quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Guiné 63/74 - P15495: Historiografia da presença portuguesa em África (66): James Pinto Bull, deputado guineense (1913-1970), da União Nacional, comenta na Assembleia Nacional,em 10/2/1968, a visita oficial do presidente da República à Guiné (que teve início em 2/2/1968, e cujo roteiro incluiu Bissau, Bafatá, Gabu, Bolama, Bubaque e Safim)



Guiné > Bissau > Cemitério local > Fevereiro de 1968 > Visita presidencial à província > O presidente alm Américo Tomás (1894-1987) e comitiva em visita às campas do talhão dos combatentes portugueses. 

Foto da autoria de Firmino Marques da Costa, fotógrafo da comitiva presidencial, e que faz parte do fundo da Agência Geral do Ultramar.  Pode ser visualizada aqui, no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU). Reproduzida com a devida vénia.

O ACTD - Arquivo Científico Tropical Digital "pretende ser um sistema de informação inovador, que actua como uma plataforma de partilha e divulgação do saber tropical, potenciando e optimizando simultaneamente a realização de investigação e a aproximação da comunidade científica e da sociedade civil às temáticas tropicais e ao seu património científico, aumentando assim o conhecimento da cultura e da história dos países de língua oficial portuguesa (CPLP)."

O acervo do AHU - Arquivo Histórico Ultramarino "integra actualmente cerca de 16 km de documentos provenientes na quase totalidade de arquivos de organismos da administração ultramarina portuguesa que funcionaram entre meados do séc. XVII e 1974-1975".



Guiné > Bissau > Fevereiro de 1968 > Exposição, na fortaleza da Amura,  de armamento apreendido ao PAIGC, por ocasião da visita do Presidente da República, alm Américo Tomás > Metralhadoras pesadas Degtyarev, de origem soviética (*). Foto do álbum do nosso saudoso camarada Vitor Condeço (1943-2010).


Foto: © Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2007). Todos os direitos reservados


1. Intervenção, antes da ordem do dia, do deputado, pelo círculo da Guiné, James Pinto Bull (Bolama, 1913- Rio Mansoa, 1970), em 10 de fevereiro de 1968, na Assembleia Nacional (**):








Intervenção do deputado, pelo círculo da Guiné, James Pinto Bull (Bolama, 1913 - Rio Mansoa, 1970),  Debates Parlamentares > Diário das Sessões, nº 134, 10 de fevereiro de 1968, pp. 2417-2148 (Reproduzido com a devida vénia...)




Intervenções nas duas últimas legislaturas (a IX e X, que não completou por falecimento)


Fonte: Portugal | Estado Novo | Assembleia Nacional | James Pinto Bull (1913-1970) | VIII, IX e X legislaturas |

Nascido em Bolama, licenciadso pelo ISCUP em ciências sociais e políticas ultramarinas, James Pinto Bull fez a sua carreira profissional no funcionalismo ultramarino, tendo sido deputado pelo círculo da Guiné de 1961 a 1970, ano em que morreu, a 26 (ou 25 ?) de julho (***),  num acidente de helicóptero em que perderam a vida mais 3 deputados (J. P. Pinto Leite, o chefe da "ala liberal" de que James Pinto Bulll também fazia parte, Leonardo Coimbra, e José Vicente Abreu), além de 2 militares (o alf pilav Francisco Lopes Manso e o cap cav Carvalho de Andrade).

O seu irmão mais novo, Benjamim Pinto Bull (1916-2005),  liderou  a coligação União dos Naturais da Guiné-Portuguesa (UNGP), um movimento que, com o apoio do Senegal de Leopoldo Senghor, era contra a luta armada e a favor de uma independência da Guiné-Bissau, progressiva, através do diálogo.

Fonte: Parlamento Português >  Publicações On Line >  Deputados da Assembleia Nacional 1935-1974 (Com a devida vénia...)

______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 13 de maio de 2007 >  Guiné 63/74 - P1756: Exposição de armamento apreendido ao PAIGC, aquando da visita de Américo Tomás (Bissau, 1968) (Victor Condeço)

(**) Último poste da série > 31 de outubro de 2015 > Guiné 63/74 - P15309: Historiografia da presença portuguesa em África (59): Cem pesos era "manga de patacão" para o camponês guineense, produtor de mancarra... Era por quanto venderia um saco de 100kg ao comerciante intermediário... Em finais de 1965 o governo de Lisboa garante a compra pela metrópole da totalidade da produção exportável da mancarra guineense e fixa o preço por quilo em 3$60 FOB (Free On Board)

(***) Vd. poste de 26 de outubro de 2009 > Guiné 63/74 - P5162: Controvérsias (39): Nunca se fez um inquérito ao acidente que vitimou o meu avô James e seus companheiros (Sofia Pinto Bull)

5 comentários:

Luís Graça disse...

Américo Tomás, apesar de tudo, teve a maçada de ir a África, coisa que Salazar nunca fez... Recorde-se que ele tinha sido eleito em 1958, nas últimas eleições por sufrágio universal, contra o candidato da oposição ao regime, o gen Humberto Delgado. Chegou ao poder por via fraudulenta, tendo reeleito duas vezes, mas agora num colégio eleitoral restrito... Salazar temeu o "tsunami" de 1958... O seu "low profile" (e a estratégia de Salazar) fez dele um chefe de Estado meramente decorativa: era a nossa raínha de Inglaterra, fardada de almirante. Era depreciativamente conhecido, no meu tempo de menino e moço, como o "corta-fitas"... Foi Ministro da Marinha de 1944 a 1958 e nesse papel terá tido mérito, ao desenvolver a nossa marinha mercante...

A "viagem à Guiné" deveria ser melhor documentada, com testemunhos e fotos, pelos camaradas que lá estavam nessa época... Em cinco dias (!) ele limitou-se a "visitar" Bissau, Bolama e Bubaque, com um salto ao leste (Bafatá e Gabu, por via aérea), o chão fula dos leais fulas...

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Li o discurso do deputado Pinto Bull e considero-o mais um exemplo so espírito que caracterizava os que tinham assento na Assembleia Nacional. É de um vazio gritante e totalmente redondo. Assenta em floreados inúteis, mas através dele podemos tirar conclusões acerca do que se passou na visita, do que se passava no país e do modo absolutamente fechado e pobre de espírito como éramos governados.
Um documento histórico de grande interesse.
Um Ab.
António . P. Costa

Luís Graça disse...

Sobre o bairro da Ajuda, em Bissau, que o alm Américo Tomás visita em fevereiro de 1968 (e onde provavelmente haveria uma qualquer fita para cortar), ver aqui o poste:


20 DE JUNHO DE 2014
Guiné 63/74 - P13312: Manuscritos(s) (Luís Graça) (33): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte VI): O novo bairro da Ajuda (1965/68), um "reordenamento" na estrada para o aeroporto...

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2014/06/guine-6374-p13311-manuscritoss-luis.html

José Nascimento disse...

Estava eu em João Landim, relativamente perto do local do acidente em que morreu o Dr. Pinto Bull. Lembro-me que foi num dia de uma tempestatade incrível em que o ceu ficou escuro como breu. Nos dias seguintes houve um grande movimento das nossas tropas para recuperar os militares falecidos no acidente e o héli acidentado. João Landim ficava na margem do rio Mansôa e estavam lá sediadas duas jangadas a motor, que faziam a travessia entre margens, na estrada que dava para Bula e Teixeira Pinto.

Antº Rosinha disse...

Caminhar contra os ventos da história no tempo do Estado Novo, visto hoje passados mais de meio século, foi de loucos? Lunáticos? obtuso? orgulhosamente só contra o mundo?

Como era possível afirmar, que os outros estavam errados sobre as independências em África?

E só ele estava certo? descaramento?

Salazar ao sabotar as eleições de Delgado, 1958, já tinha sabotado a candidatura de Norton de Matos, um colonialista ortodoxo em 1949.

Embora quase saiba de cor, mas fui à Wikipédia:

«Norton de Matos, tal como grande número de republicanos e opositores do Estado Novo, era defensor de uma política colonialista. Em 1953, no seu livro Africa Nossa defendeu que Portugal tem “pois de povoar essas terras, intensa e rapidamente, com famílias brancas portuguesas e continuar a assimilar os habitantes de cor que lá encontramos. Assimilação completa, material e espiritual”.»

Norton de Matos diz ...intensa e rapidamente... até parecia o "para Angola rapidamente e em força de Salazar em 1961".

Só que Salazar nunca foi de intensidades, velocidades nem de grandes forças.

Era mais devagar, devagarinho e marcha a traz.

Achava que não éramos fortes/fieis/façanhudos/fazendo/feitos/famosos.

Nada de aventuras, como aquela de termos ido para La Lys sob comandantes ingleses.

Eu defendo (hoje) Salazar, talvez com menos Salazarismo mas com colonialismo.

Conforme os anos vão passando, ao vermos que Salazar não ia ao sabor dos ventos, não virá a ser considerado um reaccionário/revolucionário?

Hoje sabemos até ao tutano que aqueles ventos não foram nada benevolentes nem para a Europa nem para África.

As consequências nefastas são para continuar.

Anda tudo ligado!