sábado, 29 de junho de 2013

Guiné 63/74 - P11776: 9º aniversário do nosso blogue: Os melhores postes da I Série (2004/06) (16): Vae victis! Ai dos vencidos!... (A. Marques Lopes)



Guiné >Região do Cacheu > CCAÇ 3 > Barro > 1968> Um prisioneiro do PAIGC.

Foto: © A. Marques Lopes (2005). Todos os direitos reservados


1. O A. Marques Lopes fez parte do pelotão da frente do nosso blogue, ou seja, foi dos primeiros camaradas a aparecer, em meados de 2005, a dar a cara, a escrever, a fornecer fotos, a publicar histórias e relatórios, a comentar... Ele, o Sousa de Castro, o Humberto Reis, o David Guimarães, o Luís Carvalhido, o Afonso Sousa, o João Varanda, o Fernando Chapouto, o Jorge Santos,  o Manuel Castro, o António dos Santos Almeida, o Belmiro Vaqueiro, o João Tunes, o Paulo Salgado, o Virgínio Briote...

 Recorde-se que ele é coronel DFA, na reforma, tendo sido alferes miliciano no TO da Guiné em 1967/68 (CART 1690, Geba, 1967/68; e CCAÇ 3, Barro, 1968)... Ferido em combate, foi evacuado para o HMP, ainda no tempo da CART 1690, mas não se safou de ter de voltar, sendo então colocado na CCAÇ 3, em Barro. O seu Gr Comb era conheciodo por  os "Jagudis", uma mistura de balantas e fulas. Natural de Lisboa, vive em Matosinhos. E tem hoje a o seu próprio blogue, que arrancou em 30/9/2010: Coisas da Guiné. Também foi um dos fundadores da Tabanca de Matosinhos.

Da sua muita e valiosa colaboração na I Série do nosso Blogue, fomos repescar um artigo de opinião sobre um tema que na altura (maio de 2006) esteve na berlinda e deu origem a vários postes, saudavelmente polémicos, a começar pelo título da série "O colaboracionismo sempre teve uma paga"... Reproduz-se aqui o primeiro poste da série, que foi justamente da autoria do A. Marques Lopes, bom amigo e melhor camarada, ou bom camarada e melhor amigo...

O poste, mesmo integrado na seleção dos melhores postes da I Série (*), não deixa ser de ser atual e oportuno, encaixando-se no teor dos muitos comentários (já vão em 46!) suscitados pelos trágicos acontecimentos em Cuntima, novembro de 1976, revelados pelo Cherno Baldé. Infelizmente faltou à Guiné (bem como a Angola e Moçambique) a lucidez e a grandeza de um  Nelson Mandela que soubesse fazer a paz, sem  exclusão de ninguém, sem ódio, sem revanchismo. O curso dos acontecimentos, pós-independência, com Amílcar Cabral, se fosse vivo, seria muito provavelmente diferente ? Podemos especular, mas nunca saberemos a resposta à pergunta. (LG).






Página de rosto do blogue de A. Marques Lopes, Coisas da Guiné... De que trata ? "Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças".


O colaboracionismo sempre teve uma paga (**)
por A. Marques Lopes

Caros camaradas e amigos:

Tenho lido tudo o que têm escrito sobre os fuzilamentos e outras mortes dos comandos africanos e outros guineenses que estiveram a combater do lado da tropa portuguesa durante a luta de libertação na Guiné. Já escrevi, em tempos, sobre isso para o blogue. Porque o tema está aceso, vou ver se me lembro do que disse na altura e acrescentar mais algumas coisas.

Também sei de alguns dos meus jagudis que foram mortos após a independência, e de outros que tiveram de fugir para o Senegal. Falei-vos já, no blogue, do Braima Seidi, o meu guia em Barro, conhecedor dos trilhos e das zonas do tarrafe por onde os guerrilheiros passavam, tendo resultado da sua colaboração muitas e pesadas baixas para o outro lado.

Contei-vos que, em 1998, quando perguntei ao Cacuto Seidi por ele, este chefe da tabanca de Barro me disse, um pouco atrapalhado:
─ Mataram ele depois da independência...

Também vos falei da filosofia de vida dos meus soldados da CCAÇ 3, da sua atitude perante os feridos que o PAIGC deixava no terreno, e que era:
─ Deixa estar, alfero, vem jagudi e come...

O Braima Seidi, caçador conhecedor da zona, recebia 2.000 escudos por mês por essa sua colaboração, vivia bem na tabanca, com quatro mulheres. Um cabo daquela companhia recebia 1.400 escudos mensalmente (não me lembro quanto recebiam os soldados), com comida, bebidas sempre à disposição, e assistência médica em Bigene, quando necessário. Apesar de também andarem na guerra, uma vida muito diferente do pessoal da guerrilha que vivia no mato.

No final da segunda grande guerra, a resistência francesa matou muitos colaboracionistas, a italiana assim fez, no Vietname, após a vitória, fizeram o mesmo, os franquistas fuzilaram muitos republicanos...
Vae victis! Ai dos vencidos! - já os romanos diziam.

Não estou a fazer a apologia desses procedimentos, estou a dizer que eles sempre fizeram parte da história dos vencedores. Claro que também houve os Nurembergas em que os vencedores, muitos também com culpas no cartório, fizeram o julgamento daqueles que venceram. Mas foi diferente, evidentemente.

Tenho pena e gostava que as coisas não se tivessem passado assim na Guiné, porque, como vós, vivi e convivi com aqueles guineenses que lutaram ao meu lado. Não sei dos meandros das conversações em Londres para formalizar a independência (...).. Mas parece-me que a solução desse problema, o futuro dos que estiveram do nosso lado, não teria sido tarefa fácil.

Num país saído de uma revolução, como foi nosso, em ebulição em 1974, perto da guerra civil em 1975, que poderia ter sido feito? Embarcar toda essa tropa guineense, habituada à guerra e a matar, misturá-los com os muitos milhares de retornados que cá estavam já, acasalá-los com os vários grupos políticos que se degladiavam, às vezes de forma violenta, encostá-los ao MDLP...? Tentar que fossem para outro país africano, tentar passar a batata quente? Mas qual dos países africanos, já com gente da mesma estirpe, os aceitaria?

Outra hipótese, que me disseram ter existido, seria negociar a integração deles nas Forças Armadas da nova Guiné-Bissau. Mas, há que admitir, isto também terá sido demasiado complicado conseguir. Com os ódios todos ao de cima (que é natural que houvesse entre guineenses que se combateram mutuamente, embora connosco isso não sucedesse), não os estou a ver em conjunto numa caserna, não estou a ver um capitão dos comandos africanos a comandar uma companhia de ex-guerrilheiros... Não estou a ver o Marcelino da Mata em convívio com o comandante Lúcio Soares.

Gostaria que tivesse havido uma solução. Mas não foi fácil, acredito. Não por cobardia, nem pusilanimismo, nem por abandono dos responsáveis portugueses da altura, governo, MFA ou Conselho da Revolução. Num país em agitação revolucionária, mesmo em polvorosa, com militares politicamente inexperientes, terá sido extremamente difícil manobrar de forma ardilosa e segura, havendo tantas coisas de difícil tratamento por cá.

Está visto que o problema teve que ficar nas mãos dos vencedores, donos da Guiné. Estes poderiam, se com uma mão firme e esclarecida a dirigi-los, ter optado pelo menos chocante e, na situação, aceitável até para nós: deixá-los estar, remetendo-os ao abandono. O tempo traria outra soluções (ou outros problemas, sabe-se lá...). Mas o caboverdiano Luís Cabral, como me disse o ex-paraquedista Camará, não conseguiu ter pulso e foi ultrapassado pelas iniciativas dos ex-comandantes das guerrilhas locais, pelas iniciativas das figuras históricas do PAIGC naturais da Guiné, como o Nino Vieira, o Gazela e o Chico Té. E foram estes que incentivaram à vingança dos vencedores... a outra paga. E, como se sabe, o próprio Luís Cabral teve de ir embora.

Mas cada um tem a sua visão pessoal desta questão, é claro. Acontece em tudo. Sobre o outro lado da moeda, isto é, as atrocidades cometidas pelos comandos africanos, pela PIDE e outros que tais, não vou acrescentar mais ao que o João Tunes e o Pepito já disseram. Estou completamente de acordo com eles.

Um abraço

A. Marques Lopes

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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 30 de maio de 2013 > Guiné 63/74 - P11654: 9º aniversário do nosso blogue: Os melhores postes da I Série (2004/06) (15): Memórias de Guileje ao tempo da CART 1613 (1967/68), por José Neto (1929-2007) - Parte III : O Dauda (filho do vento e mascote da companhia), o 1º cabo escriturário Cardoso, o faxina Rochinha, e...o batismo de fogo, no final das chuvas, em outubro de 1967

(**) Vd., I Série, poste de 25 de maio de 2006 > Guiné 63/74 - DCCXCV [795]: O colaboracionismo sempre teve uma paga (1) (A. Marques Lopes)

Guiné 63/74 - P11775: Parabéns a você (595): José Firmino, ex-Soldado At Inf da CCAÇ 2585 (Guiné, 1969/71) e Santos Oliveira, ex-2.º Sargento Mil do Pel Ind Mort 912 (Guiné, 1964/66)

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Nota do editor

Último poste da série de 27 DE JUNHO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11768: Parabéns a você (594): Vítor Caseiro, ex-Fur Mil da CCAÇ 4641 (Guiné, 1973/74)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Guiné 63/74 - P11774: Uma visão alargada do ataque a Gadamael - Dos antecedentes às consequências (4): Os Paraquedistas Desembarcam e Resolvem (Manuel Vaz)

1. IV parte, de seis, do trabalho elaborado e enviado, para publicação no nosso Blogue, pelo nosso camarada Manuel Vaz (ex-Alf Mil da CCAÇ 798, Gadamael Porto, 1965/67). 

Lembremos a sua mensagem de apresentação:
Este trabalho que vai ser publicado em 6 Postes, correspondentes a outros tantos subtítulos, foi concebido como "peça única". 
Posteriormente foi seccionado e ilustrado, sem perder as caraterísticas iniciais.

Um abraço
Manuel Vaz 


UMA VISÃO ALARGADA DO ATAQUE A GADAMAEL

DOS ANTECEDENTES ÀS CONSEQUÊNCIAS

4 - OS PARAQUEDISTAS DESEMBARCAM E RESOLVEM

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Nota do editor

Vd. os primeiros três postes da série de:

26 DE ABRIL DE 2013 > Guiné 63/74 - P11477: Uma visão alargada do ataque a Gadamael - Dos antecedentes às consequências (1): Ofensiva do PAIGC na ZA de Gadamael até 22MAI73 (Manuel Vaz)

12 DE MAIO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11560: Uma visão alargada do ataque a Gadamael - Dos antecedentes às consequências (2): A fronteira sul na mira de Amílcar Cabral (Manuel Vaz)
e
31 DE MAIO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11659: Uma visão alargada do ataque a Gadamael - Dos antecedentes às consequências (3): Os sem-abrigo refugiam-se no tarrafo (Manuel Vaz)

Guiné 63/74 - P11773: Notas de leitura (495): A Guiné que vou encontrando na Feira da Ladra (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 18 de Março de 2013:

Queridos amigos,
A Feira da Ladra, para um acumulador como eu, é uma atmosfera irresistível.
Sei de antemão que é quase impossível encontrar ali livros raros, hoje os herdeiros de bibliófilos chamam os especialistas que escrutinam as pérolas que depois são canalizadas para os leilões de livros; a escória, isto é, os livros vulgares, edições sem história, são vendidos ao baratucho.
Há depois outros universos: a filatelia, a numismática, domínios pelos quais nutro pouco afeto. E há as caixas com cartas, bilhetes-postais, fotografias, folhetos… e há as bancadas com obras de todas as dimensões. É aqui que jogo o fator surpresa.
Foi num destes territórios que o artista Manuel Botelho encontrou correspondência de um cabo de transmissões que viveu no Bachile dois anos, o Necas, que escreveu aerogramas pungentes para a Carlinda, deu uma instalação de truz, ideia bem original.
Isto para vos convidar a frequentar feiras de trastes e traquitanas.

Um abraço do
Mário


A Guiné que vou encontrando na Feira da Ladra

Beja Santos

Quem frequenta feiras de trastes e traquitanas sabe muito bem que o cheiro a pólvora aqui é o inesperado em livro, móvel ou peça decorativa. O inesperado é subjetivo e para mim, percorrer a Feira da Ladra, é estar sempre disponível para bens guineenses. Estabelecem-se cumplicidades com os feirantes e essas cumplicidades geram estimas perduráveis. Eduardo Martinho telefona-me e avisa-me que tenho surpresas à espera. Entro no quiosque e primeiro procura convencer-me que me falta em casa uma aguarela de Alberto de Souza, uma peça em nácar ou madeira exótica ou um tratado de ciência médica do século XVIII. Vê-me reticente, suspira, e orienta-me para umas caixas onde me acocoro. Ali estão as surpresas prometidas: um livro de cozinha e doçaria do ultramar português, inclui receitas da Guiné (Bolinhas de Mancarra, Bringe, Caldo de Mancarra, Caldo de Peixe, Chabéu de Galinha). A edição é da Agência Geral do Ultramar, o ano da edição é 1969. Quem organizou lembra aos interessados que devem ler a Cozinha do Mundo Português, Tavares Martins Editores.

Suscitou-me interesse o Bringe, cuja receita é um pato, um copo de vinho branco, malagueta, sal, 4 colheres de óleo de mancarra, 4 colheres de banha e uma chávena de arroz. Fica-se a saber que o pato é estufado com todos os ingredientes, que se lava o arroz que vai ser frito em banha. Mas a coisa não fica por aqui, quanto ao arroz e ao resto. Quanto ao arroz, quando cor de palha, juntam-se-lhe duas chávenas de água e mete-se no forno. Quando pronto serve-se com os pedaços de pato e com os acompanhamentos que podem ser camarões ou mexilhões guisados com azeite. Juro que nunca ouvi falar no Bringe. Desculpo a minha ignorância justificando-a pela falta de restaurantes guineenses, às vezes ando bem aguado à procura de uma sopa de ostra, bato à porta dos restaurantes cabo-verdianos, nada. Que tem a cozinha guineense contra nós, apraz perguntar.

A brochura Guiné é propaganda bem-feita e um tanto. Estão para ali frases de Spínola e a essência da sua política “Por uma Guiné melhor”, o partido que ele criou. Estão ali as palavras de ordem sobre educação, cultura, cuidados de saúde, ação psicossocial, ordenamentos, comunicações e desenvolvimento agrário, fotografias dos soldados como agentes da paz.





E a última surpresa é o calendário da associação dos Apicultores do Leste da Guiné-Bissau, o mel chama-se Badjudessa e o contacto é: apileste.gb@hotmail.com. Lamento não poder publicar integralmente o calendário. No boletim da Artissal www.artissal.org, há menção da constituição desta associação de apicultores ainda em 2011. Certamente que todos nós lhe desejamos uma longa e bem-sucedida existência.

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Nota do editor

Último poste da série de 24 DE JUNHO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11757: Notas de leitura (494): "Adormecer de um Sonho" por Carlos-Edmilson M. Vieira (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P11772: Crónicas de uma viagem à Guiné-Bissau: de 30 de abril a 12 de maio de 2013: reencontros com o passado (José Teixeira) (7): O Xitole e o "alfero" Francisco Silva (CART 3492, 1971/73), a emoção de um regresso



Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >  Antiga casa do comando, agora transformada em morança particular. "Com que emoção o Francisco Silva descobriu as pinturas nas paredes que alguém,  muito antes dele, ali pintou" (1)


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Antigas instalações das NT, agora edifício do "Comissariado da Polícia de Ordem Pública, Sector do Xitole".



Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >  "Descer à fonte e beber da água do poço que o outro Silva, o básico, como foi identificado pelo Mamadu, ia esvaziando todos os dias, arrastando a água para o quartel".


Fotos (e legendas): © José Teixeira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: LG]


1. Crónicas de uma viagem à Guiné-Bissau (30 de Abril - 12 de maio de 2013) - Parte VII

por José Teixeira


O José Teixeira é membro sénior da Tabanca Grande e ativista solidário da Tabanca Pequena, ONGD, de Matosinhos; partiu de Casablanca, de avião, e chegou a Bissau, já na madrugada do dia 30 de abril de 2013; companheiros de viagem: a esposa Armanda; o Francisco Silva, e esposa, Elisabete; no dia seguinte, 1 de maio, o grupo seguiu bem cedo para o sul, com pernoita no Saltinho e tendo Iemberém como destino final, aonde chegaram no dia 2, 5ª feira; na 1ª parte da viagem passaram por Jugudul, Xitole, Saltinho, Contabane Buba e Quebo; no dia 3 de maio, 6ª feira, visitam Iemberém, a mata di Cantanhez e Farim do Cantanhez; no dia 4, sábado, estão em Cabedú, Cauntchinqué e Catesse; hoje, 5, domingo, vão de Iemberém, onde estavam hospedados, visitar o Núcleo Museológico de Guileje, e partem depois para o Xitole, convidados para um casamento ] (*)... Uma crónica, especial, é devida para celebrar o emocionante reencontro com o passado, por parte do ex-alf mil Franscisco Silva, que esteve no Xitole,  ao tempo da  CART 3942 / BART 3873 (1971/73), antes de ir comandar o Pel Caç Nat 51, Jumbembem, em meados de 1973,[LG]


Parte VII > Encontros e reencontros no Xitole, em 1 de maio de 2013


Palmilhar religiosamente a terra onde estava localizado o quartel, tentando reencontrar as dimensões das casernas, outrora existentes. Calmamente. Saboreando passo a passo o tempo e o solo que pisava. Olhando com nostalgia para os vigorosos poilões que continuam a dar vida e sombra à tabanca. Olhos cravados nos rostos que se aproximam esperando lobrigar um sorriso conhecido, que o tempo não ousara apagar da sua mente.

Localizar os postos dos morteiros 81, eram dois. Um ali, o outro acolá, afirmava convicto.

As valas, salva vidas, cujos contornos ainda estão bem marcados no terreno baldio, onde outrora os corações batiam apressadamente e hoje são um pasto verdejante para alimento das pachorrentas cabras que deambulam perdidas entre as moranças.

O betão dos abrigos, nas extremidades do quartel que resistiu às intempéries e à malevolência dos vencedores. São hoje estranhos monumentos perdidos no tempo e no terreno para a juventude. São um perene testemunho das lutas de vida ou morte que ali se travaram.

A densa floresta que envolve a Tabanca do Xitole, com bandos de pássaros de linda penugem que em revoada se passeiam no céu azul numa algaraviada permanente, continua a guardar bem dentro de si os terríveis mistérios de vida e morte dos tempos da luta.



Guiné-Bissau > Bissau > Hotel Azarai > 30 de abril de 2013 > Um primeiro encontro inesperado com o passado




Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > O regresso ao passado, à magia da tabanca do Xitole. O Francisco Silva junto ao que resta de um momnumento à CART 2413.



Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > O Aliu do Xitole que reconheceu de imediato o Alfero “paraquedista” , o “Sirva”. Amena cavaqueira com o Aliu a falar do “Alfero Sirva”, "manga de bom pessoal"

Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >  O Aliu (antigo menino da messe dos sargentos)  e o Francisco Silva

Fotos (e legendas): © José Teixeira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: LG]


Ainda em Bissau o primeiro encontro com o passado. Passeávamos pela antiga messe dos oficiais, numa viagem de regresso às origens no que hoje é um hotel de luxo – Hotel Azarai, quando um senhor bem vestido o encara de frente e provoca uma conversa. Era o Diretor de um instituto estatal.

Ao tempo, estudava em Bissau e passava as férias na tabanca natal. Pergunta-lhe de repente: 
Você não era o Alferes paraquedista que esteve em tal parte?

Espanto geral do Francisco Silva, hoje médico no Hospital Amadora Sintra. De facto,  era conhecido como o “alferes paraquedista”.

Seguiram-se os primeiros embates com a memória que restou do tempo vivido no Xitole, logo ali alimentados pelo cavalheiro bem vestido e continuaram na tarde do dia seguinte, naquele local sagrado: A Tabanca do Xitole.

Naquele peregrinar numa tarde em que o Sol se esqueceu de nós, as histórias de cada lugar reencontrado, guardadas com acuidade no sótão da sua mente, assaltam-lhe a memória presente e toldam-lhe o pensamento.

Memória alimentada pelo Mamadu Aliu, outrora o menino da messe dos sargentos, que identificou à primeira vista o “Alfero paraquedista”. Sempre ele, calmo e sereno, observador de ouvido atento, como no tempo em que comandava os seus soldados perdidos na selva da guerra.

Os ataques, as reações e os seus efeitos…

A história do “turra” que pretendia matar a sentinela. Para o efeito trazia consigo uma faca afiada nos dois gumes. Morreu com um tiro certeiro, mesmo ali à porta do abrigo, quando se preparava para exercer a sua nefasta ação. O trabalho que tiveram depois para se libertarem do corpo…
“guerra é guerra, meu ermon, como me disse o Braima Camará em 2008, meu inimigo de outros tempos.

A história do saariano apresentado ao Silva como um perigoso cubano. Ele tinha ligado tão pouco a esta cena do saariano, que a deixou escapar da memória, mas veio agora o menino da messe, o Aliu,  recordar-lha com todos os pormenores e quanto o ficaram a admirar pelo seu acto. Contou ele que o Alfero paraquedista se apresentou junto do prisioneiro e lhe fez umas perguntas. Depois mandou que lhe dessem uma cerveja e o mandassem embora. O prisioneiro agradeceu, mas recusou,  alegando que era muçulmano. Então o Silva ordenou que lhe dessem um sumo e deixou-o ir em paz. O Alfero Silva era uma boa pessoa…

A história do ataque sofrido, debaixo de uma terrível tempestade, sem resposta pronta, com muitas granadas a rebentar dentro do quartel. O estrondo da tempestade abafou o ruido das primeiras bombas e só não morreu muita gente no Xitole porque os deuses da guerra estiveram do nosso lado. Não foi no tempo do alferes Silva, mas o Aliu trouxe-o à ribalta

História confirmada nessa mesma noite na Residencial do Saltinho em amena cavaqueira com o guarda noturno da pousada. Não é que ele mesmo foi um dos atacantes, nessa tarde maldita.

Graças a Deus que estamos aqui os dois. Palavras sentidas do antigo inimigo, que também esteve no célebre ataque às cinco da manhã com tentativa de penetração à tabanca, para raptar o régulo, segundo afirmou. Este ataque sofreu-o o Silva com toda a intensidade, competiu-lhe a ele comandar a defesa, como comandante.

O Alferes paraquedista lembrou que viu, neste ataque,  um inimigo em cima de uma árvore e enviou-lhe os seus cumprimentos através de um dilagrama.

O agora amigo e grato a Deus pelas duas vidas que se salvaram confirma que o ataque com as armas pesadas estava a ser comandado de cima de uma árvore. O rebentamento do dilagrama assustou o comandante que caiu abaixo da árvore e partiu uma perna.

Sentados no chão traçaram as linhas de defesa e ataque. Um e outro entenderam-se na perfeição. Ainda se recordam do terreno palmo a palmo e da localização das máquinas que vomitando fogo semearam a morte e a dor. Localizaram as posições das armas pesadas de uns e de outros. A fuga com as granadas a rebentarem nas suas costas. O arrastar dos feridos e foram bastantes. Foi dia de ronco para os tugas comandados pelo Alfero paraquedista.




Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > > Bajudas (1)


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Bajudas (2)


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Junto ao poço. O velho mecânico, o Seido Baldé, contente por abraçar o "alfero Silva".


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Antiga casa do comando, agora transformada em morança particular.  Pinturas (2)


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >  Antiga casa do comando, agora transformada em morança particular.  Pinturas (3)


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >Antiga casa do comando, agora transformada em morança particular.  Pinturas (4)


Fotos (e legendas): © José Teixeira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: LG]



Descer à fonte e beber da água do poço que o outro Silva, o básico, como foi identificado pelo Mamadu, ia esvaziando todos os dias, arrastando a água para o quartel.

As mulheres e as bajudas a tomarem banho como antigamente com os peitos generosamente descobertos, agora um pouco envergonhadas. Será que é por já estarmos velhos, ou mudaram-se os tempos…

A Casa do Comando, transformada em morança. Os seus habitantes aceitaram o desafio e deixaram o Silva entrar no espaço que foi seu por algum tempo. Com que emoção descobriu as pinturas nas paredes que alguém muito antes do Silva ali pintou. Fotografei-as para a posteridade.

O velho mecânico, o Seido Baldé, veio dar uma ajudinha, a este deambular pela história do alferes Silva relembrando outras cenas vividas num tempo que já passou há muito tempo, mas que continua bem presente nas nossas mentes e só vão desaparecer com a morte que o destino nos marcou.

Braços abertos e sorrisos de quem se bateu por uma Pátria que os abandonou na primeira oportunidade.
Estávamos no dia primeiro de Maio – dia do trabalhador. Um grupo de cidadãos festejava com uma batucada bem regada este grande dia. Não se podia perder esta oportunidade. Há que chamar as nossas mulheres para participarem na festa. Há que cantar e dançar. Há comer e beber à saúde da classe do trabalho que enriquece o mundo, mantendo-se pela sorte maligna que a persegue. Sempre pobrete, mas alegrete.



Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Restos do aquartelamento


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >Restos do aquartelamento: a vala que corria para o Rio Corubal


Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 >; Seido Baldé  e Francisco Silva



Guiné > Região de Bafatá > Xitole > 1 de maio de 2013 > Amigos posam para a posteridade: Seido Baldé, Francisco Silva e Mamadu Aliu... Ao fundo, uma antena de telecomunicações.

Fotos (e legendas): © José Teixeira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: LG]


Para completar tão gratificante tarde, o menino da messe de sargentos convida o Silva para o casamento da sua filha que se realizará no sábado seguinte, sem que primeiro tenha tido o cuidado de ir junto da esposa do Silva para a informar que o alfero Silva era boa pessoa e muito estimada pelos africanos do Xitole.

A saga continuou. Desde o motorista que nos acompanhava, antigo cabo do exército português e nos fala com entusiasmo desmedido dos amigos que viu partir, ao Galissa que em Iemberém se identifica como “bandido que vai na mato” e hoje é o diretor da rádio local.

Não foi por acaso que esteve nas matas de Jumbembem exatamente no tempo em que o Silva comandava o Pelotão de Nativos aí estacionado. Não foi por acaso que estiveram frente a frente num terrível ataque que o PAIGC desenvolveu. Aninhados no chão reestruturam de novo as suas linhas de defesa e de ataque, como se tivesse sido hoje.

Apreciei todas estas (re)vivências do Francisco Silva neste seu regresso à Guiné. Ouvi um antigo soldado português dizer: 
Tive muitos amigos portugueses que caminharam e combateram a meu lado. Grandes amigos. Tenho manga de sodades. Gostava de os poder abraçar de novo…

Perante tantas emoções, eu,  o Zé Teixeira, senti-me na obrigação de abrir a minha veia poética e deixar que a esferográfica deslizasse pelo papel, escrevinhando algumas linhas que pretendem traçar o meu estado de espírito.


GUERRA É GUERRA
por Zé Teixeira

Guerra é guerra, meu 'ermon' (a)
Quando passa, não deixa saudades.
Mas, muitas amizades, neste mundo perdido
Os antigos inimigos se procuram,
Para saldar as contas com um abraço sentido.

Armas caladas,
Em mãos armadas,
Cantam horrores,
Silenciam com a morte,
Quem por má sorte
Lhe sofre as dores.

Sangue e pranto,
Em jorro constante,
Num jardim sem flores,
E na última despedida,
Clamam pela vida,
Que queriam viver.
E pelos seus amores,
A sua razão de ser.

A esperança, essa resiste,
Num corpo ainda quente,
Até aos últimos estertores.
…E uma vida se perdeu.

A seu lado ainda há vida,
E de armas na mão.
Não acredita,
No sangue que correu,
Chora uma lágrima sentida,
E avança.
Destemida.
Na vingança de quem morreu.

Verte a raiva que lhe vai no sangue
Para dentro da palavra
Que transpira asperamente.
Põe o dedo no gatilho,
E com que raiva lavra,
O destino de quem matou.
Inutilmente.

Até que a guerra tem seu fim,
Finalmente.
Inimigos de ontem,
Hoje perguntam, num abraço de paz,
Selado eternamente.
Que fiz eu?
E tu meu irmão,
O que nos aconteceu?

Choram lágrimas de alegria,
Caldeadas com lágrimas de dor,
Não pelo que sofreram,
Já passou,
Sem desejos de vindita,
Mas pelos amigos que perderam,
Na guerra maldita.
Que alguém sem rosto criou.

Zé Teixeira

(a) Braima Cassamá (Antigo guerrilheiro do PAIGC) meu inimigo. Reencontrado em 2008

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Nota do editor:

Último poste da série > 22 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11745: Crónicas de uma viagem à Guiné-Bissau: de 30 de abril a 12 de maio de 2013: reencontros com o passado (José Teixeira) (6):De Iemberém a Guileje, a caminho de um casamento no Xitole

Guiné 63/74 - P11771: In Memoriam (153): Américo Justino do Carmo Martins, ex-sold cond auto, CCAÇ 557 (Cachil, Bissau, Bafatá, 1963/65): mais um homem bom que se despede da terra da alegria (José Colaço)

1. Mensagem do José Colaço:

 Data: 27 de Junho de 2013 às 23:53

Assunto: Óbito

Caro Luís Graça e editores


Não fazia parte da tertúlia mas fez parte da minha companhia caçadores 557, mais um que se despede de nó, s foi ontem sepultado no cemitério de Santa Catarina, Tavira. O soldado condutor 1600 Américo Justino do Carmo Martins,  vitima de ataque cardíaco fulminante. [, foto à direita].

Era um elemento muito estimado entre nós,  eu perdi um amigo de verdade, era impressionante o modo com ele me abraçava quando nos encontrávamos. 

Era um lemento assíduo, ele e toda a sua família desde filhos,   genros e netos,  em todos os almoços de convívio da CCaç 557. 

Diz-se "queres ser bom,  morre ou ausenta-te",  mas não é o caso do Américo,  ele era aquele homem simples,  sem maldade,  por esse motivo por onde passou deixou grandes amigos. Isso mesmo pode ser comprovado, demonstrado ontem: Santa Catarina e arredores se deslocaram-se em peso,  a dar a gritar em silêncio o último adeus ao Américo.

Um abraço
Colaço.

PS -  Segue em anexo foto do Américo.
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Nota de editor:

Último poste da série > 10 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11688: In Memoriam (152): Cap inf José Jerónimo Manuel Cravidão, cmdt da CCAÇ 1585 (Nema e Farim, 1966/68), morto em combate há 46 anos, em 4 de junho de 1967; natural de Arraiolos, os seus restos mortais repousam em Elvas; nunca foi condecorado (Claudina Cravidão / Jaime B. Marques da Silva)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Guiné 63/74 - P11770: Os nossos médicos (55): Sondagem (n=93): 35% dos respondentes dizem ter passado pelo HM 241 (Bissau), e 8% foi evacuado para o HMP (Lisboa)




Sondagem sobre os nossos médicos (n=93).  Período: de 22 a 27 de junho de 2013. Resposta múltipla, em frequências relativas (%)



1. Como sempre nas nossas sondagens, tratando-se de amostras de conveniência, não podemos fazer generalizações para os universo dos nossos leitores que foram combatentes na Guiné, e muito menos para  o universo dos nossos combatentes na Guiné (1961/74).

Mesmo assim, estes dados, respeitantes a 93 respondentes não deixam de ser curiosos, podendo revelar algumas tendências:

(i) Só uma minoria (17%) é que nunca esteve doente, ou pelo menos nunca terá recorrido ao médico ou ao enfermeiro; 

(ii) Três em cada cinco foram vistos, uma ou mais vezes, pelo médico; e outros tantos  pelo enfermeiro;

(iii) Havia um ou mais médicos em cada batalhão; já o mesmo não aconteciam a nível de companhia (segundo 37% dos respondentes);

(iv) 35% da rapaziada conheceu o HM 241 (Bissau); ou esteve lá internado, ou foi lá a uma consulta externa (de especialidade):

(v) Oito por cento do total dos respondentes  foram evacuados para a metrópole, para o HMP (Hospital Militar Principal), em Lisboa...

Seria interessante que estas respostas, apesar do seu nº relativamente reduzido (n=93), pudessem ser objeto de comentários de respondentes e não-respondentes... Como sempre, as respostas são anónimas. E a sondagem realizou-se ao longo de 6 dias (de 22 a 27 de junho, tendo terminado às 13h).. Mais uma vez os nossos agradecimentos a que se dispôs a perder um minuto e fez questão de colaborar. Bem hajam, camaradas!

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Nota do editor:

Último poste da série > 27 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11769: Os nossos médicos (54): Respostas ao questionário: José Colaço (CCAÇ 557, Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65) , Fernando Costa (BCAÇ 4513, Aldeia Formosa, mar73 / set74) , e Rogério Cardoso (CART 643 / BART 645, Bissorã, 1964/66)

Guiné 63/74 - P11769: Os nossos médicos (54): Respostas ao questionário: José Colaço (CCAÇ 557, Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65) , Fernando Costa (BCAÇ 4513, Aldeia Formosa, mar73 / set74) , e Rogério Cardoso (CART 643 / BART 645, Bissorã, 1964/66)

1. Respostas ao questionário sobre os nossos médicos (*):

José Colaço [, ex-Soldado Trms, CCAÇ 557, CachilBissau e Bafatá, 1963/65]

  Luís, não tenho fontes credíveis que possam contrariar o camarada J. Pardete Ferreira mas,  do que se passou com a minha companhia,  parece-me que em princípio iam quatro médicos por batalhão, porque o que retenho na memória é que em cada companhia ia um médico: no caso da minha companhia fazia parte integrante o tenente médico miliciano Dr. Rogério da Silva Leitão e creio que a 555 também tinha um médico e a 556 também e com a CCS seguia também um médico,  creio que com a patente de capitão.

 Em referência à CCAÇ 556 podes colher informações através do ex-alferes Jorge Rosales e da CCAÇ 555 através do ex-furriel Norberto Gomes da Costa, ambos elementos da tertúlia. 

Quanto à CCS do  batalhão 558,  foi para Moçambique mas sei que se reúnem em almoços anuais de convívio.

Se isto puder ajudar,  faz uso dele.

Um abraço
Colaço

PS - No arquivo geral do exército é possível saber se as companhias iam integradas de médico ou não e o José Marcelino Martins com os conhecimentos que tem e a ajuda da Teresinha,  da Liga dos Combatentes, desenleia essa meada,  de certeza.


Fernando Costa [, ex-fur mil trms, CCS/BCAÇ 4513, Aldeia Formosa, mar73 / set74]

Amigo Luís Graça,

O Batalhão 4513 (Guiné 73/74) só tinha um médico, que estava em Aldeia Formosa. Não havia 3,  como vem  referido no texto.

Fernando Costa
Ex-Furr Mil CCS/BCAÇ 4513

Rogério Cardoso  [, ex-fur mil, CART 643 / BART 645, Bissorã, 1964/66]

Camaradas, vou responder pela ordem:

(i) 4 médicos no Batalhão;

(ii) Ficaram toda a comissão

(iii) Cart 642- Drº Raul Silva, Otorrino-Porto (falecido);

 Cart.643- Dr. Manuel Lourenço R. Campos, Albergaria na Velha:

Cart.644 - Dr. José Luis Barbosa, Espinho;


(iv) Fui consultado várias vezes.

(v) Não havia enfermaria.

(vi) Ao HM 241, fui uma única vez.

(vii)  Sim,  fui evacuado para o HMP, por ferimentos em combate.

(viii) Não.

(ix) Sim,  a população era atendida diariamente.

(x) Centenas,  por mês.
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24 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11756: Os nossos médicos (52): Com o pessoal do meu batalhão, partiram, em 24/4/70, no T/T Carvalho Araújo, très alf mil médicos: Vitor Veloso, José A. Martins Faria e Eduardo Teixeira de Sousa (António Tavares, ex-fur mil, CCS/ BCAÇ 2912, Galomaro, 1970/72)

19 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11731: Os nossos médicos (51): O BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) teve pelo menos 4 médicos e prestava assistência à população civil (Benjamim Durães)

18 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11724: Os nossos médicos (50): Os batalhões que passaram pelo setor de Farim tinham um número variável de médicos, de 1 a 4... Quanto ao HM 241, era só... o melhor da África Ocidental (Carlos Silva, 1969/71)

14 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11704: Os nossos médicos (47): Qual era a dotação médica de um batalhão ? Três médicos por batalhão, diz-nos o ex-alf mil méd J. Pardete Ferreira (CAOP1, Teixeira Pinto; HM 241, Bissau, 1969/71)

(...) Questões:

(i) Quantos médicos seguiram com o vosso batalhão, no barco ?

(ii) Quantos médicos é que o vosso batalhão teve e por quanto tempo ?

(iii) Lembram-se dos nomes de alguns ? Idades ? Especiallidades ?

(iv) Precisaram de alguma consulta médica ?

(v) Estiveram alguma vez internados na enfermeria do aquartelamento (se é que existia) ?

(vi) Foram a alguma consulta de especialidade no HM 241 ?

(vii) Foram evacuados para a metrópole, para o HMP ?

(viii) Tiveram alguma problema de saúde que o vosso médico ou o enfermeiro conseguiu resolver sem evacuação?

(ix) O vosso posto sanitário também atendia a população local ?

(x) (E se sim, o que é mais que provável:) Há alguma estimativa da população que recorria aos serviços de saúde da tropa ?...

Guiné 63/74 - P11768: Parabéns a você (594): Vítor Caseiro, ex-Fur Mil da CCAÇ 4641 (Guiné, 1973/74)

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Nota do editor

Último poste da série de 24 DE JUNHO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11754: Parabéns a você (594): Vasco Joaquim, ex-1.º Cabo Escriturário do BCAÇ 2912 (Guiné, 1970/72)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Guiné 63/74 - P11767: Cartas de amor e guerra (Manuel Joaquim, ex-fur mil, arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67) (17): Jovens politicamente atentos

1. Mensagem do dia 24 de Junho de 2013, do nosso camarada  Manuel Joaquim (ex-Fur Mil de Armas Pesadas da CCAÇ 1419, BissauBissorã e Mansabá, 1965/67):

Cartas de Amor e Guerra

Nota prévia:
[A publicação de vastos excertos da minha correspondência de guerra tem, como único objectivo, o de dar a conhecer alguma coisa da vida mais pessoal de UM soldado, EU neste caso, enquanto combatente numa certa guerra e num determinado tempo histórico, com os seus amores, amizades, ideias políticas, formação cultural e religiosa, etc.
Não serve, hoje, para travar qualquer batalha, muito menos de cariz político-ideológico. Porventura, também terá algum interesse para possíveis investigadores que queiram caracterizar certo tipo de combatentes, não mais do que isso.
Actualmente, como é natural, sou uma outra pessoa, tenha conservado ou não algo da minha maneira de ser e de pensar de então. Não apago nada, antes tenho orgulho do “eu” que ressalta desta correspondência de amor e guerra, mas seria abusivo que quem me lesse me pensasse, hoje, a “figura” esparramada no conteúdo desta correspondência de há mais de 46 anos.
O mesmo digo sobre o que se passa com a parceira destas cartas, a minha querida namorada / companheira de então e até hoje.]

Manuel Joaquim


CARTAS DE AMOR E GUERRA

17. Jovens politicamente atentos

Bissorã, 1966 > Praça com monumento a Raimundo Serrão, Governador da Guiné (1949 – 1953) e Estação dos Correios. 
Foto retirada, com a devida vénia, de “Rumo a Fulacunda”, blogue de Henrique Cabral (fur mil CCaç 1420) 

Bissorã, Nov.-17-1965
Agradavelmente, minha querida, li a tua última carta mais pelo espírito de contemporização consciente que demonstras perante certos pequenos conflitos que surgem entre nós do que por qualquer outro motivo.
(… … …)
Tanto tu como eu devemos andar com os nervos à flor da pele. O mais pequenino desentendimento pode provocar uma “explosão” (…). Mas nada de grave acontecerá.
Já cá recebi os cigarros. Agradecido por não teres deixado fugir a oportunidade de me presenteares, (…).

(…), isto cá vai correndo. (…), continuo sem me ressentir fisicamente do esforço que me é exigido.
A temperatura é tolerável. Embora durante o dia faça um calor de rachar, respira-se agradavelmente logo que desaparece o sol. E as noites chegam a ser bastante frescas. Estamos na época do cacimbo. Até Maio não chove. Por mais incrível que pareça, já bati o queixo com frio por duas vezes. Mas isto só sucede em operações no mato.
Às vezes somos obrigados a estar horas seguidas na mais completa imobilidade e, se isto sucede quando estamos molhados - atravessar pântanos com água pelo pescoço é um martírio – então o friozinho aparece renitente. (…) pouco tempo depois de o sol nascer, o calor começa então a apertar numa progressão de espantar.
(… … …)
A diferença horária é, no respeitante à Metrópole, de uma hora mais cedo durante a hora de inverno de aí e de duas horas na de verão. As noites são praticamente iguais aos dias. Pelas 5.30h da manhã começa a amanhecer e anoitece pelas 17.30h. Tanto o amanhecer como o anoitecer são bastante rápidos (mais ou menos meia hora).

Já há tempos te disse que Bissorã é uma vilazinha sede de concelho. Antes de rebentar a insurreição dizem que tinha uma vida bastante movimentada. Agora está um pouco paralisada. Deve ter uns dois mil e tal habitantes. Praticamente, a população é negra como não podia deixar de o ser. Há cá alguns comerciantes brancos mas não são portugueses, são emigrantes libaneses. Estes, com alguns caboverdeanos, são a elite cá da terra. Estão aqui duas companhias aquarteladas. Os sargentos vivem em casas particulares. Aquela onde estou é bastante boa e espaçosa. Se me esquecesse de que à volta existe a floresta cheia de guerrilheiros (à volta da vila, não da casa) pensaria que estava hospedado numa boa pensão. É que até as refeições são servidas num pequeno restaurante. Não temos messe. (…).

Centro de Bissorã, nos inícios da década de 1970. A marca (O), à esquerda - baixa da foto, identifica a casa onde habitei durante um ano (Out./65 – Out./66)
Foto do cap mil Carlos Oliveira, cmdt. CCaç 13, retirada com a devida vénia do website leoesnegros.com.sapo.pt/ de Carlos Fortunato, fur mil CCaç 13.

As operações fazem-se, normalmente, de noite (…) prolongando-se pelas primeiras horas da manhã. Regressamos completamente arrasados de cansaço. É que além da tensão psíquica há sempre uma caminhada (…), pelo meio da selva e dos pântanos, a abrir caminho. Depois descansa-se.

Já tive a sorte de em 15 dias fazer uma só operação. Foi aquela sequência de dias de sorna! Levantamo-nos quando queremos, ninguém nos chateia e chegam-se a passar dias a dormir, comer, ler, ouvir música e, como não podia deixar de ser, a escrever.

Não imaginas o cansaço que se apodera de nós depois de uma operação. Para fazeres uma ideia digo-te que, uma vez, ainda na operação mas já no regresso a Bissorã, sofremos um ataque. Está claro que a primeira coisa a fazer é atirarmo-nos para o chão e procurar um abrigo qualquer. Pois, nesta altura, um soldado da minha secção, com as balas a assobiarem por cima de nós, adormeceu! Dei por isto quando senti ressonar a meu lado. Tínhamos passado toda a noite a andar!

Ao regressarmos, o chuveiro e a cama são uma obsessão. Mais nada lembra. Acontece às vezes chegar correio nesta altura. Os olhos abrem-se a custo, olha-se para a carta, põe-se em cima da mesa-de-cabeceira e dá-se meia volta para “o reino de Morfeu”.

Ainda hoje presenciei um facto destes. Um camarada chega do mato, lava-se, estira-se na cama. Chega correio da mulher. Apesar de já há alguns dias andar preocupado com a falta de carta (…), só aconteceu isto: abre o sobrescrito, tira a carta e … o envelope cai para o chão, as folhas ficam-lhe em cima do peito e o rapaz cai num profundo sono. (… … …).

(…), penso que te dei uma ideia mais exacta do que é a nossa vida por aqui. Surgem bons momentos que amenizam a dor que, lá bem no fundo, habita estes corpos lançados abruptamente numa guerra estúpida. Relembram-se peripécias passadas, contam-se anedotas, joga-se, procura-se por todos os meios esquecer, tentar esquecer a posição actual em que nos encontramos.

Bissorã, 1966 > O “restaurante” do Sr. Maximiano e da D. Maria ou a célebre tasca / messe de sargentos. Comia-se bem (pelo menos no meu tempo).
© Rumo a Fulacunda, blogue de Henrique Cabral (fur mil CCaç 1420)

E já que estou a falar dos meios de passar o tempo, lembro-te que há uma falta imensa de notícias da Metrópole. Não no aspecto pessoal mas no geral. E vou fazer-te um pedido. Talvez, de vez em quando, o possas satisfazer. Era nem mais nem menos que o envio de jornais e revistas. (…). Aqui, um jornal de há quinze dias lê-se com a mesma sofreguidão com que aí se lê o diário da tarde ao sair do prelo.

Quando estiveres disposta a fazê-lo e tiveres possibilidade, manda-me o “Diário de Lisboa” [*] ou o “República”[*] ou os dois, de dias diferentes, e a revista “Seara Nova”[*]. Se em qualquer outro jornal, ou mesmo nesses, achares um assunto que julgues interessar-me podias recortá-lo e mandar-mo numa carta.

Esse tal “Manifesto da Oposição Democrática”? Não tens possibilidades de o recortar de algum jornal? Gostava de o ler. A revista “Seara Nova” é mensal. Quanto a qualquer outra revista peço-te que não gastes dinheiro de propósito para ma enviares. (…). Que dizes? (…). Desculpa todo o trabalho que com este pedido te possa vir a dar. (…), esse teu possível gesto contribuiria para amenizar um pouco as agruras desta vida. (…).

Meu amor, por hoje fico-me por aqui (…). Uma carta diferente (…). Com ela poderás acompanhar-me melhor. E imaginarás mais facilmente o ambiente em que vou passando estes longos dias à espera de te ir cair nos braços, respirar fundo e gritar-te:
- É agora, minha querida! Estou livre! Vamos para a frente! Construamos o nosso mundo!

Ajuda-me a suportar todo este Inferno!
Todo teu, apaixonadamente, beijo-te e abraço-te. Até sempre!
M.

[*] [Os “Diário de Lisboa” e “República” (jornais diários) e a revista mensal “Seara Nova” estavam ligados à oposição política ao Governo e ao regime do Estado Novo, declaradamente os dois últimos. Em 1965, era Oliveira Salazar o chefe do Governo. Marcelo Caetano suceder-lhe-ia em Setembro de1968.]


Vale de Figueira, 24 – Nov. 1965 
(… … …). 
Satisfazendo o teu pedido, segue o Manifesto da Oposição. Deu que falar pelo país inteiro, alarmado com a liberdade da sua publicação em todos os jornais diários. O que não quer dizer que não tivesse havido prisões, originadas pela simulada liberdade de imprensa (…). Ao tomarmos conhecimento do seu conteúdo fica-se de boca aberta, apalermado. Como foi possível ter passado à célebre censura portuguesa? Mas a verdade é que passou. Mais para fazerem crer ao nosso povo que goza de completa liberdade e que o governo actual, pacífico e sempre atento às necessidades e aspirações desse mesmo povo, o escuta para depois decidir se deve atendê-lo. 
São eleições livres, como apregoam à boca cheia … e a publicação deste Manifesto não foi mais do que uma armadilha atirada ao povo. Pretexto para justificarem essa afirmação de liberdade, verídica quanto a eles, asquerosamente vergonhosa e mentirosa quanto a nós. 
Alguns dos candidatos pelo círculo de Braga (…) já lhes caíram nas garras e pagam essa liberdade nas masmorras de Caxias. Foram os únicos que levaram por diante, até onde lhes foi permitido e possível, as suas manifestações. Conservaram-se em acção, firmes nos seus propósitos até à última hora. Por fim, sem auxílio dos outros círculos que foram ficando pelo caminho, a única alternativa que lhes restava era também desistir. (…). 
E cá continuamos na mesma, senão pior ainda. A situação que se respira na metrópole é bastante difícil. (…). O descontentamento é geral. (… … …). 
Agora, ponto final nestes assuntos e vamos falar de nós. 

(…), fiquei imensamente satisfeita com a tua última carta, a que escreveste aí em 17 do corrente. Uma tranquilidade tão grande, confiança, alegria quase invulgar para os que se encontram em tais situações. Até o trabalho me corre melhor, (…). 
(… … …). 
Agora, meu amorzito, pelas tuas indicações sobre a tua situação (…), “controlo” mais acertadamente as tuas actividades. Sei que enquanto estou na minha repartição, tu tens umas horas de folguedo, de liberdade. Enquanto durmo, tu te debates, tu estás jogando a tua vida. E como todos, esse jogo é incerto. Tanto se pode ganhar como perder. (…) nós cremos que a sorte nos favorecerá e o prémio desse jogo será a tua sobrevivência, a tua saída, ileso, desse inferno. (… … …). 

Os jornais e revistas que me pedes e outras que tenho, enviar-tos-ei logo que possível. Já tinha pensado nisso. Só o que me não ocorreu é que poderia recortar os assuntos que te pudessem interessar e mandá-los por carta. Como tenciono, agora, mandar-te uma encomenda em caixote, aproveito para te mandar algumas revistas e jornais. 
(… ……). 
Recebe os mais ternos e carinhosos beijos e abraços da tua N.


Na imagem supra: 
“Manifesto à Nação" > cabeçalho de um doc. político extenso (mais de 5000 palavras), publicado no “Diário de Lisboa” de 15 de outubro de 1965.
Fonte: Fundação Mário Soares > Imprensa diária > Fundo DRR-Documentos Ruella Ramos.

Na imagem abaixo:
“Manifesto à Nação” > Excerto deste doc. onde se fala da política ultramarina então seguida pelo governo português.


[Dizem ainda os signatários deste “Manifesto à Nação” que na campanha eleitoral para as eleições legislativas teriam de aludir ao “Caso do Relatório da ONU contra Portugal”. E sobre este assunto declaram:]

"O país tomou conhecimento através de uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros - que diga-se de passagem ilustra bem os métodos habituais do regime para quem a opinião pública interna não conta – da existência de um relatório elaborado pelo Secretariado da ONU a pedido do Comité de Descolonização, e no qual ao que se diz, além de se citarem “tendenciosamente textos oficiais”, de “erros de facto” e de “insinuações”, se fazia “pela primeira vez” um comentário analítico de modificações na composição do governo português. 
Através da nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros não se fica a conhecer mais do que brevíssimos tópicos do Relatório da ONU e da resposta do governo português. No entanto, há um facto inacreditável que avulta sem contestação: é que o governo português exige, em nome da justiça, uma ampla divulgação do seu documento igual à que obtivera, ao que parece, o texto das Nações Unidas. Está certo: deseja-se que o mundo possa conhecer e aquilatar das razões do Governo mas, paradoxalmente, nega-se, do mesmo passo, esse direito ao Povo Português – que pareceria dever ser o primeiro dos interessados em conhecer e meditar os documentos em presença! 
Quer dizer: a uma avidez de publicidade no exterior corresponde uma cruel e desprestigiante negação da mesma publicidade no plano interno. Com a diferença: é que, segundo os jornais portugueses depois informaram, a ONU corrigiu o erro publicando a defesa do Governo enquanto o nosso Povo continua na ignorância - sem saber em que consistiu o ataque que nos foi feito e, bem assim, as razões de defesa invocadas”.
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Nota do editor

Último poste da série de 19 DE JUNHO DE 2013 > Guiné 63/74 - P11732: Cartas de amor e guerra (Manuel Joaquim, ex-fur mil, arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67) (16): Aerogramas e insuficiência das mensagens

Guiné 63/74 - P11766: Convívios (518): 6ª jornada da Tabanca da Ajuda Amiga, no Forte da Lage, em Paço d' Arcos, Oeiras, 5ª feira, dia 27 de junho (Carlos Silva)




1. Mensagem do nosso amigo  e camarada Carlos Silva, membro da direção da ONGD Ajuda Amiga  [, foto à esquerda]


Data: 25 de Junho de 2013 às 08:20
Assunto: Tabanca  da Ajuda Amiga: convívio 27-06-2013


Amigos & Camaradas

Na próxima 5ª feira temos a 6ª jornada da Tabanca da Ajuda Amiga no Forte da Lage, em Paço d' Arcos, [Oeiras].

Segue a ementa.

Devem telefonar previamente para a Dª. Emília, telemóvel 917 248 557, para informarem qual o prato preferido.

Um abraço e até 5ª feira para quem vai
Carlos Silva

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Nota do editor: