quinta-feira, 13 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17579: Inquérito 'on line' (124): num total de 64 respostas, metade (50%) considera que o aerograma (ou "aero") "em geral era seguro e rápido"... Imprescindível para o sucesso do SPM foi a colaboração da TAP e da FAP.


Um original aerograma, escrito em linhas concêntricas, reproduzido no livro do nosso camarada António Graça de Abreu, Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa, Lisboa: Guerra e Paz, Editores. 2007), pag. 185.. O nosso camarada numerava, cronologicamente, os aerogramas que escrevia e punha no correio, endereçados à sua esposa, este era o nº 301, com data de 17/1/1974, a escassos meses do regresso a casa (que ocorreria já nas vésperas do 25 de abril de 1974).

Cufar, 17 de Janeiro de 1974

Logo escrevo carta. Agora vais rodar o aerograma.
Tivemos ontem ministerial visita, Baltazar Rebelo de Sousa, do Ultramar. Impressionantes medidas de segurança que o Sr. Ministro não lobrigou. Tropa emboscada em Catió, pára-quedistas que vieram de propósito de Bissau emboscados em Caboxanque, Fiats lá por cima a grande altitude, prontos a actuar, os helicanhões protegendo os itinerários de passagem. Resumindo, lindo de ver! E o ministro, quando chegar a Lisboa é capaz de botar discurso e afirmar que se deslocou livremente por toda a Guiné, foi onde quis, contactou com as populações, etc., etc.


Foto: © António Graça de Abreu (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


I. INQUÉRITO DE OPINIÃO: 

"EM GERAL, O AEROGRAMA ERA SEGURO E RÁPIDO"

Resultado final (=64)



1. Era seguro e rápido  > 32 (50,0%)



2. Era seguro mas não rápido  > 4 (6,2%)


3. Era rápido mas não seguro  > 14 (21,9%)

4. Não era nem seguro nem rápido  > 5 (7,8%)

5. Não sei / já não me lembro  > 9 (14,1 %)

Total > 64 (100,0%)

Inquérito 'on line' fechado,  quinta feira, dia 13, às 16h59

II. Comentários (na página do Facebook da Tabanca Grande)


(i) António Vidigal 

O correio nas províncias ultramarinas era um bálsamo para os nossos combatentes : eu que o diga porque por muitos motivos estive à frente na distribuição do correio da minha companhia, a CART 6254,  no Olossato... Como era gratificante ver no rosto dos meus amigos quando eu lhes chamava pelos nomes ! 

Um abraço do tamanho do mundo para os meus colegas de companhia em especial e para todos os outros em particular.

11/7/2017


(ii) Fernando Oliveira


Nós, os do Pelotão de Morteiros 2138 (Buba, 1969/1971), fomos prestigiados, semanalmente, por uma avioneta civil, que além de nos trazer o tão esperado correio, ainda nos brindava com um verdadeiro show aéreo. Fazia umas piruetas antes de aterrar (Ganda Maluco, aquele +iloto, certamente estava apanhado pelo clima) para a felicidade da ,alta, que ansiava por notícias da Metrópole. Gostaria muito de beber uma cervejola com esse piloto que nunca conheci pessoalmente, Estávamos sempre em alerta máximo para proteção ao nosso piloto greferido. Bem haja! (**)

11/7/2017
___________________


(**) Vd. também outros postes (uma pequena seleção de muitos textos publicados no nosso blogue sobre o aerograma e o SPM):

27 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17518: Antologia (76): "O Correio durante a guerra colonial", por José Aparício (cor inf ref, ex-cmdt da CART 1790, Madina do Boé, 1967/69)... Homenagem ao SPM - Serviço Postal Militar, criado em 1961 e extinto em 1981.

15 de julho de 2015 > Guiné 63/74 - P14882: Nas férias do verão de 2015, mandem-nos um bate-estradas (4): Os amigos e amigas que nos ligaram ao nosso mundo (José Teixeira)

13 de abril de 2014 > Guiné 63/74 - P12974: Memórias dos últimos soldados do império (1): “Bate estradas” histórico, escrito à minha filha em 1973, e uma redacção da minha neta, vinte anos depois (Albano Mendes de Matos)

21 de setembro de  2009 > Guiné 63/74 - P4989: FAP (33): Correio ao Domicílio (Miguel Pessoa)

(...) Uma vez, um aviador de Fiat G-91, depois de executar uma missão no sul do território onde largou o ferro que levava, quando regressava a Bissalanca detectou uma anomalia suficientemente grave para o fazer dirigir-se de imediato para o sítio mais próximo que fosse apropriado para pôr o estojo no chão. Lá fez uma aproximação cuidadosa à pista, conseguindo parar o avião dentro do espaço disponível, sem mais problemas para além do susto inicial.

Ainda a recuperar do stress, enquanto saía do avião, vê que a capacidade de apoio do aquartelamento era superior à que esperaria, pois de imediato se aproximam rapidamente do local vários militares. Só então se apercebe das suas intenções quando um deles lhe dispara a pergunta sacramental:
- Traz correio?! (...)


10 de fevereiro de 2008 >  Guiné 63/74 - P2519: As Nossas Madrinhas de Guerra (1): Os aerogramas ou bate-estradas do nosso contentamento (Carlos Vinhal / Luís Graça)

1 comentário:

antonio graça de abreu disse...

Já agora, descodifico a minha escrita circular. Curiosa a visita do pai do nosso actual Presidente da República. Disse isto no aerograma à minha esposa:

Cufar, 17 de Janeiro de 1974

Logo escrevo carta. Agora vais rodar o aerograma.
Tivemos ontem ministerial visita, Baltazar Rebelo de Sousa, do Ultramar. Impressionantes medidas de segurança que o Sr. Ministro não lobrigou. Tropa emboscada em Catió, pára-quedistas que vieram de propósito de Bissau emboscados em Caboxanque, Fiats lá por cima a grande altitude, prontos a actuar, os helicanhões protegendo os itinerários de passagem. Resumindo, lindo de ver! E o ministro, quando chegar a Lisboa é capaz de botar discurso e afirmar que se deslocou livremente por toda a Guiné, foi onde quis, contactou com as populações, etc., etc.

Abraço,

António Graça de Abreu