sábado, 28 de agosto de 2010

Guiné 63/74 - P6906: O PAIGC de Amílcar Cabral a duas velocidades, na sua terra natal e na terra do seu pai, Cabo Verde (Nelson Herbert)

1. Mensagem do Nelson Herbert [, foto à direita,] com data de 24 do corrente:

Caro "Mais Velho" Rosinha:


Pontualmente , em debates, entrevistas, livros - infelizmente alguns apenas com edição o e circulação  em Cabo Verde - alguma luz, ainda que pouca, tem-se dado à história da actividade clandestina do PAIGC nas ilhas caboverdianas..

Obras que retratam em parte, a organização clandestina do PAIGC naquelas ilhas atlanticas.

E esse "Testemunhos de um Combatente", de Pedro Martins, um amigo pessoal e ex-"tarrafalista" , das células do PAIGC em Cabo Verde [ fundador da Associação de Combatentes da Liberdade da Pátria , foto à esquerda, cortesia  de A Semana, ] é por sinal um dos incontornáveis livros para o« entendimento do então "fosso", existente entre as acções do PAIGC de Amílcar Cabral, em "Conacri", nas matas e nos centros urbanos da Guiné ...e nas ilhas de Cabo Verde. 

Uma outra obra recomendável é a do engenheiro Jorge Querido ("Subsídios Para a História Da Nossa Luta De Libertação"). Jorge Querido foi por sinal o responsável pelas actividades e acções clandestinas do PAIGC em Cabo Verde.

Da leitura de um conjunto de testemunhos / livros -alguns pouco conhecidos fora do arquipélago -provavelmente [os mais importantes] os dois casos aqui referenciados, fica-se com a ideia da então "desfasagem" de engajamento do PAIGC, na Guiné e em Cabo Verde.

Alias, são sobejamente conhecidas as críticas de que Cabral era alvo, quando e sempre em causa estivesse... o peso do partido, num e outro território então sob domínio colonial.

Terão as balas disparadas na Guiné (tal como defendia Amilcar Cabral) tido o seu "quinhão" de impacto no processo emancipador e de libertação de Cabo Verde ?

Será essa porventura a percepção dos nacionalistas das células clandestinas do PAIGC naquele arquipélago ?

Daí a minha sugestão "bibliográfica" !

Mantenhas

Nelson Herbert

USA

Guiné 63/74 - P6905: Parabéns a você (145 ): Um rodada de ternura para o nosso Gato Preto José Corceiro, em férias na Madeira



O José Corceiro aqui, menino de sua mãe, em 24 de Junho de 1948, aos dez meses de idade, na sua terra natal, Sabugal, distrito da Guarda. No TO da Guiné, viria ser 1.º Cabo Trms, CCaç 5 - Gatos Pretos , Canjadude, 1969/71.

Foto (editada por L.G.): © José Corceiro (2010). Todos os direitos reservados.




O José Corceiro (ex-1.º Cabo Trms, CCaç 5 - Gatos Pretos, Canjadude, 1969/71) faz hoje anos, 63, pelo que tem direito a rancho melhorado, a tratamento VIP e outras pequenas mordomias... virtuais. (*)

Embora ele esteja (suponho que ainda) de férias na Madeira, não deixará de nos ler e de receber, com agrado, os votos de parabéns que esta já vasta comunidade virtual de amigos e camaradas da Guiné lhe manda à velocidade da luz.

Ainda não o tive o prazer de o conhecer pessoalmente, o que é só uma questão de tempo, tanto mais que ele vive em Lisboa, embora beirão de nascimento. Um dia destes isso vai acontecer muito naturalmente. Até lá continuo/continuaremos a ler as suas histórias e ver as suas fotos dos Gatos Pretosm  de Canjadude, justamente da mesma época em que eu estive noutra companhia africana, a CCAÇ 12 (1969/71), na outra ponta da zona leste (Bambadinca).

Em 24 de Junho p.p., passámos a conhecê-lo um pouco melhor na sua intimidade: ele, discretamente feliz, dava-nos a notícia de ter sido avô, pela segunda vez... Aproveitou para homenagem, com o talento literário e a sensibilidade que todos lhe reconhecem, a sua saudosa mãe e a nova mulher que acabava de entrar na família:

"Aproveito para homenagear, singelamente, a mulher que foi a minha Mãe na minha vida e dizer-lhe que, embora nos tenha deixado, continuo a sentir-me ao seu colo adorado e protector. Saúdo a minha netinha Laura, desejando-lhe uma vida graciosa e risonha, assim como não esqueço as outras mulheres da minha vida, às quais desejo tudo de bom". 

Para justificar o gesto e o seu registo, intimista,  perante os mais puros e duros guerreiros da nossa Tabanca Grande, eu comentei:

"Este é também um blogue de afectos... Um gesto de ternura é sempre algo de irrecusável. E como nós estamos necessitados de ternura, nestes tempos difíceis por que estamos a passar, nós, todos, indivíduos, famílias, comunidades, povo!"... (**).

E já que a ternura (ainda) não paga imposto nem afecta (ou afecta ?) a nossa dívida pública nem a nossa balança de pagamentos, aqui vai uma rodada de abraços, beijinhos e chicorações para o Gato Preto Corceiro, em nome da malta toda da Tabanca Grande, reunida sob o poilão da amizade, da camaradagem e da solidariedade. E bom regresso de férias na Madeira...

Luís Graça, Candoz, Paredes de Viadores, 28/8/2010.

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Notas de L.G.

(ª) Último poste da série > 27 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6902: Parabéns a você (144): Jaime Machado, exc-Alf Mil Cav, Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, 1968/70) e actual presidente do Lions Clube Senhora da Hora, Matosinhos

(**) 24 de Junho de 2010 > Guiné 63/74 - P6641: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (22): José Corceiro, um bom filho, um melhor pai, um avô babado

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Guiné 63/74 - P6904: Blogoterapia (156): Luís, guardo o teu número de telefone para um dia! (Renato Monteiro)

1. Mensagem, com data de 6 do corrente,  de Renato Monteiro, o famoso homem da piroga, hoje um homem de olhares e de fotografares:


Assunto: Eu me confesso

Meu Amigo Luís Graça


Sou um tremendo egoísta, o que será pior do que muitas doenças... Estou-te sempre grato e desde há muito que não tenho uma palavra para ti! O que faço é adiar, adiar o telefonema, a mensagem, até a visita surpresa, sobretudo, quando me desloco até Peniche e passo duas vezes pela Lourinhã, imaginando perguntar-te se estarás disponível para um copo! Olha que a Guida pode testemunhar o que digo, lamentando ela que raramente concretize o desejo de rever amigos, relembrar histórias comuns, fazer o balanço dos últimos dias....

Não vou, amigo Luís, chamar as desculpas em que me escudo para não dar sinais de mim. Como diz o Abílio (*), a memória não sendo já o que foi, deveria ser reavivada! Crê, apesar de tudo, que penso em ti, sempre como um camarada, grande amigo! (**)

Em Agosto, conto ficar por Lisboa, salvo umas andanças solitárias que penso fazer, na última semana do mês, pela orla do Tejo, desde Vila Velha de Ródão até ao Cais das Colunas! (***)

Guardo o teu número de telefone para um dia!

Um grande abraço!

Renato


2. Comentário de L.G.:

Meu querido timoneiro de pirogas do Rio Geba em Contuboel: De ti, que hoje já és um fotoandarilho com (re)nome na praça, não posso exigir nada... Nada do teu tempo, das 24 horas do teu dia, contadas em grãos de areia na ampulheta... Quem fez a guerra e a Guiné, além da carreira de professor, tem um enorme sentimento de urgência: tanto tempo que nos roubaram, meu Deus, tanta(s) vida(s) para viver, como diria o meu amigo e camarada Virgínio Briote!... Sei que és homem de paixões, de grandes causas... Esta última, a dos fotografares, é mesmo uma grande paixão!... Espero, no mínimo, encontrar-te na próxima exposição ou no lançamento do teu próximo álbum. Acredita que ficarei zangado se não me convidares... Em contrapartida, sei que não me zangarei, por que nesse dia terás à mão de semear o meu número de telefone... O telefone dos meus amigos, dos grandes amigos, é para se usar, com parcimónia é certo, mas de preferência nas grandes ocasiões! Não imaginas quanto foi bom saber de ti! De Candoz, com um Alfa Bravo  muito especial. A partir de 6 de Setembro, estarei no sítio do costume, perto de ti. O meu fixo é o 21751 2193 (gabinete de trabalho). Luís


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Notas de L.G.:
(***) Vd. blogue do fotógrafo Renato Monteiro > Fotografares (Por respeito à propriedade intelectual, não reproduzo aqui nenhuma das recentes, belíssimas, fotos, a preto e branco, que o meu amigo tem andado a tirar à Beira Tejo, esse rio que é, de facto, o maior (mas não o mais belo da nossa aldeia, como diria o Alberto Caeiro... Façam o favor de vir visitar o blogue do nosso camarada que, não por acaso, nasceu no Porto, em 1946).

Guiné 63/74 - P6903: Tabanca Grande (239): Abílio Duarte, ex-Fur Mil Art, CART 11 (Contuboel e Lamego, 1969/70)










Fotos do Pelotão do Fur Mil Art Abílio Duarte, CART 11 (Contuboel e Nova Lamego, 1969/70)... O Sold Aladje Silá foi um dos mortos da companhia que se formou, em Contuboel, na mesma altura da minha CCAÇ 12. (LG)

Fotos: Abílio Duarte (2010). Todos os direitos reservados



1. Mensagem do Abílio Duarte, com data de 1 do corrente:

Assunto - CART 11 / CTIG, OS LACRAUS - NOVA LAMEGO E ARREDORES.


Para memória futura, recordando o passado, envio fotos do meu pelotão, da CART 11.

Esta Companhia foi formada por quadros de Portugal e naturais da Guiné, quando o meu Camarada, e Comandante Chefe, Marechal Spínola, era o Governador da Guiné.

Foi constituída por soldados de 2ª  linha, provenientes da evacuação de Madina do Boé, Cheche e Beli, ao sul do Rio Corubal.

Foi dada instrução militar, em Contuboel, donde se formaram duas Companhias de Fulas [, CART 11 e CCAÇ 12,] e um Pelotão de Mandingas, que foi depois enviado para a Zona de Bambadica e Xime.

A nossa Companhia era Comandada, pelo Cap Mil Analido Aniceto Pinto, que muito considero, pois alinhou sempre.

Depois da Formação e Juramento de Bandeira em Bissau, fomos colocados no Leste da Guiné como força de Intervenção subordinada ao Com-Chefe, e depois ao COP 5 de Bafatá.

Durante 14 meses de Operações Militares de toda a espécie, Nomadizações, Colunas , Emboscadas, Segurança na Fronteira com o Senegal, Apoio Logístico no conflito de Buruntuma (Fronteira com a Guiné-Conakri) e Apoio no Deslocamento de Rebeldes de Nova Lamego até à Fronteira com a Guiné, para o Golpe de Estado contra Sekou Touré [, Op Mar Verde], tudo foi feito com dignidade e HONRA.

CUMPRIMOS O NOSSO MANDATO!

A minha maior mágoa é hoje, passados 40 ANOS, não poder fazer nada por aqueles que me acompanharam e me apoiaram, longe da minha casa e da minha família, e terem sido abandonados pelo Governo Português, depois do 25 de Abril.

O que é que o Ramalho Eanes, Vasco Lourenço, Carlos Fabião, Carlos Azeredo e outros Heróis do 25 Abril fizeram por aqueles HOMENS, QUE JURARAM A NOSSA BANDEIRA E LUTARAM PELA MINHA PÁTRIA, e foram abandonados? E que tão bem estão, aqueles, na vida…

Os outros Fulas e Mandingas, que vestiram uma Farda igual, não mereciam tanto desprezo e esquecimento.

Hoje vemos,  no nosso País, tantos emigrantes com todas as regalias sociais, e aqueles que estiveram ao nosso lado foram abandonados, depois de terem dado [frase incompleta: o seu melhor]


2. Mensagem enviada ao Abilío, a 2, pelo L.G.:


Obrigado pelo teu mail. Vamos publicar a tua mensagem, mas antes precisamos que nos mandes as fotos, que não vieram em anexo.

Depois quero convidar-te, pessoalmente, a integrar o nosso blogue... Formamos uma Tabanca Grande (*)  já do tamanho de um batalhão... Presumo que  sejas de 1969/71... Se sim, estivemos juntos em Contuboel, entre Junho e Julho de 1969... Eu era o Furriel Henriques, da CCAÇ 2590 / CCAÇ 12...

Desse tempo, e também da tua companhia (mais tarde, CART 11, e depois CCAÇ 11...) fazia parte o meu amigo Furriel Renato Monteiro (**), que acabou por apanhar uma "porrada” e foi parar ao Xime e Enxalé... (Tens uma foto dele comigo, no Rio Geba, em Contuboel, a andar de piroga; dedica-a se à fotografia, tem feito várias exposições e publicado álbuns; reformou-se recentemente como professor do ensino secundário)

Diz-me qual era o teu posto, por onde andaste, em que época... E já agora, onde vives... Manda também duas fotos tuas, uma antiga e outra actual, para a nossa ...

Um Alfa Bravo (ABraço), camarada!

Luís Graça

3. Resposta imediata do Abílio:

Luís Graça:

Agradeço o teu mail. Em anexo envio as fotos que não te chegaram.

Estive na Guiné, entre Fev 69 e Dez 70, era Fur Mil Art (com a especialidade de Minas e Armadilhas). Como referi no mail anterior, estive a dar recruta e formação em Contuboel aos soldados que mais tarde iriam formar a CART 11, a CCAÇ 12, e um Pelotão de Mandingas.

A história da formação deste pelotão demonstrou na altura, como era a nossa ignorância em relação aos grupos étnicos daquele território.

Pelo que me dizes devemos ter estado juntos em Contuboel. Lembro-me da vossa chegada, para tomar conta dos soldados que não ficaram connosco, mas já passaram 40 anos, e a memória está mais fraca.

Percorremos todo o Leste da Guiné, e alguns Kms no Senegal. Recordo-me muito bem do Renato Monteiro (**), pois estivemos juntos muito tempo desde Vendas Novas, até Piche, onde assisti ao processo que levou à sua despromoção, e voltei a vê-lo no Xime e em Bambadica. Espero que esteja bem.

Sou casado tenho dois filhos e uma neta. Fui Empregado Bancário mas estou reformado. Vivo na Amadora.

Muito gosto em participar estas memórias convosco, e sempre à v/disposição.

Um Abraço, Abílio Duarte

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Notas de L.G.:
 
(*) Último poste desta série > 24 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6890: Tabanca Grande (238): Joaquim Sabido, ex-Alf Mil da 3.ª CART/BART 6520/73 (Guiné, 1974)
 
(**) Há diversos postes sobre o meu amigo Renato Monteiro, o homem da piroga, ex-Fur Mil da CART 2479, depois CART 11/CCAÇ 11, Contuboel e Piche, 1968/69, e da CART 2520, Xime, 1969. Para saber mais, clicar aqui. A CART 11 deu mais tarde origem à CCAÇ 11 (que estava em Paunca aquando da transferência de soberania).

Guiné 63/74 - P6902: Parabéns a você (144): Jaime Machado, exc-Alf Mil Cav, Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, 1968/70) e actual presidente do Lions Clube Senhora da Hora, Matosinhos


Foto recente do Jaime Machado (à esquerda), presidente do Lions Clube da Senhora da Hora,Matosinhos... Cerimónia de entrega,  no Centro de Saúde de Leça da Palmeira, em 6 de Junho p.p., pela Sra. Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge (à direita, com o presidente da Câmara Municipal de Matosinhos), de 4 viaturas para apoio aos cuidados domiciliários (*)... Os Lions Clubs são  uma rede, internacional de prestação de serviços, com carácter voluntário e humanitário.




Foto: Lions Clube Senhora da Hora (com a devida vénia...)



1. Apesar de os nossos editores estarem de férias (incluindo o nosso cartoonistas Miguel Pessoa), nem por isso deixamos de celebrar o dia de anos do Jaime Machado, ex-Alf Mil Cav, Pel Rec Daimler 2046, Bambadinca, 1968/70, que recentemente, em Abril, voltou à Guiné em romagem de saudade e nos deixou um belo e emcionado testemunho dos seus reeencontros através da exposição fotográfica Guiné Bissau 40 fotos 40 anos,que esteve patente em maio último na sua terra, Senhora da Hora, matosinhos. 


O Jaime é também o actual presidente do Lions Clube Senhora da hora, associação de solidariedade para a qual reverteu o dinheiro resultante da venda das fotos... tivemos o privilégio de ver muitas dessas magníficas fotos, em formato grande, no palace hotel, monte real, por ocasião do nosso v encontro nacional, em 26 de junho último.

No Lions Clube, o Jaime é responsável, entre outros programas de solidarieddae, pelo BCAF - Banco Alimentar Contra a Fome e o PCAAC - Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados.

O Jaime, que está connosco há dois anos, é um entusiasta do nosso blogue. mas a sua paixão mais recente é o seu neto. 

Para ti, meu camarada de Bambadinca, e para a tua família vai daqui um abraço muito especial. Estou em Candoz, e para mais com amigos e familiares que são teus vizinhos, da Senhora da Hora, de Leça, de Guifões... Que tenhas um belo dia, e sobretudo muita saúde e longa vida, são os votos (telegráficos) de todos os camaradas e amigos da Guiné. Bons sucessos, igualmente, no cumprimento do teu programa lionístico"Solidariedade Sem  Fronteiras". (**)

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Notas de L.G.:


(*) Transcrição, com a devida vénia, de notícia inserida no blogue do  Lions Clube Senhora da Hora > Quinta-feira, 10 de junho de 2010

SAÚDE - APOIO DOMICILIÁRIO

O Lions Clube da Senhora da Hora participou no passado dia 6, no Centro de Saúde de Leça da Palmeira, num evento em que a Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, entregou quatro viaturas de apoio domiuciliário.

Os veículos foram distribuídos aos Centros de Saúde da Senhora da Hora, S. Mamede de Infesta, Leça da Palmeira e Matosinhos.

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos ( ULSM ) pretende que os doentes cada vez mais deixem de estar sujeitos ao ambiente hospitalar e que, sempre que não seja posta em causa a saúde dos utentes, o doente seja apoiado por uma equipa de técnicos de saúde no seu domicílio.

O Dr. Torcato Santos, director da ULSM, referiu, em conversa com o nosso CL Jaime Machado, estar convencido que esta estratégia é a melhor para o doente.

O Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Gulherme Pinto, referiu no seu discurso que o nosso Serviço Nacional de Saúde é reconhecido como sendo um dos melhores, e fez um repto à Ministra Ana Jorge para não deixar que o direito à saúde seja negado aos Portugueses, pedindo-lhe que garanta na Saúde uma sociedade inclusiva e solidária.

A Ministra da Saúde referiu ser este um exemplo a seguir no SNS. Os cuidados que devemos aos doentes podem ser melhorados e, se pudermos continuar a garantir um bom tratamento no domicílio, criando assim vagas nos hospitais para os casos que realmente têm de ser lá tratados, es
taremos no bom caminho.


Mais uma vez o Lions Clube da Senhora da Hora esteve presente numa acção de carácter social.





(**) Último poste desta série >  24 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6891: Parabéns a você (143): António Fernando Marques, ex-Fur Mil da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71) (Editores)

Guiné 63/74 - P6901: José Corceiro na CCAÇ 5 (16): O depoimento do Armando Oliveira Alves, ex-Alf Mil, Brá, Cheche, Canjadude, 1967/69 (José Corceiro)


1. O nosso Camarada José Corceiro (ex-1.º Cabo TRMS, CCaç 5 - Gatos Pretos, Canjadude, 1969/71), enviou-nos a seguinte mensagem com data de 26 de Agosto de 2010:

Camaradas,

Estou de férias na Madeira, mas não deixo de dar uma espreitadela à caixa de correio electrónico. Hoje recebi uma mensagem do nosso estimado Gato Preto, Armando Oliveira Alves, ex-Alferes Miliciano 1967/69, que tenho a certeza que tem muitas estórias, enquanto Gato Preto, para nos contar, pois foi testemunha de muitos factos que aconteceram na picada entre Canjadude e Cheche onde esteve destacado largos meses.

Na mensagem que enviou, diz que provavelmente no próximo Domingo, dia 29 de Agosto, o Correio da Manhã na revista Domingo que acompanha o Jornal, publicará na rubrica “A Minha Guerra” o artigo do Armando Alves.

Teve a gentileza, que agradeço, de me enviar o depoimento que deu origem ao artigo que vai sair na revista, depoimento esse, que eu envio em anexo, para todos os Gatos Pretos e não só.

Os nossos parabéns ao Armando Alves pelo seu depoimento tão articulado e consistente.


A Minha Guerra na CCAÇ 5 (Companhia de Caçadores 5)


1)- Fez parte de que Batalhão?

Concluído, na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, no 1º trimestre de 1967, o Curso de Oficiais Milicianos e após ministrar uma recruta no Regimento de Infantaria de Viseu (RI 14), fui mobilizado, em Junho desse ano, para uma comissão de serviço na Guiné-Bissau, em rendição individual.
Assim, nos primeiros dias de Agosto (não consigo precisar o dia) embarquei, no Cais de Alcântara, no navio Alfredo da Silva (embarcação mista de passageiros e carga).

2)- Quando é que chegou?

Apesar de alguns enjoos, a viagem correu sem sobressaltos, tendo o navio feito escala nos portos das cidades do Funchal, S. Vicente e Praia. Durante o percurso, impressionou-me, negativamente, a forma como iam instalados os soldados: amontoados no porão, sem quaisquer comodidades e sem as condições de higiene, minimamente, exigíveis. Volvidos, mais ou menos, doze dias, o barco atracou no Porto de Bissau, em pleno estuário do rio Geba.

3)- Soube logo para onde ia?

Como ia em rendição individual, não fazia a menor ideia em que Unidade seria colocado. À chegada, tinha à minha espera um representante da Companhia Geral de Adidos, posteriormente Depósito Geral de Adidos, que me conduziu, de imediato, ao respectivo Aquartelamento, localizado em Brá, junto ao Aeroporto.

4)- O que sentiu quando chegou?

Ainda a bordo do Alfredo da Silva, tive uma vista panorâmica da cidade, mormente a Avª da República, ao cimo da qual ficava a Praça do Império, onde se localizava o Palácio do Governador. A sensação, que tive ao desembarcar, foi pouco animadora: clima agreste (muito quente e húmido), pobreza acentuada e bem visível, reduzidíssima população branca e um enorme fosso económico e cultural entre nativos e metropolitanos. Embora, à data, a Guiné-Bissau fosse considerada parte integrante de Portugal, ao pisar, pela primeira vez, aquele território senti-me estrangeiro e um intruso.

5)- Como foram os primeiros tempos?

Como atrás referi, fui mobilizado em rendição individual, tendo ido substituir um Alferes Miliciano, de Coimbra, que, quando regressou à Metrópole, desempenhava as funções de Oficial de Justiça na já mencionada Companhia Geral de Adidos. Embora fosse de Infantaria e sem qualquer formação académica no ramo do Direito, julgo que, com muito trabalho, dedicação, consultas e trocas de impressões com camaradas do Quartel-general, desempenhei, durante três meses, com rigor e competência as respectivas funções. Sem quaisquer preconceitos de falsa modéstia, esta minha opinião alicerçou-se no facto do Comandante da Companhia, Sr. Capitão Gândara, ter solicitado, mais do que uma vez, ao Sr. Brigadeiro Reimão Nogueira, do Quartel-general, a minha colocação definitiva na Unidade referenciada, alegando um bom desempenho a todos os níveis.
Neste período, a adaptação foi, relativamente, fácil, pois, para além das agruras do clima e da ausência dos entes queridos, as contrariedades eram diminutas e as privações quase nulas. Chamo a esse período, bem como a outro, após o regresso do mato, “a guerra da caneta”.

Como não foi possível a minha permanência definitiva em Bissau, em Dezembro de 1967 foi colocado na CCAÇ 5 (Companhia de Caçadores 5), uma Unidade militar constituída, essencialmente, por africanos. Apenas os Comandos/Chefias e os postos mais técnicos, como, por exemplo, maqueiros/enfermeiros e radiotelegrafistas, eram exercidos por europeus.
Embarquei num avião Dakota, com bancos em madeira a toda a volta e cujos cintos de segurança eram pequenas correias com fivelas nas pontas. Como era habitual na época, o avião, para além de pessoas, também transportava animais e mercadorias de diversas espécies, o que, diga-se em abono da verdade, não proporcionava o mínimo de conforto. À data, a CCAÇ 5, com sede em Gabu/Nova Lamego, onde funcionavam o Comando e os Serviços, estava dividida em três Destacamentos: Cabuca (localizado na zona de Piche), Canjadude (entre Nova Lamego e o Cheche e futura Sede da Companhia) e Cheche (encostado ao rio Corubal e próximo de Madina de Boé, local onde foi proclamada, pelo PAIGC, a independência do território).

Após alguns dias em Nova Lamego, para adaptação, fui colocado no Destacamento do Cheche, tendo sido, para o efeito, organizada uma coluna militar. Nesta Unidade, brancos eram cinco e negros sessenta (um pelotão de tropa regular e um pelotão de milícias), sem contar com mulheres e filhos. Embora houvesse tabancas, feitas de madeira e capim, as instalações eram subterrâneas (os chamados abrigos), cavadas no solo e com cobertura à base de troncos de madeira.
Vivia-se em estado permanente de alerta, pois, quase diariamente, era fustigado com tiros de morteiro, provenientes da margem esquerda do rio Corubal. Felizmente, o rio, em frente ao Destacamento, era muito largo, pelo que todos os ataques, durante a minha permanência, redundaram em fracasso.
As missões militares, incumbidas ao Destacamento, para além de patrulhamentos na zona envolvente, limitavam-se a patrulhar e a “picar” a estrada em terra até Canjadude, no sentido de detectar, essencialmente, minas anticarro, aquando das colunas de reabastecimento ao Cheche e/ou a Madina do Boé, e a participar, como reforço, nas deslocações a este último Aquartelamento.

6)- Quando voltou?

Após ter cumprido uma comissão de serviço, no mato, de mais ou menos 13 meses, repartida pelo Cheche (+- 11 meses) e por Canjadude (o restante), voltei a Bissau, novamente ao Depósito Geral de Adidos, como responsável pela organização de transportes de regresso dos militares às respectivas Unidades, após internamento hospitalar, consultas externas, tratamentos de fisioterapia, retorno de férias, etc, etc.
Regressei à Metrópole, a bordo do navio Uige, no início de Setembro de 1969, tendo cumprido, na totalidade, uma comissão de serviço de 25 meses.

7)- Qual foi o dia mais marcante? E porquê?

Embora não consiga precisar a data, o dia mais marcante, durante a permanência no teatro de guerra, foi quando assisti ao rebentamento de uma mina anticarro, que tirou a vida ao Sr. Major de Engenharia Pedra (Oficial de Carreira) e a dois Furriéis Milicianos, também de Engenharia, que se deslocavam ao Cheche, já em fim de comissão, para estudar a possibilidade de uma alternativa à jangada de madeira na travessia do rio Corubal. Embora ainda tivessem sido evacuados com vida, mas muito maltratados, acabaram por falecer, a bordo do helicóptero, a caminho do hospital.
Um dos furriéis, com as duas pernas quase desfeitas, enquanto lhe prestava, juntamente com o enfermeiro, apoio, virou-se para mim e suplicou: “Estás a ver o estado em que me encontro! Se és, realmente, meu amigo, peço-te que utilizes a tua arma e põe fim a este sofrimento”!!! Com o coração desfeito e banhado em lágrimas, tentei confortá-lo e incutir-lhe o mínimo de esperança, o que, reconheço, não foi nada fácil. Nestas circunstâncias, um minuto parece uma eternidade!

8)- O que lhe lembra a guerra?

A quarenta e três anos de distância, a lembrança que tenho da guerra é a mesma que tinha, quando fui mobilizado: um autêntico desastre em termos políticos, económicos e sociais. É caso para perguntar: sacrifícios, privações, mortos e deficientes, em larga escala, em prol de quê? Se tivesse havido, desde o início, uma negociação política, ter-se-iam evitado imensos dramas e as pessoas, que consideravam as ex-colónias como a sua pátria, onde nasceram os seus filhos e onde investiram as suas economias, não seriam forçados a regressar, apressadamente, à Metrópole, “com uma mão à frente e outra atrás”, como se costuma dizer. Por outro lado, a juventude da época não teria sido tão castigada e privada dos melhores anos das suas vidas.

9)- Fazem-se irmãos?

Não restam dúvidas que o teatro de guerra proporciona, em larga escala, espírito de união e de entreajuda, fomenta a amizade e a solidariedade. Sem que cada um deixe de assumir as suas responsabilidades, não há superiores nem subordinados, não há pais nem filhos, são todos irmãos, imbuídos do mesmo pensamento: colaboração recíproca, no sentido de ultrapassar, em todas as circunstâncias, as contrariedades, que vão surgindo, por forma a que a comissão de serviço, imposta pelas autoridades governativas, atinja, rapidamente, o seu términus e todos possam regressar em segurança, saúde e paz aos seus lares. Este “sentimento de irmandade” só acaba, quando todos “partirem”, pois, enquanto vivos, procuram conviver, alegremente, uns com os outros, pelo menos uma vez por ano, através de encontros previamente organizados.

10)- Esteve debaixo de fogo?

Infelizmente, mais de uma vez, embora sempre com muita sorte, pois nunca sofri qualquer tipo de ferimento. Há uma situação, que me marcou para toda a vida, não só pelo número de mortos sofrido (20), mas, também, pelas circunstâncias em que ocorreu o ataque/emboscada e pelas consequências que provocou.
Antes da época das chuvas, cujo início ocorria, normalmente, em meados de Maio, programava-se o reabastecimento ao Destacamento do Cheche e ao Aquartelamento de Madina do Boé, pois, durante aquele período, a estrada em terra (picada) ficava intransitável. Assim, nos primeiros dias de Maio de 1968, deu-se início à coluna militar, constituída, ao nível de efectivos, por uma Companhia e por diversas viaturas, incluindo carros de combate. Ao destacamento do Cheche, sob o meu comando, competiu, para além de outras tarefas, “picar” a estrada ao encontro da coluna. A primeira fase, embora, como sempre, debaixo de grande tensão, correu sem sobressaltos. No regresso e a poucos quilómetros do Destacamento do Cheche (+- 6/7), numa grande clareira em forma arredondada e quando a coluna militar se encontrava, totalmente, dentro da mesma, sofreu um ataque violentíssimo, perpretado por um grupo numeroso de guerrilheiros, equipado com material bélico sofisticado, incluindo canhão sem recuo (uma novidade, para a época, em emboscadas). As nossas tropas, face à surpresa e intensidade do ataque, desmembraram-se por completo e, praticamente, não reagiram. Cada combatente, independente do posto e da responsabilidade atribuidos, procurou proteger-se e, na medida do possível, afastar-se “daquele inferno”.
Particularizando, as minhas protecções foram, num primeiro momento, o rodado de uma viatura e, posteriormente, um “bagabaga” (formação fortíssima, de vários metros de altura, resistente à destruição, construída pelas térmitas – formigas tenazes e temidas -, com a argamassa resultante da mastigação, por elas próprias, de madeira, terra, excrementos e saliva). A desorientação foi de tal ordem, que a coluna militar não mais se conseguiu reorganizar, acabando todos os elementos sobreviventes por chegar ao Destacamento do Cheche isoladamente. As viaturas foram incendiadas e o reabastecimento roubado. Para além dos géneros alimentícios, levaram, também, o correio destinado aos militares do Cheche e de Madina do Boé, o que, como se depreende, teve consequências gravíssimas ao nível das suas famílias, pois o PAIGC fez constar que os destinatários da correspondência estavam presos e às suas ordens. A carência de alimentos foi, igualmente, problemática, obrigando, até ser decidida a sua reposição por meios aéreos (sacos largados do ar por avionetas e/ou helicópteros) a recorrer a tudo o que era possível: peixe “pescado” no rio Corubal com granadas ofensivas, pombos verdes “abatidos” com G3 e macacos fidalgos assados no forno, “tipo cabrito”!

11)- A guerra marca para sempre?

Creio que a guerra, em que cada um foi obrigado a participar, marca para sempre, de uma forma mais intensa ou de um modo mais indelével, a vivência de cada interveniente. Julgo que para tal contribuiu, de forma decisiva, a atitude psicológica de cada um, a maneira como conseguiu conviver com as situações mais adversas e o antídoto utilizado para as ultrapassar.

Nota Biográfica: o que fez, faz, idade, percurso profissional. Casado, netos, etc

Nome: Armando de Oliveira Alves
Naturalidade: Fiães – Santa Maria da Feira
Idade: 65 anos (nascido a15 de Agosto de 1944)
Estado Civil: Casado
Filhos: 2. O mais velho, formado em Gestão de Empresas, está radicado em S. Paulo – Brasil e exerce a sua actividade profissional na Empresa Portuguesa Somague Engenharia. O mais novo, formado em Informática de Gestão, também está radicado em S. Paulo – Brasil e exerce a sua actividade profissional na Empresa Americana Logic Information Systems.
Netos: uma menina luso-brasileira, a Beatriz.
Percurso profissional: Antes do serviço militar, fui estudante-trabalhador (funcionário público). Após o regresso do Ultramar, ingressei na Banca, tendo sido reformado, em 2006, com a categoria profissional de Director.

Um abraço e boa saúde para todos. Boas férias.
José Corceiro
1º Cabo TRMS da CCaç 5
___________
Notas de M.R.:

É óbvio que o José Corceiro já falou nesta nossa Tertúlia ao Armando de Oliveira Alves e o convidou a reforçar o “batalhão”, que já conta com mais de 400 Camaradas.

Assim, em nome do Luís Graça & Restantes Camaradas, resta-nos deixar aqui expresso esse mesmo desejo de que, logo que lhe seja possível, o Armando Alves se junte a nós nesta nossa parada virtual, enviando as fotos da praxe, as estórias de que ainda se recorde e, se as tiver, as suas fotografias da tropa.

Por agora ficamos por aqui com um abraço Amigo.

Vd. último poste desta série em:

18 de Julho de 2010 > Guiné 63/74 - P6756: José Corceiro na CCAÇ 5 (15): Canjadude, CCAÇ 5, onde a surpresa acontece

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Guiné 63/74 - P6900: As nossas queridas enfermeiras pára-quedistas (20): Uma foto histórica: as Alferes Arminda e Ivone, em Angola, Negage, Agosto de 1961



Angola > Base de Negage > Agosto de 1961 > As enfermeiras pára-quedistas (*) Arminda e Ivone, em missão de apoio no âmbito de uma operação na Serra da Canda

Foto:  Cortesia de um nosso leitor, devidamente identificado, mas que prefere o anonimato.


1. Um nosso leitor, antigo oficial pára-quedista, perfeitamente identificado perante mim, mas que prefere manter o anonimato, mandou-nos em 30 de Julho p.p., a seguinte mensagem:

Assunto: As nossas queridas enfermeiras

Amigo Luís, reparo agora nesta segunda parte de uma mensagem que te enviei há tempos e que se teria perdido no amontoado de outras com que te assoberbam (presumo...).

Parece-me simpático e adequado ao ambiente homenagear as duas decanas, ilustrando um acontecimento único e que pouca gente conhecerá, pelo que junto agora um testemunho alusivo, da minha amiga Ivone (não sonhada mas de jure):

 "(...) entrámos a 6 de Junho de 1961 e fomos brevetadas a 8 de Agosto. No fim do curso, ficámos umas semanas em Lisboa, para se fazerem as nossas fardas e tratar de toda a papelada porque era a primeira vez que se fazia um curso daqueles.

"Enquanto se faziam as fardas, houve uma operação na serra da Canda e pensaram: Vão duas enfermeiras, para se fazer o teste da sensibilidade dos soldados, para ver como é que eles reagem às mulheres. Eu e a Maria Arminda fomos para Angola, não sabíamos bem para quê, para um teste de integração do meio operacional.

"Fomos no dia 22 de Agosto [de 1961] e no dia seguinte participámos no lançamento de pára-quedistas, numa zona de combate. Ficámos na base aérea, no Negage. Na zona mais próxima da guerra havia sempre um posto de comando, a partir do qual os aviões lançavam os pára-quedistas. Nós aterrávamos na base do comando operacional, onde se comandavam os lançamentos. Não pudemos saltar, estivemos dentro dos aviões enquanto eles saltavam e fazíamos o apoio sanitário porque levámos todo o nosso equipamento. Depois, aterrámos numa determinada zona no Norte de Angola, onde estava o posto operacional de comando, para ver como é que a operação se desenrolava". (...)

Um abraço e desejo de boas férias ...

PS 1 - Repito então...

Par contre (français, han....? que já ninguém fala e é a nossa língua de cultura)... se quiseres publicar, sem referência à origem por favor, esta fotografia histórica de uma Op na Serra da Canda, em Agosto de 1961, onde se vêm, no Negage, as Sras. Alf Arminda e Ivone  - hoje tenente e capitão reformados,  respectivamente.

Mas que conversa é essa das nossas queridas enfermeiras?!   [Há malta que ] parece que  esqueceu a distância que havia e que seria pertinente não aviltar.  Há um limite para a o devaneio e para a lavagem; nem para mim, minhas queridas,  e conhecia-as bem... o respeitinho é uma linda coisa!

Em geral e no mínimo, para não militarizar o ambiente, seria Sra. Dona..., não é?

2. Comentário de L.G.:

Meu caro leitor (anónimo, por vontade expressa):

Os autores de postes ou de fotografias publicadas no nosso blogue são sempre identificados pelo seu nome (excepcionalmente, por pseudónimo, ou iniciais, em caso de razões ponderosas) e são responsáveis pelo que escrevem ou editam. O mesmo acontece com militares ou combatentes, de um lado e de outro, ainda vivos, cujo comportamento possa ser objecto de crítica, por razões criminais, éticas, disciplinares ou outras. Essa é uma regra que quero manter, respeitar e fazer respeitar. No teu caso, levo porém em conta o teu pedido. Fico, porém, na dúvida sobre o autor da foto que, seguramente, não foste tu, já que tanto quanto sei não poderias estar no Negage em Agosto de 1961 (ou poderias ?...).

Quanto à expressão as nossas queridas enfermeiras pára-quedistas, é o título de uma série, cujo primeiro poste remonta a 20 de Fevereiro de 2009 (**)... Não sei, nem me interessa saber se o título da série é da minha autoria: é possível que sim, como muitos outros aqui criados e usados ao longo destes anos... De qualquer modo, o adjectivo "queridas" é frequentemente usado pela antiga malta do Exército que esteve no TO da Guiné e  que, passados estes decénios todos, acha que tem uma dívida de gratidão em relação às primeiras mulheres a fazerem história nas Forças Armadas Portuguesas... 

Elas (e temos pelo menos duas registadas como membros da nossa Tabanca Grande,  a Giselda Pessoa e a Rosa Serra) poderão dizer, melhor do que eu, se o termo, hoje (!),  é ou não aceitável, pertinente, adequado, respeitador, confortável, assertivo... 

De qualquer modo, obrigado pela tua lembrança, que é minha obrigação partilhar com todos/as os/as camaradas e amigos/as da Guiné, incluindo os/as inúmeros/as leitores/as  do nosso blogue que habitualmente não dão (nem têm que dar) a cara (o nome), excepto quando fazem comentários aos nossos postes...  Daqui de Candoz, Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, já em contagem decrescente para o fim das férias, um Alfa Bravo do Luís Graça.

Guiné 63/74 - P6899: Blogando e andando (José Eduardo Oliveira) (10): Revisitando o passado de Alcobaça, dos anos 40, na Tabanca de São Martinho do Porto


São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto (*) > 21 de Agosto de 2010> Da esquerda para a direita, a anfitriã, Clara Scharz da Silva, a mãe do Pepito, tenda a seu lado a Sra. Levy Ribeiro (sogra do Pepito, mãe da Isabel) e a Júlia Neto


São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto > 21 de Agosto de 2010> Da esquerda para a direita, António Pimentel, Luís Graça, Zé Teixeira e Manuel Reis...


São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto > 21 de Agosto de 2010> Momento de alegre convívio à volta da mesa e da cachupa da Isabel...




São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto > 21 de Agosto de 2010 >  Manuel Reis, Luís Graça e Xico Allen



São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto > 21 de Agosto de 2010 Da esquerda para a direita >  Pimentel, a Alice e a Isabel



São Martinho do Porto > Casa do Cruzeiro (e, a partir de agora, sede da Tabanca de São Martinho do Porto > 21 de Agosto de 2010> Dois dos netos de que nos falava o Zé Neto, a Leonor e o Afonso... com uma das três filhas da Júlia.... Um ano e poucos meses antes de morrer, o Capitão Zé Neto confiou-me as suas memórias nestes termos: 

8/1/06 > Memórias de Guilege > "Meu caro Luis: Depois de muito meditar cheguei à conclusão de que, pelo menos tu, mereces a minha confiança para partillhar contigo uma parte muito significativa das memórias da minha vida militar.

"São trinta e três páginas retiradas (e ampliadas) das 265 que fui escrevendo ao correr da pena para responder a milhentas perguntas que o meu neto Afonso, um jovem de 17 anos, que pensava que o avô materno andou em África só a matar pretos enquanto que o paterno, médico branco de Angola, matava leões sentado numa esplanada de Nova Lisboa (Huambo). Coisas de família...

"Já cedi este modesto trabalho à AD do Pepito e conto não o fazer mais, por enquanto. É, como já te disse, uma perspectiva um tanto diferente dos relatos do blogue, mas é assim que sei contar as minhas angústias e sucessos. Diz qualquer coisa. Até breve. Um abraço do patriarca Zé Neto”.
A Leonor, por sua vez, mandou-me em 30/5/2007, às 7h29, a triste notícia da morte, esperada, do seu avô. Este funesto evento marcou-a muito, até hoje. "Assunto: Notícias tristes. Caros amigos: É com enorme dor que vos escrevo para comunicar o falecimento do meu querido avô, Zé Neto. Ainda não sei grandes pormenores, pois soube ontem por volta das 23.45h e a minha mãe foi de seguida para casa da minha avó e passou lá a noite. Não sei se me será possível comunicar-vos via e-mail outros detalhes como o velório e funeral, sendo assim deixo-vos o meu contacto telefónico que estará à vossa inteira disposição: 937317762. Um abraço, Leonor".


Fotos: ©  Pepito (2010). Todos os direitos reservados.


1. Texto enviado pelo JERO, com a seguinte nota (**):



Caro Comandante Luís: Votos de boa saúde e renovados agrdecimentos pela tarde de 21 de Agosto último na Tabanca de São Martinho do Porto.

Só para conhecimento remeto em anexo a postagem M 289 do meu blog, que acaba de completar um ano.

Cumprimentos a tua mulher e um grande abraço deste teu incondicional amigo de Alcobaça,
JERO



2. Blogando e andando > Regresso ao passado em de São Martinho do Porto … (***)
por JERO 


Absolutamente por acaso estive em passado recente – 21 de Agosto  – na Casa de férias da família Scharwz da Silva .


A meio da tarde desse dia 21 o Luís Graça , a quem me une uma amizade muito especial por termos sido ex-combatentes da Guiné, telefonou-me por se ter lembrado que eu poderia estar de férias em São Martinho. E acertou.


O Luís é o coordenador de um blogues mais visitadas de Portugal. O seu blogue (Luís Graça & Camaradas da Guiné) teve até ao dia de hoje (25.Agosto.2010) 1.955.885 páginas visitadas!


Estava em São Martinho do Porto com a sua mulher Alice e com diversos amigos ligados à Guiné. Com a Júlia Neto,  viúva do nosso campanheiro Zé Neto (1929-2007), com uma delegação da Tabanca de Matosinhos (Zé Teixeira, António Pimentel e Xico Allen), com Manuel Reis (coordenador da Campanha Angariação de Fundos para a Reconstrução da Capela de Guileje).


Telefonou-me e ao grupo juntou-se o JERO.


Mais tarde – e continuo a aproveitar a postagem 6882 do Luís Graça no seu blog – apareceu o Teco, acompanhado da esposa .O Teco, natural de Angola, de seu nome Alberto Pires, foi Furriel Miliciano  na CCAÇ 726, a primeira subunidade a ocupar Guileje em 1964...


Do lado dos donos da casa , estava a matriarca, Clara Schwarz, a nossa 'tabanqueira' com a bonita idade de 95 anos, o seu filho Carlos (Pepito), a esposa, Isabel Levy Ribeiro, e a mãe desta... A Isabel ofereceu-nos uma deliciosa cachupa...


O Pepito estava à espera de um batalhão, ficou decepcionado ao ver apenas meia dúzia de gatos pingados... que o JERO e o Teco reforçaram já a meio da tarde


Continua o Luís Graça em relação a Clara Schwarz «…Que o diga o JERO, que esteve com ela a lembrar coisas da década de 40, quando Alcobaça (e o resto de Portugal) receberam jovens refugiados austríacos...».


Aqui entro eu.


Para meu espanto,  a Dª.Clara e o seu marido, o advogado Artur Augusto Silva, tinham residido em Alcobaça na década de 1940, antes do casal partir para a Guiné em 1949. Mais exactamente entre 1945 e 1949. A Dª. Clara Schwartz tentou-me explicar onde então moravam em Alcobaça mas não deu para entender.


Mas lembrava-se de muita coisa desses velhos tempos ...


Tinham sido amigos pessoais e visitas de casa do Pintor Luciano Santos, de quem fiquei de lhe arranjar um catálogo. Já o encontrei entretanto (é de 1993) e cabe aqui deixar uma pequena nota para recordar quem foi este extraordinário pintor,  alcobacense por casamento.


Luciano Pereira dos Santos [. foto à esquerda, ] nasceu em Setúbal, a 25 de Março de 1911.  Faleceu em Lisboa com 95 anos em 12 de Dezembro de 2006.


Num texto escrito há mais de 50 anos, António Ferro, Director do Secretariado Nacional de Informação (SNI),  pode ler-se sobre o pintor setubalense:

“Há pintores que são modernos (moderno, para mim, significa a verdade que parece mentira…) por simples temperamento; alguns por fria razão intelectual; outros por moda ou snobismo; outros ainda por deficiência de recursos técnicos que não conseguem mascarar com o seu falso vanguardismo; certos, finalmente (às vezes nem sabem nem querem saber que são modernos), por motivos de ordem poética, porque os seres e as coisas, para eles, têm sempre um halo que as transfigura…Luciano pertence, a meu ver, a esta última categoria de pintores.”


Depois saltámos… para advogados do tempo do seu marido Artur Augusto Silva. Recordava-se do Dr. Pinna Cabral e de uma paixão complicada de uma sua familiar próxima ,que muito agitou a sociedade do seu tempo na então pacata vila de Alcobaça.


Já entretanto o Luís Graça me tinha contado da sua ascendência judaico-polaca e da perda de muitos familiares em campos de concentração nazis.

Saiu de Portugal em finais de 1949 devido a perseguições políticas que o seu marido foi alvo por ter defendido alguns prisioneiros do Tarrafal.


Confirmámos na Net (Irene Pimentel, sobre alguns dados sobre o campo de concentração do Tarrafal) que «…terminada a guerra com a derrota dos nazi-fascistas e o desmantelamento dos campos de concentração e de extermínio nazis, descobertos pela opinião pública, e sob o efeito de fortes pressões internacionais, o governo (português) promulgou uma amnistia, que levou à libertação de 110 presos no Tarrafal, onde permaneceram cerca de 52 detidos políticos, entre os quais se contavam os ex-marinheiros da Revolta de 1936.»


Clara Schwarz tem do seu casamento e dos 25 anos que passou na Guiné as melhores recordações. Em Bissau, a Dra. Clara foi professora no Liceu Honório Barreto.


Mas voltando um bocadinho atrás e ao início da nossa conversa em que recordámos acontecimentos da década de 40, para recupera a sua memória sobre os jovens refugiados austríacos que Alcobaça (e o resto de Portugal) então receberam.


Mal a dona da “Casa do Cruzeiro” [, imagem à esquerda, ] referiu os miúdos austríacos lembrei-me (com emoção) do Hans e do Helmutt com quem tinha brincado numa casa da família Raposo Magalhães, que ficava na esquina da Rua Vasco da Gama com a Rua Afonso de Albuquerque, onde moravam os meus pais e avós.”Vi” à distância no tempo dois miúdos altos, que usavam calções compridos.


Clara Schwarz, que fala alemão, descreveu-me ainda uma menina confiada a uma família dos arredores de Alcobaça (Vestiaria???) ,que vivia com muitas dificuldades devido aos fracos recursos da sua família de acolhimento. Essa menina – de que eu não me recordo – veio mais tarde a ser confiada à família de um médico de Alcobaça – Dr. Nascimento e Sousa.


Para complementar esta memória do passado recuperámos parcialmente um texto de FERNANDO MADAÍL (17 Maio 2008):


«Em 1950, centenas de órfãos que viviam em campos de refugiados na Áustria vinham passar mais uma temporada a Portugal. Aquelas crianças austríacas tinham um 'aspecto miserável'  e a 'saúde abalada'. Até parecia que em Portugal não havia imensos miúdos pobres nas mesmas condições.

" 'Mais uma revoada de crianças estrangeiras, vítimas inocentes da guerra, chegaram ontem ao Tejo, no [barco] Mouzinho, para serem confiadas à protecção e carinho de famílias portuguesas', noticiava o DN de 3 de Maio de 1950. 'São 278 meninas e 894 rapazes, de 5 a 13 anos, com os quais se completa o número de 5 500 crianças que, por turnos, durante três anos e meio, vieram gozar férias no nosso país por iniciativa da Cáritas (...)."
Estão passados cerca de sessenta anos…


Para não alongar mais esta ” memória” salientamos a extraordinária lucidez, cultura e sensibilidade da nossa anfitriã, Clara Schwarz... 95 anos, uma vida, uma memória espantosa...– que o Luís Graça quer homenagear (e muito bem) quando completar os seus 100 anos em 2015!


Até lá… muita saúde e o nosso agradecimento pela inesquecível tarde de 21 de Agosto de 2010, um dos melhores momentos que vivi nas férias de Agosto deste ano.



(**) Auto-apresentação do JERO no seu blogue Histórias & Memórias Pessoais  (que, num espaço de um ano, tem já cerca de 300 postes e 18 páginas visualizadas).


JOSÉ EDUARDO OLIVEIRA

Fui militar e orgulho-me disso. Fiz parte da CCaç 675 – que esteve no Norte da Guiné até fins de Abril de 1966. Fui Enfermeiro e fui louvado e condecorado. Estive em todas ou quase! Fui ainda o “cronista” da CCaç 675 escrevendo um “Diário” de 280 pgs - 250 exemplares.
Escrevi e editei em Maio de 2009 o meu 2º. livro, Golpes de Mãos. 500 exemplares. Apesar de reformado, tento manter-me vivo... Vou a todas (ou quase…)! Na Universidade da Vida cursei “cidadania” e participo activamente nas “coisas” da minha terra. Já estive na direcção de variadas instituições. Profissionalmente estive ligado ao M.J. (1958 a 1962 nos Tribunais da Covilhã e Alcobaça), ao Banco Pinto Sotto Maior de 1966 a 1968) e à SPAL - Porcelanas de Alcobaça ,SA. Na SPAL estive 34 anos, tendo tido a responsabilidade de Director Comercial- M. Local.


(***) Último poste da série  >  16 de Julho de 2010 > Guiné 63/74 - P6749: Blogando e andando (José Eduardo Oliveira) (9): Se as peças são para antigos combatentes..., não me deves nada!

Guiné 63/74 - P6898: O Mundo é pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (25): Festa lusitana... na Tabanca da Lapónia (José Belo)


1. Texto e foto de José Belo, da Tabanca da Lapónia (*)


O MUNDO É PEQUENO E A NOSSA TABANCA É......GRANDE!

Festa na Tabanca da Lapónia, de alguns casais Lusitanos "perdidos" já dentro do Círculo Polar Ártico. Leitores do Blogue de Luís Graca e Camaradas da Guiné, e Amigos do nosso Camarada da Tabanca do Centro, Manuel Reis, em jantarda Viking de salmão curado, para as Senhoras, e com este Lusitano Lapão a tentar explicar os pequenos pedaços de carne nos pratos dos Cavalheiros.

A cerveja local, 3 vezes mais forte que a Lusitana, ajuda a "digerir".

Creio que serão os primeiros de muitos (!) outros dos nossos Camaradas a aqui virem.....perder-se!

Bem Vindos!

Um grande abraço do J. Belo.

_____________

Nota de L.G.:

(*) Vd. poste de 19 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6869: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (26): Portugueses na Lapónia... sem distress (José Belo)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Guiné 63/74 - P6897: Convívios (267): 1º Encontro da Tertúlia “Linha da Frente”, 4 de Setembro de 2010, na Base das Cortes em Leiria (Victor Barata)


1. O nosso Camarada Victor Barata, criador e editor do blogue dos Especialistas da BA12, Guiné 1965/74, enviou-nos uma mensagem em 12 de Agosto de 2010, solicitando-nos a divulgação da primeira festa desta sua Tertúlia:


1º Encontro da Tertúlia "LINHA DA FRENTE"
Caro companheiro Tertuliano.
Aproxima-se o dia 4 de Setembro, data esta que assinalará o 1º Encontro da nossa Tertúlia “LINHA DA FRENTE”.
É um reencontro de antigos e actuais companheiros que nos servirá para mais um momento de confraternização, reviver um passado recente e o recordar de uma vida que começa a caminhar para o “último voo”.
Esperamos ansiosamente pela tua inscrição para tão honroso encontro, pois a tua presença é que nos incentiva para manter sempre a qualidade do "ESPECIALISTAS DA BA12 e OUTROS".
Esperamos receber-te na Base das Cortes, em Leiria, no dia 4.
Saudações Aeronáuticas.
Augusto Ferreira
João Carlos Silva
Jorge Mendes
Victor Barata


NOTA: Por questões logísticas, agradecemos que a inscrição seja feita até ao dia 1 de Setembro
____________
Nota de M.R.:
Vd. também o último poste desta série em:


22 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6883: Convívios (183): Primeiro Encontro da CCAÇ 3327 (Os Nómadas), Coimbra, 17 de Julho de 2010 (José da Câmara)

Guiné 63/74 - P6896: Tabanca Grande (238): Joaquim Sabido, ex-Alf Mil da 3.ª CART/BART 6520/73 e CCAÇ 4641/72 (Guiné, 1974)

1. Mensagem de Joaquim Sabido (ex-Alf Mil Art, 3.ª Cart/Bart 6520/73 e CCaç 4641/72, Jemberém, Mansoa e Bissau, 1974), com data de 11 de Agosto de 2010:

Meus Caros Camaradas:

Aproximando-se o decurso de 36 anos após o meu regresso da Guiné, que se completará no próximo dia 25 ou 26 de Setembro, senti como que uma necessidade em ver, ler e saber mais alguma coisa relativamente aos ex-combatentes, designadamente, no que respeita a camaradas que comigo estiveram no CTIG, entre os dias 3 de Abril e 25 ou 26 de Setembro de 1974 e foi quando tomei conhecimento da existência e posterior contacto com este belo sítio, que em boa hora tiveram a ideia de fazer nascer e criar, com muito muito trabalho, estou certo. "Salta,,  Periquito" já estarão a dizer alguns Camaradas que tenham a paciência para ler esta minha mensagem.

Na verdade, assim aconteceu, contava então 21 anos de idade, pois completei os 22 anos lá na Guiné, concretamente no dia 3 de Agosto de 1974, quando me encontrava estacionado em Ilondé, suponho ser esta a grafia correcta, pois só agora, no decurso da leitura de quanto se relaciona com Jemberém, tive a oportunidade de constatar que, presentemente, se denominará Iemberém (?), para aqueles de nós que tivemos a (in)felicidade de por lá passar, será sempre, seguramente, Jemberém, sendo este o tema que, por ora, me impeliu - para além da imensa saudade desses tempos, a vir à presença dos distintos Camaradas desta Tabanca Grande.

Já agora, entendo ser de bom tom e minimamente exigível proceder à minha apresentação:

Sou o Camarada Joaquim Sabido, que já em 74 residia em Évora e assim ainda acontece, completei há poucos dias os 58 anos de idade. Contra a minha vontade e seguramente que contra a vontade da maioria, fizeram-nos embarcar e levaram-nos (no meu caso) num avião dos TAM [, Transportes Aéreos Militares, ] no dia 3 de Abril de 1974, com destino ao então administrativamente denominado Território Ultramarino da Guiné, tendo chegado ao aeroporto de Bissau cerca das 12 horas desse mesmo dia e aí, ao sair pela porta do avião, tendo sido logo acometido de um enorme sufoco, até me faltou a respiração ainda agora me recordo dessa sensação (no regresso foi pior, pois mandaram-me de barco, no Uíge, o que demorou muito mais tempo) e, de imediato, embarcámos para o quartel do Cumeré, como ocorreu com quase todos os que integraram o Exército, ou seja, os da "tropa macaca".

Do Cumeré, com o BART 6520/73, que formou em Penafiel, partimos para Bolama numa ou em duas Lanchas de Desembarque Grandes (LDG), não me recordo, sendo certo que, até há bem pouco tempo, sempre me recusei a pensar nisso, isto é, nesse período de tempo. Todavia, agora, vejam para o que me está a dar, isto só pode ser da idade.

Após completarmos a tal IAO, em Bolama, cidade de segui em directo a noite de 24 para 25 de Abril, pela radiotelefonia, naturalmente, as notícias que nos iam chegando através da BBC, já que, quando partimos, tínhamos perfeito conhecimento do que iria ocorrer, só desconhecíamos quando e a que horas, em Penafiel, à época, estava o Sr. Capitão de Artilharia Dinis de Almeida e, por outro lado, havíamos estado uns 6 meses na Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, onde tivemos oportunidade de contactar com muitos Srs. Capitães e Tenentes do Q.P., e, por isso, de algum modo fomos tendo conhecimento do estado da Nação, no que às Forças Armadas e também em matéria de Guerra Ultramarina dizia respeito.

De Bolama, seguiu o Batalhão 6520/73, para Cadique e, a 3.ª CArt desse Bart, à qual eu pertencia, comandando o 2.º pelotão, enquanto Alferes Miliciano de Artilharia, foi colocada em Jemberém, local onde, assim que lá chegámos, o PAIGC nos recebeu, dando-nos as boas vindas com um bombardeamento. Não sei nem queria saber de que armamento se tratou, sei que apenas queria era sair dali, durante os 2 meses em que lá permanecemos, ainda embrulhámos mais umas 7 ou 8 vezes, sendo que, nos ataques posteriores, já conseguíamos ir para a vala e responder com os 3 obuses 10,5 que lá se encontravam. Valeu-nos, aquando dos festejos de boas-vindas, a disponibilidade e o conhecimento do pessoal de uma CCaç (não sei quantos) composta por Camaradas Madeirenses que lá se encontravam há cerca de 6 meses (*).

Chegamos então à partida de Jemberém, que como já acima referi, é o motivo pelo qual venho à vossa presença.

Foi superiormente determinado que Jemberém seria o primeiro "buraco", digo, aquartelamento, a ser evacuado, então, aqui este vosso Camarada, que se encontrava a comandá-lo, com a concordância de outros Camaradas, resolvemos, com as cerca de 150 granadas de obus 10,5 que restavam, dispô-las pelo perímetro junto ao arame farpado, bem como os restantes explosivos que restavam e fizemos, então, a nossa despedida, rebentando com aquilo tudo, certamente que lá terá ficado uma cratera bem visível através dos satélites.

Nesta parte, não posso deixar de referir que tivemos a ajuda do Sr. (então 1.º Tenente Fuzileiro Naval) Benjamim [ Lopes de Abreu], um Senhor que teve a gentileza de me "adoptar" como seu amigo, mas que, infelizmente, devido a acidente de viação ocorrido há alguns anos, quando era o Comandante dos Fuzileiros, já não está entre nós, já que prematuramente nos deixou. (**)

Fomos os dois últimos militares das Forças Armadas Portuguesas a pisar o local onde se encontrava instalado o aquartelamento de Jemberém, e fomos ambos a carregar no detonador ao mesmo tempo, cada um de seu lado na caixa do "interruptor" que era em "tê". Em Gadamael Porto estremeceu tudo, e em Cacine parece que tinha ocorrido um sismo de grau bastante elevado, conforme me foi relatado por Camaradas que ali se encontravam. Em Cadique então, parece que foi uma coisa tremenda.

Por isso que, os Camaradas que por lá têm ido estranham ou não reconhecem o local e outros que têm vindo dizer que aquilo não era assim, etc..., estou certo de que não têm sido levados ao local onde se encontrava o aquartelamento e as seis ou sete habitações dos nativos que por lá estavam. Reparem, o memorial dos Galos do Cantanhez que por lá haviam estado, teve que ser reconstruído e colocado num outro local, vê-se nitidamente pelas fotografias publicadas que ali não se encontra há muito tempo. Tivemos o cuidado em não dispor explosivos junto aos memoriais, isso é certo, aquilo que pretendemos foi, no essencial, não deixar lá nada que se aproveitasse, não andámos a trocar galhardetes com o pessoal do PAIGC.

Isto não é uma crítica a ninguém, apenas refiro isto porque na minha perspectiva e no meu modo de ser e de estar, à época não dava para tal, pelo menos em razão da memória de quantos por lá tombaram, era impensável constituir qualquer relação de amizade com o pessoal do PAIGC. Se assim for entendido pelos Camaradas editores, dando-me luz verde para escrever mais alguma coisa, explanarei, quanto a esta matéria, como foi a minha relação que se pautou apenas sob o ponto de vista institucional, com o pessoal do PAIGC, com quem passei a contactar dia sim, dia não, em Bissau, isto porque era quando me encontrava a comandar a guarda ao Palácio do também já falecido Sr. Brigadeiro Carlos Fabião (igualmente, um grande Homem, na minha modesta opinião), e que por inerência de funções, quando o PAIGC, se instalou em Bissau, numa vivenda numa rua lateral ao Palácio com eles tinha uma reunião matinal, agora parece que é um briefing.

Anexo uma fotografia tirada no Jardim do Palácio, em dia de folga, pois estava o Camarada Alf Mil Brás, da 4641, de serviço nesse dia.

Assisti e vivi por dentro o complicado processo para desarmamento do Batalhão de Comandos Africanos, um grande abraço para o (então) Sr. Capitão da Força Aérea Faria Paulino, Ajudante de Campo do Sr. Brigadeiro, se ele ler este sítio. Ao que sei, encontra-se a residir e a trabalhar na Ilha da Madeira. Porque no sítio não consigo encontrar qualquer referência a outros Senhores que então lá conheci, aproveitava para, daqui enviar as minhas saudações e respeitosos cumprimentos aos seguintes Grandes Militares e Homens que, fizeram o favor de ser meus amigos, pelo menos nesse período de tempo e tanto quanto vou sabendo, pois vou sempre perguntando, encontram-se com saúde e recomendam-se:

(Com as patentes de então)

Sr. Comodoro Almeida Brandão, Comandante Naval da Guiné, Senhor que sempre que eu tinha fome e ia à messe da Marinha, tinha a gentileza de me convidar para a sua mesa, já que eu era uma visita, e me perguntou na primeira vez que lá me viu o porquê da minha presença naquela Messe, tendo desde logo compreendido que a fominha era mais que muita e desde então passámos a ter conversas interessantíssimas versando diversos temas, que ora eram da ordem do dia, ora eram de ordem cultural, pois atendento aos vastos conhecimentos do Sr. Comodoro, actualmente Almirante, com ele muito aprendi; (***)

Sr. Comandante Patrício (capitão-tenente FZ), à época comandante do COP 5, sediado em Gadamel Porto, onde me levou a passar 5 dias com ele e com os seus acompanhantes, que eram os cabos FZ:

Srs. Edgar, Pedras, Guiné, que ao que sei se reformaram no posto de sargentos e, ainda, o já falecido Moscavide, que afinal era alentejano de Mértola;

Sr. Capitão Pára-quedista, Valente dos Santos, ou deverei dizer Astérix, que era o seu nome de código quando se encontrava em operações, na mata, por intermédio de quem tive o gosto de conhecer o Sr. Capitão Marcelino da Mata, bem como outros elementos que pertenciam ao seu grupo de combate e que, por lá abandonámos...;

Sr. Capitão Miliciano de Infantaria Amândio Fernandes, que reside na bela cidade da Guarda, local onde, em Setembro de 2009, me recebeu e a outros Camaradas da 4641 (que esteve em Mansoa), para um bom almoço de cumbíbio; a outros Camaradas da 4641, espero vir a reencontrá-los no segundo fim-de-semana de Setembro, para mais um almocinho e então abraçá-los-ei; não posso deixar de referir e agradecer a forma como todos quantos integravam a CCaç 4641 me receberam e trataram em Mansoa, por tudo isso, o grande Bem-Hajam, do periquito;

Sr. Capitão Imaginário, que tive o grato prazer de conhecer em Gadamael Porto, aquando da minnha visita ao local;

Sr. Capitão de Cavalaria Bicho, também alentejano, que eu já conhecia de Estremoz e que, talvez por isso, não acatou a ordem do então Sr. Coronel Afonso Henriques, chefe do Estado Maior, que para ele telefonara directamente no sentido de que me prendesse no COMBIS, numa noite em que ali fui detido por sua ordem para esse efeito;

A todos os Camaradas do Bart 6520/73, que apareçam e digam alguma coisa, designadamente:

(i) Os Alf Mil Brito, de Lisboa, Av.ª de Roma; o Celestino, o Frade, de Lavacolhos; o Milheiro, do Alto do Pina, o Ramos, o Pereira,

(ii) os Fur Mil Marcelino, de Coimbra, o Ferraz e o Pereira, do Porto, e não me recordo de mais nomes, nem do nome do Capitão Mil da minha Cart já me recordo.

Aceitem todos os Camaradas as cordiais saudações do Camarada

Joaquim Sabido


2. Comentário de CV:

Caro Sabido, as nossas desculpas por só agora a tua mensagem, de 11 de Agosto, estar a receber o tratamento devido. De todo o modo estás já apresentado à Tabanca Grande (****), logo poderás começar a trabalhar quando quiseres.

O período, que viveste, logo a seguir ao 25 de Abril,  até à independência da Guiné, foi um tanto conturbado e complicado para os militares portugueses. Pelo que tenho lido, aqui e ali procedeu-se a cerimónias mais ou menos oficiais de entrega de quartéis ao PAIGC, enquanto os políticos assobiavam para o ar, esquecendo-se do que o que estava em causa era a solução política da guerra, há muito desejada por ambos os contendores.

Como muito bem fizeste, os militares portugueses não tinham que entregar nada a ninguém, apenas retirar em segurança, deixando aos políticos a sua missão de assinar os papéis e conceder aos novos países a soberania por que há muito lutavam.

Esperamos que nos contes como viste e sentiste essa época e o modo como agimos em relação ao PAIGC.

Tens já alguns temas para desenvolver, mas antes que me esqueça, se algum dia resolveres deixar-nos, por favor não te enerves nem armadilhes o Blogue. Calma, homem que temos arquivos muito, mas muito valiosos. É que não gostámos da tua despedida de Jemberém, só violência...

Caro Joaquim, com esta brincadeira passo às despedidas, endereçando-te o habitual abraço de boas-vindas da tertúlia. Instala-te e fica à vontade.
__________

Notas de CV / LG:

(*) Até Fevereiro de 1974, esteve em Jemberém a CCAÇ 4942/72, madeirense, os Galos do Cantanhez. Foi substituída, no subsector de Jemberém,  pela CCAÇ 4946/73, tamnbém madeirense.

(**) "O Comandante Benjamim Lopes de Abreu, natural da Freguesia de Chãos, Ferreira do Zêzere, Santarém, nasceu em 11 de Março de 1945, tendo sido incorporado a 24 de Fevereiro de 1967 na Reserva Naval na Classe de Fuzileiros.

"Frequentou os Cursos de Formação de Oficiais de Reserva Naval (CFORN), obtendo a classificação final de 'Cota de Mérito', Curso de Fuzileiro Especial da Escola de Fuzileiros em 1967. Fez parte do Destacamento de Fuzileiros Especiais Nº 12 na Guiné de 1967 a 1969, como 4º Oficial. Fez também parte do Destacamento de Fuzileiros Especiais Nº 22 de Novembro de 1970 a Dezembro de 1971 tendo participado na Operação Mar Verde, de resgate de prisioneiros na República da Guiné - Conacri e tendo sido colocado posteriormente no Centro de Operações Especiais de Bolama.


"Da sua Folha de Serviços constam numerosos Louvores e Condecorações atribuídas pelas mais altas entidades do Estado, nomeadamente, a Cruz de Guerra de 2ª Classe, a Cruz de Guerra de 3ª Classe, a Militar de Serviços Distintos com Palma e as Medalhas Militares Comemorativas das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas com as Legendas 'Guiné 1967-71' e 'Guiné 1972-73'.


"O Capitão-de-mar-e-guerra FZE Benjamim Lopes de Abreu foi casado Com a Sr.ª D. Maria Odete Spencer Salomão de Abreu.


"Faleceu a 08 de Janeiro de 1997, na estrada nacional do Algarve – Lisboa".

Fonte: Corpo de Fuzileiros > 10 de Julho de 2010 > Homenagem ao CMG FZE Benjamim Lopes de Abreu   (com a devida vénia...)

(***) Contra-almirante reformado, faleceu em 2009.

(*****) Vd. poste de 22 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6884: O Nosso Livro de Visitas (98): Joaquim Sabido, ex-Alf Mil da 3.ª CART/BART 6520 (Jemberem e Mansoa, 1973/74)

Vd. último poste da série de 23 de Agosto de 2010 > Guiné 63/74 - P6890: Tabanca Grande (237): Jorge Silva, ex-Fur Mil At Art, CART 2716 (Xitole, 1971/72), e BENG 447 (Bissau, 1972/73)