sábado, 9 de julho de 2011

Guiné 63/74 - P8536: Parabéns a você (288): Agradecimento à tertúlia de Ernesto Duarte

1.Mensagem do nosso camarada Ernesto Duarte* (ex-Fur Mil da CCAÇ 1421/BCAÇ 1857, Mansabá, 1965/67), com data de 6 de Julho de 2011:

Carlos,
Dirijo-me a ti porque és o homem da frente.

Eu passo muito tempo fora, e agora ainda talvez mais longe do computador, tenho um neto com 12 anos que é um um grande camarada e outro com 18 meses que é quem manda cá em casa.

Eu não tenho uma caixa de adjetivos bonitos, como também não tenho uma caixa de palavras bonitas, apenas com toda a humildade e sinceridade, sei dizer muito obrigado.

E digo mais, gostei muito que vocês se tenham lembrado de mim, soube-me bem, soube-me mesmo muito bem que vocês se tenham lembrado do meu aniversário, nunca sendo demais agradecer a vossa simpatia, a vossa amizade, um grande obrigado a vocês todos, com um grande bem haja muito grande, para todos vocês e que se prolongue por muitos e muitos anos.

Um grande abraço
Ernesto Duarte
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 9 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8391: Parabéns a você (271): Ernesto Duarte, ex-Fur Mil da CCAÇ 1421/BCAÇ 1857 (Tertúlia / Editores)

Vd. último poste da série de 9 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8532: Parabéns a você (287): Arménio Estorninho, ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas da CCAÇ 2381 "Os Maiorais" (Tertúlia / Editores)

Guiné 63/74 - P8535: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (31): As ilustrações de Miguel Pessoa chegam à Tabanca do Centro com a publicação de KARAS de Monte Real (Joaquim Mexia Alves)

1. No passado dia 5 de Julho recebemos do nosso camarada Joaquim Mexia Alves a seguinte mensagem:

Caríssimos camarigos
É com o coração repleto de alegria que vos anuncio o primeiro número da "Karas de Monte Real", uma revista de inigualável qualidade, saída da arte e engenho do seu Editor Chefe, Miguel Pessoa, (do qual não cito os títulos académicos para não ferir a sua modéstia), e que regularmente virá, em rigoroso exclusivo da Tabanca do Centro, trazer as importantes noticias, dos eventos desta nossa Tabanca.


Aqui deixo o link respectivo

http://tabancadocentro.blogspot.com/2011/07/rigoroso-exclusivo.html

e que merece sem dúvida os atinados e superiores comentários dos camarigos atabancados ao centro.

Quem trabalha, gosta de ver o seu trabalho comentado, por isso, demos os parabéns ao Miguel Pessoa e comentemos a brilhante ideia e o dedicado trabalho executado.

Aos editores da Tabanca Grande, para quem segue também este mail, façam o favor de, se assim entenderem, darem noticia desta importantíssima publicação da Tabanca do Centro, saída das mãos do Miguel Pessoa.

Estou cansado de escrever, por isso fico-me por aqui.

Um grande abraço para todos, em especial ao Miguel Pessoa, do
Joaquim Mexia Alves

.
Exemplar do primeiro número da "KARAS de Monte Real" de autoria do camarada Miguel Pessoa


2. Comentário do co-editor CV:

Foi com alguma apreensão que recebemos este número da "Karas de Monte Real", em circulação desde este mês na Tabanca do Centro, porque achamos, Tabanca Grande, que o nosso camarada Miguel Pessoa, em quem depositávamos a maior confiança, se passou, não para o inimigo, mas para a concorrência (não desleal).

É conhecida a sua participação, até à exaustão, nos postes dos aniversários com as suas composições artísticas.

Perante os factos, pergunta-se?

Será que o cozido à portuguesa vai ser mais importante do que os nossos aniversários?

É sabido que nenhum aniversariante jamais ofereceu aos editores e ao Miguel uma tacinha de espumante barato que fosse, ou uma fatia de bolo seco, mas todos sabem(os) que aqui no blogue se trabalha por amor à causa sem esperar retorno.

Mas e o cozido? Não será uma tentação? Vamos esperar para ver se continuamos a ter a colaboração estreita (?) e regular do Miguel, caso contrário teremos que recorrer ao ministério privado para fazer valer os nossos direitos (adquiridos). É que chegamos primeiro. Está bem?
Nunca esquecer a máxima que nos diz que quem vê karas não vê kurações.

À novel revista desejamos a maior longevidade possível, com assuntos variados, tais como... cozido à portuguesa.

OBS: - Texto dedicado, com um grande abraço, ao camarada Miguel Pessoa, bom amigo, solidário, sempre presente nos momentos menos bons.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 7 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8524: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (30): António Camilo, na véspera da sua 15ª viagem de regresso àquela terra verde e vermelha, foi objecto de artigo do semanário Visão (3 de Fevereiro de 2011)

Guiné 63/74 - P8534: Estórias avulsas (54): Patrulhamento e captura de um elemento do PAIGC no OIO (Jorge Lobo)




1. O nosso Camarada Jorge Lobo, que foi 1º Cabo Atirador de Artilharia da CART 1660 e também esteve adido nos BCAÇ 1857 e BCAÇ 1912, Mansoa, 1967/1968, enviou-nos a seguinte mensagem.

Patrulhamento e captura de um elemento do PAIGC no OIO


Depois da CART 1660 ter permanecido em Mansoa, desde a data da sua chegada à Guiné em inícios de Fevereiro de 1967, foi, mais tarde, destacada para o Olossato a fim de fazer alguns patrulhamentos na mata de Morés, durante um mês.



Certa madrugada, por volta das 04H00, deixamos o aquartelamento, atravessamos a pista de aviação do Olossato e embrenhamo-nos na mata a caminho das proximidades da temível e densa mata de Morés, zona fértil a nível de guerrilheiros IN e perigosamente rodeada de bolanhas. Caminhamos vários quilómetros em patrulhamento, acabando por ficar emboscados (em meia lua) numa mata perto de uma zona descampada, do tipo bolanha na altura seca, e a uns escassos metros do trilho usado pelos guerrilheiros do PAIGC.


Surgiu então uma avioneta por cima de nós indicando-nos que avançássemos um pouco mais em frente. Esta ordem foi recebida com rebeldia e um coro de pragas de protesto. É óbvio que o coronel que nos sobrevoava, se acaso estivesse connosco cá em baixo, não iria com certeza cometer o suicídio de, apenas com uma companhia, entrar naquela zona sagrada para o IN. Além do mais, irritante e contra todas as regras, a avioneta estava a denunciar a nossa presença.


O calor era abrasador e volta e meia tínhamos de nos deslocar, em pequenos grupos, a uma zona próxima onde existia água de péssima qualidade e que tinha de ser desinfectada com os habituais comprimidos. Mas como a sede era muita, praticamente nem dávamos tempo para esperar que os comprimidos fizessem o efeito a que eram destinados na água.


Logo após a avioneta se ter afastado do local e quando nos preparávamos para avançar um pouco mais (cerca das 11H00), surgiram dois guerrilheiros armados de espingarda Kalasnikov com a alça em tiracolo, vindos de dentro da mata, caminhando no trilho da bolanha, entrando na tal zona descampada (zona de morte).


O meu pelotão abriu fogo de rajada sobre eles e um deles caiu logo fulminado pelas balas largando a arma, enquanto o seu companheiro tentou fugir agarrado a uma perna, coxeando, tendo sido de imediato abordado no sentido de o avisar para se afastar da sua arma e para levantar as mão no ar...


Foi de imediato capturado e levado em maca para os arredores, vindo a ser evacuado posteriormente de helicóptero. Durante o tempo de espera pelo heli, elementos nativos da nossa milícia insistiram para que o homem não fosse evacuado, pois eles próprios se encarregariam de o fuzilar ali mesmo...


Eu não concordei com as suas intenções e dei disso conhecimento ao nosso CMDT de companhia, ali presente, o qual deu de imediato ordem para que o guerrilheiro fosse retirado para Bissau, mandando chamar um helicóptero.


A seguir aproximei-me da maca onde se encontrava o ferido, perguntando-lhe em bom português o que fazia ele e o seu companheiro por ali...


Respondeu-me em creoulo, mas entendi bem a resposta quando repetia insistentemente: Filho da p... do Amílcar Cabral… filho da p... do Amílcar Cabral!


Naturalmente que a sua intenção, ao dizer aquilo, seria a de tentar escapar com vida daquela situação e… bem o conseguiu!


Entretanto chegou o heli e lá foi ele na direcção do hospital de Bissau.


Posteriormente foi muito útil às companhias de Comandos e Paraquedistas que se serviram dele como guia nas suas diversas OP na mata de Morés.


Nesta acção foram apreendidas armas Kalasnikov.


O curioso no meio disto tudo, é que passado cerca de um ano, quando o meu pelotão se deslocou de Mansoa à piscina de Nhacra, para tomar uma banhoca e beber daquela água a que já não estávamos habituados... pois não precisava de ser filtrada, acabamos por encontrar lá o nosso ex-guerrilheiro preso em Morés.
Era um rapaz feliz dando enormes mergulhos do trampolim mais alto da piscina.


Recordo que tentei imitá-lo mas acabei por provocar uma pequena lesão na cabeça, quando bati com ela no fundo da piscina… felizmente nada de grave!
Fiquei, mesmo assim, imensamente feliz por ver aquele rapaz alegre ao lado dos nossos companheiros, nesta altura também companheiros dele, e que era uma das companhias de Comandos de Bissau.


Jorge Lobo
1º Cabo Atirador de Artilharia da CART 1660, BCAÇ 1857 e BCAÇ 1912


Fotos: © Jorge Lobo (2010). Direitos reservados.

Emblema de colecção: © Carlos Coutinho (2010). Direitos reservados._________
Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série em:

23 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8464: Estórias avulsas (112): Encontro de Camaradas (Mário Fitas)

Guiné 63/74 – P8533: Armamento (6): As caixas de madeira ou de metal que nos causavam muito respeito (Luís Dias)


1. O nosso Camarada Luís Dias*, ex-Alf Mil At Inf da CCAÇ 3491/BCAÇ 3872, Dulombi e Galomaro, 1971/74, enviou-nos mais uma mensagem desta série:

AS CAIXAS DE MADEIRA OU DE METAL QUE NOS CAUSAVAM MUITO RESPEITO

Camarigos,

Da leitura atenta do Post P8507 do Camarada Pereira da Costa, sobre a problemática das minas, voltou-me à memória algumas histórias sobre um dos maiores “terrores” que tínhamos quando saíamos para o mato ou para uma escolta em coluna auto. Era um aperto no coração, um respeito do caraças, se pensássemos naqueles bocados de madeira ou de metal que nos podiam ceifar a vida ou, pior ainda (conforme a maioria dos meus soldados referiam), deixar-nos estropiados para sempre.

A nossa zona de intervenção na Guiné (Zona Leste/Frente Bafatá Gabú Sul - como referia o IN), não seria daquelas onde a implantação de minas por parte do PAIGC fosse das mais intensas, mas iam-nas pondo e, no caso do nosso batalhão tiveram sucesso em três situações. A primeira na picada Cancolim – Galomaro com a morte de um elemento da CCAÇ3489 (Fevereiro de 1972), a segunda na picada Galomaro – Samba Cumbera (Novembro de 1972), com a morte de um elemento do Pel. Rec. da CCS e a terceira na picada Galomaro – Dulombi (Fevereiro de 1973), com ferimentos graves num condutor da CCS. Nas outras vezes e no caso da CCAÇ3491, tivemos a sorte de as detectar e levantar (minas AC e AP).

No caso das minas por nós colocadas em defesa de aquartelamentos e falando da minha companhia (CCAÇ3491), no seguimento do que fora deixado pela companhia dos velhinhos (CCAÇ2700), optou-se por colocá-las, em linha, a cerca de 600/700 m do aquartelamento (Dulombi), na denominada frente IN (ou seja donde normalmente aconteciam as flagelações do PAIGC), onde não existiam quaisquer áreas cultivadas pela população e por onde esta não transitava. As minas foram postas em cima de ferros apropriados, colocados a 1m de altura do chão e ligadas por arame de tropeçar. Para controlo das mesmas existia um trilho que corria paralelo à sua colocação e ao quartel e a cerca de 10/15 m destas, com sinalização que julgávamos suficiente e adequada para os nossos peritos em minas e armadilhas.

De vez em quando lá rebentava uma mina, normalmente de dia e era dada ordem para, passada uma meia hora, uma secção do Grupo de Combate que estivesse de serviço (com um dos furriéis de minas e armadilhas) sair para a zona, para verificação do que acontecera. Na maior parte das vezes as minas rebentavam por causa da passagem de animais, que eram aproveitados para um petisco para a companhia (especialmente impalas e gazelas). Em certa vez, até uma ave de grande porte, foi a vítima de uma mina, mas só serviu para tirar umas fotos, porque a malta não conseguiu identificar o bicho e ninguém quis degustar a peça. Assim, já era quase uma rotina, quando se dava um rebentamento e se não era seguido de algum ataque (o que nunca aconteceu), a secção do GC de serviço lá ia verificar o que se passava e repor o sistema existente. Se o rebentamento acontecesse de noite, é claro que só se lá ia no dia seguinte.

Numa destas vezes, em meados de 1972 e após mais um rebentamento oriundo da zona onde as minas anti-pessoais tinham sido implantadas, uma Secção do 3º GC, comandada pelo Furriel Castanheira (infelizmente já falecido), dirigiu-se para o local. Passado algum tempo, o pessoal do quartel foi alertado por uma segunda explosão e, segundos depois, uma outra. O quartel entrou em alvoroço e quase desorganizadamente um grupo formou-se e arrancou para a zona, onde todos temíamos o pior. Ao aproximarem-se da área minada, com todo o cuidado, deram com quatro feridos, entre eles o furriel, que foram rapidamente levados para o quartel, onde eram aguardados pela equipa de enfermagem e, face aos cuidados que inspiravam, foram evacuados por helicóptero para o HM de Bissau.

Por um lapso de orientação do comandante de secção, quando a equipa iniciava a contagem das minas, através de uma marcação existente e previamente sinalizada, cruzou a linha do sistema, tropeçando num dos arames que as ligavam, dando origem ao rebentamento de outra mina (accionada pelo próprio furriel). Após o rebentamento, um outro elemento da secção desorientou-se com a explosão e fugiu tropeçando noutro arame e rebentando uma segunda mina.

Felizmente e por qualquer milagre (!!!), não obstante terem sofrido diversos ferimentos, produzidos por muitos estilhaços, ficando, como se diz, feitos num crivo (o furriel foi inclusive atingido no escroto), uns tempos depois estavam de volta à companhia, depois de uma estadia em Bissau, para recuperação.

O sistema de sinalização foi revisto, mas também nunca mais houve saídas para ir controlar os rebentamentos daquela forma. Os procedimentos tiveram de ser alterados.

Os cuidados que as minas nos causavam intensificavam-se quando estivámos de intervenção em outras áreas do Leste, nomeadamente quando estivemos de reforço em Piche, Nova Lamego e depois em Pirada (aqui por poucos dias).

Em Pirada, eu tinha referido aos elementos do meu GC que o IN aqui colocava minas pessoais diferentes das utilizadas na nossa zona de origem e tinham tácticas diferenciadas de colocação das mesmas (mormente as denominadas viúvas negras) e que, aquando de colunas, em caso de paragem, deveriam ter cuidado em não sair da picada, procurando abrigarem-se junto das mesmas, porque eles colocavam minas com frequência junto de árvores que pudessem servir de abrigo.

Numa coluna auto, perto de finais de Dezembro de 1973, que pretendia abastecer Copá com munições (tinha sofrido um forte ataque já quase não tinham granadas de morteiro 81 mm, por exemplo), a partir de Pirada, na picada iam surgindo diversas minas AC semeadas em profusão, sendo que em muitas delas o IN nem se dera ao cuidado de as cobrir com terra, ou seja estavam bem à vista. As equipas de sapadores da CCS do batalhão iam fazendo o seu trabalho, procedendo ao levantamento das mesmas, mas já estavam a ficar cansados do esforço (suavam em bica) e possivelmente a pensarem que a qualquer momento algo podia correr mal. Com esta situação a coluna avançava devagar e era obrigada a parar inúmeras vezes. A determinada altura o comandante do batalhão deu ordem para regressar ao quartel, pois verificou que dificilmente conseguiríamos atingir Copá ainda de dia ou sem sofrer algum dissabor grave. Quando uma das berliets que estava atribuída ao meu GC iniciou a manobra de inversão de marcha, saindo da picada e indo passar junto a uma árvore, rebentou uma mina AP que lhe destruiu o pneu da frente (lado contrário ao do condutor). Aqui estava a situação que eu previra, o que não previra é que um dos meus soldados não tenha ligado nenhuma ao que eu havia dito e face ao calor fora colocar-se debaixo da mesma árvore procurando abrigo na sombra da mesma. Por sorte dele, colocou-se do lado contrário onde estava a mina AP e por isso, por esse acaso da sua sorte, não sofreu nada com o rebentamento, nem a pisou. É que estávamos no fim da comissão (aliás já tinha terminado o tempo em Outubro, mas só sairíamos da Guiné em finais de Março de 1974) e mesmo no fim ele poderia ter sofrido ferimentos graves ou a morte.

Luís Dias
Alf. Mil da CCAÇ3491/BCAÇ3872 (Dulombi/Galomaro)
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Nota de M.R.:

Vd. poste anterior desta série em:

Guiné 63/74 - P8532: Parabéns a você (287): Arménio Estorninho, ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas da CCAÇ 2381 "Os Maiorais" (Tertúlia / Editores)


PARABÉNS A VOCÊ

DIA 09 DE JULHO DE 2011

ARMÉNIO ESTORNINHO

NESTE DIA DE ANIVERSÁRIO DO NOSSO CAMARADA ARMÉNIO ESTORNINHO, A TERTÚLIA E OS EDITORES VÊM POR ESTE MEIO DESEJAR-LHE AS MAIORES FELICIDADES E UMA LONGA VIDA COM SAÚDE, JUNTO DE SEUS FAMILIARES E AMIGOS.
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Notas de CV:

Arménio Estorninho foi 1.º Cabo Mec Auto Rodas, CCAÇ 2381, Ingoré, Aldeia Formosa, Buba e Empada, 1968/70

Vd. último poste da série de 9 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8531: Parabéns a você (286): Joaquim Carlos Peixoto, ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 3414 (Tertúlia / Editores)

Guiné 63/74 - P8531: Parabéns a você (286): Joaquim Carlos Peixoto, ex-Fur Mil Inf MA da CCAÇ 3414 (Tertúlia / Editores)

Com um abraço do camarada Miguel Pessoa


PARABÉNS A VOCÊ

DIA 09 DE JULHO DE 2011

JOAQUIM CARLOS PEIXOTO



NESTE DIA DE ANIVERSÁRIO DO NOSSO CAMARADA JOAQUIM PEIXOTO, A TERTÚLIA E OS EDITORES VÊM POR ESTE MEIO DESEJAR-LHE AS MAIORES FELICIDADES E UMA LONGA VIDA COM SAÚDE, JUNTO DE SEUS FAMILIARES E AMIGOS.
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Notas de CV:

Joaquim Carlos Peixoto foi Fur Mil Inf MA na CCAÇ 3414 que esteve em Bafatá e Sare Bacar nos anos de 1971 a 1973

Vd. último poste da série de 8 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8525: Parabéns a você (285): José Zeferino, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4616 (Tertúlia / Editores)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Guiné 63/74 - P8530: Os nossos médicos (36): O Dr. Gomes da Costa, o Sargento Marcos, o 1º Cabo Silvino..., naquele dia negro de 5 de Outubro de 1967, no HM241 (António Reis, ex-1º Cabo Aux Enf, 1966/68)

1. Excerto de um texto ("Dias negros"), retirado do livo de memórias do nosso camarada António Reis, ex-1º Cabo Aux Enf (HM241, Bissau, 1966/68), já aqui recenseado, A minha jornada África (Vila Nova de Gaia: Ed. Ausência. 1999. 67 pp.) [Imagem da capa do livro, à esquerda]:

Chegar o helicóptero ou os helicópteros com feridos ou mortos era o dia a dia. Houve dias negros, dias de muitos mortos e feridos. Eu pensava muitas vezes como era possível haver festas na minha terra quando tantos rapazes com vinte anos morriam ou ficavam mutilados em África.


Um desses dias a que eu chamei de negro foi o de 5 de Outubro de 1967. Desta vez chegaram mais de quarenta. Todos queimadinhos. Dentro e até fora do hospital era um cheiro intenso a carne humana queimada; nove ou dez já chegaram mortos. Os outros foram transformados em múmias.


Estiveram lá apenas cinco dias, talvez o tempo que levou a providenciarem um avião especial para os trazer para Lisboa. Naqueles cinco dia eu apenas ia à caserna para passar pelo sono, fiquei em baixo ao ponto do Dr. Gomes da Costa ter dito:
- Tu e o Silvino, esta noite ides dormir, pois eu não vos quero turberculosos.


Eu não era obrigado a tanto sacrifício, mas foi a forma de manter os soros nos horários. O Dr. Gomes da Costa prescrevia, eu tinha os soros e a medicação, o sargento Marcos e o cabo Silvino passaram os cinco dias a mudar os pensos àquelas múmias sofrentes. Múmias, porque só se lhes via os rostos inchados e queimados. Sofrentes porque ele tinham em SOS Dolantina, Pedina ou Demoral. Eu chegava a aplicar duas juntas no sistema (estavam todos com desbridamento) e passado algum tempo eles estavam novamente a gemer com dores.


E assim chegou o quinto dia e o avião que os trouxe para Lisboa. Não sei quantos mais morreram, e os que se que se safaram, em que estado ficaram. Sei que foram cinco dias que nunca esqueci. Ainda hoje conservo na retina aqueles rostos, ainda hoje tenho nos tímpanos os gemidos deles; havia um que nos agarrava e não mais largava, chamando:
- Sr. doutor, sr. doutor.


Era duro trabalhar naquela enfermaria. Ainda recordo o cabo Silvino ter-mde dito que tinha de arranjar forma de fugir daquela enfermaria senão morria ou ficava louco, mas mais duro era estar destacado no mato e aparecer lá no estado em que chegaram aqueles e outros desgraçados.


Desta vez, se bem me lembro, foi uma GMC que foi pelos ares com uma mina incendiária (…).

Fonte: António Reis - A minha jornada em África. Vila Nova de Gaia: Ed. Ausência. 1999. 24-25. (Excerto reproduzido  com a devida vénia...)
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Nota do editor:

(*) Vd. 3 de Janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5581: Os nossos médicos (13): Deus no céu e o Dr. Fernando Garcia... no HM 241 (António Reis / Luis Graça)

Último poste da série > 6 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8518: Os nossos médicos (35): Mais nomes de clínicos do HM241 do meu tempo (J. Pardete Ferreira)

Guiné 63/74 - P8529: Memórias boas da minha guerra (José Ferreira da Silva) (19): O alferes maluco... está tolo

1. Mensagem José Ferreira da Silva* (ex-Fur Mil Op Esp da CART 1689/BART 1913, , Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), com data de 5 de Julho de 2011:

Caros Camaradas
Junto nova história para incluir nas "Memórias boas da minha guerra".

Um abraço do
Silva da Cart 1689

Relax no T1 do Hotel Dunane


Memórias boas da minha guerra - 19

O Alferes Maluco

Desde o início da comissão de serviço (Guiné - 67/69), a nossa tropa catalogou uma série de pessoas, donde se destacava também o “Alferes Maluco”. Não havia aversão alguma em relação àquela criatura. Havia, isso sim, uma opinião formada (e aceite) de que aquele Alferes “não batia bem da mona”. Foram inúmeras as histórias que se contavam a seu respeito. Porém, dada a nomenclatura militar, um Alferes era um Oficial e, como tal, uma figura de prestígio das nossas Forças Armadas, a qual não se podia ridicularizar. No entanto, a verdadeira história da guerra da Guiné, está cheiinha de episódios caricatos, aos mais variados níveis, que embora não sendo referidos, não poderão ser esquecidos por quem a viveu.

Estávamos em Agosto de 1968. Aquela Companhia de Intervenção, que havia sofrido as maiores agruras da guerra e, simultaneamente, havia alcançado muito bons resultados militares, via chegada a hora de, merecidamente, repousar nos últimos meses da sua contribuição heróica e pacificadora, em missão errática por terras da Guiné. Foi para o norte e destacou um Pelotão para uma pequena povoação onde o Alfero, o mais graduado, se tornou num Reizinho local. Sem guerra, sem o Capitão por perto e sem os seus camaradas oficiais, ele “vingava-se” do seu passado recente de medricas e de inaptidão militar.

- Então Arménio, é quase meio dia e está ainda na cama? – investiu o Furriel sobre o Enfermeiro, deitado dentro da sua pequena palhota, onde funcionava a Enfermaria.

- Ó Furriel, estou para aqui fodido, que mal me posso mexer. Preciso urgentemente de uma injecção se não vou co'caralho – respondeu, a muito custo, o Enfermeiro.

- Não há problema, porque nos Rangers ensinaram-me muitas merdas e uma foi a de dividir o traseiro em 4 partes e espetar a agulha no quarto superior direito. Correcto? – sossegou-o o Furriel.

O enfermeiro indicou-lhe a prateleira e o remédio a aplicar. Foi num rápido cumprir essa função, que ele nunca julgara vir a ser necessária.

O Arménio parecia melhorar a olhos vistos, sem o furriel fazer ideia alguma da droga que lhe havia injectado. E como já se sentia mais capaz, disse:

- Ó Furriel, ia morrendo à beira dos remédios como morreu a preguiça à beira da água.

- E sem ninguém saber – acrescentou o furriel.

- Não, não é verdade, porque já cá esteve por duas vezes o “Alferes Maluco”. Andou por aqui logo de manhã cedo, a bisbilhotar tudo e a olhar para as caixas e frascos dos remédios. Chegou ao ponto de abrir frascos de xarope e prová-los um a um. Depois, disse que gostava de um que era “docinho” e levou-o, enquanto ia bebericando. Passado umas duas horas, veio pedir-me alguma coisa para as dores de barriga, que o tinham atacado de repente. Disse que tinha bebido o frasco de xarope todo. E concluiu: - O gajo é um perigo. Antes andava, humildemente, como um “morcon”, entre os soldados, mas agora, inchou e ninguém o atura. Entreguei-lhe uma caixa de comprimidos para tomar um de 8 em 8 horas.

- Já que está melhor, veja se me arranja aí uma mezinha para passar junto da tomatada, porque trouxe, das bolanhas de Catió, aquela micose desgraçada – pediu o furriel, ao que enfermeiro respondeu:

- Olhe, já sabe que não há nada melhor que o 1214. Arde muito, mas é bom! Faça como é costume: pincelar amiúde toda a zona das “partes”, mantendo as pernas bem abertas e o ventilador apontado para lá, para soprar e diminuir o ”ardiúme”.

De repente, entrou na palhota o “Vidrinhos”, o básico escolhido para dar apoio ao improvisado Comandante, que, aflito, pediu:

- Ó amigo Arménio, por favor, vê se vais ao quarto do Alferes, porque o “Maluco” está tolo. E insistia: - O “Maluco” está tolo!!! Já se borrou todo e ninguém o percebe, porque não diz coisa com coisa.

Silva da Cart 1689

Relax na Bolanha de Catió
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Notas de CV:

(*) Vd. poste de 23 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8466: Outras memórias da minha guerra (José Ferreira da Silva) (8): O grande choque

Vd. último poste da série de 29 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8346: Memórias boas da minha guerra (José Ferreira da Silva) (18): Não se brinca com coisas sérias...

Guiné 63/74 - P8528: (Ex)citações (142): O espaldar do morteiro 81 de Cancolim estava no meio da parada (Juvenal Amado)

Cancolim > Abrigo do Morteiro 81


1. Mensagem de Juvenal Amado, ex-1.º Cabo Condutor da CCS/BCAÇ 3872, (Galomaro, 1972/74), com data de 4 de Julho de 2011:

Caros Luís, Carlos, Briote, Magalhães e restante Tabanca Grande,
Uma vez que foram feitos alguns reparos ao Poste 3126 O MORTEIRO NO MEIO DA PARADA, achei por bem tentar esclarecer o sentido crítico das minhas palavras, quando escrevi a referida estória baseada em factos tristemente reais, passados em 02 de Março de 1972, dos quais resultaram as mortes de três camaradas.

O camarada Manuel Moura que foi da Companhia que rendeu a nossa 3489, faz um comentário talvez à forma como critiquei o facto do morteiro de Cancolim, estar colocado praticamente no meio da parada.

Se olhar para a foto, ver-se-á que as referidas instalações de defesa estão completamente à vista desarmada, sendo por isso referenciadas facilmente como alvo.

A forma como o apontadores e municiadores, corriam para o abrigo sem protecção na parada, entre o local em que estavam quando começava o ataque e o espaldar da arma, penso que ninguém duvida que uma vala de acesso para o local, teria sido seguramente uma enorme utilidade, que longe de prejudicar elevaria o nível de resposta operacional dos homens.

Por último convém lembrar que enquanto andei pelo o Leste da Guiné, e foram 27 meses, não me lembro de ver um espaldão de morteiro nas mesmas condições.

No caso de Galomaro em que havia duas dessas armas, estavam as mesmas dissimuladas no quartel e servidas de valas de acesso. Quando à operacionalidade das mesmas, não teremos dúvida da sua boa funcionalidade, quando repelimos com elas um ataque ao arame no dia 01.12.1972.

Certo que a apreciação de fotos do local será mais um complemento de clarificação, aceitarei plenamente que alguém mais conhecedor sobre o assunto venha a terreiro refutar as minhas dúvidas quanto ao que a este respeito, se praticou em Cancolim entre 1972-1974 e que já assim estava, quando lá chegámos.

Um abraço
Juvenal Amado


Cancolim > Dentro do espaldar do morteiro 81 > Alves, do Porto; Dias, da Maia: Carneiro, de Penafiel e Correia.

Estojos de granadas de morteiro 81 espalhadas pelo terreno depois de um ataque
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 8 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8527: (Ex)citações (141): Já li e gostei muito do livro Catarse, do ex-capelão militar Abel Gonçalves (Manuel Carvalho, CCAÇ 2366, Jolmete, 1968/70)

Guiné 63/74 - P8527: (Ex)citações (141): Já li e gostei muito do livro Catarse, do ex-capelão militar Abel Gonçalves (Manuel Carvalho, CCAÇ 2366, Jolmete, 1968/70)

1. Comentário, de 7 do corrente, do Manuel Carvalho ao poste P8519:

Caros Camaradas:

Já li o livro do Padre Abel (*) e, gostei muito. Este homem, tal como nós,  também andou a procura de um baga-baga ou de uma árvore para proteger a cabeça, viu tombar um camarada ao seu lado numa emboscada, tomou banho no sistema bidão, arriou a calça em cima da prancha, enfim aquelas vidas que nós conhecemos. E para além disto tudo esteve em Jolmete antes de mim, no tempo em que aquilo era tão bom que as companhias só lá estavam um mês. 


O padre Abel está no Porto e julgo que já esteve na Tabanca de Matosinhos.

Um grande abraço para o padre Abel e para todos. (**)

Manuel Carvalho
CCaç 2366 /BCAÇ 2845
Jolmete (1968/70)
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 6 de Julho de 2011 > 
Guiné 63/74 - P8519: Agenda Cultural (142): Apresentação do livro “CATARSE” do Capelão Militar Abel Gonçalves

(...) Convidam-se os Associados, familiares e amigos a estarem presentes na apresentação do livro CARTARSE, da autoria do Padre Abel Gonçalves, a ter lugar no dia 8 de Julho de 2011, às 16H00, no Salão Nobre da Delegação do Porto.

Esta obra descreve as experiências subjectivas de um ser humano na Guerra Colonial na Guiné que, simultaneamente, assume o papel de Capelão e o de militar, e é uma oferta do seu autor à Delegação do Porto da ADFA, revertendo o produto da sua venda para as obras. (...) 

(**) Último poste da série de 26 de Junho de 2011 > Guiné 63/74 - P8473: (Ex)citações (140): Todo esse material bélico a desmontar pelos sapadores é tanto nosso como do PAIGC (Carlos Silva)

Guiné 63/74 - P8526: Convívios (360): Almoço/Convívio da CCAÇ 1477, em Fátima, dia 14 de Agosto de 2011 (António Rama)


1. O nosso Camarada António Rama, que pertenceu à CCAÇ 1477 e esteve na Guiné em 1965/1967, enviou ao Luís Graça a seguinte mensagem:
Lyon-França, 3 de Julho de 2011

As minhas saudações amigas,

Antigo combatente na Guiné e, assíduo visitante do seu blogue, queria pedir-lhe o favor de publicar este meu anúncio, relativo ao nosso próximo convívio.

Os meus cumprimentos,

António Rama
(Guiné 1965/1967)

Almoço/Convívio da CCAÇ 1477

Camaradas,

Vai realizar-se em FÁTIMA, no próximo dia 14 de Agosto de 2011, mais um almoço/convívio dos combatentes da COMPANHIA DE CAÇADORES Nº 1477.

Venham todos a este nosso encontro e façam-se acompanhar de vossos familiares e amigos.

Para contactos e inscrições:
Américo Jesus Nunes: Telemóvel 960 490 376

Contamos com a vossa presença!
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Nota de MR:

Vd. último poste desta série em:


Guiné 63/74 - P8525: Parabéns a você (285): José Zeferino, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4616 (Tertúlia / Editores)

PARABÉNS A VOCÊ

DIA 08 DE JULHO DE 2011

JOSÉ ZEFERINO

NESTE DIA DE ANIVERSÁRIO DO NOSSO CAMARADA JOSÉ ZEFERINO, A TERTÚLIA E OS EDITORES VÊM POR ESTE MEIO DESEJAR-LHE AS MAIORES FELICIDADES E UMA LONGA VIDA COM SAÚDE, JUNTO DE SEUS FAMILIARES E AMIGOS.
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Notas de CV:

José Zeferino foi Alf Mil At Inf na 2.ª CCAÇ do BCAÇ 4616 que esteve no Xitole nos anos de 1973 e 1974

Vd. último poste da série de 4 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8506: Parabéns a você (284): Agradecimento à tertúlia (Manuel Maia)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Guiné 63/74 - P8524: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (30): António Camilo, na véspera da sua 15ª viagem de regresso àquela terra verde e vermelha, foi objecto de artigo do semanário Visão (3 de Fevereiro de 2011)










 Infogravura e texto (excertos), a partir de artigo da jornalista Rita Montez, "O Bom Gigante", Visão, 3 de Fevereiro de 2011, pp. 84-86  (Reproduzidos com a devida vénia, a partir de imagens digitalizadas pelo nosso camarada e amigo, membro da nossa Tabanca Grande,  António Camilo, ex-Fur Fur Mil da CCAÇ 1565, Bissau, Jumbembém, Canjambari, Bissau, 1966/68)



















Guiné-Bissau > Região de Tombali > Guileje > Nucleo Museológico Memória de Guiledje >  2010 >  Imagens da viagem (ou duma das das viagens...) de 2010, em que o António Camilo e o seu amigo, Luís Branquinho Crespo levaram até Guileje a imagem de Nossa Senhora de Fátima que faltava na Capela, hoje integrada no Núcleo Museológico Memória de Guiledje, inaugurado entretanto em 20 de Janeiro de 2010... e que teve, desde o início do projecto (2006) o apoio do nosso Blogue, como de resto é publicamente reconhecido pelos promotores (guineenses) da iniciativa, a ONG AD - Acção para o Desenvolvimento.

O Camilo aparece, à esquerda do Pepito, director executivo da AD, na primeira foto, junto ao seu jipe. Noutra foto, aparece o Pepito com o Luís Crespo. O Camilo mandou-me recentemente um CD-ROM com centenas de fotos da sua última viagem humanitária, de 2011, para além de cópia do artigo da Visão, a de 2011, mais estas fotos, de Guileje,  por mail (e de se publica hoje mais uma selecção(.  Oportunamente, publicaremos uma selecção das melhores fotos, de 2011,  do álbum do nosso "bom gigante", que aos 66 anos está longe de querrer as botas... Ainda recentemente passou também pelo programa da RTP1, "Só Visto" (talk-show de Nicolau Breyner), se não me engano... (LG)


Fotos: © António Camilo (2010). Todos os direitos reservados

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Nota do editor:
 

Guiné 63/74 - P8523: Notas de leitura (254): História da África Lusófona, por Armelle Enders (Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Junho de 2011:

Queridos amigos,
O livro do Prof. Armelle Enders tem a particularidade de inserir e contextualizar, com bastante rigor, a Guiné na história colonial de Portugal.
É um ensaio de um estudioso estrangeiro que, em jeito de síntese, dá o seu a seu dono no que toca à Guiné do Cabo Verde desde os tempos das viagens africanas do século XV até à violenta ruptura ratificada pela independência, em 1974.
Há erros de pormenor que o tradutor, Mário Matos e Lemos, corrige com oportunidade e acerto.

Um abraço do
Mário


A Guiné no contexto da África lusófona

Beja Santos

O livro intitula-se “História de África Lusófona” (por Armelle Enders, Editorial Inquérito, 1997), e o autor logo esclarece que a África lusófona não existe como entidade geográfica, política ou histórica. A ideia de “África portuguesa” remete para o Império português, a expressão África lusófona é uma maneira cómoda de designar os PALOP. Em resumo, a expressão África lusófona foi considerada como o menor denominador comum de uma história que vai desde a conquista de Ceuta (1415 até às eleições moçambicanas de 1994). O autor apresenta o seu trabalho como uma síntese rápida que remete o leitor desejoso de mais informação para bibliografia pertinente.

Os marcos incontornáveis apresentados por este professor da Universidade de Paris IV passam pelas expedições portuguesas a terras africanas, a chegada à costa da Guiné ou “país dos Negros”, a outorga ao Infante D. Henrique do monopólio do comércio da Guiné (1443), a passagem do Cabo Branco por Nuno Tristão (1443) e a chegada deste navegador em 1446 ao Sul do Cabo Verde, no continente africano, uma costa que dava pelo nome de “rios da Guiné do Cabo Verde. Em 1445, Lisboa põe à venda, pela primeira vez cativos apanhados nas costas mouriscas e da Guiné; em meados desse século, as viagens à costa da Guiné haviam entrado numa espécie de rotina lucrativa. Outras modalidades de comércio intensificam-se; a cultura da cana-de-açúcar desenvolve-se na Madeira, nas ilhas de Cabo Verde e na região do Golfo da Guiné. Não se pode falar nunca de colonização mas da presença dos portugueses em feitorias e praças ao longo da costa. Os cavalos, os tapetes e os tecidos berberes são trocados pelo ouro e pelos escravos na ilha de Arguim e nas feitorias da Guiné.

A hegemonia comercial portuguesa esboroa-se ao longo do século XVII. Já desde 1592 que se cobrava uma taxa, o consulado, para financiar a segurança dos comboios de mercadorias. Ingleses, franceses, holandeses, dinamarqueses e suecos cruzam agora todas estas paragens que tinham estado reservadas aos navios vindos de Portugal. Os franceses estabelecem-se ao longo do rio Senegal, em 1637. Passando para o comércio negreiro, a Guiné ao tempo é o principal fornecedor de escravos, virá a ser substituída nesta triste função por Angola. Incapaz de competir com a rivalidade comercial que vem da Europa do Norte, Portugal é compelido a organizar companhias de comércio de acordo com o modelo das companhias holandesas e inglesas. Os resultados são desastrosos. A companhia de Cacheu, rios e costa da Guiné, criada em 1676, abre falência ao fim de poucos anos; sucede-lhe em 1690 a companhia do Cacheu e Cabo Verde para fazer o comércio dos negros na região dos rios da Guiné. O Marquês de Pombal virá a enquadrar o comércio colonial por meio de duas grandes companhias, sendo uma delas a Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão (1755) que frequenta a costa da Guiné.

Com o liberalismo, procura-se assimilar tacitamente o Ultramar à metrópole. O manifesto da Junta Provisória de 1820 declara “abolido para sempre o nome injurioso de colónias” e concedido a todos, da Europa, da Ásia ou da África, “o título generoso de cidadãos da mesma Pátria”. Os portugueses reivindicam na África Ocidental a Guiné do Cabo Verde, em 1840, uma faixa litoral com 450 km de extensão que iria do sul da actual Gâmbia até ao sul do rio Nunes, situado no que é hoje o território da Guiné-Conacri. A colónia vai vegetar e o seu comércio passará a ser dominado pelos negociantes e traficantes das ilhas de Cabo Verde, da qual a Guiné depende administrativamente até 1879. Trocam-se escravos contra os panos da terra. Além dos mestiços cabo-verdianos, os raros portugueses que povoam este pedaço de terra esquecido da metrópole são, na sua maioria, degradados. A colónia europeia concentra-se em Bissau e em Cacheu, mais tarde em Bolama. À volta das feitorias e dos presídios vivem as populações autóctones, quase sempre muitíssimo agressivas. Como, aliás, escreve o autor, os portugueses empenham-se na Guiné, a partir de 1840, em intermináveis campanhas de pacificação. Segue-se o período da definição das fronteiras, sempre cobiçadas pelas potências mais poderosas. Foi assim que em 1870 o presidente dos Estados Unidos resolveu a favor de Portugal a questão da ilha de Bolama que a Grã-Bretanha reivindicava. E assim se chegou ao período da colonização que no caso da Guiné correspondeu às campanhas de pacificação. No entretanto, mudava o formato da economia colonial. Em 1898 é fundada a Companhia União Fabril (CUF), que alimenta a indústria do sabão com os óleos vegetais comprados na Guiné e em Angola.

A África portuguesa irá mudar de estatuto na era ditatorial de Salazar, este faz aprovar o acto colonial que define que “é da essência orgânica da nação portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas que neles se compreendem. O acto colonial subentendia uma forte complementaridade que deveria unir a metrópole e o ultramar. A Guiné torna-se num fornecedor de matérias-primas e a CUF irá dominar a economia guineense. Em 1950, a população africana da Guiné tem 99 % de analfabetos.

Entra-se no período do questionamento colonial, os grandes impérios desmembram-se e aliados de Salazar, como os Estados Unidos, multiplicam as porções para que Portugal emancipe as suas colónias. O resto é uma história muito bem conhecida que se vai centrar à volta do PAIGC que entrará na luta armada em 1963, depois de uma laboriosa preparação de quadros que já no ano anterior começam a subverter a região Sul, com grande êxito, seguindo-se uma parte do Leste e a região do Morés. A guerra de guerrilhas mantém um elevado equilíbrio até 1973, quando a balança dos armamentos mais eficazes pendeu para o lado do PAIGC.

Em 26 de Agosto de 1974 irá ser reconhecida em Argel a independência da Guiné-Bissau. E escreve o autor: “A luta do PAIGC pertenceu, nos anos 70, à galeria dos mitos heróicos do terceiro mundo. O movimento guineense e cabo-verdiano ficou a dever a sua reputação ao facto de ter conseguido obter, praticamente sozinho e pelas armas, a libertação do seu território, por apresentar um projecto de sociedade e por ter à sua frente Amílcar Cabral, chefe carismático. A fricção, até então dissimulada, entre guineenses e cabo-verdianos irá levar ao golpe de Estado de Novembro de 1980 e à separação entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde.
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 5 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8508: Notas de leitura (253): Amílcar Cabral – Vida e morte de um revolucionário africano, por Julião Soares Sousa (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P8522: Tabanca Grande (294): José Carvalho Barbosa Silva, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do BENG 447 (Brá, 1965/67)

1. Recebemos do nosso camarada José Carvalho Barbosa Silva (ex-1.º Cabo Radiotelegrafista do BENG 447, Brá, 1965/67), uma mensagem com data de 30 de Junho de 2011, com algumas fotos para publicação.

Este nosso camarada que agora se apresenta à tertúlia, não conta uma pequena história como está estipulado como jóia. Pelo seu endereço electrónico supomos ser emigrante na Alemanha. Claro que o recebemos de braços abertos, esperando que no seu próprio contacto nos conte mais pormenores da sua experiência enquanto ex-combatente na Guiné e, por que não, nos fale um pouco da sua vida enquanto civil e português na diáspora.

Seguem-se as fotos recebidas

2. Em mensagem adicional, o José Barbosa esclarece-nos o seguinte:


Ainda me encontro aqui (Alemanha), desde 1973, não é fácil desistir daqui:- (Os antigos emigrantes, eram outras gentes... Contruimos família, com filhos e netos... Tudo é muito difícel!!!!). Tenho casa em V.N. da Telha-Maia, onde vou -  todos os anos!!! - visitar a minha mae, que ainda é viva. Em Freixeeiro, Matosinhos, são os famíliares da minha mulher. As nossas férias são as visitas famíliares, tudo o mais fica nos poucos dias para lembrança de Portugal... que acima de tudo ainda é Portugal.

Fico agradecido pela vossa comunicação.

José Barbosa, Alemanha
Kroenerei, 36
32351 Stemwede-Dielingen
Deutschland
Telf.: +49 5474 6694



Dispensa de Recolher.


Bissau > José Barbosa à civil.

Bilhete de Identidade do 1.º Cabo Radiotelegrafista José Barbosa

Cemitério de Bissau em 1966


Feira no Copilai


Licença de aprendizagem

Diploma por serviços prestados à Pátria
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 3 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8499: Tabanca Grande (293): Manuel Freitas, ex-1º Cabo Escriturário, HM241, Bissau (1968/70)