sábado, 13 de abril de 2013

Guiné 63/74 - P11386: Diário de Iemberém (Anabela Pires, voluntária, projeto do Ecoturismo, Cantanhez, jan-mar 2012) (15): Em Catesse e em Cabedu... Os jovens por aqui, hoje, não querem fazer nada, talvez por influência do que lhes chega de outros mundos, através da TV


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Catesse > 22 de Janeiro de 2012 > A Anabela Reis, bendita entre as mulheres...

Foto: © AD - Acção para o Desenvolvimento (2012). Todos os direitos reservados [ Edição e legendagem: LG]


Guine-Bissau > Aruipélagos dos Bijagós > Bubaque > 13 de dezembro de 2009 > 14h50_> Regresso, de barco, a Bissau. Uma juventude, aparentemente despreocupada, que viver o seu tempo...



Guiné-Bissau > Região de Cacheu > São Domingos > 18 de dezembro de 2009 > O risco de perda de identidade ?... 1º Festival Cultural de S. Domingos, sob o lema "Nô Laba Rostu di Nô Guiné". Dopis jovens mulheres em dança tradcional ... Foto tirados pelo João Graça no penúltimo último dia da sua viagem à Guiné-Bissau (5-19 de Dezembro de 2009)


Fotos: © João Graça  (20009). Todos os direitos reservados [ Edição e legendagem: LG]


1. Continuação da publicação do Diário de Iemberém, por Anabela Pires (Parte XV) (*)


25 de Março de 2012

Fiquei novamente mais de 8 dias sem nada escrever. Desde que comecei a dar as aulas de alfabetização às 8.30 da manhã deixou de me dar jeito escrever pela manhã.

A semana que passou, além de me dedicar às aulas de português, preocupei-me com a gestão financeira dos alojamentos e por isso o meu trabalho foi feito sobretudo com a Maria Pónu. Agora, sabendo o dinheiro que efetivamente temos em caixa teremos de decidir o que podemos comprar. Há muitas melhorias a fazer mas só podemos fazer aquelas para as quais houver dinheiro.

Com a Satú voltei a fazer doce de laranja mas em vez de cortarmos as cascas aos bocadinhos ralámos. É mais fácil de fazer muito embora eu prefira com as cascas aos bocadinhos. O doce ficou bastante bom, com o ponto certo. Já fiz os rótulos para pôr nos frascos mas ainda não os colámos pois a Satú tem estado doente.

Nas aulas de alfabetização percebi que havia dificuldades de aprendizagem e,  como não estava a perceber bem quais eram,  na 6ª feira fiz exercícios e agora já entendi as dificuldades de cada um dos grupos. Precisava de trabalhar mais tempo com o grupo mais atrasado mas não sei se quererão disponibilizar mais meia hora por dia. Tenho também uma enorme dificuldade em arranjar imagens para que possam associar as palavras às imagens. Sem internet estou bastante condicionada e o meu jeito para desenho é nulo.

Esta semana fiz também uma pequena reunião com as 3 formandas com quem irei à Gâmbia – a Satú, a Pónu e a Fatu de Farosadjuma. Nunca tive de preparar uma visita de estudo sem ter qualquer informação do que vamos visitar. Só sei que iremos a um ecoturismo na Gâmbia e ainda não sei quando.

Ontem, pela 1ª vez, saí de Iemberém, o que me soube muito bem apesar do calor e da “canseira”. Fui a Catesse, onde tinha estado no dia em que cheguei, fazer uma pequena reunião com a Associação de Mulheres. Elas estão a construir com o apoio da AD uma casa para hóspedes. Esta casa não se destina a turistas mas a locais que passem em Catesse a caminho da Guiné-Conacri ou de outras terras da Guiné-Bissau pois a AD está também a apoiar a reconstrução do porto e a aquisição de um barco. 

Nesta primeira reunião com as mulheres de Catesse o objetivo foi alertá-las para pensarem na forma como vão gerir a casa de hóspedes e nos acabamentos, materiais e utensílios que vão colocar considerando as dificuldades de manutenção. As pessoas acham muito bonito pintar as paredes de branco ou azul mas elas só estão limpas nas primeiras 24 horas – adultos e crianças, sempre com as mãos sujas da terra vermelha, põem as mãos nas paredes e pronto! Em menos de um ai está tudo um nojo. Elas decidiram o que fazer com a certeza de que terão de lavar paredes, trabalho que nunca fizeram e ao qual os seus corpos não estão habituados. 

Catesse é uma tabanca muito bonita, razoavelmente limpa e com um povo muito hospitaleiro. Assim que tenham um quarto pronto e a casa de banho estou disposta a ir para lá uns dias trabalhar com as mulheres. Quando entramos em Catesse encontramos quase uma avenida com árvores de um lado e de outro, as moranças ao longo da “avenida” e não se vê a sujidade que há, por exemplo, aqui em Iemberém, designadamente com os malditos “oleados” (sacos de plástico). 

Conheci finalmente a menina que nasceu no dia em que cheguei e a quem puseram o meu nome. A pequena Anabela tem bochechas como eu e é a 1ª filha de uma jovem de 17 anos, chamada Fatu. Fiquei preocupada pois tinha muitos bicos no corpo alguns dos quais bem infetados. Recomendámos à mãe que fosse com a bebé ao enfermeiro mais próximo e dei-lhe uma ajuda financeira para isso. Alice, agora também tenho uma Anabelazinha na Guiné, exatamente dois anos mais nova do que a tua Alicinha, pois nasceu a 17 de Janeiro.

Depois de Catesse, onde comemos (eu, o Abubacar e o Antero, motorista da AD, todos da mesma tigela, cada um com a sua colher) um arroz com pó de lolo (umas folhas que secam e pilam e que depois põem na comida para dar gosto) e mafé (molho, acompanhamento) de peixe fumado e óleo de palma, fomos para Cabedu, uma tabanca grande com 8 bairros, também bem bonita e organizada. Lá tivemos uma reunião com uma já antiga associação de mulheres que a AD ajudou há 20 anos na construção de uma casa de hóspedes que tinha como objetivos terem uma divisão para guardarem arroz para a época das chuvas e fazerem dinheiro para comprarem arroz para a época da “fome”. 

Na época das chuvas o arroz da campanha anterior escasseia e como tal sobe muito de preço. Então as mulheres da associação compravam arroz quando estava mais barato e guardavam-no para distribuírem entre as associadas na época em que subia de preço. Não se preocuparam e talvez não o soubessem fazer em manter/conservar a casa, a qual está hoje muito degradada e a precisar de grandes obras. Pediram agora ajuda à AD para isso mas é preciso que entendam que têm de saber conservar aquilo que têm. 

Pedi-lhes então que me contassem a história da associação e da casa para que percebessem que não tinham tido o cuidado da conservação e que isso era fundamental pois a AD não pode constantemente repor o que as pessoas deixam estragar. Estava na reunião o Homem Grande de Cabedu que pediu que eu fosse dar formação e apoiar as mulheres da associação pois elas estão um pouco desorientadas. Uma dúvida, no entanto, me ficou – as mulheres que formaram a associação e que a fizeram viver durante 20 anos, são de uma determinada época histórica e estão hoje com idade para descansar. Segundo o que elas mesmo disseram as jovens não têm o mesmo espírito que elas tinham e não querem trabalhar. Quem será então que vai trabalhar, gerir, manter a casa de hóspedes se ela for renovada? O Homem Grande disse que as jovens terão de o fazer mas se as suas aspirações forem outras? 

Segundo me disse o Abubacar depois, no carro, os jovens por aqui, hoje, não querem fazer nada. Talvez por influência do que lhes chega de outros mundos, através da TV e não só, os jovens desejem vidas diferentes mas a verdade é que essas vidas não lhes estão assim tão acessíveis – basta dizer que a escolaridade é muito baixa e que a maioria nem português fala. Terei de ter estes aspectos em atenção e ver com os responsáveis da AD se vale a pena voltar a investir naquela casa.

Hoje, sendo Domingo, não vou à pesca. Vou com o Abubacar a uma outra tabanca para assistir a uma cerimónia de choro dos Balantas. Um professor Balanta (animista) faleceu há 3 meses e hoje a família fará uma cerimónia em sua memória em que matarão vacas e porcos (os Balantas comem porco mas como muitos dos presentes são muçulmanos matam vacas para lhes servirem) e dançarem em memória do falecido. 

A AD mandou uma viatura para aqui durante 5 dias para eu poder fazer outros trabalhos e ter outros contactos. Nos próximos 3 dias irei para Farosadjuma trabalhar com a Fatu (que também tem bungalows). Está a saber-me bem esta mudança pois aqui há agora que esperar para ver o que fazem as formandas sem eu andar em cima delas.

Havia muitos dias que não via o Neca. Há pouco o Abubacar chamou-me para me dizer que ele estava aqui nas árvores em frente da casa. Fui buscar uma laranja, cortei-a ao meio e chamei-o. Lá veio e pela 1ª vez veio buscar as metades da laranja à minha mão. Ainda não subiu os degraus da minha casa, eu é que tive de descer, mas já veio buscar a laranja à minha mão. Foi um bom avanço nas nossas relações. Os macacos são a minha perdição. Adoro passar tempo a observá-los e só tenho pena deles, à excepção do Neca, não se aproximarem.

São já 9 horas, aqui a hora não muda, e como vamos sair às 10 tenho de me ir despachar. Uma nota final – hoje adquiri a primeira ferramenta agrícola da minha vida! Uma pequena sachola, com a qual posso sachar o meu canteiro de flores e com a qual espero poder aprender a fazer uma horta. É muito bom não estar sempre ao computador e poder fazer outras coisas com o corpo (esta frase irá suscitar pensamentos maliciosos em muitos mentes mas foi escrita sem qualquer pensamento mais “pecaminoso”!).

[Termina aqui o diário de Iemberém. Por razões de segurança, e na sequência do golpe de  Estado de 12/13 de abril de 2012, a Anabela teve de seguir inesperadamente para Dacar,. por decisão da AD - Acção para o Desenvolvimento. Sobre essas peripécias, falaremos em próximo poste. LG].

______________

Nota do editor:

Último poste da série > 8 de abril de 2012 > Guiné 63/74 - P11359: Diário de Iemberém (Anabela Pires, voluntária, projeto do Ecoturismo, Cantanhez, jan-mar 2012) (14): Como é difícil suportar o calor na época seca... e dormir a sesta


Guiné 63/74 - P11385: 9º aniversário do nosso blogue: Parabéns (1): Querido blogue, quão importante foste para mim!... (Ernesto Duarte, ex-fur mil, CCAÇ 1421, Mansabá, 1965/67)

1. Mensagem do nosso camarada Ernesto Pacheco Duarte, alusiva ao próximo 9º aniversário do nosso blogue em 23/4/2013:


Data: 12 de Abril de 2013, às 00:12

Assunto: Parabéns hoje e amanhã e sempre,  Blogue!

Com um grande abraço
e um bem haja a todos vocês.Ernesto Duarte 




Blogue,
Estou-te a escrever duas linhas, 
porque sei que és um tipo porreiro 
e eu devo-te muitos favores. 
Sei que fazes anos brevemente, 
mas eu não sou de solenidades, 
sou simples, 
apenas te queria mostrar 
o quanto foste importante para mim 
e dizer-te um obrigado grande, 
claro, além de trocar três ou quatro palavras contigo. 
Chamaram-te Blogue !
Tiveste muita sorte, 
podiam ter-te chamado outra coisa qualquer 
e podes querer que os teus progenitores 
sabem tantos nomes 
e alguns que nem queiras saber para não corares !
E depois, porreiro, Blogue, uma palavra masculina !
Primeiro ponto a teu favor !
Hoje não, felizmente já não é assim !

Mas os teus progenitores, 

entre muitos azares, também tiveram esse, 
só havia caras barbudas, 
hoje há outras caras, 
mais bonitas, 
com outros atrativos.

Caras com outros atrativos,  

lá pelo tempo  dos teus progenitores, 
também as havia, 
o meu grande grito de homenagem e respeito, 
por todas elas, 
que foram também tão grandes 
e tanto sofreram, 
mas viviam outra situação, 
era má, era péssima, 
mas passou-se noutro campo.
Sim, tiveste progenitores !
Homens muito grandes, enormes ! 
Embora quem os conheça 
e conheça o que eles viveram, 
algo para os lados da loucura, 
fica-se confuso e chegamos a ter dúvidas.

Tu sempre tiveste o apoio, 
o auxílio de outros das mesmas escolas, 
mas com uma formação, 
que todos juntos fizeram de ti o gigante que és hoje.
E és mesmo grande, 
tão grande que não tens noção do teu tamanho !
E como és grande, ao conviveres com os mais "usados", 
todos grisalhos e já algo curvos, é a lei da vida, 
muitos deles se calhar sorriram pela primeira vez, 
em muitos anos,
ao olharem a primeira vez para ti!.
Sorriram ao verem-te grande, forte,  independente !
Sorriram porque fizeste mais um ano !
Sorriram com um pouquito de nostalgia no canto de um olho !
Mas não lhes leves a mal !
Há coisas que tu talvez não entendas muito bem, 
e que se passa na vida dos humanos !
Sintam grande alegria por teres feito mais um ano !

Ficam muito felizes por ti 
e pelo exemplo que és, 
porque captaste todo o bem dos teus progenitores 
e dos que te ajudaram a crescer.
Mas também sentem uma ponta de saudade, 
porque muitos já partiram.
Ficam saboreando um peito cheio de orgulho, 
porque devido ao que os teus progenitores te incutiram, 
tu viverás sempre com todos, 
os igualmente de cabelos grisalhos, 
por gerações e gerações,
e continuarás quando ninguém quis, 
a fazeres outros ouvir o nosso grito, 
Guerra nunca mais!,
e cantarás os nossos hinos à paz 
e chorarás as nossas lágrimas.


Ernesto Pacheco Duarte
ex-furriel miliciano 

BCAÇ  1857,  
CCAÇ 1421,

Mansabá, Oio, Morés
1965/1967 

Guiné 63/74 - P11384: Relatório do início da actividade do CAOP em Teixeira Pinto (1) (Manuel Carvalho)

1. Na sua mensagem de 11 de Março de 2013*, dizia-nos a certa altura o nosso camarada Manuel Carvalho (ex-Fur Mil Armas Pesadas Inf, CCAÇ 2366/BCAÇ 2845, Jolmete, 1968/70):

Ainda relativamente à operação Aquiles Primeiro como tenho algumas fotos dessa operação vou enviar e dizer mais alguma coisa sobre o assunto.
Como já disse em comentário, no início de Fev/69 veio para Teixeira Pinto o CAOP sobre o Comando do Coronel Para Alcino Ribeiro e os Majores Passos Ramos e Magalhães Osório e as seguintes forças, CCP 121 e 122, DFE 3 e 12, 16ª de CComds, e passaram a depender operacionalmente do CAOP a Ccaç 2366 a 2444 a 2446 bem como o Pel Caç Nat 58 e 59 e o Pel Milic 128 e 130.
Todas estas forças começaram a actuar conjugadamente em todo o sector durante quase todo o mês de Fevereiro.[...]

Assim publicamos hoje as primeiras 5 de 18 páginas de um relatório elaborado pelo CAOP no início da sua actividade em Teixeira Pinto que o camarada Manuel Carvalho nos enviou para o efeito.

Para introdução publica-se a identificação e a síntese operacional deste Comando de Agrupamento Operacional que retiramos da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974):

Reprodução das páginas 591 e 592  do 7.º Volume, Fichas das Unidades, Tomo II, Guiné da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974).
A realçar o erro histórico da página 592 que refere como 21 de Abril de 1971 a data em que foram assassinados os três majores, quando sabemos que a verdadeira é 20 de Abril de 1970.


O CAOP EM TEIXEIRA PINTO (1/3)


(Continua)
____________

Nota do editor:

(*) Vd. poste de 15 DE MARÇO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11259: (Ex)citações (214): Ainda a Operação "Aquiles Primeiro" (Manuel Carvalho)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Guiné 63/74 - P11383: 9º aniversário do nosso blogue: Questionário aos leitores (4): Resposta do António Vaz [, ex-Cap Mil da CART 1746, Bissorã e Xime, 1967/69] , que sobreviveu a uma recente "emboscada" na estrada da vida...






Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) > Duas imagens do Xime, c. 1970: (i) em cima, vista aérea do quartel e tabanca do Xime (c. 1969); (ii) o cais do Xime: um enorme desembarque de cibes,. com destino (presumo) ao reordenamento de Nhabijões (c. 1970); em segundo plano, de perfil, o Humberto Reis, ex-fur mil op esp, 2º Gr Comb da CCAÇ 12.

Fotos: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: L.G.]





A. Resposta do nosso querido amigo e camarada, António Vaz [, ex-Cap Mil da CART 1746, Bissorã e Xime, 1967/69, ] ao nosso questionário de opinião sobre o blogue:


Meus caros Camaradas da Guiné: estive afastado da vida normal dois meses e meio e, sem grandes e escusados pormenores,  direi que,  tendo saído de casa às 04.00 do dia 17 de Janeiro, INEM passei pelos Hospitais de S. José, Santa Marta e Clínica S. João de Ávila (para recuperação) e só voltei a casa no dia 4 deste mês (faz hoje 6 dias). Tive AVC (cerebelo), enfarte e aguardo cirurgia cardíaca nos próximos meses.

Durante estes dois meses e meio não gozei a sombra do Grande Poilão, não tive acesso ao computador e, do Blogue,  "nicles"

Para o meu reatamento aqui envio as respostas ao inquérito de 8 do corrente em que o Luís Graça (nas suas palavras encontrei, e não é a primeira vez , uma certa e a meu ver escusada, inquietação pelo futuro do Blog) faz um desafio que aceito de boa vontade, e ao qual passo a responder:

1.Tardiamente. Talvez em 2011

2. Descobri o Blog a partir dum pesquisa no Google sobre a Guerra Colonial.

3. Sou membro da nossa Tabanca a partir das vésperas no almoço de 2012 onde conheci ou revi pessoas que hoje considero meus amigos.

4. Em certas épocas, no princípio todos os dias, depois semanalmente.

5. Mandei poucas coisas e provavelmente talvez tivesse mandado mais se tivesse conhecido o Blogue há mais tempo. Penso que ao iniciar-me tardiamente iria repetir opiniões já manifestadas anteriormente.

6. Não frequento o Facebook neste assunto nem qualquer outro.

7. Só conheço o Blogue.

8  Idem.

9. Por vezes não aprecio certo material e penso que tal só interessa ao autor e ao seu ego, mas se isso lhe é importante é de respeitar.

10. Não tenho qualquer dificuldade com o Blogue [, em termos de cesso]

11. Para mim o Blogue  é um exercício de memória, nostalgia (saudades da idade em que andei na Guiné e da excepcionalidade da situação),  repositório de experiências vividas que poderão servir, no futuro, assunto de estudo e conhecimento.

12/13. Estive com prazer no almoço de 2012.

14. O blogue terá fôlego bastante desde que exista UM antigo combatente da Guerra da Guiné vivo e esteja pronto a colaborar.


Um abraço para todos do António Vaz

B. Comentário de L.G.:

Meu caro António, não posso deixar de aqui, publicamente, me alegrar pelo teu regresso ao convívio da nossa Tabanca Grande, depois da grande "emboscada" de que foste vítima, e que te madou para o "estaleiro" durante dois meses e meio...

Quem está vivo e pertence ao Clube dos SExas, como todos nós, está sujeito a apanhar uma "roquetada" dessas. Grande capitão, vamos rezar, crentes e não crentes, pelas tuas rápidas melhoras. Vai-nos dando notícias da boa recuperação da tua saúde. Vai correr tudo bem. Pela leitura da tua resposta ao nosso questionário, passas com distinção no teste da prova de vida!..

Quanto ao futuro do blogue, bom, estou de acordo contigo: o seu futuro a nós... pertence!

________________

Nota do editor:

Último poste da série > 12 de abril de 2013 > Guiné 63/74 - P11381: 9º aniversário do nosso blogue: Questionário aos leitores (3): Resposta do Torcato Mendonça, ex-alf mil art, CART 2339, Mansambo, 1968/69, e nosso colaborador permanente

(...) Questionário ao leitor do blogue:

(1) Quando é que descobriste o blogue ?

(2) Como ou através de quem ? (por ex., pesquisa no Google, informação de um camarada)

(3) És membro da nossa Tabanca Grande (ou tertúlia) ? Se sim, desde quando ?

(4) Com que regularidade visitas o blogue ? (Diariamente, semanalmente, de tempos a tempos...)

(5) Tens mandado (ou gostarias de mandar mais) material para o Blogue (fotos, textos, comentários, etc.) ?


(6) Conheces também a nossa página no Facebook [Tabanca Grande Luís Graça] ?

(7) Vais mais vezes ao Facebook do que ao Blogue ?

(8) O que gostas mais do Blogue ? E do Facebook ?

(9) O que gostas menos do Blogue ? E do Facebook ?

(10) Tens dificuldade, ultimamente, em aceder ao Blogue ? (Tem havido queixas de lentidão no acesso...)

(11) O que é que o Blogue representou (ou representa ainda hoje) para ti ? E a nossa página no Facebook ?

(12) Já alguma vez participaste num dos nossos anteriores encontros nacionais ?

(13) Este ano, estás a pensar ir ao VIII Encontro Nacional, no dia 8 de junho, em Monte Real ?

(14) E, por fim, achas que o blogue ainda tem fôlego, força anímica, garra... para continuar ?

(15) Outras críticas, sugestões, comentários que queiras fazer.

Obrigado pela tua resposta, que será publicada, com direito a foto. O editor, Luís Graça. (...)

Guiné 63/74 - P11382: Estórias do Juvenal Amado (48): Fizeram-me lembrar os "Doze Indomáveis Patifes"

1. Mensagem do nosso camarada Juvenal Amado (ex-1.º Cabo Condutor da CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1971/74), com data de 25 de Março de 2013:

Luis, Carlos, Magalhães e restante Tabana Grande.
Mais uma pequena lembrança dos tempos de Galomaro.
Aproveito para agradecer a ajuda que o Luís Dias (ex-alferes da companhia do Dulombi CCaç 3491), que me confirmou quanto às informações operacionais das movimentações das nossas tropas e do PAIGC na nossa zona de acção.

Juvenal Amado


FIZERAM-ME LEMBRAR OS DOZE INDOMÁVEIS PATIFES

Alferes Dias em Galomaro com a MG42 

Lembrou há pouco tempo o ex-Alferes Dias da CCAÇ 3491 do Dulombi, que o BCAÇ 3872 até meados de Abril de 1972 só com três meses de mato já sofrera 12 mortos metropolitanos (4 em Cancolim – CCAÇ 3489 + 8 no Quirafo/Saltinho - CCAÇ 3490) mais cinco milícias e um desaparecido em combate (o Baptista também no Quirafo). Juntando aos mortos e os feridos, as baixas eram já consideráveis e em virtude disso, chegou a ser considerada a possibilidade de o Batalhão ser transferido para outra zona.

Tal não se veio a confirmar pois ao aumento da movimentação do IN, entre Cancolim (atacado várias vezes) e Galomaro onde atacaram várias tabancas como Cansamba, onde estava um pelotão da companhia do Saltinho, Bangacia, Campata (e ainda Bafatá pois o IN infiltrava-se passando perto do destacamento de Cancolim) posteriormente a própria CCS em Galomaro.

A este acréscimo da movimentação do PAIGC respondeu-se com medidas acertadas, que talvez tenham feito gorar os intentos do movimento independentista e assim para sacudir o assédio que vinham fazendo na zona, foram precisas várias intervenções dos pára-quedistas (logo em 1972) e, posteriormente, a transferência da CCAÇ 3491 que veio reforçar Galomaro e Cancolim (I GCombate). Também essa companhia “emprestou” para Piche o II Grupo de Combate do Luís Dias (e o III GCombate do Farinha). A certa altura Galomaro, também foi reforçada por um pelotão comandado pelo alferes Luís Borrega (em 1972) e outro de uma companhia independente (em 1973), onde estava um meu antigo colega de escola, Carlos Afonso

Pára-quedistas em Galomaro desta vez em 1973.

Mais tarde tivemos mais mortos e feridos (zona de Cancolim e zona de Galomaro) e um desaparecido em Cancolim (António Manuel Ribeiro) que veio a aparecer por ter conseguido fugir em Março de 1974 de uma prisão do PAIGC, usando o rio Corubal para se guiar até ao Saltinho.

Posteriormente alguns soldados vieram para o nosso batalhão alguns por castigo, como o caso de um madeirense expulso dos comandos, que integrou o Pel Rec e pelo que vou contar, também se recorreu a agrupamentos disciplinares para reporem os nossos mortos e evacuados.

Belo dia juntamo-nos todos para ver o grupo de soldados que tinha chegado em rendição das baixas de Cancolim. O aspecto deles não era o melhor e o estado das fardas era representativo das vicissitudes por que tinham passado até ali chegar. Todos a roçar mais os 30 do que os 20 anos, eram o retrato vivo de soldados que a indisciplina, o azar ou quem sabe fruto de uma certa revolta os atiraram para castigos na maioria com passagem pelas prisões militares.

Um tinha agredido um superior, alguns refratários, etc... depois já sabe, ou não se sabe onde existe a verdade e onde ela acaba.

Nisto ouço ao meu lado uma exclamação: Olha o Lino!!!!! 

- É um moço lá do mê bairro e há anos que o não via! - Dizia o Caramba naquela forma tão peculiar de falar e dando a perceber com expressão do rosto, que o Lino era de primeira apanha.

O Lino também o reconheceu logo e fez-se ali uma festa com umas cervejas à mistura.

O Lino contou imensas peripécias e as inúmeras “porradas” que levou na Metrópole às quais juntava outras tantas já na Guiné, com passagens pelo presidio militar. Via-se que pela cara dele, que há muito tinha deixado de se vangloriar dos seus feitos e que esses lhe tinham custado demasiado caro.

- Lembras-te de quando atiravas bombas de carnaval ao polícia com a fisga?

Todos nos rimos imaginando o pobre policia a ser bombardeado sem saber donde lhe chovia. Outras patifarias onde o Lino era figura principal foram recordadas e está claro, que elas eram bem presentes na memória do Caramba, que delas sabia em primeira mão ainda moço.

O Lino bem como os outros lá foram no mesmo dia para Cancolim na coluna que regressava de Bafatá.

Nós, com mais de um ano de comissão, não ficamos indiferentes à sua passagem por Galomaro e ao seu especto físico e ar arruaceiro, o grupo mais fazia lembrar os “Doze Indomáveis Patifes”, um conhecido filme americano sobre a II guerra mundial.

Nessa mesma noite Cancolim é atacada e lá vai o Lino evacuado para Bissau com um ferimento numa perna. Nada de especial e acabou por regressar mas, se não estou em erro, foi mais tarde evacuado com uma ulcera no estômago e, desta vez sim, nunca mais o vimos.

Nunca me esqueci do seu aspecto, sem dentes, muito moreno, pequeno e magro com um rosto algo sofrido, irreverente que se desarmou ao ser por nós tratado com amizade. É que ali debaixo daquele sol tórrido, éramos todos iguais.

Nota de rodapé:
- Os pára-quedistas foram usados várias vezes na nossa zona em 1972 e 1973 em Cancolim onde reforçaram o próprio destacamento. Foram largados entre Galomaro e Saltinho (íamos buscá-los quando caimos numa mina com um morto) e posteriormente no eixo Cancolim, Dolumbi, Madina de Boé. Também o grupo do Marcelino da Mata fez operações a partir de Galomaro após o ataque a Campata.
____________

Nota do editor

Último poste da série de 19 DE MARÇO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11279: Estórias do Juvenal Amado (47): Aquelas postas de bacalhau eram ouro

Guiné 63/74 - P11381: 9º aniversário do nosso blogue: Questionário aos leitores (3): Resposta do Torcato Mendonça, ex-alf mil art, CART 2339, Mansambo, 1968/69, e nosso colaborador permanente



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 16 [, Mansambo: Cartaz de boas vindas... Ao fundo os "bunkers", construídos de raíz pelo pessoal da CART 2339... à esquerda, a fiada de arame farpado, e o engenhoso sistema de alerta, constitúido pro garrafas vazias de cerveja...]



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 15 [, Abrigo e balneário...]



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 60 [, Dia de festa, com leitão à moda de... Mansambo...]



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 5 [... Jogatana de futebol na parada... As balizas eram feitas com pneus velhos...]




Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 7 [... O Torcato posando para a fotografia, junto ao espaldão do morteiro 81...]



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 6 [... O Torcato junto ao obus 10.5]




Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 13 [...O ponto de referência (opu de mira) do PAIGC, sempre que atacava ou flagelava o aquartelamento, que não tinha população, apenas alguns guias e milícias com as suas famílias... A enorme árvore acabou por ser abatida e queimada...]



Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mansambo > CART 2339 (1968/69) >  Fotos falantes III > Foto nº 14...

Fotos do álbum do Torcato Mendonça > Fotos Falantes II

Fotos: © Torcato Mendonça (2007). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar: L.G.]


1. Continuação da publicação das respostas ao "questionário aos leitores" do blogue (*), no âmbito das comemorações do  9º aniversário do nosso blogue (,que será a 23 de abril).

Aqui fica, a seguir, o guião com as "15 perguntinhas ao leitor" que foram enviadas a todo o pessoal que se senta debaixo do poilão da Tabanca Grande. A mensagem, por nós enviada, sempre em BCC (como manda as boas regras de segurança na Net), foi devolvida nos seguintes casos (por desatualização ou mudança do endereço de email): Henrique Castro, Joaquim Fernandes, José Belo, Nuno Rubim, Ricardo Figueiredo, Rogério Ferreira e Sérgio Pereira.


(1) Quando é que descobriste o blogue ?

(2) Como e através de quem ? (por ex., pesquisa no Google, informação de um camarada)

(3) És membro da nossa Tabanca Grande (ou tertúlia) desde quando ?

(4) Com que regularidade vês/lês o blogue ? (diariamente, semanalmente, de tempos a tempos...)

(5) Tens mandado (ou gostarias de mandar mais) material para o Blogue (fotos, textos, comentários, etc.)

(6) Conheces também a nossa página no Facebook ? (Tabanca Grande Luís Graça)

(7) Vais mais vezes ao Facebook do que ao Blogue ?

(8) O que gostas mais do Blogue ? E do Facebook ?

(9) O que gostas menos do Blogue ? E do Facebook ?

(10) Tens dificuldade, ultimamente, de aceder ao Blogue ? (Tem havido queixas de lentidão no acesso...)

(11) O que é que o Blogue representou (ou representa ainda hoje) para ti ? E a nossa página no Facebook ?

(12) Já alguma vez participaste num dos nossos sete anteriores encontros nacionais ?

(13) Estás a pensar ir ao VIII Encontro Nacional, no dia 8 de junho, em Monte Real ?

(14) E, por fim, achas que o blogue ainda tem fôlego, força anímica, garra... para continuar ?

(15) Outras críticas, sugestões, comentários que queiras fazer

Obrigado pela tua resposta, que será publicada, com direito a foto. O editor, Luís Graça.




2.8. Torcato Mendonça [ex-afl mil art, CART 2339, Mansambo, 1968/69, e nosso colaborador permanente; vive no Fundão, foto à direita]


(1) Creio que nos primeiros meses de 2006.

(2) Foi-me dado a conhecer por um camarada, Carlos Marques dos Santos. Estivemos na mesma Companhia (CART 2339) na Guiné [Fá e Mansambo, 1968/69] . Em 2005 eu fui, pela 2ª vez desde que se realizam, ao almoço da Companhia. Foi talvez devido a isso que ele me deu a conhecer, tempos depois, o blogue. Eu estava também mais recetivo ao “tema Guiné”.

(3) Desde Maio/06 quando comentei um poste que abordava um assunto que eu conhecia. O Luís Graça convidou-me e eu aceitei.

(4) Leio o blogue diariamente e, quase sempre, mais do que uma vez. Faz parte da minha rotina diária. Claro que em viagem, férias ou outras estadias quebro essa rotina.

(5) Tenho enviado “estórias”, fotos e comentários. Talvez em participação excessiva. Fiz uma paragem, talvez mais uma menor participação, deve haver quase um ano. Não sei ao certo mas facilmente se verifica consultando a listagem á esquerda do blogue. 

(6) Claro que sim [, conheço a página do facebook].

(7) Não. Prefiro o blogue. 

(8) Do blogue evidentemente. É nele que está o que me interessa e com o alinhamento de que gosto.

Sobre o facebook nada mais digo. O que mais gosto no blogue é difícil dizer. Talvez o relato, depois de décadas, das vivências dos ex-combatentes naquela “terra vermelha e ardente” e o seu convívio com a boa gente das Tabancas. Gosto dessas “estórias” que mostram como vivíamos e víamos a Guiné, suas gentes, costumes e cultura e o respeito que nos mereciam. Claro que haviam excessos a mostrarem uma certa superioridade bacoca. Penso que é natural em jovens de vinte e poucos anos ou jovens revoltados pela interrupção de sua juventude e de suas vidas. Relevar aqui Séries ou textos que têm passado no blogue parece-me pouco correto. Correto não, prefiro elegante.

(9) [Sobre o que gosto menos:] Certos comentários que mostram intolerância ou, de alguma forma, violam as Regras do blogue. Aparecem certos escritos que, em parte ou no todo, parecem ser um elogio a um ou outro facto ou personagem. Ainda discussões estéreis ou elogios a quem contra nós combateu. Respeito quem diferente de mim pensa e essa, quase, forma elogiosa de tratar o IN, desgosta-me. Primeiro e sempre o soldado do meu País. Nunca conviveria com o IN, na fase de transição para a dita independência, a não ser militarmente. Só. Não sou racista e o ser humano merece-me muito respeito e, por isso mesmo, seria esse o meu comportamento.

(10) Não. Pode haver algumas falhas que me parecem normais.

(11) [Para mim, o blogue representa:] Uma companhia, o fazer-me sentir mais jovem e participativo num período marcante de minha vida. Além disso, é uma fonte de aquisição de novos conhecimentos sobre o modo como outros camaradas sentiram a sua passagem pela Guiné. É saudável. Recordar o passado, esse meu passado, foi importante para mim. Tinha tentado esquecer. Impossível claro, certos acontecimentos marcaram e esses nunca se esquecem. Creio que logo na minha entrada para o blogue disse isso: nunca esqueço (o facto que me marca pelo desagrado) e não sei perdoar.

(12/13) Em praticamente todos. Este ano não vou. O blogue dá-nos a conhecer outros camaradas mas, só nesses encontros os conhecemos fisicamente. Nos encontros das Companhias é diferente e eleva-se muito, para mim claro, o aspeto emotivo. Ali sentimos ou sinto muito o meu Grupo de Combate e os que não estão. Não só e prefiro não ir ou ir espaçadamente. O telefone resolve muito.

(14) Que pergunta me fazes... Claro que sim, ora essa. Pode ser necessário, de quando em vez, aliviar a pressão, fazer uma pausa como em tudo nesta vida. Depois é sempre em frente. O objetivo está corretamente identificado,  logo é para ganhar…(tirei o militar eliminar, fica ganhar).

(15) Criticas, sugestões, comentários. Nada! Dou os Parabéns aos Editores pelo excelente trabalho. O que está já feito, sem alardes e com humildade, é demasiado importante. Deve ser continuado pois muitos merecem que aquela realidade seja conhecida. Quem melhor dos que a viveram para a contar?
Abraços e nem faço revisão ao que escrevi ao correr das teclas…

______________

Nota do editor:

Último poste da série > 11 de abril de 2013 > Guiné 63/74 - P11374: 9º aniversário do nosso blogue: Questionário aos leitores (2): Respostas de José Ferraz (EUA), Tony Borié (EUA), Eduardo Estrela e Manuel Reis

Guiné 63/74 - P11380: Notas de leitura (471): Honório Barreto, Português da Guiné, por Joaquim Duarte Silva e A. Teixeira da Mota (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 10 de Dezembro de 2012:

Queridos amigos,
Enquanto escrevia este texto assaltou-me à memória uma conversa havida em Bissau, nos finais de Novembro de 2010, com Chico Bá, um dirigente histórico do PAIGC, ele admitia sem qualquer rebuço que tinha chegado a hora da nova república reerguer a sua História sem omissões nem preconceitos, as estátuas deviam voltar ao seu lugar, tal como a memória dos edifícios. E falou-se de Honório Pereira Barreto, a quem a Guiné-Bissau deve o recorte das suas fronteiras e a acérrima defesa do território face a cobiças francesa e britânica, num tempo adverso em que os políticos portugueses, de um modo geral, nem sabiam onde ficava a Guiné.
Faz todo o sentido recuperar a ação política e a devoção de um homem que dizia abertamente “Apoio sempre com todas as minhas forças tudo quanto tende a conceder a dignidade de homens à gente da minha cor”.

Um abraço do
Mário


Honório Pereira Barreto, português da Guiné

Beja Santos

Em 1973, a Agência Geral do Ultramar dava à estampa na mesma edição de dois textos, um do tenente-coronel Joaquim Duarte Silva e outro do comandante Teixeira da Mota, uma conferência que o estudioso proferiu na Sociedade de Geografia de Lisboa a propósito do primeiro centenário da morte de Honório Pereira Barreto.

O tenente-coronel Duarte Silva enquadra a ação de Honório Pereira Barreto no contexto do século XIX, quando a constituição liberal se referia a este território falando em duas capitanias-mores, Cacheu e Bissau. Muito antes da ocupação efetiva, foi um século de hostilidades em que se verteu muito sangue de parte a parte, houve insubordinações da tropa e as luta políticas que ensanguentaram Portugal repercutiram-se em discórdias e ódios na Guiné, então chamada Senegâmbia portuguesa.

Barreto era filho de um cabo-verdiano e de D. Rosa de Carvalho Alvarenga de Ziguinchor. Foi educado em Portugal e quando seu pai morreu, tinha ele 16 anos, regressou à Guiné para assumir a gerência da casa comercial, no Cacheu. É aqui que começa a sua carreira, como provedor do concelho. O brigadeiro Pereira Marinho, governador-geral de Cabo Verde, nomeou-o governador-interino da Guiné, cargo em que se conservou mais de dois anos, entre 1837 e 1839. Neste período, Barreto teve que atender às violações perpetradas pelos franceses na região de Casamansa de que irá resultar o esbulho de uma vasta região até ao Cabo Roxo. Num português primoroso, critica asperamente o que se passa entre políticos portugueses: “Desde o dia em que li o discurso de um senhor deputado, cujo nome me não lembra (porque não merece ser lembrado pelos habitantes destas Possessões), em que dizia que as Câmaras não se deviam ocupar do negócio de Casamansa, por ser um nome bárbaro, e que não vi os ministros levantarem-se como uma só pessoa para combater tais expressões, desde esse dia fiquei persuadido que os estrangeiros podiam, quando quisessem, roubar as nossas possessões; e que os habitantes de Ziguinchor, sendo-lhes impossível sustentar a concorrência nos mercados gentios, ver-se-iam obrigados a abandonar o presídio, que têm defendido com o seu sangue e dinheiro”. Esta indiferença, em rigor, não era absoluta, Alexandre Herculano viria a terreiro verberar quanto à legitimidade de Portugal sobre aquelas paragens. Mas perdeu-se aquela fração de território por indiferença dos políticos portugueses.

Enquanto isto se passa, Barreto vai a Bolama ratificar a soberania portuguesa naquela ilha, por tratado vai adquirindo mais terras, estabelece acordo com o régulo de Bissau para que este preste vassalagem e reconheça a soberania portuguesa, compra o ilhéu do rei e denuncia os abusos praticados pelos ingleses em Bolama. Barreto voltará a ser governador da Guiné muitos anos depois e morrerá no exercício deste cargo, em 1859. Muitos anos antes, em 1843, publicará um interessante opúsculo, numa tentativa de sensibilizar as autoridades portuguesas para a triste situação que se vive na Guiné, “Memória sobre o estado atual da Senegâmbia Portuguesa, causas da sua decadência e meios de a fazer prosperar”. É um texto duríssimo, arrasador, mostra como não há governo, a Guiné vive no caos, as leis não vigoram, os vigários têm comportamentos imorais, a tropa é um bando de homens indisciplinados. O historiador Cristiano Barcelos irá prestar-lhe comovente homenagem: “Perdeu o país o vulto mais importante desta colónia, e que conquistou para a Coroa grandes territórios no rio Casamansa, mansa e pacificamente; a ele se deve a nossa influência entre os Beafadas, no rio Grande de Bolola, onde estabelecemos a primeira colónia, e entre os Bijagós, que confirmaram a nossa soberania à ilha de Bolama”.


A conferência proferida por Teixeira da Mota é uma peça de rara beleza e grande apuro descritivo. Começa por referir o sonho restauracionista do império francês nestas paragens e da rivalidade com a Grã-Bretanha a propósito da Gâmbia, fala de relatos de um náufrago francês que percorre a região da então Guiné portuguesa onde é patente a afabilidade dos povos. É nesse contexto que o estudioso insere a ação de Barreto logo como provedor do Cacheu, tinha ele 21 anos, ele foi a Bolor ratificar, em nome da rainha, a cedência desse território a Portugal, em 183, era um ponto estratégico para se fazer a comunicação entre o rio Cacheu e o rio Casamansa, pela exposição de Teixeira da Mota fica bem claro como Barreto era resoluto e determinado nas suas intervenções, acordos, tratados e aquisições, por todo o território, viajava incansavelmente paralisando no embrião tumultos e lutas e dissuadindo os assaltos estrangeiros. Igualmente Teixeira da Mota chama a atenção para a importância do opúsculo dedicado à Senegâmbia Portuguesa, prova do seu arreigado patriotismo, Barreto disse verdades que nem punhos: “A má qualidade da gente que da Europa vem para estas Possessões, é uma das causas do atraso da civilização delas. Degredados por crimes infames e homens da mais baixa classe do povo, e que apenas aqui chegados passam a ser notáveis e até oficiais, não podem introduzir bons costumes; antes pelo contrário, adotam os de cá, porque favorecem sua imoralidade. Um ou outro que em Portugal recebe uma educação decente e que as circunstâncias trazem a estas possessões, nada podem fazer”.

A ocupação portuguesa da Guiné graças a Honório Barreto é evidenciada no texto de Teixeira da Mota que em desenho eloquente mostra o que eram as povoações e territórios ocupados antes dele, quais as povoações e territórios adquiridos pela sua ação e por ocupação efetiva. Por exemplo, "em 1854 obtém para Portugal o território Felupe de Eguel. Por morte do governador de então, de novo assume o governo interino e irá governar a Guiné até falecer. Em 1856 bateu o gentio de Cacanda, nas imediações de Cacheu. Por então fez um tratado de paz e comércio com os balantas de Naga, que de há muitos anos não tinham relações com os portugueses. No ano seguinte, em 1857, constando que os franceses pretendiam instalar-se mais para o Sul, cedeu a Portugal o território de Varela, que os Felupes haviam dado a seu pai. Em 1858, adquire para Portugal terrenos no Biombo, ilhéu de Mantampa (perto da foz do Mansoa) e ainda a foz do rio Brame. A malha da ocupação portuguesa vai-se assim adensando, mercê da sua atividade e do seu enorme prestígio entre todas as populações locais”. Barreto multiplicou-se em iniciativas que depois não encontraram continuidade: deu muita atenção à educação dos filhos dos régulos, levantou novas igrejas e exigiu a presença de missionários, desdobrou-se em cuidados com a assistência sanitária, com o arranjo, limpeza e urbanização das povoações. Mesmo quando não governava, a sua presença era requerida para servir de medianeiro em qualquer tipo de conflitos. Morre no momento crucial em que os ingleses se voltam a apoderar de Bolama. Era um homem de fina inteligência, travesso e astuto. Há um episódio que dele se conta que vale a pena recordar.


Barreto foi procurado por um insolente comandante inglês que lhe queria comunicar que Bolama pertencia à Inglaterra. Barreto tinha observado com o seu óculo que o seu oficial se dirigia para a casa do Governo de chambre e chapéu de palha, para o meter a ridículo. Barreto recebeu-o em camisa e chinelos no patamar da escada. O oficial perguntou pelo governador e Barreto identificou-se. O oficial desculpou-se, vinham assim vestido por motivo de calor, Barreto disse que estava assim vestido por motivo idêntico. Quando o inglês lhe pediu para falar sobre o que ali o levava, Barreto fez-lhe ver que só se podia tratar tal assunto entre um oficial e um governador, não podia ser com ambos vestidos de tal indumentária. “Então volto fardado de oficial da Marinha de Guerra britânica”, replicou o inglês. “E eu recebê-lo-ei em audiência e com as honras devidas como autoridade portuguesa”, redarguiu Barreto.

É para mim incompreensível como as autoridades da Guiné-Bissau ainda não repararam o dano que praticam com a sua história não reconhecendo em Barreto um dos pais do Estado, continuam apegados a ideias pré-concebidas de nacionalismo arcaico ou de clichês sobre a escravatura ou colaboracionismo com as autoridades coloniais. Barreto considerava-se português, era um produto do seu tempo, revelou-se extremamente dedicado à criação do território da Guiné e não foi por devaneio que aos 33 anos o agraciaram com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada. A Guiné-Bissau tem que sentir orgulho na honestidade e dignidade de Barreto, o africano que deu fronteiras à Guiné-Bissau.
____________

Nota do editor

Último poste da série de 8 DE ABRIL DE 2013 > Guiné 63/74 - P11361: Notas de leitura (470): Texto policopiado e publicado pelo Comissariado Nacional da Mocidade Portuguesa - Ultramar (5) (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P11379: Convívios (514): XXIII Encontro do pessoal da CCAÇ 2381, dia 27 de Abril de 2013 em Rio Maior (José Teixeira)

 


1. A pedido do nosso camarada José Teixeira (ex-1.º Cabo Enf.º da CCAÇ 2381 "Os Maiorais", Buba, QueboMampatá e Empada, 1968/70), damos conhecimento do XXI Convívio dos Maiorais que vai ser levado a efeito no próximo dia 27 de Abril de 2013 em Rio Maior, conforme o programa que se publica.

 



____________

Nota do editor:

Último poste da série de 11 de Abril de 2013 > Guiné 63/74 - P11375: Convívios (513): 15º Almoço/Convívio da CCAV 2748/BCAV, 41º ano da saída das tabancas CANQUELIFÁ / DUNANE, dia 25 de Maio em Caldas da Rainha (Francisco Palma)

Guiné 63/74 - P11378: Em busca de ... (221): Camaradas do ex-1.º Cabo Pedro José Gonçalves da 1.ª Secção/3.ª Esquadra do Pelotão de Canhões S/R 1154 (José Martins)

EM BUSCA DE CAMARADAS DE PEDRO JOSÉ GONÇALVES
PELOTÃO DE CANHÕES S/R 1154


1. Mensagem chegada ao nosso Blogue no dia 5 de Abril de 2013, enviada por Vítor Pinheiral, Agente da PSP da Disão da Amadora - Esquadra de Trânsito:

Boa tarde.
Venho por este meio solicitar informação acerca do seguinte:
Na qualidade de Agente da PSP, hoje tive uma ocorrência com um ex-combatente, pertencente ao Pelotão de Canhões sem Recuo 66/68 - Guiné.
A minha questão prende-se com o estado em que encontrei o vosso camarada, o facto de se sentir "perdido" e sem vontade de viver, o gosto e esperança que encontrar os colegas. Perante tal facto, questiono se existe alguma forma de o ajudar!?

Um optimo dia de trabalho!
Com os melhores cumprimentos.
Vitor Pinheiral


2. No mesmo dia o editor de serviço reencaminhou a mensagem ao camarada José Martins, com conhecimento ao Agente Vítor Pinheira:

Caro José Martins
O senhor Agente da PSP, Vítor Pinheiral, fez chegar ao Blogue a situação de um camarada nosso pertencente a um Pelotão de Canhões S/R que esteve na Guiné entre 1966 e 1968.
De acordo com a tua listagem apenas dois Pelotões estiveram lá nesse período, o 1154 e o 1155. Na página do Jorge Santos não há nenhum pedido de contacto destes Pelotões, nem nós temos qualquer referência a eles.
Pergunto-te, já que geograficamente estás mais perto do acontecimento, se poderás fazer alguma pesquisa no sentido de ajudar este nosso camarada.
Eu posso lançar um poste na série "Em busca de..." para ver se aparece alguém que tenha pertencido a algum daqueles Pelotões.

Permita-me senhor Agente Vítor Pinheiral que o cumprimente de modo especial por esta sua iniciativa que poderá ser uma pequeno passo no sentido de ajudar mais um combatente, dos muitos, infelizmente, entregues à sua sorte.
Serviram-se de nós, esqueceram-nos e querem-nos ver mortos, o mais rápido possível, para (tentar) apagar um passado que existiu mesmo e que é parte integrante da História de Portugal. Quer se queira, quer não.
A Guerra Colonial existiu e não foi por os ex-combatentes quererem, foi por causa de uma opção política, discutível como muitas que se tomam hoje em dia.
É meu desejo pessoal que tenha ânimo suficiente para cumprir a sua espinhosa missão em favor da sociedade. Bem haja.

Com os melhores cumprimentos
Carlos Vinhal


3. No dia 6 de Abril obtivemos do nosso camarada José Martins resposta:

Bom dia Carlos
As sub-unidades de nivel inferior a companhia, porque dependentes de um batalhão, normalmente não têm elementos no Arquivo Histórico.
De qualquer forma e como habitualmente, vou iniciar as pesquisas, para ver o que se pode fazer.

Bom fim de semana.
Zé Martins

E para conhecimento esta mensagem envida ao Agente Vítor Pinheiral:

Sr. Agente Vitor Pinheiral
Agradecia, se possível, nos informasse o nome do nosso camarada, para servir de "ancora" nas pesquisa que irei fazer, assim que possível, nas histórias das unidades, no Arquivo Histórico Militar.

Saúdo-o pela iniciativa que teve em nos transmitir o seu sentir perante o quadro que nos apresentou.

Renovo o agradecimento, já feito pelo camarada de armas Carlos Vinhal, e espero que se consiga encontrar, brevemente, uma solução para este (s) caso(s).

Melhores cumprimentos
José Martins


4. Trabalho elaborado pelo nosso camarada José Martins a propósito deste assunto:

Boa tarde.
Venho por este meio solicitar informação acerca do seguinte:
Na qualidade de Agente da PSP, hoje tive uma ocorrência com um ex-combatente, pertencente ao Pelotão de Canhões sem Recuo 66/68 - Guiné.

A minha questão prende-se com o estado em que encontrei o vosso camarada, o facto de se sentir "perdido" e sem vontade de viver, o gosto e esperança de encontrar os colegas.

Perante tal facto, questiono se existe alguma forma de o ajudar!?

Um óptimo dia de trabalho!
Com os melhores cumprimentos.

Vitor Pinheiral
Agente nº 7612/151759
PSP - Divisão da Amadora


Este mail foi recebido pelo editor da Tabanca Grande Carlos Vinhal que, de imediato, não só agradeceu o alerta do Agente da PSP, como nos enviou o mesmo para procurarmos saber de quem se trata.

Já sabemos de quem se trata. É o nosso camarada PEDRO JOSÉ GONÇALVES, nascido em 29 de Junho de 1944, a quem foi atribuído o NM 06046965.

Não dispomos de mais elementos sobre este nosso camarada, além dos que nos foram revelados pelo Agente Pinheiral.
Esperamos que este texto chegue ao conhecimento dos seus camaradas de pelotão, ou de qualquer unidade que com ele tenha contactado, ou ainda de qualquer instituição ou a própria autarquia, no sentido de se pensar e tentar encontrar apoio que traga de novo a “vontade de viver” deste nosso camarada.

Será que este apelo vai ser atendido?

Vista aérea de Cufar
Foto: © Jorge Simão (2010) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.

História do Pelotão de Canhões sem Recuo nº 1154

Esta subunidade foi constituída no Regimento de Infantaria nº 2 em Abrantes, com destino a prestar a sua comissão de serviço no Comando Territorial Independente da Guiné.
Embarca cerca das 16H30 do dia 10 de Setembro de 1966, no “Rita Maria”, tendo desembarcado em 20 de Setembro.
Foi deslocada para Cufar, no Sector “S3”, onde chegou em 1 de Outubro de 1966, para efectuar o Treino Operacional sob a orientação da Companhia de Caçadores nº 763, no período de 2 a 18 de Outubro de 1966, que consistiu patrulhamentos apeados e em meios auto, nomeadamente entre Cufar e Catió, assim como a tabancas do sector. A sua acção, apesar de ser uma Pequena Unidade de Armas Pesadas efectuava, além do serviço respeitante à sua especialidade, serviço de reforço às unidades em operação, como atiradores.

Do que consta da história da unidade (cota 2/4/70/10, do Arquivo Histórico Militar), e tendo em conta que o mês de Abril de 1968 não menciona qualquer actividade operacional, pode resumir-se a sua actividade operacional a:

a) Reforço do aquartelamento de Bedanda, onde se encontrava a 4ª Companhia de Caçadores Indígenas, até 31 de Março de 1967, tendo alterado a sua designação para Companhia de Caçadores n º 6, em 1 de Abril de 1967, com uma esquadra, que rodava mensalmente, desde Julho de 1967;

b) Ano de 1966:
23 Patrulhamentos
18 Segurança a itinerários
02 Operações;

c) Ano de 1967:
69 Patrulhamentos
77 Segurança a itinerários
13 Operações;

d) Ano de 1968:
14 Patrulhamentos
16 Segurança a itinerários
02 Operações;

O Pelotão de Canhões sem Recuo nº 1154, apoiou em actividades operacionais as seguintes subunidades:

* Companhia de Cavalaria nºs 1484 (Regimento de Cavalaria nº 7, Lisboa) e 1615, 1616, e 1617 (Regimento de Cavalaria nº 3, Estremoz);

* Companhias de Caçadores nº763 (Regimento de Infantaria nº 1, Amadora), 1621 e 1624 (Regimento de Infantaria nº 2, Abrantes), e 4 e 6 (CTIGuiné);

* Companhia de Artilharia nº 1687 (Regimento de Artilharia Pesada nº 2, Vila Nova de Gaia).

Durante o tempo em que prestou serviço no CTIGuiné, dependeu organicamente do Batalhão de Artilharia nº 1914 (Regimento de Artilharia Ligeira nº 1, Lisboa) e Batalhões de Caçadores nºs 1860 (Regimento de Infantaria nº 15, Tomar) e 1912 (Regimento de Infantaria nº 16, Évora).


Elementos que constituíram o Pelotão:

Comandante
Alferes Miliciano de Artilharia Rogério Caetano Fortunato Valério
* Louvado pelo comandante do Batalhão de Artilharia nº 1913, publicado na Ordem de Serviço nº 78 de 1 de Março de 1968.

Esquadra de Comando
1º Cabo Manuel Raul Milho Leon
Soldado Estafeta Miguel de Sousa Pedroso
Soldado Radiotelefonista Higino Serra Cruz
Soldado Condutor Auto António Carlos Ramires da Cruz

1ª Secção - Comando
Furriel Miliciano de Artilharia Jorge Alberto Áspera Moniz
Soldado Estafeta Manuel Pinheiro Monteiro
Soldado Condutor Auto Manuel Ruivo da Silva

1ª Secção – 1ª Esquadra
Soldado Apontador Adérito da Costa Pereira
Soldado Municiador Artur Simões Duarte
Soldado Remuniciador David Correia da Silva
* Louvado pelo comandante da Companhia de Caçadores nº 6, publicado na Ordem de Serviço nº 8 de 25 de Fevereiro de 1968.
Soldado Remuniciador António dos Santos Tente

1ª Secção – 2ª Esquadra
1º Cabo Albino Garcia de Freitas
Soldado Apontador José Manuel da Costa Santos
Soldado Municiador João Batista da Costa
Soldado Remuniciador Manuel da Rocha Barreto
Soldado Remuniciador Augusto António Pinela

1ª Secção – 3ª Esquadra
1º Cabo Pedro José Gonçalves
* Louvado pelo comandante da Companhia de Caçadores nº 6, publicado na Ordem de Serviço nº 8 de 25 de Fevereiro de 1968.
Soldado Apontador David Oliveira e Silva
* Louvado pelo comandante da Companhia de Caçadores nº 6, publicado na Ordem de Serviço nº 8 de 25 de Fevereiro de 1968.
Soldado Municiador Artur Moreira da Costa Abrantes
Soldado Remuniciador Abraão Israel da Silva Conceição
Soldado Remuniciador Fernando da Silva Coelho

2ª Secção – Comando
Furriel Miliciano de Artilharia António Rego Simões Pinto
Soldado Estafeta Antero da Silva Pinto
Soldado Condutor Auto Alberto Francisco Lima Tinoco

2ª Secção – 1ª Esquadra
Soldado Apontador Albino Teixeira da Rocha
* Louvado pelo comandante do Batalhão de Artilharia nº 1913, publicado na Ordem de Serviço nº 52 de 1 de Março de 1968.
Soldado Municiador Anastácio Macedo
Soldado Remuniciador Emilio Conduto Carreira
Soldado Remuniciador Joaquim Coelho Morais

2ª Secção – 2ª Esquadra
1º Cabo Manuel Fernando de Sousa
Soldado Apontador António José Alves
* Ferido em combate
Soldado Municiador António Alberto Batista Neves
* Ferido em combate
Soldado Remuniciador Agostinho da Silva e Sousa
* Ferido em combate
Soldado Remuniciador António José Valente

2ª Secção – 3ª Esquadra
Soldado Apontador Manuel Pinto de Oliveira
Soldado Municiador Gabriel Paulino Vicente Peniche
* Louvado pelo comandante do Batalhão de Artilharia nº 1913, publicado na Ordem de Serviço nº 52 de 1 de Março de 1968.
Soldado Remuniciador António Albino Rodrigues Domingues
Soldado Remuniciador José Pereira Barreiro

Extra Quadro Orgânico
Soldado Apontador Abel Gonçalves da Costa
* Integrado no Pelotão em 2 de Novembro de 1967
* Louvado pelo comandante da Companhia de Caçadores nº 6, publicado na Ordem de Serviço nº 8 de 25 de Fevereiro de 1968.

O Pelotão regressou à metrópole em Junho de 1968, finda a sua comissão.

José Marcelino Martins
11 de Abril de 2013


5. Comentário do editor:

Sem entre os nossos leitores houver quem nos possa fornecer elementos que levem a descobrir algum companheiro do nosso camarada Pedro José Gonçalves, ex-1.º Cabo da 1.ª Secção/3.ª Esquadra do Pelotão de Canhões S/R 1154, façam-nos chegar até nós.


Em tempo:
De acordo com comunicação do nosso camarada José Martins, a Unidade a que perteceu o camarada Pedro José Gonçalves é o Pel Canh S/R 1154 e não 1155 como por engano foi indicado.
Carlos Vinhal
13ABR13
____________

Nota do editor:

Último poste da série de 2 DE ABRIL DE 2013 > Guiné 63/74 - P11334: Em busca de ... (220): Pessoal do Hospital Militar de Bissau, do tempo do meu pai, 1º cabo enf Vitorino Dores Pereira, HM 241, 1965/67 (João Rodrigo Pereira)

Guiné 63/74 - P11377: (Ex)citações (218): Sexo em tempo de guerra... e brancos mpelelé no pós-independência (Cherno Baldé / José Teixeira / António Rosinha)



Uma das belíssimas fotos da série temática "A Mulher, menina, bajuda de Bedanda", da autoria do nosso nosso camarada António Teixeira (ex-Alf Mil da CCAÇ 3459/BCAÇ 3863 - Teixeira Pinto, e CCAÇ 6 -Bedanda, 1971/73).
Foto: © António Teixeira  (2011). Todos os direitos reservados
1.  Seleção de comentários ao poste P11360 (*)


(i) Cherno Baldé

A sexualidade é, desde sempre, um tema sensível, em particular se tivermos em conta a carga moral ou moralista de cariz cultural ou religioso que o acompanha nas nossas sociedades.

Falando de relações sexuais entre a tropa e as nossas mulheres (locais) que não podem ser confundidas com prostituição, sendo esta uma dimensão distinta dentro do mesmo e grande campo sociológico, a minha opinião é que no decurso da guerra e em função do aumento do numero do contigente militar no TO, da fixação mais prolongada, da diminuição da frequencia das operações e saidas ao mato em determinados sitios, da aclimatização e perda relativa do medo da diferença e do outro, do estranho, etc..etc, terá havido maiores espaços sociais de convivialidade e de aproximação entre as partes que, por sua vez, favoreceram e facilitaram as relações de intimidade.

No caso concreto de Fajonquito, uma tabanca grande para a época que recebera numerosas familias fugidas da guerra a volta e habitada por uma população Fula e Mandinga, coexistiram lado a lado uma espécie de prostituição semi-profissional, protagonizada por algumas mulheres viuvas ou solteiras sem esperanças de voltar a casar, quase sempre de outras etnias não muçulmanas e que, por isso, eram imunes a pressão comunitária local. Mas, também, algumas bajudas Fulas cairam no charme dos jovens brancos e pasmem-se, era por amor, pela curiosidade e gosto da aventura ou simplesmente por violação as vezes consentida e fraqueza pessoal ou humana.

Os casos da prostituição eram bem controlados porque eram feitos por profissionais do sexo que não raras vezes alugavam os serviços de pessoas terceiras dentro de um grande sigilo profissional.

Paradoxalmente, a maior parte dos filhos "mestiços" que resultaram dessas relações fortuitas aconteceu com as nossas bajudas Fulas ainda jovens e inexperientes, quase crianças sem contar com os casos de aborto ou de infanticídio.

Os primeiros casos conhecidos e que resultaram em filhos de carne, osso e cabelos ondulados ou de capim seco, são de meados de 1969, mas a maior parte aconteceu depois de 1970 tempo que coincide com as duas últimas companhias.

Conheci muita bajuda fula ingenua e doidamente apaixonada por soldados metropolitanos, mas infelizmente, parece que não havia recíprocidade de sentimentos. Aos soldados apeteciam-lhes fazer sexo e descarregar suas baterias com as nativas e mais nada, pois a mentalidade colonial de superioridade racial debaixo dos seus camuflados não lhes permitia ter outra forma de ver as coisas e de se relacionar com o nativo, "indígena" logo inferior.

É evidente que hoje, todos nós temos uma forma diferente de ver as coisas e de justificá-las.

(ii) José Teixeira:

Obrigado Cherno pelo ponto de vista que expressas e que é o resultado de uma visão atenta dos acontecimentos in loco.

Tu, melhor que qualquer um de nós podes explicar bem este fenómeno. Creio que na realidade a visão ou concepção de ser "superior" do militar branco só em poucos casos lhe permitia um apaixonamento real, mas da outra parte também se colocavam reservas a meu ver naturais, porquanto um militar branco não ficaria na Guiné, após a passagem à "peluda".

Muitos de nós tínhamos assumido compromissos de namoro, noivado e casamento em Portugal.
No entanto conheci camaradas que se apaixonaram por jovens africanas e não eram correspondidos, pois já estavam prometidas em casamento na maior parte dos casos. Também conheci jovens africanas apaixonadas por camaradas meus.

Eu ainda hoje trago na mente a imagem da minha lavadeira, como a mais linda mulher que conheci, a qual estava prometida a um filho do chefe de tabanca, pelo que se distanciava de nós. Nas vezes que voltei à Guiné, tive a oportunidade e a alegria de me reencontrar e conviver com ela e com o marido
As intimidades partilhadas, eram em muitos casos resultantes de um aproveitamento por parte do militar branco do seu poder económico e o poder das armas, aliados às necessidades hormonais como diz o C. Martins, de uma juventude afastada do seu modus vivendi.

(iii) Cherno Baldé:

A minha visão deste fenómeno em particular não pretende ser completa, nem neutra e muito menos deve ser vista como imparcial, é simplesmente uma opinião de quem (con)viveu a época com as suas naturais limitações de análise, viu e sofreu juntamente com os seus irmãos "mulatos" as difíceis experiências e as mil e uma interrogações sem respostas de crianças que estavam a crescer num mundo que à partida não devia ser deles e eram tratados em conformidade.

Acontece que o fenómeno dos filhos mestiços entre nós não era de todo inédito, pois já os comerciantes lusos, em tempos anteriores, tinham feito filhos num contexto diferente e com comportamentos diferentes.

Os da primeira vaga (comerciantes) eram mais responsáveis e assumiam sempre a sua progenitura, muitos dos quais eram enviados para estudar em colégios na metrópole e não havia problemas de maior.

Os filhos da tropa, abandonados, quase todos, viraram brancos "mpelelé" no período após independência.

As promessas de casamento entre familias eram de facto uma realidade, particularmente no seio dos grupos islamizados, mas também não se pode apresentar nenhum caso em que um soldado "tuga" fosse apresentar-se aos pais de uma bajuda com uma proposta séria de casamento, nenhum.

Posso garantir-vos que a maior parte das mulheres casadas com soldados nativos ou milicias daquela época já estavam prometidas a outras familias ou pessoas, mas sempre que foram colocadas perante factos reais (por força do estatuto militar, capacidade financeira ou decisão firme das filhas e pretendentes), os anciões guineenses souberam sempre decidir pela razão, pela bondade e bom senso que caracteriza a mentalidade primitiva dos africanos da época.

Reconheço e aceito o meu etnocentrismo, obrigado e mais não digo,

PS - E, por sinal, são estes filhos de comerciantes lusos, caboverdianos e sãotomenses que, mais tarde, bem instruídos e conhecedores do mundo e da realidade portuguesa, vão formar a nata da elite politica que vai reivindicar o direito a emancipacao e a independência dos territórios do ultramar.

(iv) Antº Rosinha

Não se deve confundir uma simples queca de um soldado ou de qualquer jovem numa breve passagem (2 anos) pela África colonial, com o fenómeno da mestiçagem luso-africana ou luso-brasileira.

Toda a secular colonização portuguesa foi baseada num ambiente mestiço.

Os últimos anos (13) de guerra do Ultramar colonial, que representam o fim do império, não são representativos do ambiente colonial.

O ambiente mestiço das colónias portuguesas (antes da guerra) era muito respeitável, e foi pena que se extinguiu ou esteja em vias de extinção porque era um modelo digno de ser preservado e imitado.

O PAIGC guineense eliminou esse ambiente mestiço com o 14 de Novembro de 1980.

Penso que se está mantendo e desenvolvendo esse fenómeno em São Tomé, Caboverde e Portugal.

O "bulyling" sobre estudantes mestiços no liceu de Bissau, após o 14 de Novembro era perigoso e muito difícil.

Colega meu sãotomense teve que reenviar os filhos para Portugal, nesses tempos.

Pessoalmente penso que era naquele bem-estar mestiço que sonhavam os fundadores do MPLA. PAIGC e FRELIMO, quando resolveram partir para a independência.

______

Nota do editor:


(*) Último poste da série > 8 de abril de 2013 > Guiné 63/74 - P11360: (Ex)citações (217): Lavadeiras... e favores sexuais na Empada do meu tempo (José Teixeira / Arménio Estorninho, "maiorais" da CCAÇ 2381, 1968/70)