quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Guiné 61/74 - P17035: Inquérito 'online' (105): "Estás reformado? E sentes-te bem?"... Total de respostas: 114. Resultados: 93% (n=106) estão reformados; e destes, cerca de 38% (n=40) sente-se "muito bem" e cerca de 45% (n=51) sente-se "bem"...


Viseu > Rua Formosa (frente ao antigo mercado municipal 2 de Maio) > Escultura do escritor Aquilino Ribeiro (Sernancelhe, 1885 - Lisboa, 1963) >  O monumento, em bronze, de homeagem ao escritor beirão, autor de Terras do Demo (1919), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1958), entre outras obras relevantes da literatura portuguesa da 1º metade do séc. XX  O trabalho é da autoria de Yuraldi Rodríguez Puentes (2013). Na foto, o nosso editor Luís Graça e a sua cunhada Nitas, ambos da mesma colheita de 1947... O nosso editor acaba de se reformar...mas eapera poder continuar a ser um artesão da palavra e da imagem...


Foto (e legenda): © Luís Graça 2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


A. Inquério 'on line':


"Estás reformado ? E sentes-te bem ?"


Respostas definitivas (n=114)


1. Estou reformado e sinto-me muito bem > 40 (35,1%)

2. Estou reformado e sinto-me bem  > 51 (44,7%)

3. Estou reformado e sinto-me assim-assim, 
nem bem nem mal > 8 (7,0%)

4. Estou reformado e sinto-me mal  > 5 (4,4%)

5. Estou reformado e sinto-me muito mal  > 2 (1,8%)

6. Ainda não estou reformado  > 8 (7,0%)

Total de respostas > 114 (100,0%)


O inquérito terminou em 9/2/2017, às 7h52


2. Comentários dos nossos leitores:

(i) Henrique Cerqueira (*):

Então é assim: Eu estou reformado e na maior parte das vezes eu não me sinto bem.
Explicando: Para mim a situação de reforma foi das piores coisas que me aconteceu .Isto porque quando estava na situação de trabalho eu tinha muita actividade e embora eu não tivesse necessidade de grande actividade e devido ao meu feitio era muito presente junto do meu pessoal visto que estava a chefiar e administrar uma equipe de manutenção industrial multidisciplinar (Electricidade, mecânica e serralharia mecânica). 

Inicialmente a minha actividade estava ligada à industria da biotecnologia e nos últimos anos da minha carreira passei a laborar na industria da fundição de ferro.Nesta ultima actividade todo o equipamento era de alto desgaste a todos os níveis e daí muito exigente em termos técnicos. Por esse motivo eu acompanhava muito de perto o meu pessoal.

Ora assim sendo,  quando me vi na situação de reforma, eu fui afastado de toda essa actividade e ainda hoje eu não sei o que fazer ao tempo extremamente longo que é o dia a dia . Já experimentei muitas actividades de ocupação de tempo mas nada tem sido capaz de me dar o gosto pelo dia a dia que tinha quando estava no activo.
Bom e para já fico por aqui na esperança que este sentimento de inutilidade passe um dia destes . Até lá vou me arrastando "feliz e contente por ainda estar vivo".
Um abraço e ainda fico a pensar qual o propósito deste tema.

PS - Na realidade eu não tive grande tempo de planear a minha reforma,porque de certo modo fui empurrado para essa situação, já que fui obrigado por insolvência da firma onde trabalhava a optar por essa situação de reforma antecipada.
No aspecto monetário até que não tenho que me queixar muito, pese embora o facto de ser mais um dos reformados que tem contribuído principescamente com os desaires económicos do nosso "pobre"país.
Na verdade eu até ia pensando nos meus devaneios enquanto estava no activo o que gostaria de fazer um dia que fosse reformado,mas,como bom Português que sou,  fui deixando esses planos para a última da hora. Até que mais ao menos de um momento para o outro a "crise" instala-se na empresa e foi uma "pressinha" a tomar decisões de reformas-te ou não. E as opções foram :então vamos lá e logo se vê.
Alguns planos que eventualmente tinha foram por água abaixo e a vontade de reagir demora a aparecer e vai-se sempre arranjando desculpas para adiar algumas das opções e que até coincidem um pouco com as que descreveste. No entanto eu creio que virá o dia que se há-de dar a volta.

(ii) Beja Santos (**):

Queridos amigos, percebo a inquietação do Luís Graça, de um dia para o outro quebraram-se rotinas, desapareceram horários, compromissos, estabeleceu-se uma nova relação entre o passado e o presente, procuram-se novas continuidades e incomodo as recentes descontinuidades.

No meu caso, preparei cenários com uma certa previsão: quis manter-me ativo num trabalho que fazia há várias décadas, com um elevado sentido de realização, na política dos consumidores. Ofereci-me para voluntário, dão-me uma sala e um computador, todos os dias viajo por muitíssimos sites em vários continentes para saber se ainda existem consumidores organizados e reivindicativos; mantive os meus compromissos com uma organização ligada à saúde e aos direitos dos doentes, continuo a aprender muito, até porque é indispensável procurar atualização sobre o que se passa em novos conhecimentos quanto a envelhecimento bem-sucedido nos quadro da multimorbilidade; não abrandei o meu interesse pelos estudos guineenses, a minha presença no blogue atesta-o, continuo um infatigável devorador de papel, alavanca para um conjunto de livros que já escrevi e outros que quero escrever; na atualidade, introduzi elementos novos, uns que chagaram com um enorme acolhimento, estou a escrever um romance, outros que andam associados ao apoio a familiares que subitamente adoeceram e que precisam do meu amparo, é o caso da aminha única irmã. Quanto ao resto, zelo para que não se degrade a saúde, convive com os amigos, sempre que posso invisto aos sábados na Feira da Ladra, e com assinaláveis sucessos.

E olho para o meu passado sem remorsos, procuro comportar-me dentro dos princípios do Cristianismo onde mantenho a minha fé, procuro respeitar a dignidade de toda a gente, não molestar ninguém, não denegrir ninguém e não perder tempo a comprar guerras. É assim que eu vivo, e estou feliz porque não vivo em desacordo com o que penso, tendo ainda o privilégio, após 50 anos de trabalho, de ter feito concursos para subir na carreira, de não ter atropelado ninguém, de ter uma reforma condigna em que posso ajudar os meus.

Não sei se me exprimi bem, é este o depoimento que vos entrego com o mesmo abraço de estima de sempre.

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Notas do editor;

6 comentários:

Tabanca Grande disse...

Luís Graça
9 fev 2017 19:15

Obrigado, Valdemar, traz-me lá esse "periquito" do Aurélio, que
gostava das músicas e das letras do Zeca Afonso (*) ... Precisamos de
chegar aos 750, antes do XI Encontro Nacional da Tabanca Grande, em 29
de abril de 2017, em Monte Real...

Ele já está apresentado, podes ser tu o "padrinho", só precisamos das duas "chapas" da ordem...Dizes que ele tem um belo álbum fotográfico, que quer partilhar connosco...

Ótimo!... O nosso espólio da Guiné, quando a gente lerpar, vai parar,
na melhor das hipóteses, à Feira da Ladra... São memórias de todos
nós... Temos o "dever de memória"... Como eu costumo dizer, a nossa
geração não vai parar à "vala comum", como a dos nossos pais e avós...

E essa reforma, como é que a tens "gozado" ? Manda umas dicas, já
cheguei há dias ao clube...

Ab. Luís

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(*) Vd. poste P17028, de 7/2/2017:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2017/02/guine-6174-p17028-efemerides-244-zeca.html

Anónimo disse...

Valdemar Silva
9 fev 2017 22:04

para mim
Pois é Luís Graça somos duma geração extraordinária e por certo vamos
todos ser bem recordados pelos nossos descendentes.

Frequentemente tenho falado com o Aurélio Duarte sobre a publicação,
no nosso blog, do seu álbum fotográfico, assim como os seus
comentários da passagem pela Guiné.

Vamos ver se é desta que ele se dispõe partilhar connosco todo ó seu
rico espólio.

Quanto à minha situação de reformado, respondi nem bem nem mal. Como comecei
a trabalhar muito cedo aos 12 anos reformei-me cedo aos 59 anos, mas mantendo
outra actividade, que já exercia à noite, até há pouco tempo. Não
ganhei muito com tudo isto e a partir 2006 comecei a ter problemas de
saúde derivado aos cigarros, que se tem agravado cada vez mais. Sofro de DPOC, com grandes dificuldades respiratórias e de locomoção sendo internado com frequência no
Hospital Fernando Fonseca. Mas, cá me vou aguentando, não se pode ter
tudo, pelo menos posso dizer que fumei uns cigarros nuns fim de tarde calmos em Guiro Iero Bocari.

Abraços
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...


Luís Graça
10 fev 2017 06:29

Valdemar, já deixei de fumar há muito, mas tenho outras mazelas, já
fiz,por exemplo, uma artroplastia da anca, também no Amadora-Sintra...
Na nossa idade vamos ter que saber gerir (e viver com) uma, duas ou
mais doenças crónicas.. Só posso desejar-te as melhoras... e ânimo
forte!

Quanto ao teu comentário, 2ª parte... Posso públicá-lo ?...Ab. Luis

Anónimo disse...

Valdemar Silva
10 fev 2017 13:26

Luís, eu também já deixei de fumar se não já tinha ido desta pra
melhor, dizem, e os meus amigos diriam 'o Valdemar deixou de fumar'.
Com certeza que podes publicar os meus comentários.
Abraço
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

Valdemar, tu e eu e outros camaradas, ex-fumadores, podemos e devemos ajudar os camaradas que ainda fumam... Contando a nossa experiência, como fumadores e ex-fumadores. Não sou "fundamentalista antitabágico", mas, como homem da saúde pública, tenho a obrigação de ajudar quem quer (e precisa de) deixar de fumar... Ab. grande, Luís

Hélder Valério disse...

Caros camaradas

Gostei deste inquérito.
E estará tão bem arquitectado que, desta vez, não 'mereceu' (ou não foi alvo de) reparos por parte do infatigável "TóZé".
Também fiquei razoavelmente satisfeito por a larga maioria de 'respondentes' (desta vez em número mais significativo) se declarar "bem" ou mesmo até "muito bem". Claro que quem respondeu foi porque está atento a "este Blogue" e, se bem que tenha uma quantidade de seguidores interessante, a sua larga maioria enquadra-se num grupo social que não será o que mais dificuldades terá. Isto penso eu, claro, mas posso estar errado!

A minha resposta foi enquadrada no "ainda não estou reformado", o que é verdade.
Não que não tivesse já idade para isso. Já tenho 68 anos e em Junho farei 44 de contribuições. Acontece é que por "erros meus, má fortuna" não me é vantajoso "reformar" neste momento.
Ainda "mexo", faço 'umas coisas', tal facto obriga-me a compromissos, ocupa-me o tempo (talvez demasiado tempo), amigos vários aconselham-me a usufruir mais a vida mas, olhem, faz-se o que se pode e não o que se quer.

Seja como for, fico contente pelos resultados do "inquérito".

Hélder Sousa