quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Guiné 63/74 - P11127: Memória dos lugares (214): Cameconde, no subsetor de Cacine, o destacamento mais a sul do CTIG... (José Vermelho / Augusto Vilaça / Juvenal Candeias)



Guiné > Mapa geral da província ( 1961) > Escala 1/500 mil > Posição relativa de Cameconde, a guarnição militar portuguesa mais a sul, na região de Quitafine, na estrada fronteiriça Quebo-Cacine... Em 1968 era o batalhão que estava em Buba (BART 1896, 1966/68) quem defendia esta importante linha de fronteira...


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

1. Há mais de duas dezenas de referências a Cameconde, no nosso blogue, mas há informação este destacamento, que dependia de Cacine (*). Fomos recolher alguns apontamentos:




Guiné  > Região de Tombali > Bedanda > CCAÇ 6 > c. maio de 72/abril 73) > O José Vermelho, quando passou pela CCAÇ 6, as "Onças Negras".

Foto: © Vasco Santos (2010). Todos os direitos reservados.


(i) José Vermelho, nosso grã-tabanaqueiro nº 471, fur mil, CCAÇ 3520 - Cacine, CCAÇ 6 - Bedanda, CIM - Bolama, 1972/74):

(...) Cameconde era um destacamento de Cacine, distando 6/7 Kms entre si.

Tinha uma forma mais ou menos rectangular, talvez aí de uns 50 por 70 mts., encravado no meio da mata, completamente isolado, sem qualquer população civil.

Era o destacamento das N/T situado mais a sul da Guiné.

Tinha em permanência 1 Pelotão de Artilharia + 1 Grupo de Combate de Cacine, sendo este substituído mensalmente por outro, em regime rotativo.

Era feita uma coluna diária Cacine - Cameconde (com picagem) e volta.

Nos primeiros meses de 1972, também fui um dos "turistas voluntários à força", convidado a visitar Cacoca...isto é...o pouco ou nada que restava dela!

Um abraço para todos os camaradas

José Vermelho [ Comentário ao poste P11109]


(ii) Augusto Vilaça [ex-Fur Mil da CART 1692/BART 1914, Sangonhá e Cacoca, 1967/69]

Quando viemos para Cacine, tínhamos o destacamento, Cameconde, onde tínhamos de estar 15 dias. Quando haviam flagelações, bastava uma "obussada " para que os turras desistissem. Eu tirei a especialidade em artilharia, mais concretamente em armas pesadas, como bazuca, morteiros de 60 ou 120 mm. Chefiava uma secção de 5 homens.

Pergunta do J. Casimiro Carvalho:

Ó Gusto, isso aí deve ser um 10,5  [,. referência a foto, a seguir,  do Augusto Vilaça junto a um obus que me parece ser 8.8] ?! Cameconde era com abrigos, casamatas ? Eu estive aí em 73.

Resposta de Augusto Vilaça:

Olá. Quando lá estive, o nosso refúgio eram os abrigos, um em cada quadrado. Como sabes, esses abrigos eram muito frágeis. Felizmente nunca caíu um morteiro neles, senão.....

Comentário de Silvério Lobo:

Amigo augusto estive lá, em 2008, com o Luís Graça, vi um abrigo bem forte, com alguns frases do vosso tempo [Eu e o Silvério Lobo, estivemos em Cacine, não em Cameconde]

Comentário de J. Casimiro Carvalho:

Eu estive de passagem em Cacine. Cameconde tinha casamatas fortificadas e estava desativado. Ou estou enganado ?

[Fonte: Página do Facebook da Tabanca Grande, Grupo Antigos Combatentes da Guiné, 30/7/2012]


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Setor de Cacine > Cacine, na margem esquerda do Rio Cacine > 2 de Março de 2008 > Simpósio Internacional de Guileje (1-7 de Março de 2008) > Visita dos participantes ao sul > Por aqui passou a CART 1692... Esta tosca placa em cimento, delicioso vestígio arqueológico dos "tugas", diz-nos que em dois dias, de 16 a 18 de Abril de 1968, foi construído este abrigo, em tempo seguramente recorde, a avaliar pelas "60 bebedeiras neste 'priúdo'... TRABALHO RÁPIDO". Estão também gravados dois topónimos portugueses, Nisa e Alenquer.



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cacine > 2 de março de 2008 > Visita no âmbito do Simpósio Internacional de Guiledje (1-7 março de 2008) > O Silvério Lobo junto a uma "bunker", construído pelas NT em cimento armado (, seguramente pelo BENG...).

Fotos: © Luís Graça (2008). Todos os direitos reservados


(iii) Quem tem estórias, deliciosas, de Cameconde (e de Cacine) é  o Juvenal  Candeias (, ex-alf mil, CCAÇ 3520,  Estrelas do Sul, Cacine e Cameconde e Guileje, 1971/74]  [, foto à esquerda]

Reproduzo aqui, a do Viente Piu (**)

(...) Vicente era o Furriel de Minas e Armadilhas do 2º Grupo de Combate da CCaç 3520! Popularmente era conhecido por Piu, alcunha que nada tinha a ver com um temperamento piedoso, mas simplesmente com o seu vício de caçador de passarada!

Era ele, provavelmente, quem mais contribuía para o moral elevado das nossas tropas. Embora não fosse aquilo a que habitualmente chamamos uma figura carismática, o Vicente era a boa disposição permanente e contagiante, que nos permitia rir com gosto e facilidade!

Era o homem sempre pronto a pregar partidas aos camaradas!

O Vasconcelos, Furriel de Artilharia em Cameconde, homem dos obuses 14, era uma das suas principais vítimas! Pequenino e bom de bola, fazia inveja ao Garrincha, de tal modo as suas pernas eram arqueadas, e, segundo o Piu, bastante feias! Por essa razão, andava sempre de calças e só tomava banho à noite e sozinho! Salvo quando o Vicente lhe colocava baldes de água em cima das portas por onde ele ia passar!

O Vasconcelos veio à Metrópole de férias e terá conhecido, numa festa, uma miúda por quem se apaixonou! Quem escolheu para confessar a sua paixão? Exactamente o Piu, que explorou exaustivamente a situação, obtendo informação detalhada! Estava em marcha mais uma partida!

O correio enviado diariamente por Cameconde aguardava transporte em Cacine. A correspondência chegava e partia de Cacine, na melhor das hipóteses uma vez por semana, em avioneta Dornier 27. O pessoal que estava destacado em Cameconde recebia o correio no dia seguinte, através da coluna auto que todas as manhãs ligava os dois aquartelamentos.

Com alguém em Cacine feito com o Piu, o Vasconcelos começou a receber correspondência da sua paixão, aerogramas que eram escritos e falsificados em Cameconde pelo Piu, vinham a Cacine e voltavam a Cameconde, sempre que havia correio geral a distribuir. Naturalmente que as respostas do Vasconcelos nunca passavam de Cacine, voltando a Cameconde, onde eram entregues ao Piu.

O detalhe da tramóia incluía carimbos e restantes pormenores que faziam acreditar no realismo da correspondência! O conteúdo, inicialmente erótico, posteriormente pornográfico, com inclusão de sexo virtual, era do conhecimento de todos, apenas o Vasconcelos desconhecia a partida! Estava cada vez mais apaixonado… e continuava a confessá-lo ao Piu com quem, ainda por cima, comentava o correio que recebia da sua paixão!

A partida durou as semanas que o Piu entendeu e quando se fartou… escreveu uma última missiva, identificando-se, descompondo o Vasconcelos e chamando-lhe alguns nomes que pouco abonavam a sua masculinidade!

Acabou, assim, deste modo abrupto, um passatempo que animou, durante algum tempo, o destacamento de Cameconde, buraco do… cú do mundo, onde nada existia e nada acontecia, para além de umas bazucadas com maior frequência que a desejada! (...)

(iv) Sobre esta região, o Quitafine, leia-se o excelente enquadramento feito pelo Juvenal Candeias  [, foto à direita, então alf mil da CCAÇ 3520] (***):
(...) A região do Quitáfine, a Sul de Cacine, era considerada o santuário do PAIGC, que aí estava fortemente instalado e provido de dispositivos de segurança, que tornavam os nossos movimentos impossíveis, salvo com utilização de meios excepcionais. Trilhos minados e sentinelas avançadas, permitiam-lhes uma tranquilidade apenas quebrada pelos obuses de 14 cm, disparados do nosso destacamento de Cameconde!

Os efectivos de que dispunham com um grupo especial de 20 lança-granadas, responsável pelas constantes flagelações a Cameconde, apoiado por um bigrupo disperso pela zona de Cassacá e Banir (onde se supunha estar o comando), eram reforçados por uma vasta população armada em auto-defesa, distribuída, entre outras, pelas tabancas de Ponta Nova, Bijine, Dameol, Cassacá, Banir, Campo, Cassebexe e Caboxanque.

O PAIGC furtava-se sistematicamente ao contacto, optando por uma estratégia defensiva de protecção às populações que controlava, privilegiando as flagelações e a colocação de engenhos explosivos! Quem circulava a Sul de Cambaque (que distava cerca de 3 Km de Cameconde) tinha como certo algumas surpresas no trilho! Provavelmente um campo de minas e a seguir (algum humor-negro), munições de Kalash espetadas no chão formando a palavra PAIGC!

O Quitáfine permitia ainda,  ao PAIGC,  um reabastecimento regular e seguro, processado a partir da República da Guiné, através de vários rios, em especial o Caraxe e o Camexibó! Ao dispositivo militar juntava-se uma mata densa intransponível!

Os pára-quedistas, após uma operação no Quitáfine, só à noite conseguiram chegar a Cameconde, com grande dificuldade e orientados pelo clarão da queima de cargas de obus, em cima dos abrigos!  O grupo de Marcelino da Mata, largado de helicóptero, fez um golpe de mão a Cabonepo, a base do PAIGC mais a Norte do Quitáfine, onde estaria instalado um posto transmissor. Quando chegou, após lenta progressão através da mata… não havia lá nada… a base tinha sido abandonada momentos antes!

O Quitáfine era, efectivamente, o santuário do PAIGC, desde o início da guerra! Foi ali que se realizou, na tabanca de Cassacá – a 15 Km de Cacine e a 8 Km de Cameconde -, em meados de Fevereiro de 1964, o 1º Congresso do PAIGC, com a presença de Amílcar Cabral, Luís Cabral, Aristides Pereira e outras individualidades do Partido!

A CCaç 3520 tinha chegado ao porto de Cacine, a bordo da LDG Montante, em 24 de Janeiro de 1972, para render a CCaç 2726 – companhia açoriana comandada pelo Capitão Magalhães -, o homem que retorcia as pontas do bigode com cera e a quem o tabaco nunca faltava! Dizia-se mesmo, à boca pequena, que, quando o tabaco acabava em Cacine, o PAIGC deixava, no mato, uns macitos para o Capitão! Rumor ou realidade… ninguém sabe! Ficou por provar!

Decorria ainda o período de sobreposição, que se prolongou até 22 de Fevereiro, quando foram recebidas instruções de Bissau, para ser preparada uma operação ao Quitáfine – Cabonepo e… Cassacá! (...)



Plano de retração das guarnições militares portuguesas, no pós-25 de abril. Região sul. Cameconde e Gadamael foram desativados no mesmo dia,  19 de julho de 1974. Cacinbe, uns dias mais tarde, a 12 de agosto.  Nesta lista há 3 aquartelamentos que pertenciam ao leste, não ao sul: Bambadinca, Mansambo e Xime. Reprodução (parcial) da página 54 (de um total de 74) do relatório da 2ª rep/CC/FAG, publicado em 28 de fevereiro de 1975, e na altura classificado como "Secreto".

Sangonhá e Cacoca já tinham sido abandonados no início do consulado de Spínola, no 2º semester de 1968, como conta aqui o António J. Pereira da Costa, numa das histórias da sua "guerra a petróleo", e quando ele foi alferes QP da CART 1692.

Digitalização do documento: Luís Gonçalves Vaz (2012) / Edição das imagens: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2012) ]
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10 comentários:

Anónimo disse...

Cameconde, era um daqueles locais onde apenas os combatentes portugueses, conseguiam manter durante anos,sem enlouquecerem, face à falta de condições minimas de subsistência. Inclusive a água e mantimentos tinham que ser transportados, numa coluna diária por uma trilho rasgado na selva. As altas temperaturas dentro dos abrigos, os insectos, as cobras que deslizavam da selva durante a noite, procurando o calor dessas fortificações, autênticos fornos, a exposição a atiradores e ao flagelamento por rpg, tudo isso recuando 40 anos nas minhas memórias era impensável ser suportado nos dias de hoje.
Obrigado por manterem vivas essas memórias.
Alexandre Margarido -ex-Capitão Miliciano da C.Caç. 3520.

Anónimo disse...

Cameconde ..bem..bem..mau..mau

Era por assim dizer o esfincter anal da Guiné,com o devido respeito por todos os camaradas que lá estiveram,basta olhar para o mapa.
Em termos estratégicos servia como segurança avançada de Cacine.
O Quitafine era na realidade a única zona da Guiné que se poderia considerar libertada, pelo simples facto de que existia aí população totalmente controlada pelo Paigc.
Julgo que nunca esteve em Cameconde um pelart de obus 14.
A foto supra é de um obus 8,8.
No meu tempo tinha uma companhia.
O pelart de obus 14 de Cacine tinha o tiro regulado para o perímetro de Cameconde, e se bem me lembro foi poucas vezes flagelado.
Nunca lá fui durante as minhas curtas estadias em Cacine..só se fosse burro.

C.Martins

Anónimo disse...

Um abraço muito especial aos meus caros amigos Juvenal Candeias e Alexandre Margarido.

Também um abraço para todos os restantes camaradas.

José Vermelho

Hélder Valério disse...

Caros camaradas

"Cameconde". Mais um nome a pronunciar com respeito por todos os que estiveram na Guiné.
Obviamente, mais ainda por aqueles que 'beneficiaram' dessa 'estância balnear', mas extensivo a todos que estiveram no TO do CTIG.
Além do mais tem também a virtude de ser diferente de algum dos G's que às vezes parece que incomodam.

Abraço
Hélder S.

Anónimo disse...

Cameconde, ò Cameconde terra da morteirada do fuguetão e da canhoada onde os domingos eram iguais à semana.
Cameconde local da Guiné onde passei os 13 melhores e piores meses da minha vida, local que só se saía acompanhado por mais de 20 camaradas devidamente armados, os destinos eram normalmente para cacoca,caboxanque, cabonepo, cassomo, cacafála balanta, cacfála Nalú algumas pequenas incorsões no Quitafine, mas as mais agradaveis eram até à tabanca nova e Cacine pois sempre se podia apreciar alguma bajuda pois Cameconde não tinha qualquer tipo de população e como tal só Homens (mulheres cá tinha.
Aproveito para informar o ex. furriel amanuense Abilio Magro de que a companhia que ele assistiu a chegar a Cacine e o destino era S.Tomé e Principe quando saíu da carreira da tiro de Espinho já sabia que o destino final era a Guiné e tambem não foi render a CCAÇ.3520 mas sim reforçar o sul da Guiné após o abandono de Guileje, na mesma altura tambem chegou a Cacine uma CCAV. que tinha como destino Angola, tendo essa CCAV. sido colocada e Gadamael e a nossa em Cameconde e aí sim rendemos a CCAÇ. 3520 ficando ainda alguns meses em Cacine até serem rendidos.
Lembro-me bem do Juvenal Candeias e do ex. capitão Margarido, de quem guardo um comentário feito por ele em Cameconde oa dizer vamos embora depressa porque elas agora (canhoadas) já começam a cair cá dentro, para eles um forte abraço pois ainda se passei bons com eles 3520 em Cacine.
Quanto ao Lemos ex. jogador do F.C.Porto acabou a comissão a jogar no UDIB em Bissau, não deixando de ter alinhado no mato até à sua transferencia.
Vi uma foto de um abrigo tirada em 2009 onde se encontra uma pessoa com uma maq. fotográfica na mão junto desse abrigo e quase posso afirmar que esse abrigo se encontra em Cameconde e foi costruido pelo pessoal da minha companhia com material fornecido pelo BENG.
Fico aguardar as fotos de Cameconde tiradas e prometidas pelo Prf. e coperante na Guiné até 2012, para recodar, pois ainda não perdi as esperanças de voltar a Cameconde e assim poder enterrar os meus fantasmas.
Aproveito para me apresentar, sou Manuel Ribeiro ex. Furriel Mil. da CART: 6552, RAL 5 Penafiel,Carreira de tiro de Espinho, Cumeré, Cameconde, Cabedú, Catió, Cumeré e Lisboa.
Um forte abraço para todos.



Anónimo disse...

Olá Camaradas
A placa que aqui está apresentada foi montada no abrigo junto à porta de armas de Cacine. Esse abrigo foi construído por dois soldados da CArt 1692 que eram muito amigos, mas cujos rastos perdemos. Eram uns tipos bem humorados e que, como se viu trabalhavam muito bem. Creio que o abrigo era coberto por uma placa de cimento como as que hoje se constroem nos nossos prédios.
Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Só agora reparei que o mapa que vem no post reproduz praticamente a composição do BArt 1896 e BCaç 2834 que tiveram séde em Buba e o dispositivo que vem assinalado.Reparem na diferença entre 1968 e MAI973. É quase 1/3 do dispositivo.
O que é que isto significará?.
Um Ab. do
António Costa

Juvenal Candeias disse...

Um abraço especial para o Manuel Ribeiro e para o C. Martins pelas suas referências a Cameconde, local onde devo ter passado quase um ano, embora alternando mensalmente com Cacine! As fotos que aqui aparecem de Cameconde são anteriores a 1972! Nessa altura Cameconde já tinha abrigos em cimento armado à prova de morteiro 120, dizia-se, porque, felizmente nunca lá caíu nenhuma! O pessoal dormia nesses abrigos que constituiam, naturalmente as nossas casernas! Imaginem o calor e o arejamento de tais locais! Em Cameconde estava um pelotão de artilharia, comandado pelo açoreano alf. Nunes (onde andas?)inicialmente e depois, salvo erro, pelo alf. Rosa (de quem também nada sei!). Finalmente dizer que Cameconde tinha, efectivamente 3obuses de 14 cm (no final um deles foi mesmo transferido para Cacine). Ah! O Lemos era um verdadeiro "animal"! Joguei muitas vezes com ele, melhor, no mesmo campo, porque o homem tinha tanta força que era impossível acompanhar a sua velocidade! Grande atleta!
Juvenal Candeias

Anónimo disse...

Olá Camaradas
Ainda em 1968 houve um ataque de morteiro 120, a Cameconde ao qual ninguém estava a reagir. Não tenho a certeza, mas creio que deve ter sido o primeiro ataque com esta arma. Ouviam-se as saídas e algo que se parecia com um som cavo semelhante a explosões, mas algures, talvez nos outros quartéis do sector. De súbito, ouviu-se uma explosão mais clara, mas fora do aquartelamento. Só depois de o ataque ter terminado é que o pessoal saiu à procura do sucedido. Verificou-se que havia explosões que tinham motivado uma espécie de buracos em forma de chaminé. "O Brasileiro", um soldado que vivera no Brasil, desceu por uma e ficou "enterrado" até ao peito. Metendo-se para o interior, trouxe estilhaços que estavam no interior de uma "câmara de explosão" que se seguia à chaminé.
Na altura pensámos que o In tinha usado espoletas contra-cimento que entravam no solo e com um ligeiro atraso provocava uma espécie de som a que não estávamos habituados.
A explosão que tinha sido ouvida, resultara do facto de a granada ter acertado primeiro numa árvore e só depois no solo. Seis empenagens foram encontradas e recolhidos cartuchos das munições.
Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Meu caro camarada A.J.P.Costa

Simples..eram granadas perfurantes..

Aquela merda tinha uma espoleta especial que recolhia quando batia e accionava um dispositivo na parte traseira (aletas) que giravam até atingir a verdadeira espoleta e buuuuummm.
Destinavam-se a perfurar os abrigos explodindo no seu interior..
Eram um verdadeiro terror para a malta que estava nos abrigos, por isso uma grande parte destes tinham a chamada "caixa de ar" que era um espaço vazio entre a estrutura superior e inferior dos abrigos..
Felizmente eram muito pouco fiáveis.. ou não explodiam enterrando-se no solo..ou se explodissem faziam...puuffff.
Ao grito de.. perfuuuurraaaanttteees..era ver o maralhal todo a sair dos abrigos e ficar de mona ao léu tal e qual como os artilheiros..alguns refugiavam-se nos espaldões dos obuses e perguntavam candidamente... precisam de ajuda ?
Confesso que me dava um certo gozo..ver os infantes completamente indefesos e atarantados.

Um alfa bravo

C.Martins