Xime, Missirá tornou-se no corpo estranho de Bambadinca, era a garantia de que as embarcações militares e civis podiam passar em Mato de Cão. No final de 1969, a situação alterou-se com o porto do Xime e o início da construção da estrada para Bambadinca. A CCaç 1439 era para mim uma reminiscência, vi o resto das viaturas desfeitas entre Mato de Cão e Missirá. Chegou o momento de conversarmos e de juntarmos as nossas histórias. Do que gostei mais foi exactamente revivermos as nossas experiências, procurando pontes, falando de gentes, de perigos, da nossa ingenuidade, daqueles que partiram.

É o Henrique Matos Francisco que tem obrigação de fazer o relato para o blogue. Limito-me a lembrar aos tertulianos que o meu mundo mudou graças a esta sociedade em rede onde é possível refazer vínculos, renascer estimas, fazer emergir novos afectos.

Junto algumas fotos do encontro.

Um abraço do
Mário



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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 12 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5980: Notas de leitura (77): Morrer de Vagar, de José Martins Garcia, um contista fabuloso (Beja Santos)

(**) Vd. poste de 10 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5969: Convívios (114): 19º Encontro da CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole, Missirá, 1965/67)

Vd. último poste da série de 9 de Março de 2010 > Guiné 63/74 - P5957: O mundo é pequeno e o nosso blogue... é grande (21): Não é que o Albino Silva é mesmo o moço da Gandra? (Mário Migueis)